Mentiras
Eu sou livre para imaginar, sentir, falar, amar, viver, fazer e ser o que eu quiser. A verdadeira liberdade está nas minhas escolhas, e o único limite é o que eu me imponho. A vida é moldada pelas decisões que tomo, e eu sou capaz de criar a realidade que desejo, sem restrições externas.
A verdade absoluta é o óbvio, e o óbvio é a coerência entre o pensamento, sentimento, matéria e a vida; quando falta coerência em algum desses, é apenas uma verdade individual.
A verdadeira liberdade não está no mundo externo, mas dentro de si mesmo. Liberdade não é algo que se toca ou se conquista fisicamente, porque o corpo, por sua própria natureza, está preso a necessidades básicas, como o alimento, o descanso e outras condições essenciais para sobreviver. Essas dependências tiram qualquer ilusão de que a liberdade pode ser algo plenamente físico.
A liberdade, na verdade, é um estado que se sente, algo profundamente interno. Não é sobre estar em um lugar ou realizar uma prática, mas sobre sentir-se livre, independente das circunstâncias externas.
De nada adianta viajar pelo mundo inteiro, explorar cada canto do planeta, se dentro de si ainda persistem prisões invisíveis: medos, preocupações, angústias e a incapacidade de estar em paz consigo mesmo. A verdadeira liberdade é sentir-se livre por dentro, independente do que acontece ao seu redor. É um estado de aceitação e presença que nenhum lugar externo pode proporcionar.
O que realmente importa não está do lado de fora, mas dentro da gente. O que somos de verdade está nas coisas que os olhos não veem: no coração que bate, no sangue que corre, na cabeça que pensa, nas partes do corpo que se refazem e na respiração que não para. É essa força da vida que nos segura, que nos faz andar e que diz quem nós somos.
O que a gente vê por fora – a cara que a gente faz ou o que os outros enxergam – é passageiro, é como uma sombra que um dia some.
O corpo, com seu formato e sua cara, é só uma roupa por um tempo. Ele fica velho, cansado e um dia acaba. Mas o que a gente é de verdade – a vida, o espírito – vai além disso. No fim, a gente deixa o corpo, mas o nosso verdadeiro eu não morre nunca.
Por isso, tudo que a gente busca lá fora, tudo que a gente tenta ganhar ou mostrar para os outros, não pode dizer quem a gente é de verdade. O que somos, o que nos faz seguir em frente, o que dá valor à nossa vida, mora aqui dentro. E é esse mundo dentro da gente que manda na nossa vida, muito mais do que as aparências e as coisas que um dia vão embora.
Quando você diz a si mesmo "não aguento mais viver", na verdade, não é a vida em si que você não suporta. O que você não aguenta é o modo como está vivendo, as circunstâncias, os valores, as ideias, os pensamentos, as pessoas ou os lugares que o cercam. O segredo está em mudar aquilo que o incomoda. Mude sua vida, revise seus valores, transforme suas ideias, renove seus pensamentos, escolha novas pessoas para estar ao seu lado, explore outros lugares. A mudança é o caminho para se reconectar com a vontade de viver.
A melhor maneira de ficar bem quando se sentir mal é gostar de verdade de estar mal, pois gostando de estar mal, ficou bem.
Toda alma vem ao corpo com um dom, com algo que possui um verdadeiro significado e sentido para viver a vida. Esse dom não é algo que aparece imediatamente, mas sim algo que deve ser descoberto ao longo da vida.
Contudo, antes de encontrar esse dom, é necessário eliminar tudo aquilo que, no fundo, nunca teve a ver com você. Refiro-me às coisas que a sociedade impôs desde a infância, às expectativas e padrões que nos empurraram. Tudo isso forma uma camada de influências externas que, muitas vezes, não correspondem ao que realmente somos.
O que sobrar após eliminar essas camadas de condicionamentos é, muitas vezes, o que tem a ver com o seu verdadeiro eu — o seu dom, o seu propósito. Esse dom, esse sentido, é algo único, que está profundamente ligado à sua essência e ao seu ser.
Não existe dom melhor ou pior, pois cada um tem o seu próprio. Cada pessoa tem sua própria verdade, seu próprio caminho, seu próprio sentido. E esse sentido é o que realmente faz sentido para a sua vida, não importa se esse sentido parece simples ou até incomum aos olhos dos outros. O que importa é que ele faz parte de quem você é, faz parte do seu dom, e isso é o que torna a vida verdadeira e significativa para você.
Precisamos parar de acreditar na ilusão de que vivemos em uma verdadeira democracia. Na realidade, nunca fomos verdadeiramente uma democracia. O que temos é uma ditadura que favorece banqueiros e grandes empresários, onde somos, na prática, escravizados pelo trabalho. Trabalhamos por necessidade, porque, sem um emprego, não temos como garantir nossa sobrevivência. Uma verdadeira democracia, que realmente merecesse esse nome, não permitiria que qualquer pessoa passasse fome, vivesse sem abrigo, ou ficasse sem acesso à educação e saúde. As necessidades básicas de todos deveriam ser atendidas pelo estado, mas, em vez disso, somos forçados a trabalhar incessantemente para sobreviver.
Existem alguns privilegiados que, por sorte, conseguem trabalhar em algo que realmente gostam, mas a maioria de nós trabalha apenas por necessidade, para garantir o mínimo para a nossa sobrevivência. Nos tornamos meras engrenagens de um sistema que nos usa como escravos para sustentar banqueiros, mega-empresários e investidores — pessoas que controlam os bancos e as grandes corporações. Eles dependem de nosso trabalho para se manterem ricos, ostentando uma vida de luxo às nossas custas, enquanto nós, que sustentamos o sistema, vivemos na pobreza.
VERDADE E IMAGEM
A verdade tornou-se um espelho partido; cada fragmento reflete a vontade de quem o segura, e a imagem do todo é apenas a soma das nossas solidões.
No reino da imagem fabricada, o maior acto de rebeldia é ainda procurar a porta da realidade, mesmo sabendo que, para a abrir, talvez seja preciso derrubar a nossa própria imagem refletida.
PARA LÁ DA ESPUMA DA ONDA
A verdadeira felicidade nasce da transparência. Nasce de sabermos quem somos, o que nos envolve e o que nos condiciona. Mas não basta conhecer esses limites, é preciso tentar ir além deles, com a lupa dos sentidos, da intuição e da alma. Só assim poderemos intuir a luminosidade que, como um véu, ainda os encobre. E só então trilharemos um caminho verdadeiramente nosso.
António da Cunha Duarte Justo
Os valores reais e verdadeiros no mundo são fisicamente invisíveis aos olhos, mas visíveis internamente no sentimento.
Quando alguém diz que quer se matar, na verdade está querendo matar o pensamento de se matar, não ela.
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