Mensagens de Saudades Eternas

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Eu ouvi de longe os sussurros dele. Eu realmente não fazia mais parte de sua vida. Meu corpo estava preso, parado, e minhas mãos frias. Senti como se meu corpo se deslocasse, cheguei no ponto mais alto que consegui achar. Cai. Meu coração havia disparado por alguns longos quatro segundos. Morri. Senti meus olhos abrindo novamente, eu acabava de nascer novamente. Aquela garotinha ingênua se foi para nunca mais voltar. Voltei. Percebi que não era a mesma, eu havia morrido e nascido novamente em alguns segundos, e toda minha vida passada foi apagada a minha memória."

Eu sempre acreditei em saborear os momentos. No final, eles são as únicas coisas que teremos.

Deixamos algo de nós mesmos para trás quando saimos de um lugar. Continuamos lá, apesar de termos partido. E há coisas em nós que só podemos encontrar voltando lá.

LUTO

De vez em quando... as estrelas necessitam brilhar mais...
E, aí, elas recrutam novos aspirantes, aqui na Terra.
Talvez, um deles possa estar brilhando somente no seu coração
Aí, sentem vontade de cintilarem para todos, no horizonte...
Para quando olharem para baixo,
Verem, como foi válido o seu esforço, e bendita a sua jornada...
Não chore! O reflexo das estrelas poderá ser visto até nos rios...
Basta que fiquem calmos, para que se possa ver, o esplendor do seu brilho.

*Em homenagem, à memória de todos aqueles que amamos... e que já partiram...

Saudade, em partes...
(Nilo Ribeiro)

Hoje minha saudade está dividida,
cada parte com sua estória,
cada estória tem uma vida,
cada vida a tua memória

a parte do teu corpo,
tão belo, tão esguio,
me dava tanto conforto,
mas também desvario

a parte da tua fala,
tua voz doce e meio rouca,
na conversa a paz buscava,
minha paixão ficava mais louca

a parte da tua alma,
que comungava com o espírito,
nosso caminho era de calma,
transcendia o infinito

a parte da elegância,
a parte da nobreza,
você é toda exuberância,
mulher de rara beleza

a parte da solidariedade,
o teu coração doador,
ser humano de muita bondade,
mulher com aura de amor

minha saudade está assim,
em partes ela se manifesta,
tenho por você amor sem fim,
e é assim que ela se completa...

Sentir saudade não significa que queremos voltar no tempo para reviver algo, mas que vivemos momentos incríveis com pessoas especiais que ficarão para sempre em nossa memória.

A censura nunca acaba para aqueles que vivenciaram a experiência. É uma marca no imaginário que afeta o indivíduo que sofreu. É para sempre.

Nadine Gordimer
Censorship and its aftermath (1990).

Nota: Trecho de discurso dado em 2 de junho de 1990, pelo Dia Internacional do Escritor International Writers' Day, para a PEN International.

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⁠Apologia da dor menos recente

Na indecisão clássica de suas responsabilidades e desprovido também de memória auto-valorativa, o sujeito faz apologia à dor menos recente, com o pressuposto de que ela está parando de latejar. O homem sobre o qual se faz apologia aponta para si o simulacro de uma vontade gigante de não transformar.

⁠A nostalgia é uma forma de lembrar pessoas, lugares e coisas, e desejar que não tivessem mudado. Tem uma certa doçura.

⁠Eu deveria ter dito que te amava todos os dias. Eu deveria ter te dado as estrelas.

⁠Minhas cicatrizes me ensinam que sou mais forte do que aquilo que as causou.

⁠Nossa história será contada por aqueles cujas vidas afetamos positivamente, pelas amizades sólidas que cultivamos.

⁠a saudade é um barco velho
trazido desde longe pelo leito do rio
quando encalha na margem da memória
faz chorar quem desembarca o vazio

⁠O homem não será lembrado pelas leis que seguiu e sim pelas regras que quebrou em prol de suas virtudes.

⁠Só morre pela metade todo aquele que deixa uma imagem de si mesmo nos próprios filhos.

Carlo Goldoni
La Pamela (1750).

⁠Me apaixonei pelos cenários que criei com você. Pelas nossas memórias que só existiram na minha cabeça.

Os comportamentos adquiridos durante a infância nos acompanham sempre, e mesmo que tenhamos conseguido, à força de uma grande vontade, mantê-los cercados, encolhidos em um lugar tenebroso da memória, quando menos esperamos nos saltam na cara como gatos enfurecidos.

Guadalupe Nettel
O corpo em que nasci. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

⁠Boas lembranças
alegram o coração
tranquilizam a alma
trazem pra perto quem está longe.

⁠Na ausência, o silêncio tece as memórias que as palavras não podem pronunciar.

⁠Eu quero matar teu desejo,
em todas as formas que entendes,
que sabes ou imaginas,
onde o querer se faz infinito.

Te dar o beijo mais quente,
fazer meu calor e energia
pararem teu raciocínio,
tirar-te o juízo, sem saída.

Que meu cheiro fique em ti,
na tua memória a persistir,
a ponto de procurares algo
próximo, quando estás a partir.

Que teu corpo deseje o meu,
a ponto de tuas pernas tremerem,
sentadas, só de lembrar
da química que nos aquece,
quando ocupamos o mesmo espaço.