Meu Amor Viajou
Porque se eu acordar
Eu vou ter que
Acabar
Mais um dia sozinho
Dançando no meu quarto
Pra mim tá sempre igual
Eu nunca fiz questão de estar aqui
Muito menos participar
E ainda acho que o meu cotidiano
Vai me largar
MEU MEDO...
Sabe qual é meu medo?
É me acostumar com a ideia de não ter mais você. Eu vou perceber isso quando começar a ficar mais na internet sem entrar na sua página, ou visitar o Google fotos e procurar suas fotos pra ficar admirando o quanto você é linda... E de repente eu perceber que aquela aura que só eu enxergo, estiver um pouco embaçada sem aquele brilho especial que só você emana...
Quando eu procurar no seu sorriso, aquela magia que me hipnotizava fazendo com que eu ficasse horas olhando fixamente como se não existisse mais nada ao meu redor ou a minha frente...
Quando eu ouvir uma determinada canção e admirar apenas como uma bela letra acompanhada de uma linda melodia...
Quando eu for na rua e parar diante de uma vitrine e não perceber que ali tem um belo objeto que combina perfeitamente com você...
Quando eu vir uma reportagem na TV ou na internet sobre São João del Rei, e lembrar apenas que é a linda cidade que eu nasci...
Quando eu fechar as cortinas do meu quarto e não mais sentir a força da lembrança de quem me presenteou com elas...
É disso que eu tenho mais medo...
Até...
(JLH).
Minha alma, o meu coração, meu corpo... Ambos tomados pela escuridão, e em meio a toda essa tempestade, a chama da vida renasceu dentro de mim. Então não me chame de anti social, eu apenas estou protegendo a mim mesma.
[. . .]Meu filho Ninguém vive sem colher o que plantou.
Mesmo que seja negligente!
Então escolha bem suas sementes! . . .
Me tocava como as ondas
Me puxando para ti
Trazendo paz ao meu corpo
Trazendo descanso a mim
Pena que me entreguei demais
Fazendo com que me levasse fundo
Tirando de mim o oxigênio
Tirando de mim a força.
Por que me tiraste dali
Se não era capaz de mim, cuidar,
Homem que me tiraste a felicidade
Homem que me tirava o fôlego
Decida se o quê queres
Sua dúvida é minha sofrência.
Sou muito tua.
Tão tua q não sei quanto ainda me pertenço
Vc sorri com os olhos
E meu coração quase me mata
Aquele sorriso tímido que transborda tanto amor e sensibilidade
Que me faz mergulhar nesse oceano de mistérios e encantamento que é vc.
Conforme eu ando
Eu vejo a lua me acompanhar
Enquanto te olho sorrindo
Vejo meu coração se despedaçar
É um hormônio que acelera as batidas do meu coração, sua presença.
É um campo magnético que atraí para a mais pura imaginação, sua beleza.
É uma obra de arte num quadro do artista de Lumberville no qual desejo não apenas contemplar mas fazer parte da paisagem, aquele beijo na flor, o seu amor.
LIBERDADE DE EXPRESSÃO
se eu guarda meu coração,
se eu mi amar,
se eu mi abraçar,
se eu sorrir mais,
se eu mi aceitar,
se eu decidir ser feliz.
Não a ninguém que pode tira a minha liberdade de expressar quem realmente eu sou, posso fazer minhas próprias escolhas,
tenho liberdade para ser eu mesmo.
Tenho evitado mergulhar nas profundezas do meu rio, porque não dou mais conta, a superfície já me parece ser o suficiente.
Fruto do Pai
Meu pai dizia
Que tinha de ser aroeira
Lustrar a epiderme cinzenta
Pinçar as sobrancelhas
Escovar o hálito
Acetinar os cabelos
Cortar as cascas
Ser adstringente nas respostas
Resinoso para atrair
Não ter muita importância
Se banhar de estimação
Ser baga trilocular
Desconfiar
Que somos
Filhos de Deus
Em parto humano
Que nada descende
De nossa criação
Mas do espírito
Capsula
Suavizada em Deus
Com nome e identidade
Pela vida além
Livro Pó de Anjo
Autora: Rosana Fleury
FESTA
Eu desdobrei minha orfandade
sobre a mesa, como um mapa.
Desenhei o itinerário
para meu lugar ao vento.
Os que chegam não me encontram.
Os que espero não existem.
E bebi licores furiosos
para transmutar os rostos
em um anjo, em copos vazios.
O LADRÃO DE VERSOS
Uma gargalhada do meu filho
rouba-me um verso. Era,
se não erro, um verso largo,
enxuto e musical. Era bom
e certeiro, acreditem, esse verso
arisco e difícil, que se soltara
dentro de mim. Mas meu filho
riu e o verso despenhou-se no cristal
ingénuo e fresco desse riso. Meu Deus,
troco todos os meus versos
mais perfeitos pelo riso antigo
e verdadeiro de meu filho.
GINÁSTICA APLICADA
Meu verso cínico é minha terapêutica
e minha ginástica. Nele me penduro
e ergo, em sua precisão de barra fixa.
Nele me exercito em pino flexível,
sílaba a sílaba, movimento controlado
de pulso, e me volteio aparatoso
na pirueta lograda, no lance bem ritmado.
Há um sorriso discreto em minha segurança.
Porém, se às vezes me estatelo, folha seca
(o verso é difícil e escorregadio), meu verso,
como de vós, ri-se de mim em ar de troça.
