Mensagens de Nascimento de um Filho
*O dia depois do campo*
Já me acostumei com o ronco do canhão
e dancei ao som da rajada da metralhadora,
não por gosto, mas porque o corpo
aprende passos até no inferno.
Afiei o sabre pra cortar o catanho do dia,
porque amanhecer também cansa
quando a noite não deixou dormir
só ensinou a sobreviver.
Fingi não ouvir o toque da corneta
anunciando a alvorada que não pedi,
às vezes a guerra acaba lá fora
mas continua batendo no peito
Agora a casa tá limpa, o chá na mesa
e mesmo assim o silêncio vem fardado,
eu tiro o capacete devagar
e lembro que paz também é treino .
(Saul Beleza)
*Poeminha de casa arrumada*
Casa limpa, silêncio lavado
roupa no varal dançando pro vento
chá de hortelã, a chaleira apita, um som com cheiro
desenhando e a tua ausência em espiral pelo bico evapora.
Torrada estala, geleia vermelha,
espalho no pão, não espalho a falta
porque tem vazio que não cabe
nem na mesa posta pra um.
O dia tá organizado por fora, mas cá dentro tem um cômodo com a porta e janela abertas esperando,
só que hoje! ela não vi passar.
(Saul Beleza)
O lençol tem formato de dúvida
o teto conta piada sem graça,
e o relógio finge que não tá vendo
eu tentando domar a preguiça.
O sol bate na janela
pedindo pra entrar sem convite
eu digo "já vai"
e volto pro travesseiro, que tem teu cheiro.
Hoje o plano é simples:
respirar fundo três vezes
e deixar o dia chegar
no tempo dele, mesmo sem você aqui.
(Saul Beleza)
Aceito teus mimos, você é muito mimenta, dengozinha, beijoqueira, natural e sem etiqueta, sem medo, sem preço.
Porque amor que chega de madrugada com gosto de canela no arroz doce, hummm, merece verso.
(Saul Beleza)
Chega mais,
Já tirei os sapatos na porta da tua frase,
e espalhei meus versos pelo colchão.
Se aqui também é seu lugar,
vou puxar uma cadeira feita de nuvem
e pendurar um quadro torto na parede
com o título: "Casa onde o preciso vira poesia"
Traga um bule de ideias fervendo
aqui tem um barulho de grilo afinado em lá menor
pra gente rir do silêncio quando ele ficar sério demais.
Tô em casa. Qual cômodo a gente bagunça primeiro?
(Saul Beleza)
*Olhar que basta*
Se existe tanta alegria e ternura
em nossa troca de olhar,
pra que procurar tristeza em outros olhos?
O teu riso me desenha calma
e o teu silêncio me conta segredo.
Nenhuma janela alheia
tem essa luz que me encontra cedo.
Fica o mundo lá fora
com suas promessas de sal.
Aqui, teu olhar me ancora
e isso já me faz real.
( Saul Beleza)
*contrato com o tempo*
se o tempo quer que eu te esqueça,
diz pra ele arrumar o que fazer,
porque eu não assino esse contrato,
não vou bater ponto pra te esquecer.
não vou ajudar relógio nenhum
a enferrujar tua lembrança,
vou estar pensando em você
com a mesma teimosia de criança.
(Saul Beleza)
*Mulher, Poema Inteiro*
Faço poemas pois existe uma mulher,
desde a mãe que reza baixo ao pé da cama,
até a amada amante que acende a chama
com um só olhar de quem entende e quer.
A menina moça que carrega o mundo
no caderno aberto e no riso solto,
tropeça em sonhos, levanta em tumulto,
e escreve o futuro no segundo.
E a moça flor que desabrocha em calma,
tem pétala no gesto e raiz na alma,
perfuma a casa, a rua, a vida inteira
sem pedir licença pra ser primavera.
Faço poemas pois mulher é verbo:
nasce, cuida, luta, ama, inventa.
E quando o verso pensa que termina,
ela recomeça o ponto onde ele sentiu saudade.
(Saul Beleza)
Quero você,
Quero teu beijo molhado gostoso, intenso, profundo.
Quero você cheirosa, quente, ardente, aquele olhar provocante que
me enlouquece e me deixa com mais desejo.
Te quero ao meu lado sentir o calor do teu corpo.
Quero teu olhar no meu, misturar meu cheiro com o seu.
(Saul Beleza)
Prefiro ser a primeira saudade,
Que te faz lembrar de mim,
Do que a última esperança,
Que te faz chorar sem fim.
Prefiro ser o teu único sonho,
Que te faz sorrir no escuro,
Do que o eterno pesadelo,
Que te faz acordar sem futuro.
Ser a luz no teu caminho,
O abrigo no teu coração,
É o que me faz viver,
E te amar sem moderação.
(Saul Beleza)
*Jardim Sem Volta*
As rosas colhidas
não encantam o beija-flor.
Perfume em vaso é exílio,
beleza sem sabor.
Meu jardim não mais floriu
pra que ele voltasse.
Calei a primavera em mim,
Bateu assa, sumiu no vento, sem rancor.
Beija-flor não pousa em dor,
nem bebe de flor cortada,
só de haste enraizada.
Agora entendo a lei cruel:
quem colhe o encanto por querer prender,
vê o encanto ir embora.
E o jardim? Só aprende a florescer
quando deixa de ser espera
e vira morada.
(Saul Beleza)
*Nem Sempre o Sempre*
Mamãe, queria que você ficasse aqui pra sempre.
Mas nem sempre o sempre, sempre será pra sempre.
O sempre que me deste, mora agora no cheiro do café,
no jeito que dobrava a coberta, no "se cuida" sem porquê.
Teu sempre virou semente dentro do meu peito.
Não tem despedida que arranque raiz desse jeito.
Então você fica. Não no quarto, mas no gesto.
Não na rotina, mas em tudo que me fez honesto.
O sempre mudou de endereço. Agora ele é lembrança,
é força que levanta, é colo quando a vida cansa.
E se a saudade apertar, eu fecho o olho e escuto:
tá tudo bem, filho. Meu sempre agora é teu.
(Saul Beleza)
*Brasa Calada*
Às vezes você pensa
Que eu perdi o interesse.
Mas não foi isso, não.
Eu apenas me calei.
Aqui dentro de mim,
O interesse persiste
Só que agora em silêncio,
Brasa que não desiste
Não fala, mas sustenta,
Não grita, mas é mar,
Tá quieto por fora
Mas não parou de pulsar.
O silêncio virou casa
Pra tudo que eu senti
Se eu não bato na porta
Não quer dizer que parti.
(Saul Beleza)
*Toda Tarde*
Todas as tardes dos meus dias
Carregam uma saudade que machuca.
Ela acorda quando tocam antigas canções,
Aquelas que têm cheiro de nós dois.
E o sol, cúmplice, vai pro horizonte
Me chamando pra ver o dia morrer.
É convite e é lembrete:
Tudo passa, mas nem tudo vai escurecer.
Hoje eu vejo: o tempo correu.
Levou meses, levou anos, levou pressa.
Mas não te levou.
Você ficou presente desde aquela tarde
Até esse agora em que escrevo.
A saudade não apagou.
Ela só aprendeu meu nome,
Sentou do meu lado no anoitecer
E me ensinou que lembrar também é forma de ficar.
Tem memória que é ferida e tem memória que é casa. E a minha parece ser as duas.
(Saul Beleza)
As mães.
A minha mãe, e a sua mãe.
A mãe nossa, e a toda mãe.
A mãe que está no céu, e a mãe aqui da terra.
A mãe de paz, e a mãe de guerra.
A mãe que assumiu, e a mãe que sumiu.
A mãe que voltou, e a mãe que nunca viu.
A mãe cega, e a mãe que tudo vê.
A mãe que é pai, e o pai que é mãe.
A mãe que lê jornais, e a mãe que nada lê.
A mãe brigona, e a mãe brincalhona.
A mãe que ajudamos e a mãe que ajuda nós.
A mãe elegante, e a mãe demodê.
A mãe viajante, e a mãe que nunca sai.
Em nome da tua, da minha, e em nome da mãe de todos.
"Em nome do pai."
(Saul Beleza)
De amar...
de ser amado...
de viver...
de ser vivido...
de ontem...
de hoje...
de sempre...
de repente.
Se sente...
se lamente...
se contente.
De se amar, e se amado for.
(Saul Beleza)
*Estação Parada*
A saudade viaja
mesmo quando eu não saio do lugar.
Olhar preso no horizonte
bem mais longe de onde estou.
Aviões riscam o céu,
trens partem sem me levar.
Mas nenhum deles carrega
o peso que insiste em ficar.
Quis esquecer essa ausência
numa estação qualquer,
deixar a mala da falta
pra nunca mais recolher.
Mas saudade não tem bilhete,
não embarca, não some.
Ela mora no peito, não viaja, e ainda nos faz engasgar com um nome.
(Saul Beleza)
Coração vazio tem respiração curta, quase em silêncio. Mas a solidão grita alto dentro da gente... acelera os "ais" e, de madrugada, o frio só faz o peito batucar mais forte. Não deixa a gente esquecer que tá vivo, mesmo doendo.
É nessas horas que a gente lembra que pulsar, mesmo que machuque, ainda é sinal que tem algo aí dentro esperando amanhecer.
(Saul Beleza)
*Sem Ter Que Partir*
Não quero partir sem antes ir
Ir ver você de perto, sentir
Ir sem te encher de mimos
Ir sem dar aquele beijo demorado
Que a gente deixa o tempo parar
Não quero ir sem te confessar
Que te quero, inteiro, sem disfarçar
Ir sem ter que partir de você
Ir sem te convidar a vir
Me diz... quer ir?
(Saul Beleza)
*5 Anos do Ravi*
Cinco voltas o sol já deu
Desde que o Ravi apareceu
Cinco vezes mais travessura
Cinco vezes mais ternura
Tem energia de cometa
Sorriso que desmonta dieta
Corre, pula, faz bagunça
E a casa inteira balança
Que tenha bolo, brigadeiro
Presente, abraço verdadeiro
E que o fim da festa seja só
O começo de mais um sonho bom
Parabéns pro Ravi!
Que a vida seja quintal grande
Pra caber toda a alegria que é só dele.
(Saul Beleza)
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