Minha Alma tem o Peso
Consertos
Uma vida desconcertante,
Consertos por todos os lados
Consertos do EU,
da alma,
Do coração,
Consertos da vida,
Consertos da contramão,
Consertos desconsertante,
De miúdos,
De granéis,
Consertos abundantes,
Consertos e carretéis.
Alma temidas
Já não temos a sua alma,
Já não vivo o seu respiro
Almas temidas,
Corpo e comidas.
Já não temos seu desgosto,
Já nem sinto o seu gosto,
Nem vejo o seu rosto.
Alma temida,
Corpo e destemida
Já não temo a sua veste,
Já não sinto sua pele,
Corpo e série,
Já te vejo por perto
Tão longe, não teme,
Alma destemida.
O sagrado não se anuncia em trombetas, mas no leve estremecer da alma diante do simples: uma folha que cai, a água que corre, o olhar que acolhe; é nesse quase nada que o infinito se esconde, esperando ser percebido.
A alma é uma chama que não pertence ao corpo, mas o habita como peregrino; cada dor é apenas o vento que a faz tremular, e cada alegria, o clarão que recorda sua origem no fogo divino que jamais se apaga.
Calunga da Alma: Umbanda em Versos Alquímicos
Não é só na guia, no atabaque ou no giro,
Mas na sombra que dança no fundo do respiro.
A Umbanda não vem só de folha ou raiz,
Vem do abismo do ser, onde o eu se infiltra e diz:
"Quebranta-me, Preto Velho, com teu cachimbo lento,
Desfia este novelo de falso sofrimento.
Mostra-me na kalunga do inconsciente fundo,
O Exu guardião do meu desejo infindo.
Eis que o terreiro é espelho: arquétipo em transe,
Jung e Lévi-Strauss no mesmo passo que dança.
Ogum desce no ferro da couraça quebrada,
Oxóssi flecha a angústia, caça a alma atordoada.
Iemanjá é o útero, o mar primordial,
Onde o ego se afoga num sal gélido e igual.
Ela lava na espuma o complexo enraizado,
O trauma cristalizado, o amor não realizado.
Oh, Pombagira gira no eixo da libido,
Desata o nó do gozo, do que foi reprimido.
Seu riso é catarse, seu gume é análise,
Desvelando na lama a mais pura promessa.
A magia? É símbolo que opera no osso,
Projeção transformada em axé, sangue e gozo.
O médium, o transe, não é Narciso ferido, é amparo
Enxergando no orixá seu duplo esquecido.
A cura não é fuga, é integração profunda:
O inconsciente coletivo que em santo se desfunda.
O ego se dissolve no ponto riscado no chão,
E renasce no corpo de luz, em comunhão.
É "Erzulie" no espelho quebrado da autoimagem,
Xangô julgando a culpa, cortando a ramagem
Do superego severo, da moral que oprime,
Restituindo o sujeito ao seu centro sem crime.
A Umbanda opera a grande sublimatio...
A pulsão devoradora, em caridade e ofício.
O desejo recalque, em gesto de dar,
O ódio ancestral, em perdão sem parar.
Não é magia menor, feitiço no escuro,
É "magnum opus" da alma no cadinho do futuro.
É a psique em procissão, arquétipo em terreiro,
Desfazendo o sintoma, curando o mundo inteiro.
No silêncio que ensurdece após o último ponto,
O eu, agora coletivo, perde seu contraponto.
A vida transformada? Não por mero milagre,
Mas porque a alma, enfim, aprendeu a ser ponte
Entre o abismo e o astral,
Entre o humano e o divino,
Entre a dor e o axé,
No terreiro, destino....
Uma falsa verdade pode destruir
vidas e alterar destinos, enquanto a
mentira corrói a alma, levando à morte.
No quarto escuro da alma, o amor não desiste. É silêncio que acolhe, é presença que não abandona. Amar um depressivo é ser farol na noite sem estrelas, luz que não cobra, só guia.
"Viver um amor de alma é aprender a filtrar o que vem de fora sem se desconectar do que pulsa dentro."
“A dor que fere o corpo nem sempre é a que dilacera a alma. O sofrimento, este, nasce do que não se entende, do que não se aceita, do que não se liberta.”
— Os`Cálmi
O amor não é um fato a ser provado, mas uma experiência a ser vivida, um eco que ressoa na alma mesmo quando a fonte parece distante
A Travessia do Ser
Há um tempo que não se mede em horas,
É o tempo da alma, que vem e demora.
É quando a vida exige sentido,
E o coração cansado grita sem ruído.
Crescer não é subir, é afundar primeiro,
É encarar o escuro, o próprio travesseiro.
Revisitar memórias, desatar os nós,
Ouvir a infância ainda gritando em nós.
A família — o primeiro espelho partido,
Amor e ferida no mesmo tecido.
Nos laços que curam também há dor,
Mas é nesse emaranhado que nasce o amor.
Despertar não é se iluminar inteiro,
É acender um canto por dia, por inteiro.
É morrer um pouco pra enfim renascer,
É escolher-se, mesmo sem saber.
A alma não grita, mas sussurra forte,
Guia nossos passos, muda nossa sorte.
E no silêncio entre um trauma e a cura,
Ela encontra a chave da ternura.
Não há mapa certo pra quem quer voltar,
Só o impulso interno de se reinventar.
A dor é mestra, a queda é semente,
E amadurecer é sentir conscientemente.
Então sigo, sem pressa, sem disfarçar,
Aprendendo que sentir é forma de estar.
Que viver não é vencer nem fugir,
Mas se permitir — e prosseguir.
CONCEIÇÃO PEARCE
Luz e Sombra da Alma
Há dias em que sou luz.
Ilumino tudo sem querer.
outros dias…
Eu sou sombra.
Me escondo de mim.
Faço o mal que não quero,
sem entender por quê.
O bem que desejo
fica parado na beira
do meu medo.
Sou cheia de abismos.
feridas antigas,
gatilhos que disparam sozinhos
quando menos espero.
não é drama,
é história mal curada.
E o que eu alimento em silêncio
cresce.
A raiva?
A compaixão?
A crítica?
O amor?
A alma é território de guerra,
mas também é jardim.
E se não cuido,
tudo vira mato por dentro.
O autoconhecimento não é bonito,
é rasgar a pele,
olhar os monstros nos olhos,
e ainda assim escolher
ficar.
curar.
voltar pra si.
Porque o mundo dentro da gente
precisa mais do que frases bonitas —
precisa de presença,
de coragem,
de recomeço.
Nascer de novo
não é sobre mudar tudo.
É sobre lembrar
quem se é
embaixo de todas as máscaras.
Sou luz.
Sou sombra.
Sou quem observa as duas
e aprende a viver
com inteireza.
CONCEIÇÃO PEARCE
“Há prisões que não se veem, mas pesam na alma. Somente o amor de Cristo rompe esses grilhões e conduz à verdadeira paz.”
Quando o Direito se aparta da alma do povo, torna-se norma sem nação. Quando a Constituição é lida sem compaixão, transforma-se em tirania da letra. É do jurista sábio a missão de interpretar com técnica, mas julgar com consciência, pois a justiça que não reconhece a dignidade sagrada do ser humano, é apenas poder travestido de legalidade. Adib Abdouni.
A advocacia criminal não é ofício para os fracos de alma nem para os tíbios de consciência. É vocação reservada àqueles que, mesmo diante do clamor social, do preconceito institucional e da solidão dos tribunais, sustentam a palavra como escudo e a Constituição como espada.
