Mensagens com Complemento de um Bombom
Mas, observei meus pequenos irmãos, todos ali, acoados e acordados naquele horário.
Eu, tomei uma decisão por eles.
Eu não fugiria sozinha, eu não chegaria muito longe.
Logo, como eu era menor, eu seria mandada de volta.
Eu mesmo sabendo que ela voltaria, como trocentos outras vezes, eu falei meu plano para ela.
Na manhã seguinte fugimos.
Para outro Estado, com a grana que eu havia recebido.
Minha tia, irmã dele pagou a passagem do meu irmão, porque o dinheiro não dava para todos.
19 de fevereiro de 2009!!
Sexta feira de carnaval!!
Chegamos em Teresina Piauí!!
Sem dinheiro, sem rumo, sem nada.
4 da manhã!! Esperamos o dia amanhecer na rodoviária.
Ás 6, saímos!!
Eu tinha 10,00 todinho. Comprei de lanche para meus 3 irmãos e dividi entre eles. Eu e minha mãe, ficamos com fome.
Éramos mais fortes na fome.
A meta era chegar na assistência social, que ficava no centro.
Mas, não tínhamos nenhum dinheiro.
E, era torcer para não estar fechada.
Retornamos, ao outro lado da avenida, pedimos carona no ônibus até certa distância.
Um motorista muito legal, entendeu a situação e pediu para que a gente entrasse.
Entramos, ele deixou a gente há pelo menos umas 2 horas de onde queríamos estar.
Mas, ao dar meio dia, perguntando todos que apareciam pela frente onde ficava o local, conseguimos chegar...
Avistei o segurança...
Enquanto eu ainda respiro, existe recomeço. Aprendi que a vida não espera grandes viradas de calendário; ela oferece pequenos começos todos os dias. Às vezes acordo com o coração pesado, outras com esperança nova, mas em qualquer caso ainda há caminho. Recomeçar virou um gesto simples: levantar, respirar fundo e tentar de novo. Não preciso que tudo esteja perfeito, só preciso estar viva. E enquanto houver fôlego em mim, haverá sempre uma nova chance de continuar.
O fim chega para todos. Não como ameaça, nem como punição, mas como estrutura. Você nasceu dentro de um sistema que não pergunta se você concorda. Você entra, respira, aprende a nomear as coisas, cria vínculos, constrói significados, acumula memórias e um dia sai. Simples assim. Não existe versão alternativa da experiência humana que não termine. E isso muda tudo, mesmo quando você finge que não muda nada.
Você vive como se o tempo fosse elástico. Como se amanhã fosse garantido. Como se sempre houvesse uma próxima chance para dizer, fazer, escolher, corrigir. Mas a verdade é mais seca. Você nasce, cresce, às vezes amadurece, às vezes não. Às vezes envelhece, às vezes não chega lá. E mesmo quando chega, não passa disso. O corpo desacelera, a memória falha, o mundo segue sem pedir licença. Não existe estágio secreto depois do envelhecimento onde tudo finalmente se resolve. Existe apenas o que foi feito antes e o que não foi.
Todos os dias você constrói histórias. Mesmo quando acha que está parado. Mesmo quando acredita que nada relevante está acontecendo. Cada gesto, cada omissão, cada escolha repetida vira um traço daquilo que você chama de vida. Você deixa marcas. Algumas profundas, outras quase invisíveis. Você chama isso de legado, como se fosse algo grandioso, sólido, permanente. Mas vale perguntar com honestidade. Legado para quem?
Talvez para seus filhos, se você os tiver. Talvez para netos. Com sorte, bisnetos. Depois disso, seu nome vira poeira genealógica. Um sobrenome esquecido em alguma árvore familiar que ninguém mais consulta. Um rosto que não aparece em nenhuma foto. Uma história que não foi contada porque já não fazia sentido para quem veio depois. Isso não é pessimismo. É estatística humana. A maioria absoluta das pessoas que já viveram não deixou rastro algum na memória coletiva. E você não é exceção só porque gostaria de ser.
Uma vez ia passando na avenida aqui, peguei uma manga verde pra comer com sal, o pé carregado! Lá se vem uma criatura de uns 50 anos, do outro lado da rua gritando, não é pra pegar... Eu disse, mas, não é público? Ele disse que não, que ele quem plantou, aí eu quis devolver a manga, aí ele disse que eu podia pegar mais uma...
Cada coisa!! Kkkkk
Tem lembrança que chega sem bater na porta, senta no sofá da nossa mente, cruza as pernas e começa a falar como se ainda tivesse direito de opinar na nossa vida.
E aí vem a vida, com aquela elegância de elefante numa loja de cristais, e resolve testar a gente do jeito mais cruel possível. Não com grito, não com briga, mas com silêncio e exclusão. A festa não foi só uma festa. Foi um anúncio não oficial, quase um outdoor piscando na minha cara e me dizendo “você não pertence tanto quanto pensava”.
O mais doloroso disso tudo nem é o bolo, o vestido, ou os docinhos que eu não comi. É a quebra de uma ilusão. Porque a gente aguenta muita coisa, mas descobrir que o carinho não era tão recíproco assim… isso desmonta por dentro.
Aquela desculpa de “achei que tinham te convidado” é o equivalente emocional de “o cachorro comeu meu dever de casa”. Todo mundo sabe que não é bem assim. Elas sabiam. Talvez não tenham tido coragem de confrontar a situação, talvez tenham sido coniventes, talvez só tenham escolhido o caminho mais confortável. E isso dói, porque a gente espera lealdade justamente de quem divide risada debaixo de árvore.
Mas olha que curioso, e aqui entra aquele tipo de reflexão que a gente só consegue ter depois que sobrevive ao próprio passado. Aquela menina que foi deixada do lado de fora da festa… ela não ficou pequena. Ela cresceu. Ela virou alguém que teve voz, que teve público, que teve coragem de se expressar num blog quando muita gente nem sabia o que era isso direito. E isso incomodou. Porque tem gente que só gosta da gente quando a gente cabe no lugar que elas determinaram. Quando a gente cresce, quando a gente brilha, vira ameaça.
Sobre ela me chamar de “pseudoblogueira” não foi uma crítica. Foi uma tentativa mal disfarçada de diminuir algo que já estava grande demais pra caber na visão limitada dela.
Não diz nada sobre mim. Diz sobre o incômodo dela ao ver alguém que ela achava inferior ocupando um espaço que ela talvez nunca teve coragem de tentar.
No fim das contas, aquela árvore foi mais leal do que muita gente ali. Porque ela nunca fingiu ser algo que não era. Já as pessoas… ah, essas fazem teatro melhor que muito artista premiado.
Fiz exatamente o que precisava ser feito. Me afastei. Não por fraqueza, mas por dignidade. Porque tem portas que a gente não bate de novo, não por orgulho, mas por amor próprio.
Agora me diz… quem realmente perdeu ali?
Eu vou te dizer uma coisa que ninguém gosta de ouvir, mas todo mundo já sentiu na pele em algum momento: não é o silêncio que machuca, é o que a gente imagina dentro dele. Porque o silêncio, por si só, é só ausência de som… mas na cabeça da gente ele vira roteiro de filme dramático, com trilha sonora triste e direito a prêmio de sofrimento interno.
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