Meu Erro foi te Querer
Religiosamente falando, nunca foi pelo número de pessoas, música, choro, lamentações.
Sempre foi o merecimento individual. Sem a conduta certa, nem oração resolve.
O Suor, a Heineken e as Metonímias da Vida
Através do suor foi que eu me acostumei,
Me acostumei a tomar uma Heineken,
Ligar meu HP, comer um Subway e transformar a marca em produto.
E nessa mesma dedicação foi que eu me entreguei,
Me entreguei a ler Clarice Lispector,
Estudar Freud, apreciar Monet,
E substituir o autor pela sua obra.
E nunca me deixei faltar,
A inspiração para criar,
A força para persistir,
E a causa para avançar,
Transformando o esforço em efeito.
Anos atrás, encarei a morte.
Mas não foi ela quem decidiu.
Ouvi no silêncio do espiritual: “Ainda não é o tempo.
Antes, a justiça precisa passar, a verdade precisa aparecer,
e o que foi feito na sombra será cobrado na luz.”
Hoje eu sigo entendendo:
não permaneço por acaso,
permaneço por missão.
Enquanto Deus não fecha o ciclo,
ninguém me leva.
O dia que mais me entusiasmei por ti, foi quando me deste horas de carinho; os minutos que me fizeste subir às alturas e os segundos de deleite que senti. Parecia uma eternidade de prazer. Até hoje não esqueço. Elias Torres
A LAVADEIRA
Vivendo na sua rotina
Joaquina era muito engraçada
Foi ao rio lavar roupas
A tarde estava ensolarada
Enquanto a roupa coarava
Deitou-se muito cansada.
Deu um belo cochilo
O céu estava azulado
O Sol laranja brilhava
Com o lençol abraçado
Sorriu a lavadeira
Revivendo o passado.
O rio parecia o oceano
De tão azul como o mar
Pensou numa cerveja
Não queria acordar
A lavadeira sonhava
Com a paz daquele lugar.
Sentiu no corpo um arrepio
O vento chegou apressado
Levou toda sua roupa
Com o olho arregalado
Joaquina deu um pulo
O seu vestido sendo levado.
E agora! Pensou assustada
Como vou conseguir salvar
Nas ondas do rio entrou
Mas não sabia nadar
Na frente seguia as roupas
Lutando para resgatar.
Se sentou desconsolada
Cansada ficou olhando
Sem nada para vestir
Viu às anágua rolando
Só lhe sobrou os lençóis
Enrolou-se ficou chorando.
O desespero era grande
O vento por um instante
Gritou venha comigo
Sua roupa já vai distante
Monte em minhas asas
Vai ser contagiante.
Sem ninguém para ajudar
Olhou sem nada entender
Ouvindo a voz do vento
Começou a correr
Perdeu as suas roupas
O que poderia fazer...
Ira Rodrigues
Fé.
Precisamos de fé
Pra nos manter em pé
Igual foi na arca de Noé
Todos movidos pela fé
Assim que começa
Acredite na promessa
Que você vai sair dessa
Se a ideia é essa
Depende da ocasião
Tudo passa irmão
Deus põe a mão
Creio na transformação.
A vida é feita de momento
Tem que ter fé aí dentro
A fase boa passa, tudo bem
Mas a ruim passa também
É só seguir o lado do bem
Que a resposta logo vem
Falo de fé, não de religião
Não faço parte dessa legião
Que manipula, faz acepção
Acredito é no Deus de Abraão
Que andou com a multidão
O que vale é a oração
Qualquer lugar pode ser a igreja
E o dízimo não é para fazer riqueza
Distribui para os pobres que fica firmeza
Divide a ceia sobre a mesa.
Ontem era uma criança
E a única herança
Foi a educação
Para ela, e os seus irmãos
De família humilde
Já passou por crises
Pai operário
Não tinha horário
De sair, nem de voltar para casa
Enquanto a mãe cuidava.
Ela cresceu
Mas não se esqueceu
Dos ensinamentos
Bom comportamento
Só pensa em estudo
Fazer de tudo
Para ter um futuro melhor
Não significa ficar só
Mas ser independente
Usando a mente.
O único vício
É ler os livros
Para se manter informada
Não curte balada
Prefere ir ao cinema
Não é mina de esquema
É mina de responsa
Que passa confiança
Para um futuro relacionamento
Para todos, é um exemplo.
Nem mesmo os ventos impiedosos do norte puderam me ver sucumbir. Se a calmaria me foi negada, a constância me guiou, passos firmes, às vezes vagarosos, vezes até trêmulos, mas eternamente no rumo certo.
Fui forjado no colapso, moldado pela queda que destruiu tudo em mim. O aprendizado foi a única trilha que restou, e nada além importava. Hoje, ao olhar para trás, choro, não pela queda em si, mas por nunca ter acreditado que eu poderia me erguer.
A dor que tentou me derrubar foi a mesma que, pela graça de Deus, me deu o manual de instrução para levantar e nunca mais duvidar da minha força.
Se sua alma foi testada no fogo, saiba que você saiu dele como brasa viva, ardendo em fé e resistência.
A coragem não me foi inata, foi escolhida, escolho-a todo dia, em passos curtos, a escolha virou estilo.
Cada perda foi lição que adotei, ensinar-me tornou-se tarefa de respeito, sou aluno e mestre do mesmo tempo.
Já calei rancor por necessidade de seguir, o perdão foi tática e libertação, caminho mais leve por ter largado peso.
Vencer não foi destino, foi decisão cotidiana, repeti atos simples até que virassem caráter, agora caminho com a certeza do que plantei.
Minha voz ganhou tom de autoridade serena, falo o necessário, faço o suficiente, o mundo foi acostumando-se ao meu ritmo.
