Mentiras
“EstranhaMENTE, a MENTE mente quando transforma pensamento em verdade sem submetê-lo ao discernimento.”
“A memória pode devolver uma informação sem devolver a verdade”
Evocar é trazer novamente à consciência aquilo que foi aprendido, vivido, ouvido ou armazenado. Mas recordar alguma coisa não significa que ela esteja correta, que sua origem seja confiável ou que mereça orientar uma decisão.
Talvez esteja aí uma diferença fundamental entre memória e discernimento.
A memória recupera. O discernimento examina.
Uma informação pode ser facilmente evocada justamente porque foi repetida muitas vezes. Pode parecer verdadeira porque se tornou familiar. Pode produzir convicção sem possuir evidência suficiente.
Por isso, educar não deveria significar apenas ensinar alguém a aprender e depois recordar. Existe uma etapa posterior, mais difícil: ensinar a mente a interrogar aquilo que ela própria recuperou.
O que estou lembrando? De onde isso veio? Continua válido? Existem evidências? Estou recuperando um conhecimento ou apenas repetindo uma crença?
Evocar torna uma informação disponível.
Discernir é decidir quanta autoridade essa informação merece.
Talvez uma das grandes tarefas da educação contemporânea não seja apenas formar pessoas capazes de lembrar, mas pessoas capazes de desconfiar, investigar e avaliar aquilo de que se lembram.
Porque uma memória eficiente pode recuperar conhecimento.
Mas também pode recuperar o erro.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Autor e Pesquisador
O verdadeiro circo social não precisa obrigar ninguém a assistir. Basta aprender a capturar nossa atenção.
Carlos Eduardo Balcarse
Há aprendizados que permanecem verdadeiros e precisam apenas pesar menos. Desaprender também é aprender a diferença entre conservar um conhecimento e continuar obedecendo a ele.
Carlos Eduardo Balcarse
POR QUE REPETIR UMA IDEIA MUITAS VEZES PODE FAZÊ-LA PARECER VERDADEIRA?
A repetição possui uma força discreta.
Quando encontramos uma afirmação várias vezes, ela começa a parecer familiar.
E familiaridade pode ser confundida com verdade.
O fenômeno é especialmente importante em ambientes digitais.
Uma informação aparece em uma postagem. Depois em um vídeo. Em seguida em um comentário. Um amigo repete. Outro perfil publica. Um mecanismo recomenda conteúdo semelhante.
Depois de algum tempo, podemos ter a impressão de que encontramos várias confirmações independentes quando, na realidade, talvez estejamos encontrando múltiplas reproduções da mesma origem.
Quantidade de aparições não é quantidade de evidências.
Uma afirmação repetida por mil pessoas não se transforma automaticamente em uma afirmação mil vezes mais verdadeira.
Por isso, diante de uma ideia muito difundida, precisamos perguntar: “Quantas fontes independentes existem aqui? De onde veio a informação? Há evidência ou apenas circulação? O que me convenceu: a demonstração ou a familiaridade?”
Discernimento exige aprender a interromper essa passagem automática.
Porque o senso comum pode ser comum justamente porque foi repetido.
E ser comum não significa ser verdadeiro.
O senso comum comumente mente.
Não necessariamente porque exista alguém mentindo.
Às vezes porque uma ideia repetida tantas vezes deixou de precisar apresentar suas credenciais.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
Quando a familiaridade vira critério de verdade, o conhecido começa a se disfarçar de comprovado.
Carlos Eduardo Balcarse
O sentimento pode ser verdadeiro sem que a interpretação que fazemos dele seja VERDADEira.
Carlos Eduardo Balcarse
A verdadeira alfabetização começa nas letras, mas não termina enquanto não aprendemos a ler aquilo que tenta nos LER.
Carlos Eduardo Balcarse
COMO SABER SE ESTOU CONFUNDINDO CERTEZA COM VERDADE?
Ter certeza não é ter razão.
A certeza descreve o quanto estamos convencidos.
A verdade não depende da intensidade da nossa convicção.
Podemos acreditar pouco em algo verdadeiro e acreditar profundamente em algo falso.
Por isso, quanto maior a certeza, talvez maior devesse ser nossa disposição para perguntar de onde ela veio.
Quais evidências sustentam aquilo que penso?
O que poderia demonstrar que estou errado?
Estou defendendo uma conclusão ou protegendo minha identidade?
A certeza pode encerrar uma pergunta.
O discernimento a reabre quando necessário.
Não basta perguntar se tenho certeza. É preciso perguntar se minha certeza merece a autoridade que estou concedendo a ela.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
A verdadeira harmonia não elimina diferenças; estabelece entre elas uma relação que impede a diferença de converter-se em guerra.
O jurista verdadeiramente crítico não destrói a tradição; interroga aquilo que nela se tornou invisível.
A verdadeira melhoria técnica na indústria consiste na capacidade de adaptação às constantes transformações do setor industrial.
