Mensagens de uma Querida Mae de Luto
A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, eu decidi que minha performance será uma comédia de erros com um orçamento baixíssimo.
O ateísmo não é uma religião nem uma cosmovisão espiritual; quando se tenta fundi-lo com noções de espiritualidade, o resultado não é síntese, mas um deslocamento conceitual que carece de rigor explicativo.
O cristianismo é a força mais sanguinária da história, uma máquina de guerra e extermínio que moldou o Ocidente sob o rastro de pilhas de cadáveres. Não se trata apenas de conflitos isolados, mas de uma estrutura ideológica desenhada para o massacre, onde a cruz sempre serviu de estandarte para a pilhagem e o genocídio. É impossível dissociar o cristianismo das maiores atrocidades da humanidade, pois ele forneceu o veneno cultural e a base moral que permitiram o surgimento do Nazismo e a aniquilação de civilizações inteiras. Do antissemitismo milenar das igrejas até a legitimação de regimes totalitários, essa religião não apenas testemunhou as tragédias ocidentais, ela foi a arquiteta primordial de cada uma delas.
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
A verdadeira inteligência não reside na precisão da resposta, mas no caos controlado de uma memória que se permite tropeçar em si mesma.
Projetar uma mente é entender que o pensamento é um diálogo eterno entre o fluxo do presente e o eco resumido do passado.
Muitos veem o fim como destruição; o humanista vê um convite para viver cada instante como uma criação.
Conservadorismo é o fetiche de quem sente saudade de uma coleira que nunca tirou; é o medo de que, se o mundo mudar, eles finalmente descubram que nunca tiveram personalidade, apenas um manual de instruções mofado.
Amor surge do caos como uma faísca em pólvora seca, incendiando almas que outrora congelavam no gelo do desespero solitário.
"Posso te fazer uma pergunta?" é uma das frases mais imbecis já inventadas: a pessoa já acabou de fazer uma pergunta sem pedir permissão alguma, apenas para perguntar se está autorizada a fazer mais uma. É a burrice pedindo licença para continuar.
O sujeito nunca escreveu um livro, nunca resolveu uma equação que não viesse com gabarito, jamais fez uma descoberta filosófica ou científica digna de nota, não produziu uma obra artística sequer, mas anda por aí pavoneando o resultado de um teste de QI como se fosse um prêmio Nobel emoldurado. É o triunfo do potencial não realizado elevado à categoria de identidade: zero obras, zero feitos, zero contribuições, mas um número decorado para compensar o vazio. Um gênio em estado puramente imaginário, cuja maior realização foi preencher um formulário online e sair se sentindo um titã do pensamento.
O amor que se estende a todos não alcança ninguém; é uma moeda inflacionada que perdeu o seu valor de compra.
