Minha Vó
Quando eu estiver velha e minha filha me perguntar quem foi meu primeiro amor, eu não quero pegar meu álbum de fotos antigas. Eu quero ser capaz de apontar para o outro lado da sala e dizer: ele está sentado bem ali.
Você sabe que sem querer roubou meu coração, entrou na minha vida e mudou meu mundo.
Espero que nunca mais saia dela e que entre cada vez mais.
Não sou uma pessoa de muitos amores, então gosto de reciprocidade. Dei minha última cartada, a partir de agora apenas espero ou desapego, depende de como vem.
Depois de tantas buscas, encontros, desencontros, acho que a minha mais sincera intenção é me sentir confortável, o máximo que eu puder, estando na minha própria pele. É me sentir confortável, mesmo convivendo com tantas perguntas que o tempo não respondeu e com a ausência de qualquer garantia de que ele ainda responda. É me sentir confortável, mesmo entendendo que as respostas que tenho mudarão, como tantas já mudaram, e que também mudarei, como eu tanto já mudei.
A minha carência vem do carinho que dei, mas não recebi... Da atenção desperdiçada, do tempo que não parou... Por mais carinho que tenho... Sempre quero mais... Quero o perfeito, não admito o pretérito... Quero mais, muito mais, quero viver+, amar+, sentir+, quero um futuro hoje, melhor que ontem e pior amanhã... Quero dias felizes, fazer a minha e a sua vida diferente sempre!
Esse amor é minha terapia
me desvendo, me revelo
amor puro, belo
amor que tudo abrange
tange, matiza, harmoniza
amor de alma.
Modo de preparo: Me coloque num abraço, mexa bem em meus cabelos, adoce minha boca, assopre minha pele. Pode beber.
Meu endereço é minha poesia, e Fazza, meu nome, seu significado
O dia em que escrevi meu primeiro poema tornou-se o dia em que nasci
Se você quer conhecer minha historia do começo ao fim saiba que
Minha poesia é a minha historia, nela digo o que desejo.
Minha mãe é o Emirado de Dubai, sou nascido e criado lá
Meu pai são as glórias dos nossos antepassados e sua honra.
E meus irmãos são os milhões de muçulmanos em suas terras.
O Alcorão e a Sunnah são meu alimento.
Vivo meus sofrimentos e minhas alegrias, sem intenção de escondê-los
E a minha maior preocupação é Jerusalém, uma criança clamando.
E Zayed, o meu ideal, Zayed.
É Zayed que ganha seu prestígio no país, pelo seu nome que prospera sempre.
E minha alma se alimenta de Mohammed, o valente, filho de Rashid.
Com sua poesia e pensamentos, eu construo, por sua glória, o meu próprio caminho.
Ele me ensina com generosidade, graça e segurança.
Meu país, meu primeiro amor, para mim não há nenhum outro país.
Glória numa flor
Que embora o brilho que já foi tão claro
Seja agora de minha vista levado
Embora nada possa trazer de volta a hora
Do esplendor na grama, da glória na flor
Não lamentaremos, mas sim encontraremos
Força no que ficou para trás
Na simpatia primal
Que tendo sido, sempre serão
Os relaxantes pensamentos que brotam
Fora do sofrimento humano
Na fé que olha através da morte,
Nos anos que trazem o espírito filosófico.
Desejo a você a metade de toda a felicidade do mundo
Pois a outra metade é minha por ter conhecido você
O outono derrubou minhas pétalas, porém não destrui meu aroma,e na primavera vindoura terei minhas pétalas de volta, e ti enviari antes que outro outono venha e as leve.
Eis a minha oração diária:
Tomara que meu amor te deixe solto, leve, livre, que nunca te prenda, nem te sufoque, nem te faça refém.
Tomara que a mesma liberdade que sinto, você desfrute dela, também.
Somos feitos um para o outro, e isso eu bem sei, pois todo alguém merece outro alguém.
Mas amor sem liberdade é cativeiro, perde a pureza, dúvidas sufocam certezas, e eu só te quero bem, meu bem.
Que para sempre eu te ame. Te ame sem te cobrar nada,
E se por você eu for amada... Que assim seja.
Amém!
Fortaleza
A minha tristeza não é feita de angústias...
A minha surpresa é só feita de fatos.
De sangue nos olhos e lama nos sapatos...
Minha fortaleza é de um silêncio infame
Bastando a si mesma, retendo o derrame
Tenho saudades
Saudades de minha infância sapeca, onde ninguém me aguentava;
Saudades do tempo da escolinha, que minha mãe ia me buscar e eu queria ficar mais;
Do tempo em que os adultos faziam trabalhos longe de mim, mas que eu sempre acabava descobrindo e queria fazer junto;
Saudades de minhas travessuras, aquelas inesquecíveis que quando lembro me mato de rir;
Saudades dos finais de semana que passava no sítio, na casa da vovó, das pessoas que cuidavam de mim para eu não aprontar, mas não adiantava.
Das tantas vezes que eu e minha prima brincávamos, brigávamos e aprontávamos muito.
Saudades do tempo que tudo era brincadeira;
Saudades do tempo em que com um pedaço de madeira tentava alcançar o céu;
Daquele tempo em que eu não precisava preocupar-me com nada;
Do tempo em que eu só aprontava na escola, que as professoras chamavam minha mãe na escola, do tempo em que elas não podiam me ver que se desesperavam;
Do tempo em que antes de dormir rezava pro “Anjinho da Guarda” me cuidar, do tempo em que eu tinha medo dos mortos e do escuro;
Saudades do tempo que minha mãe me proibia de assistir “Chaves”, que eu adorava assistir o “Pica-Pau”, melhor desenho que já existiu;
Saudades do tempo que eu queria ser médico, jornalista, advogado, padre...;
Saudades do tempo em que eu não precisava trabalhar e mesmo assim queria e que odiava ter que acordar cedo para ir pra aula;
Saudades do tempo em que as professoras corriam atrás de mim;
Do tempo em que tudo era fantasia;
Do tempo que me escondia para não me acharem;
Saudades do tempo que eu quebrava os canos d’água na casa da vovó;
Saudades...;
Saudades do tempo em que era feliz e não sabia;
Do tempo em que ser “Grande” é que era ser feliz;
Saudade do tempo em que tirava as rédeas do cavalo pra ele beber água e ele fugia de mim;
Saudade dos sábados que passava na casa da minha avó e meu avô me chamava pra almoçar, ou então quando saia de caminhão com o vovô e só incomodava ele;
Do tempo que ligava os carros sem saber dirigir;
Saudades do tempo que eu pensava que a vida era um sonho onde eu tinha dormido e não conseguia acordar;
Saudades do tempo em que eu adorava tocar violão;
Do tempo que desmanchava o rádio pra arrumar ele, mesmo quando não estava estragado, mas depois sim que estragava;
Hoje olho pra trás e vejo que era feliz e não sabia, não sabia aproveitar a fase melhor da vida, e se pudesse voltar atrás, nossa, com certeza teria aprontado muito mais do que eu aprontei, teria aproveitado melhor cada momento;
Hoje sei que o tempo não volta e que basta agora é viver cada momento da melhor forma possível;
Hoje as pessoas olham pra mim e nem imaginam o quanto eu fui uma criança rebelde;
Quando olham pra mim, vêem uma pessoa forte, sempre sorridente e incapaz de magoar alguém;
Vêem uma pessoa cheia de sonhos, que não sabe se poderá realizar todos, mas que fará o possível para realizá-los.
Fui feliz, sou feliz e se ajudei apenas uma pessoa a ser feliz, valeu a pena ter vivido.
Faço minhas as palavras de um dos maiores poetas de nossos tempo, Mário Quintana: “Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão... que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades a às pessoas, que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim... e que valeu a pena”.
