Minha Vó
A minha liberdade
como mulher não deve
oferecer risco para mim,
para outra mulher,
a quem quer que seja,
e tampouco oferecer
risco ao meu país,
A minha liberdade
como mulher não deve
ser encarada nunca
como ameaça ou ofensa;
E da mesma maneira
que a sua deve existir
reconhecendo o seu lugar,
e o dever inalienável
de usar a cabeça para pensar.
A cor e o sabor da palavras
têm a verdade da Chanana.
Da minha boca e da caneta
só sai o que jamais engana.
O louco coração o amor
não nega jamais e proclama.
Te venero como quem espia
a Via Láctea e aurora cigana.
Não tens ideia que a poesia
desta cidade é muito maior
do que a minha poesia,
que talvez não tenha sido lida.
O Sol ainda vibrante anuncia
no Médio Vale do Itajaí
que Rodeio entrará em festa,
por gratidão à terra erguida
com dedicação e amor.
Só sei que o Sol iluminando
enfeita e veste com alegria,
quem sabe apreciar a visão
do nosso Pico do Montanhão.
Com encanto o coração
agradece os sons, o silêncio
e o sino da Igreja Matriz
São Francisco de Assis
que juntos fazem a orquestra
que abençoa o nosso chão,
e faz recordar a tradição.
Sempre que quiserem retirar
o heroísmo da minha história,
ou de quem quer que seja,
Deixo-me iluminar pela chama
do panteão dos heróis,
Para que a glória e a esperança
nada nem ninguém jamais apaguem.
Peço a iluminação e coragem
do espírito de Guglielmo Oberdan,
um valente garibaldino convicto,
o protomártir do Irredentismo;
Para recordar de onde viemos,
pois continua vibrante e mais vivo
do que antes e não será esquecido:
[Que a forca nunca deteve o objetivo].
Com igual espírito do herói ainda jovem,
que com Garibaldi esteve reunido,
Os nossos ancestrais chegaram,
se estabeleceram para [permanecer];
e unidos com amor e entrega
esta Pátria para viver e construir,
Saiba que está para nascer
[quem ousará a História destruir].
"Poetisa"
A minha identidade
não precisa de discrição,
Porque chego sem
nenhuma permissão,
Como substantivo
enraizado, feminino
e em eflóreo Pau-Brasil.
Entre a vida e a morte,
o paraíso e o inferno,
Por norte e algo de sorte
pelo instinto aberto,
e plenamente definido.
Entre a paz e a guerra,
escrita no Universo,
mesmo que há quem
se sinta muito e decida,
Se sou ou não nada
menos do que poetisa.
(Porque qualquer coisa
há mais me torna menos).
Anna Flávia Schmitt Wyse Baranski
Rodeio, Santa Catarina, Brasil.
Ele ama a Allah e ao povo
mais que à própria vida;
nele habita toda a poesia
que a minha inteira suspira,
de uma maneira invicta,
fazendo das palavras
a maior e mais fina joalheria.
Filho do cemitério dos impérios,
que vivo tentando sempre
decifrar em seus versos
os mais profundos mistérios,
como se passasse a noite
sob as estrelas majestosas
no ponto mais alto de Cabul.
Ele é todo feito de paz,
e não foge da guerra;
ele tem alma de primavera
que embelez a minha
e não conheço outro poeta
que ame mais a própria terra,
e sem que ele saiba, até que existo
toda a sua poesia sempre me empresta.
O rio que vem de longe
e abastece a minha fonte.
O Araribá-amarelo cobre
com flores a minha fronte.
Nós habitantes indeléveis
do amor e da paixão inoxidáveis.
Os pensamentos são iguais,
e estamos construindo a paz.
Não somos nuvens passageiras,
não tememos travessias inteiras.
Paz
A minha morada
é a morada da paz.
O meu pensamento
é feito de paz.
A minha Cidade
é a Cidade da paz.
A minha emoção
é feita de paz.
O meu Estado
é o Estado da paz.
O meu sentimento
é feito de paz.
A minha Nação
é a Nação da paz.
Os meus sonhos
são sonhos de paz.
O meu Continente
é o Continente da paz.
Os meus desejos
são desejos de paz.
O meu Hemisfério
é o Hemisfério da paz.
A minha comunicação
é a comunicação da paz.
Se qualquer pessoa
ou circunstância
for diferente da minha paz,
a cabeça jamais faz.
Não permanecerei por perto
para que tenha acesso,
nem darei sucesso
a tudo o que não é de paz
Viver em paz a diferença faz,
e o melhor sempre nos traz.
Bombas Atômicas
Duas delas foram desejadas
para a minha Nação
por um falastrão
no mês de julho do ano passado.
E foram tratadas como linguagem figurada, mas por mim — não!
Duas bombas jamais
da memória passarão!
Uma foi desejada para o Sul
da minha Nação
por outro falastrão
no mês de março.
E foi tratada como piada,
mas por mim — não!
Uma bomba e a desqualificação
da memória jamais passarão!
Outras foram lançadas,
e outras estão sendo desejadas
para esta noite pelo maior canastrão
para acabar com outra Nação.
Uns desejam tudo,
menos que se abram a consciência
e que não punamos cúmplices
dos Arquivos de Epstein, mas eu não!
Bombas atômicas não são coincidência, não!
Sou barco sem rumo
Sempre a deriva
Pela tempestade de tua vida na minha,
Vento forte, devastador...
Vento das paixões tardias...
Por que de mim então fugías?
A ave alba dos meus sonhos
Deu- me adeus e foi embora
Chuva sempre mansa e constante
Coração derrete, amolece e esvazia
Na busca incessante dessa hegemonia
Na prática da louca fantasia
Que consome e incendeia
Mas que sublima e desfolha
Eterna noite chuvosa..
Que transborda o coração
Sossega essa alma lânguida...
Que a paz somente quer ter.
Talvez
Talvez nada tenha a importância
Do tamanho da minha audácia
Talvez tudo não passe de imaginação
Mesmo assim tudo é dilúcido
Da soleira o espero pacientemente
O frio do granito gela os pés
O cobertor aquece meu corpo
Mas não meu coração...
Rompo as palavras
Guardo-as no intimo da noite
Quando o silêncio pernoita
Criteriosamente deito e adormeço.
Que eu envelheça apenas exteriormente. Que minha idade interna continue viva e plena, para cultivar apenas o que a vida tem de melhor, o amor.
É claro que o tempo é o meu guardião e as horas minha bussola. Só que nada tem importância se eu não estiver alinhada a tudo.
Minha Verdade não se Negocia
Para sermos nós mesmos, é necessário deixar de lado as hipocrisias e ir direto ao ponto. Não é porque sou escritora e trabalho meu lado espiritual que preciso agradar a todos e engolir seco tudo o que vem pela frente.
Ser escritora ou buscar a espiritualidade para ser melhor não significa que eu tenha que ser boazinha e permitir que as pessoas pisem em mim, ou aceitar aquilo querem que eu seja. Não.
Ser nós mesmos e buscar o crescimento espiritual, é reconhecer que existem leis e direitos. Que existem regras. Que precisamos ser justos, bons de coração. Que as coisas precisam ser boas para ambas as partes, e não apenas para um lado.
Quero deixar registrado que não é porque escrevo sobre a vida – seus percalços, suas incógnitas, seus mistérios – que devo deixar de lado a minha verdade, os meus desejos e as minhas emoções.
Buscar evolução não significa aceitar desrespeito.
Bondade não é fraqueza.
Compreensão não é submissão.
Existem limites.
Existem direitos.
Existe verdade.
E eu não deixo a minha de lado para caber nas expectativas dos outros.
Rita Padoin
TANQUE DE BETESDA
Há tanto tempo espero minha bênção, quem se importará?
Todo mundo tem um motivo pra correr, resolver a própria vida, caminhar e viver… quem se importará?
Mas um dia alguém me olhou, e seu olhar em mim fitou, e enxergou em mim além daquilo que aparentemente sou.
Estendeu-me a sua mão, e me pôs de pé, e restaurou a minha vida: o homem de Nazaré.
Mas um dia alguém me olhou, e seu olhar em mim fitou, e enxergou em mim além daquilo que aparentemente sou.
Estendeu-me a sua mão, e me pôs de pé, e restaurou a minha vida: o homem de Nazaré.
CÍCERO MARCOS
