Mensagens de Silêncio
Meu pai me ofereceu duas ferramentas e um destino em silêncio: a caneta, para quem carrega o peso do pensar; a enxada, para quem sente o peso da terra no corpo.
"Tome partido. A neutralidade ajuda o opressor, nunca a vítima. O silêncio encoraja o torturador, nunca o torturado."
Elie Wisel
Você não precisa responder tudo.
O silêncio é uma das maiores formas de inteligência prática. Responder menos evita guerras inúteis. E guerra inútil desgasta o dobro.
Crescer não é esquecer a criança que fomos, mas aprender a cuidar dela em silêncio, sem deixar que a vida apague seus sonhos.
Depois do silêncio
Fiquei calada
por mais tempo do que devia.
Não por falta de palavras,
mas porque ninguém queria ouvir.
Engoli dores
para não incomodar.
Aprendi a sorrir
com o peito em ruínas.
Carreguei ausências
como quem carrega culpa
sem ter cometido crime.
O silêncio virou hábito.
A dor, rotina.
E eu segui
invisível,
mas viva.
Hoje escrevo
porque sobrevivi.
Porque tudo o que calei
não morreu em mim.
Escrevo para que saibam
que houve noites longas,
quedas silenciosas,
e uma força que ninguém viu.
Não escrevo por vingança.
Escrevo por verdade.
Para que entendam
que o silêncio não era vazio,
era peso demais.
Agora falo em versos
o que a vida tentou calar.
Não para ser entendida por todos,
mas para não me perder outra vez.
— Alexia Ava
No templo do tempo
No silêncio antigo da tarde, dois olhares se cruzam sem pressa, são ecos de promessas caladas, amores que o mundo não confessa. O espaço é sagrado, suspenso, onde o toque é mais que pecado. Ali, o tempo curva-se manso ao reencontro tão desejado.
São mãos que se lembram do gesto, são vozes que tremem no ar. E o proibido, por um instante, parece enfim se libertar. Há um perfume de saudade pairando entre os corpos imóveis, como se o tempo, em reverência, parasse para ouvir seus nomes.
Os olhos dizem o que os lábios temem, e o coração, inquieto, reconhece o caminho antigo. Não há culpa, só memória, um amor que não se apaga, apenas se abriga no abrigo do tempo.
E quando o sol se despede, tingindo de ouro o instante, fica no ar a certeza: o que é verdadeiro, mesmo oculto, sempre encontra um jeito de voltar.
Se não for verdadeiro,
nem útil,
nem necessário…
prefiro o silêncio.
O que não nutre,
não precisa permanecer.
Escolho com cuidado
o que atravessa meu campo.
“O tempo é o mestre invisível que ensina a existir, molda com dor, corrige com o silêncio e, ao final, consome o próprio ensinamento para devolvê-lo à eternidade.”
M. Arawak.
“O inimigo não age no barulho da multidão, mas no silêncio do coração; é ali, a sós, que o verdadeiro combate espiritual acontece.”
O milagre da vida
No silêncio do instante,
uma semente desperta,
brotando esperança em terra fértil.
Cada batida do coração,
um tambor que anuncia a dança do existir,
o milagre invisível que se repete,
sem roteiro, sem ensaio.
A vida se espalha em cores e sons,
em risos que ecoam pelo ar,
em lágrimas que regam a alma,
em gestos pequenos que salvam mundos.
É fogo e água, tempestade e calma,
um pulsar incessante que desafia o vazio,
um abraço entre o efêmero e o eterno.
Ser vida é ser mistério aberto,
é carregar no peito a luz e a sombra,
é ser parte do tudo sem jamais se perder.
O milagre acontece agora, sempre
no respirar profundo, no olhar atento,
na coragem de recomeçar
todos os dias!
nadas (in)versos
fiz do silêncio um idioma
e dos nadas, um abrigo
o que em mim parecia vazio
era só verso ao contrário
esperando quem soubesse ler
carrego abismos bem vestidos
sorrisos que nunca contam tudo
há verdades que só existem
quando ninguém está olhando
não me explico — me inverto
sou sombra que pensa
e nos meus nadas mais fundos
mora exatamente
o que não ouso dizer
Meu silencio não quer dizer "Não".
então...
Tolice pensar que sabe o que sinto.
Pensar que não minto.
No final de tarde
Navego no silêncio
Fascinante instante que abastece a alma
Leveza do meu contemplar
Pássaros despedido da tarde
Enquanto renovo diante da beleza
Busco a conexão que o por do sol pode oferecer.
Poema:
O Dom, o Aprendizado e a Sabedoria
Há dons que nascem no silêncio,
brilham no olhar de quem busca,
não pedem palco nem aplausos,
apenas o espaço da alma justa.
O dom é semente divina,
plantada no tempo da fé,
cresce em meio às dúvidas,
floresce em quem não desiste de ser quem é.
Mas o dom sozinho não basta,
precisa do chão do aprendizado,
da queda que ensina o passo,
do erro que forja o resultado.
Aprender é servir ao propósito,
é lapidar o talento com dor,
é entender que o caminho mais duro
é o que mais revela o valor.
E quando o dom encontra o saber,
nasce a sabedoria serena,
que não grita, apenas ilumina,
que não impõe, apenas ensina.
A sabedoria é o fruto maduro
de quem viveu com humildade,
e entendeu que o maior mestre
é a própria vontade.
JR TEIXEIRA
Escrevo-me
quando o silêncio pesa
e a alma pede morada.
Escrevo-me
não para ser lida depressa,
mas para ser sentida
no tempo certo do coração.
Há dias em que sou rascunho,
outros em que sou verso inteiro.
Mas sigo,
mesmo borrada,
mesmo em construção.
Escrever-me
é não desistir de quem sou,
é juntar pedaços de fé,
cicatrizes e esperança
numa mesma linha.
Porque enquanto me escrevo,
eu existo.
Inteira.
Viva.
Aprendendo a ficar.
_escrevendo.me
Cansaço da Alma
Minha mente… tão cheia, tão gasta, tão só,
grita em silêncio, sufoca no nó.
O corpo, exausto, cambaleia sem chão,
não corre mais — só carrega a solidão.
Já não há brilho nas coisas que vejo,
só lembranças amargas do que foi desejo.
O mundo pesa, e cada passo é dor,
como se a vida esquecesse do amor.
Quis desistir tantas vezes, calado,
por dentro partido, por fora marcado.
Mas algo ainda pulsa — uma tênue esperança,
de um reencontro, um renascer, uma dança.
Preciso de pausa, preciso de abrigo,
de um colo sereno, de um olhar amigo.
De palavras suaves que toquem meu peito,
que façam lembrar que ainda há jeito.
Necessito dela — da presença sentida,
do afeto que um dia encheu minha vida.
A falta que faz… é mais que saudade,
é um vazio que rui minha sanidade.
Mas não me entrego, não hoje, não agora,
há uma faísca que insiste e implora:
por cura, por paz, por carinho e calor,
por voltar a acreditar de novo no amor.
Escombros de mim
Vivo em silêncio, no escuro de mim,
como quem perdeu o último trem da esperança.
O mundo me passa, veloz e sem fim,
enquanto eu paro, cansado da dança.
Nunca pedi que me vissem como vítima,
nem busquei compaixão disfarçada.
Mas fui julgado por olhos que não me leem,
acusado por bocas que nada sabiam.
Amei com a alma, com tudo que sou,
entreguei meu melhor, meu gesto mais puro.
E ainda assim, virei sombra, virei dor,
abandono vestiu meu futuro.
Hoje, caminho entre os escombros de mim,
em calabouços que ninguém visita.
Tranquei meu coração — e joguei a chave
nos pesadelos onde a luz hesita.
Não quero outro alguém, não por maldade,
mas porque meu peito não quer ferir.
Sou nau sem porto, sem vontade,
um grito mudo, a não mais sorrir.
Mas há, lá longe, um sopro que insiste,
um eco dizendo que posso voltar.
Talvez, um dia, eu me permita,
sair de mim… e me resgatar
Meu coração é educado,
ama em silêncio,
não atrapalha.
Ele te vê com outra pessoa
e finge maturidade,
mas sangra escondido
no bolso da minha calça.
