Minha Terra tem Palmeiras onde Canta o Sabia
por que ir embora
se a alma chora
fica todos os amanhãs
não vá ainda, não vá nunca
te aqueço.. não te esqueço jamais
olha quanto de nós temos em nós
não vá. sem você eu serei menos
serei uma busca somente.
fica comigo..fica até a eternidade acabar. /
Os bailinhos da vida.
Quantos bailes perdi por falta de uma paletó. Todos os bailes no Fênix era exigido traje social e eu não possuía a peça principal .sem ela sem chance de entrar, Cansado com aquela situação, conversando com o Florentino, excelente alfaiate, ele me fez um paletó do jeito que eu queria, e eu podia pagar em longas prestações. Fui, então, até as Casas Pernambucanas e escolhi o tecido: um cinza igual a um que eu tinha visto numa revista. Imitação de um terno inglês Quinze dias de espera entre provas e ajustes, recebi o objeto e já torcendo para estrear no próximo baile, que não demorou muito. Porem, nem tudo correu como eu imaginava. O paletó ficou bonito, mas o tecido era fino e o baile caiu no mês de junho. O frio daquela época parece que era mais gelado. Durante a dança comecei a tremer, um pouco pela emoção e um pouco pelo frio, mesmo abraçado na parceira. Tremia tanto que ela achou melhor parar. O problema era que as outras peças também não ajudavam: camisa já bem usada a calça era de tergal, bem fina e quase transparente. Tinha tudo para dar do que deu.
No dia seguinte fui conversar com o Florentino, (alfaiate) para acharmos uma solução.. Ele sugeriu colocar um forro de flanela, coisa simples de fazer e quase sem custo. Resolvido o problema do frio, "dá lhe Fênix. Quando chegou o verão, surgiu um novo problema: eu suava até pelo cabelo. Minha camisa ficava toda molhada e aquilo me deixava com vergonha de dançar;
Ele, o paletó, ficou comigo por muito tempo até eu poder comprar um outro que fosse para o verão. I/
A vida era difícil, mas era bem divertida.
///Ausência Injusta..///
Mãe, tá tudo bem! não se preocupe com nada. , Já até arrumei
emprego(mentira)
--Meu estômago? Nem está doendo mais, acho que sarou (sarou nada, mentira)
--Dinheiro? tenho, sim! qq coisa peço para o Mauricio (mas ele também não tinha)
--Quanto vou voltar? Não, não volto mais, mãe. . Aqui é muito melhor (mais uma mentira)
--Se estou comendo? Sim, todos os dias, almoço e janta. (quando tinha almoço não tinha janta).
--Mãe, Fica tranquila, está tudo bem! --O Quê? Sonhou que me viu chorando?
"ah, mãe, não acredita em sonhos, eu estou bem.. Estou sim! -Não, não estou chorando, juro que não. Só estou morrendo de saudades da senhora. Tchau, mãe. Te amo. A semana que vem eu ligo novamente./i
Se eu pudesse voltar.
foi se um tempo
um tempo que, já quase esquecido,
surge de repente, agora se apoiando em velhas lembranças;
rebusca a memória, força momentos que vem e vão como se fossem estrofe de um velha canção de ninar;
fecho os olhos e me vejo em lugares, cheio de rostos
conhecidos com perguntas que ficarão sem respostas.
o tempo se foi hoje. /i
quanta expectativas:
o terno era sempre o mesmo. os sapatos, a camisa e a gravata também, mas que importância tinham estes detalhes?
era sábado e ia ter baile com orquestra. Isto sim, importava
e como importava.
//melhor esperar uma música lenta. logo a orquestra toca.
a expectativa, a espera de um olhar e o convite: -"vamos dançar?
a garota na frente, aqueles passos meio atrapalhados pela emoção ia seguindo os delas, enfim o contato. a musica quase não importava, desde que demorasse bastante . e aí, por um tempo, o mundo deixava de girar. mesclas de perfumes exalados dos corpos. palavras sem sentidos, ditas em silêncio. a pulsação dos corações que traiam as intenções.
amanhã, quando eu acordar, o perfume dela ainda vai estar comigo .
quanta saudade ./i
já não há mais espaço para tantas coisas:
velhas lembranças, velhas histórias
não adianta colocar no papel, viram textos, mas não abandonam
seu espaço no coração da gente.
fingem adormecidas, mas escapam pelas lágrimas, pelo olhar. pelo abraços longos. ficam perambulando, fazendo perguntas como se já não soubessem as respostas.
se agarram nas aventuras de batalhas perdidas,. ressuscitam amores
do passado, já esquecidos
escapam da saudade, como se tudo fosse real. como se não houvesse um passado.
nunca dormem, nunca acreditam.. nunca vão embora. /i
tudo de hoje já é quase lembranças que serão amanhã
tinha prometido não mais sentir saudades de você, mas o amanhã sempre vem quando te vejo.
Vem assim, às vezes menos pesado, outras mais,
nem avisa; apenas vai chegando. vem sempre carregado
de noites com cheiro de flores que me lembram você; como resistir?
o tempo, prometido nos abraços rápidos, das várias despedidas,, nunca foi suficiente para suprir os desejos tímidos de ter pedido para ficar.
Se entregar para a saudade, deitar a alma num cantinho
dessa caminhada e espreitar a vida pela janela com cortinas brancas, /i
foi longo demais o tempo.
se mais curto tivesse sido,
ainda encontraria o calor dos abraços.
voltar para o mesmo lugar,
não ter alçado voo, só
ficado no anseio, seria uma derrota.
sentir a indiferença da ida solitário para
ganhar um olhar de provação, não valeu.
talvez as vitórias foram insuficientes.
o quê mais precisaria ter para ser um ser ? /i
..então, aquele menino homem, subiu no seu cavalinho de cabo de vassoura, botou seu chapéu de guerreiro, feito de jornal, sua espada imaginária e partiu para sua batalha fina, agora já não mais de fantasia. O confronto contra o monstro foi cruel, feroz e traiçoeiro. Foi uma batalha longa, dolorida e difícil, mas, infelizmente, o monstro venceu. Hoje já não há mais o menino homem. Cavalga por outros planos, com sua espada imaginária e seu chapéu de jornal. Adeus, menino homem. /
quando escrevo de mim, sou solidário comigo mesmo. nunca me preocupo se outros vão ou não ler aquilo que escrevo. não escrevo para que me leiam, até porque seria necessário uma alma gêmea para ter o mesmo sentimento, a mesma introspecção minha. /i
tivesse o mesmo tudo de você,
quem sabe, voltasse.
aquele cheiro da chuva misturada com a terra
vermelha.
talvez, quem sabe fosse mais.
aqueles abraços desejados, quase inexplicáveis
por excesso de tantos abraços para abraçar.
talvez nem fazia falta.
tivesse os mesmos excessos de tudo que era necessário,
talvez nem precisasse de tanto.
de tanto tempo, esquecendo como era comum
ser rico sem ter nada..
tive tudo de você, mas...fiquei sem tempo para voltar. /i
Ah, saudade! quantas vezes já lhe disse que hoje não era uma bom dia para você me visitar? volte outro dia. /i
.....é um roubo levar as lembranças embora.
elas não nos pertencem. sozinhas não sobrevivem, não têm vida...morrem. /i Ivo Terra Mattos.
(Já postado algumas vezes)
...e eu nem tive tempo de agradecer. Quem sabe um dia..
Em frente a pracinha, havia um cinema; Cine Rios.
Nos intervalos das "engraxadas' (eu era engraxate. Iniciante) eu ficava na porta no cinema e viajava naqueles painéis de fotos de "mocinhos e bandidos". Depois ficava esperando a matine de domingo, quando, então, aconteciam aquelas batalhas do "bom contra o mau". O "mocinho bom" sempre vencia. No fim do filme sempre tinha a continuação dos seriados intermináveis, que deixavam um suspense no final. Acho que era para a gente voltar no próximo domingo. Perto do cinema havia uma sorveteria . A mais linda do mundo. (Eu só conhecia aquela) Os sabores dos sorvetes eram homenageados nos painéis(desenhos) que ficavam expostos nas paredes. Eu viajava naqueles sabores. O meu preferido era o banana splits, mesmo não conhecendo o sabor. Gostava da imagem.
O dono da sorveteria classificava os meninos que podiam ou não entrar no recinto, lógico, pela aparência. Como eu era um dos que não podiam entrar, o negocio era ficar olhando pelo lado de fora e imaginando. E foi ali, naquela sorveteria, que um dia, um homem bom, usando botas e chapéu de boiadeiro, mandou que o homem ruim, servisse o melhor sorvete (aquele da foto que eu estava admirando banana split) para aquele menino que não podia entrar na sorveteria. O que foi feito sem relutar.
Do outro lado da pracinha, tinha um bar que vendia umas balas com figurinhas de jogador de futebol, com direito a ganhar uma bicicleta, desde que você preenchesse um álbum imenso. Ganhar aquela bicicleta era quase impossível. Mas foi assim, que um dia, com 8 anos, eu comprei o salário inteiro do meu pai em figurinhas, mesmo ele não tendo álbum de figurinhas e nem ter ganhado a bicicleta. /i Ivo Terra Mattos
com o tempo a gente vai esquecendo
nem se lembra mais daqueles que tinha ascensão sobre nós, até porque, muitos, com o tempo, caíram.
eram tão incipientes que não tinham o discernimento da maldade
que praticavam.
não eram seres diferentes, somente achavam que eram, talvez culpa do meio que viviam.
não tínhamos acesso ao meio que eles julgavam serem os donos, se mais quiséssemos, nada mais era nos dado.
como nada tínhamos, éramos cobiçadores do pouco que eles tinham. com o tempo, vimos que aquilo não era nada perto do tudo que podíamos conseguir e conseguimos.
pobres separatistas que se multiplicavam entre si. pobre seres
ignorantes, desprezíveis, se vocês soubessem o mal que fizeram para muitos, teriam vergonha de serem chamados de seres humanos.
Um sábado de sol.
Trajeto na parte da manhã:
-Passar da casa do Dr, Cleon engraxar os sapatos dele. e saborear um doce de banana feito pela esposa dele. Sempre tinha.
-Grande Hotel. O professor Antônio deixava os sapatos do lado de fora para ser engraxados. Sempre pagava no próximo sábado.
-Vez ou outras engraxava as botas o seo Otávio, no açougue do seo Júlio.
-Um giro pela rodoviária olhando os ônibus imaginado um dia viajar num daqueles.
´-Uma passagem na farmácia do ikeda para me pesar e medir a altura.
-Uma olhada na camioneta que vendia mexerica ponkan, sempre sobrava alguma doação.
-Uma entrada sorrateira na sorveteria, na esquina, e esperar que o dono desse uma "colherada" tipo, assim: vaza.
-Ficar ouvindo musicas na sapataria Paraiso,
-Ver os painéis de filme do cine Rios.
-Chegar no ponto e esperar os "clientes" com suas botinas incrustada de barro.
-Na hora do almoço, esconder a caixa e a cadeira na prefeitura e descer para casa,
Na parte da tarde ia direto até as 18 h. Haja botinas e botas.
-Acho que eu era feliz assim. Gostava daquela felicidade, não conhecia outra
queria ter te amado
ter ganho um abraço
sentir orgulho de ser seu
mas você não me ensinou
seus olhos não me buscavam,
mas sua indiferença, sim
queria ter te beijado,
ter te abraçado, mas você nunca estava
queria ter te amado sem ser imitação
amar com o coração
mas você não me ensinou
nem sabia o que de fato eu era seu.
tudo teria sido diferente
não teria que ir me desfazendo de você
pelos caminhos.
não teria tido tantos pesadelos e tantos medos.
tantas perguntas e tantas angustias.
você poderia ter sido meu amigo de fato. /i Ivo Terra Mattos
