Meu Eterno Amor minha Filha
Até aqui, minha existência tem sido uma verdadeira odisseia. Sobrevivi a provações que desafiaram os limites do possível, aprendi a domar o ímpeto do coração e a pronunciar um “te amo” somente quando a alma reconheceu a verdade do sentimento. Vivi realizações tão grandiosas que reduziram meus antigos sonhos à mera sombra do que a realidade me concedeu.
A paz chegou no instante em que deixei de justificar minha dor, e aprendi que nem tudo precisa ser entendido para ser superado.
Andei sozinho, mas tinha direção, a bússola interior guiou cada passo, sozinho, ouvi melhor minha fé e rumo, aprendi a andar com coragem e sentido.
Por meio das lágrimas, Deus reescreveu minha história, o sofrimento tornou-se tinta que autenticou minhas palavras.
Foi preciso espaço para a minha reconstrução, nos remendos, aprendi a humildade do ser. Acabei moldado em meu próprio formato, inteiro.
Fui ferido por sonhos, mas não parei de sonhar, as feridas não mataram minha vontade de voar, sonhar é resistência que insiste em ressurgir, mesmo ferido, continuo a mirar o horizonte.
Fui apagado por muitos, reacendi por mim, a recuperação veio da minha própria mão, reacender é reconhecer o poder interior, sou chama que eu mesmo acendi.
Olhar para a grandiosidade da Tua Obra é ajustar a minha própria escala de valores, percebendo a pequenez dos meus problemas diante do Teu poder. Essa perspectiva me liberta da ansiedade e do foco excessivo no temporário, direcionando o meu olhar para a estabilidade da Tua perfeição. Sou forte, porque Aquele que me sustenta é infinitamente maior.
Eu não dou marcha à ré. Minha determinação é forjada pela promessa eterna do Seu cuidado, que carrego como um manto de força.
Ele intervém na minha fraqueza e, com um poder inexplicável, transforma as minhas arrastadas em passos firmes e cheios de esperança.
Minha amada, você é a macieira que se destaca no bosque comum, e eu só desejo a sombra onde a paz e o fruto proibido coexistem.
Que a sua boca se torne a adega onde a minha alma bebe o vinho do esquecimento de todas as tristezas passadas.
Minha reconstrução diária é um mosaico sagrado feito com a cuidadosa reutilização dos destroços que o tempo insiste em chamar de passado.
Das quedas, fiz minha escola. Dos pedregais, desenhei um novo caminho e das vezes em que precisei me erguer, aprendi que a vida é um paradoxo tênue, entre a dor que fere e o recomeço que cura.
