Momentos de Reflexão
"Na busca por momentos agradáveis, nem percebi que a minha vida se tornava cada vez mais desagradável."
Gostaria que o mundo e a vida tivessem mais sentido — eu realmente gostaria. Mas, se acontecesse, seria egoísmo? E isso também me tornaria um ser sem sentido? Me tornaria parte do problema?
Afinal, meu maior problema com o mundo atual é justamente o egoísmo das pessoas.
A proteção não é apenas uma profissão; é um pacto inegociável com a vida do outro. Existe uma linha tênue entre o risco e a segurança, e é exatamente onde eu atuo.
Ser profissional de proteção vai muito além da presença física ou do uniforme. É antecipar o imprevisível, dominar o cenário e ser, em cada segundo, a barreira silenciosa entre o perigo e quem confiou a segurança a mim.
Carrego essa responsabilidade com a frieza de quem conhece o perigo e a determinação inabalável de quem não permite que ele chegue.
No fim, não é sobre o que eu faço, mas sobre quem eu sou e o meu estado de prontidão constante.
Estou de partida,
cansei desta vida,
procuro, em silêncio,
na penumbra dos dias a porta escondida.
Levo nos olhos
o sal das marés,
um céu despedaçado
e muitos antigos porquês.
Fui ave ferida,
sem ninho, sem canto,
voando entre abismos,
bebendo o fel do pranto.
Mas há, sob as cinzas,
uma brasa acesa;
um sopro pequeno
de pura e doce surpresa.
Talvez a saída
não seja partir,
mas abrir as asas
e aprender a voar por caminhos opacos
me equilibrar entre os que realmente estão a existir.
Talvez o caminho a se fazer... se refazer...
comece no chão,
quando a própria queda
se torna impulso e mão.
Se a noite me cerca com seu véu profundo,
ainda há estrelas espiando o mundo.
E, mesmo cansada,
minha alma se atreve:
há vida escondida neste instante tão breve.
Não parto do mundo,
parto do que me dói;
deixo para trás um medo que me estrangula e me corrói.
Recolho meus cacos,
reaprendo a voar:
sou ave ferida,
mas posso pousar...
e, assim que curada, recomeçar.
Amanhã, talvez,
com o peito aberto,
descubra na estrada
um recomeço perto...
faça eu um voo certo.
Como o espelho que só ganha vida diante do corpo que dança, a realidade é um labirinto estático onde o mundo só pode mudar por nossas ações; somos, ao mesmo tempo, os passos perdidos e o próprio caminho que se inventa.
Reno Fioraso
Quanto da minha vida foi escolha minha, ou uma tentativa de caber no desejo dos outros?
Apesar de dolorosa, talvez essa seja a pergunta mais importante da vida adulta. Porque chega um momento em que precisamos distinguir aquilo que realmente queremos daquilo que aprendemos a querer para sermos aceitos, amados ou aprovados.
Quantas decisões tomamos por vontade própria, e quantas nasceram do medo de decepcionar alguém?
Quantas vezes permanecemos em lugares, relações, profissões ou versões de nós mesmos apenas porque sair dali significaria contrariar expectativas?
Talvez amadurecer seja perceber quantas vezes chamamos de escolha aquilo que, na verdade, era apenas medo de decepcionar os outros.
Passamos tanto tempo tentando corresponder às expectativas alheias, evitando conflitos e buscando aprovação, que podemos acabar construindo uma vida que agrada a todos, menos a nós mesmos.
Talvez uma das descobertas mais dolorosas da vida adulta seja perceber que, de tanto tentar caber no mundo dos outros, acabamos nos tornando estranhos dentro da nossa própria história.
Liberdade, então, talvez seja descobrir quais desejos são realmente nossos.
No fim, a pergunta já não é quanto da minha vida vivi pelos outros, mas quanto da vida que me resta estou disposto a viver por mim.
Viva cada minuto, pois o relógio da vida, ora atrasa, ora adianta; mas uma hora o ponteiro pára e não recomeça.
A vida no prumo
Na vida há de se manter o prumo,
seguir sempre certo rumo,
mesmo quando a estrada se desfaz
sob os pés cansados de procurar a paz.
O rumo certo?
Ninguém jamais saberá ao certo.
Há bússolas que apontam para o medo,
há estrelas que se escondem em segredo,
e há caminhos que, embora pareçam errados,
nos devolvem aos sonhos abandonados.
Seguimos — entre quedas e marés,
com dúvidas amarradas aos nossos pés,
levando no peito a coragem imperfeita
de quem caminha sem rota perfeita.
Talvez viver seja aceitar o incerto,
abrir janelas no deserto,
confiar que, mesmo em noite escura,
há uma luz nascendo na procura.
Manter o prumo não é jamais tombar,
mas aprender, depois da queda, a levantar;
é ouvir, no silêncio profundo,
o coração inventando um novo mundo.
E quando o horizonte enfim se abrir,
compreenderemos: não era chegar,
mas aprender, passo a passo, a seguir.
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