Mensagens depois de um Encontro Casual
Mais uma vez a vida deu um jeito de seguir seu rumo. Afastou novamente quem deveria permanecer, levou para outro continente quem deveria estar permanentemente recebendo calor e ser possível todo dia abraçar.
Se ela vai trazer de volta ou não, já não posso dizer, não é possível premeditar.
Já não tenho mais coragem de fazer planos ou simplesmente esperar alguma resolução prévia do que se sucederá.
O destino nunca foi uma caneta possível de se segurar.
Pobre menina que não pesquisa antes de se apaixonar, que sempre esteve a mercê do que virá.
Este chão que desliza enquanto ando, o mesmo solo que pareceu-me um dia ter sido tão fértil.
Esta cabeça de humano tão capaz de pensar, repensar, criar, concluir e deletar.
A caneta jogada nas minhas revistas, ama, traça, rabisca, ensina e como inspira.
Esta arte aberta sobre a mesa que preenche-me e finaliza-me todos os dias.
Este cigarro que conheço desde uma pré-adolescência bem vivida, que afaga a alma e invade com teu gosto amargo de prazer.
Sinto pena de ti teclado, ao receber uma surra diária de boas palavras e assuntos tão sérios, não abandonar-me.
Eu proponho então um brinde a esse pequeno universo.
Era mais um dia de sol, era carnaval quando teu olhar pousou no meu,
como quem não queria nada, enquanto a vida vibrava naquela praça.
Aquele ambiente vivo, alegre e colorido,
novamente teu olhar pousou no meu.
Eu que respondia cada um deles, desfoquei, brinquei, conversei.
Você riu das minhas piadas com um sorriso bobo e uma gargalhada afiada,
foi quando descobri que do mesmo humor se tratava.
Calor de 40º no Rio de Janeiro, procurávamos sombra,
estávamos ali sentados, soberbos e agitados.
Dessa vez, meu olhar pousou no teu,
tua mão pousou na minha,
meu riso caiu no teu e teus lábios permaneceram nos meus.
Olha isso, olha aquilo e a gente ria,
em uma gargalhada infinita,
jurava que aquele dia não acabaria.
Corre para cá, corre para lá,
até que corremos para tua casa,
roupas no chão misturadas,
corpos em brasa,
então deixa a faísca,
nos deixamos pistas,
para quando precisarmos,
corrermos um para o outro,
com fôlego de quem quer e faria tudo de novo.
O tal do si.
Às vezes tudo que você precisa é um de espaço seguro para manter o foco em si, redirecionar a atenção, o cuidado, o investimento do grandioso tempo, para si.
Às vezes o “si” , se colide com algo que poucas pessoas conseguem enxergar, mas o segredo é manter essa janela para si. Se o outro quiser ver, que a destranque e a abra.
O “si” é um espaço sagrado, é o lar, o refúgio das almas inquietas que estão a todo momento lutando para não transbordar e quando ela vaza de “si”, se torna instantaneamente vulnerável.
Às vezes é necessário parar, olhar ao redor e dar uma pequena vasculhada no “si” e investigar se realmente é ali que ele pertence, para que ele não se perca e o “si” permaneça onde se deseja e onde se cresça.
Não há como negar que a expressão 'nada como um dia após o amanhã' é raramente utilizada e frequentemente observada. No entanto, de que adianta o amanhã se não houver mudanças significativas em meu hoje?
O local mais propício para expressar suas lágrimas é sob o chuveiro, um espaço acolhedor e quentinho que proporciona um momento de reflexão, onde apenas você tem plena consciência das suas dores.
A inveja é um dos sentimentos mais prejudiciais que existem, tanto na Terra quanto no plano espiritual. Ela se manifesta por meio de um conjunto de emoções que drenam a alma e afligem o corpo humano, levando a consequências devastadoras. A inveja está associada à falsidade, à hipocrisia e à mentira, e, em muitos casos, pode ser capaz de causar um dano irreparável à vida de uma pessoa.
Não te entregues totalmente, guarda sempre um pouco de ti, vai aliviar-te imenso caso necessites regressar.
A Envergadura das Sílabas
Essa oscilação lúcida
entre o avesso insano
de um sonho cobalto
e um mar abandonado
pelo oceano, naufragado
no pousio de uma enseada.
Quão denso é o tempo
que estremece a existência
numa mutável cronologia
de sedução a porvir a cor
pendente na frágil Vida.
A envergadura das sílabas
mede-se pela infância
dos imodestos horizontes
que se contraem nos poentes.
A noite em carne viva
queima o vértice dos amantes.
Afixo as Minhas Âncoras
Atolado na indecisão
navego na deriva
de um mar indigesto.
Repleto de sais e dúvidas
esta ondulada hesitação
move o êmbolo da minha nau.
No alambique da minha pele
escorre o poema que perdi.
Grita o vento no íntimo da noite,
desflora o silêncio.
O desembarque das tempestades
arrefecem as estrelas
- saboreio os astros que iluminam
as débeis praias;
afixo as minhas âncoras
nos areais onde severamente
se acomodam as civilizações
nesta esfera pintada em tons de azul.
Alcançámos as Nossas Almas
Faremos um poente
numa porção de mar
e de braços abertos
deixaremos entrar a canção
desenhada no alaranjado céu.
O luar de boca aberta
narra a melodia das amoras,
deitados na cristalizada areia de jasmim
os nossos desnudados corpos
amaram-se até as estrelas adormecerem
e entre o céu e a terra
alcançámos as nossas almas.
Um Dia
Um dia ouviremos o mesmo mar
um dia iremos nos despir no mesmo luar
um dia saborearemos os mesmos caminhos
um dia amanheceremos na mesma pele
um dia anoiteceremos na mesma boca
e ao fim do dia
seremos infinitamente tudo isso.
Um Momento Contigo
Trocaria umas longas férias
no lugar mais paradisíaco do mundo
por um momento contigo
onde se pudesse ver as estrelas
e ouvir as palavras dos nossos olhos.
Vantagens do meu Beijo:
Sentir-se como um vulcão em erupção.
Elimina os “ses”, e os “quem me dera”.
Auto-estima do tamanho do Evereste.
Acaba com a retenção de líquidos.
Aflora a criatividade erótica e sensual .
Vontade enorme de ouvir Pink Floyd.
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