Mentiras
Eu não quero apenas viver — eu quero significar a vida.
Não busco aplausos, busco verdade.
E sei que, por isso, às vezes incomodo quem vive na superficialidade.
Mas também sei que curo quem está pronto para ouvir.
- Camila Rescaroli
Saber calar o que o coração grita não é sobre omissão ou fraqueza, é, na verdade, uma das maiores demonstrações de força e elegância emocional que alguém pode ter. É a arte sutil de transformar tempestades internas em brisa leve para o mundo. Muitas vezes, a nossa mente e o nosso peito viram um cenário de ventanias, dúvidas e sentimentos que pesam. O impulso natural seria deixar transbordar, mas quem escolhe o silêncio compreende que nem todo mundo está pronto para acolher a nossa chuva. Há um valor sagrado em recuar, em fechar os olhos e permitir que o turbilhão aconteça apenas do lado de dentro.Nesse processo silencioso, a gente se torna o próprio abrigo. Em vez de espalhar raios e trovões por onde passa, quem domina essa arte escolhe respirar fundo e filtrar a própria dor. É como se no aconchego desse isolamento voluntário, o coração conseguisse desacelerar o vento, acalmar as ondas e transformar o caos em aprendizado. Quando finalmente voltamos a interagir com o exterior, o que entregamos aos outros não é o estrago da tormenta, mas o frescor que vem depois dela. Oferecemos paz, maturidade e uma brisa leve aquela que acalma quem está ao redor, enquanto mantemos intacto e protegido o nosso próprio mundo secreto.
_Enzo Ruchell_
Eu fui matando minhas esperanças como se não tivesse nada a esperar.
Eu sou uma verdade inventada sem precisar guardar mémorias que nunca quiz saber.
minha contradição se perdeu por ai e só assim eu percebo o quanto eu já me despedacei por sentimentos não tão importantes.
O verdadeiro poeta precisa entender a genialidade e se fazer de idiota para ter a liberdade de expressão;
Amar é... Verdadeiramente sinceridade, companheirismo e renúncias;
Nas primícias dos sentimentos se arrisca um tudo e o nada;
Amar é... Gostar do que não se gosta para agradar a quem lhe tem amor;
Mas acima de tudo, ter um caráter fora do comum... Adquirir fidelidade e vice versa...
Amar é... Se dedicar ao máximo para impressionar o coração de quem acredita em você!
Porque, se amar for uma arte... Não é qualquer um que pode ser artista;
"A verdade, quando buscada com disciplina e reverência aos fatos, não se impõe pelo ruído das opiniões, mas se consagra na serenidade invencível da evidência."
O REINO DE DEUS ESTA DENTRO DE VÓS.
-O REINO INTERIOR E A MEDIDA DA VERDADE -
A afirmação de que “o reino de Deus está dentro de vós” exige rigor interpretativo para não ser reduzida a um subjetivismo impreciso. Ela não declara que Deus nasce da crença individual, mas que a experiência do divino ocorre na interioridade da consciência.
No registro evangélico, em Evangelho de Lucas 17:21, o ensinamento desloca o eixo da religiosidade. O reino não é território, instituição ou espetáculo exterior. É um estado moral, uma ordem íntima em que a lei divina se inscreve no espírito e orienta a conduta.
A tradição espírita, conforme O Evangelho Segundo o Espiritismo capítulo III, aprofunda essa leitura ao definir o reino como conquista progressiva. Não se trata de alcançar um lugar, mas de tornar-se apto a vivê-lo. A transformação íntima não cria Deus. Apenas remove os véus que impedem sua percepção.
É aqui que se estabelece a distinção central. A experiência do divino é interior, mas sua realidade é independente do sujeito. Confundir essas duas esferas conduz ao erro. O homem não produz o princípio. Ele o reconhece à medida que se depura.
Sob a ótica da Filosofia Moral, isso implica que o bem, a justiça e a verdade não são construções arbitrárias da vontade. São leis que precedem a consciência e às quais ela deve conformar-se. O reino interior, portanto, não é liberdade absoluta de crença, mas alinhamento lúcido com uma ordem superior.
Nesse contexto, a ideia de respeito mútuo encontra seu lugar adequado. O respeito regula a convivência entre consciências ainda em diferentes graus de compreensão. Ele não redefine Deus, mas disciplina o modo como os homens se relacionam enquanto buscam compreendê-lo.
A síntese torna-se clara. Deus não é aquilo que simplesmente dizem, pois há distorções humanas na transmissão do sagrado. Tampouco é aquilo que cada um deseja, pois a verdade não se curva à opinião. O que está ao alcance do espírito é o aperfeiçoamento da própria percepção.
O reino dentro de vós não é uma licença para inventar o divino. É um chamado severo e silencioso para tornar-se digno de percebê-lo.
O amor verdadeiro nunca desaparece, apenas aprende a sobreviver na forma mais dolorosa da eternidade: a lembrança.
Há palavras que por serem tão verdadeiras, doem profundamente! Elas tocam nas nossas imperfeições e a alma reclama por mudança.
Adeus
Sim, eu voltarei com a maré
A verdade revelar-se-á claramente
Vou com o vento, mas não vou no vazio
Do grande silêncio, eu voltarei.
Eu tenho sido como a neblina.
Na quietude da noite caminhei
Conheci alegrias e tristezas
Muitas vezes fui um lago entre as montanhas.
Algo mais doce do que o riso
É aquilo que há de infinito em mim
O meu poder liga-me à terra
A sua fragrância eleva-me ao espaço.
E o que é o conhecimento, senão uma sombra da sabedoria.
E encontrei algo maior do que essa sabedoria
É uma chama que se encontra em mim
É a vida em busca da vida.
ALLAN KARDEC. O APÓSTOLO DA VERDADE E DA TERNURA ESPIRITUAL.
Allan Kardec não pertence apenas à memória histórica do Espiritismo. Pertence à intimidade moral da humanidade. Sua presença atravessa os séculos como uma dessas consciências raras que ensinaram sem humilhar, corrigiram sem endurecer e sofreram sem abandonar a serenidade diante de Deus.
Durante muito tempo, muitos imaginaram Kardec como uma figura severa demais para o afeto, quase aprisionada numa racionalidade inflexível. Entretanto, aquilo que chegou até nós acerca de sua vida íntima revela precisamente o contrário. Revela um homem profundamente humano. Sensível. Delicado. Afetuoso. Um espírito que carregava responsabilidades imensas sem perder a capacidade de sentir as dores alheias.
Sua inteligência jamais destruiu sua ternura.
Kardec possuía a firmeza dos grandes educadores e, ao mesmo tempo, a brandura silenciosa daqueles que compreendem a fragilidade humana. Era rigoroso com princípios, porém misericordioso com pessoas. Corrigia ideias sem ferir consciências. Defendia a verdade sem transformar a doutrina numa arma de vaidade intelectual.
Talvez aí resida uma das maiores belezas de sua existência.
Ele não era um homem inacessível.
Era um homem fatigado que continuava trabalhando.
Era um espírito sobrecarregado que prosseguia servindo.
Era alguém que conhecia as angústias da alma e, ainda assim, permanecia fiel ao dever.
Sua célebre prece de aflição continua emocionando consciências porque nela não encontramos um missionário distante das dores humanas, mas um homem atravessando regiões difíceis do próprio espírito. Quando confessa sentir-se confuso, ansioso e interiormente perturbado, Kardec aproxima-se de todos aqueles que já enfrentaram noites silenciosas de exaustão emocional.
E mesmo cansado, não se revolta.
Mesmo abatido, não acusa.
Mesmo aflito, não abandona Deus.
Ele ora.
Pede discernimento.
Pede força moral.
Pede humildade para transformar sofrimento em aprendizado espiritual.
Há uma grandeza quase sublime nisso.
Num século marcado por disputas intelectuais e orgulho filosófico, Kardec escolheu a introspecção moral. Em vez de buscar culpados exteriores, investigava a própria consciência diante da Providência Divina. Sua espiritualidade não era teatralidade religiosa. Era disciplina interior. Era fé amadurecida pela razão e suavizada pela caridade.
E talvez seja impossível não sentir profunda comoção ao perceber que dentro daquele educador monumental ainda existia algo extremamente puro. Uma espécie de menino espiritual buscando repouso em Deus após o peso esmagador das responsabilidades humanas.
Seu coração não endureceu diante das lutas.
Sua alma não secou diante das perseguições.
Seu ideal não tombou diante do cansaço.
Kardec trabalhou incessantemente. Respondeu cartas. Consolou aflitos. Orientou grupos. Auxiliou necessitados. Administrou dificuldades materiais. Organizou obras gigantescas enquanto enfrentava desgaste físico e emocional quase contínuo. Havia noites de exaustão. Havia preocupações silenciosas. Havia saudades íntimas jamais verbalizadas inteiramente. Ainda assim, ele prosseguia.
Não porque fosse um homem sem dores.
Mas porque compreendia que a verdade exige perseverança.
Sua vida inteira parece ter sido um testemunho de renúncia serena. Uma existência consumida pelo dever moral, pela educação espiritual das consciências e pelo desejo sincero de aliviar o sofrimento humano.
Por isso sua lembrança permanece tão viva.
Não apenas como filósofo.
Não apenas como educador.
Mas como presença moral.
Como consciência amiga.
Como um desses raros espíritos que conseguem aproximar razão e compaixão sem destruir nenhuma delas.
Kardec venceu o cansaço sem abandonar a dignidade.
Venceu as dores sem perder a delicadeza.
Venceu as saudades sem permitir que a amargura lhe tomasse o espírito.
E talvez seja exatamente por isso que ainda hoje tantos corações sentem sua presença como um amparo silencioso atravessando gerações.
Sua grandeza não nasceu da ausência de fragilidade.
Nasceu da coragem de permanecer fiel à luz mesmo carregando o peso humano das próprias lágrimas.
Por: Marcelo Caetano Monteiro.
Fontes.
Projeto Allan Kardec da Universidade Federal de Juiz de Fora.
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"A fé é compreender que cada cravo de dor é, na verdade, um ponto de fixação para a ascensão do espírito ao seu destino glorioso. "
" O que é apenas visto passa. O que é verdadeiramente amado permanece na memória afetiva, no silêncio das horas, na delicada permanência do sentir. "
