Mensagem sobre Pessoas

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Há uma solidão que não depende da ausência de pessoas, ela se instala mesmo em meio à presença, porque não é sobre estar acompanhado, é sobre ser compreendido, e isso é algo que raramente acontece de verdade.

As pessoas são muito boas em me decepcionar, mas o tempo me ensinou que a maior mudança não está nelas, está na minha coragem de enxergar quem realmente merece permanecer, e na força de deixar ir quem nunca soube ficar.

O problema de ser forte o tempo todo é que as pessoas esquecem que o aço também cansa, que as vigas também rangem sob o peso da estrutura e que, às vezes, o que o herói mais precisa não é de uma capa nova, mas de um colo onde possa finalmente desabar sem julgamentos.

Há uma beleza trágica em perceber que as pessoas que mais amamos são as que mais têm o poder de nos ferir, e que o perdão não é um favor que fazemos ao outro, mas uma cirurgia de emergência que realizamos em nós mesmos para remover o projétil da mágoa.

Há pessoas que carregam oceanos dentro do peito e, ainda assim, passam pela vida fingindo ser apenas pequenas poças de silêncio.

Algumas pessoas carregam tanta dor dentro do peito que acabam desenvolvendo uma delicadeza quase sobrenatural ao tratar o sofrimento alheio.

Carrego dentro de mim um excesso de permanências. Pessoas, dores e memórias que partiram do mundo, mas continuam habitando meus pensamentos como catedrais abandonadas.

Mesmo cercado de pessoas e de amor, a solidão é uma companhia eterna. Não no sentido de estar sozinho, mas no de saber que ninguém compreende plenamente o que sinto, o motivo das minhas lágrimas ou a profundidade das minhas dores. Elas são particulares, habitam um lugar onde apenas eu consigo entrar.


As pessoas ouvem falar delas, podem até imaginar o que representam, mas jamais poderão vê-las ou senti-las da forma como eu as vejo e sinto. Minhas dores crônicas são aquilo que mais detesto em minha vida e, ao mesmo tempo, aquilo que está mais presente nela. Nunca me abandonam. Fazem-me chorar, refletir e imaginar como seria existir sem elas.


Às vezes penso que, se não as tivesse, talvez este texto jamais existisse. Talvez eu fosse uma pessoa diferente, com outros pensamentos, outras sensibilidades e outros silêncios. Por isso, gostando ou não, elas fazem parte de quem sou. Não as escolhi, mas aprendi que carregá-las também moldou a forma como enxergo o mundo, a dor e a própria vida.


- Tiago Scheimann

Há pessoas que partem da nossa vida, outras permanecem para sempre, mesmo depois de irem embora, assombrando os cômodos vazios da memória.

Há pessoas que morrem apenas uma vez. Outras precisam sobreviver ao próprio funeral todos os dias, sem que ninguém perceba.

O destino raramente nos tira pessoas, ele leva embora as versões de nós que só existiam quando elas estavam por perto.

Envelhecer talvez seja assistir, em silêncio, ao desaparecimento gradual de todas as pessoas que um dia fizeram do mundo um lugar reconhecível.

Há pessoas que passam pela nossa vida como o vento, outras permanecem como o frio que ele deixou.

Existem pessoas que sorriem como quem acende lâmpadas, e outras que iluminam sem precisar sorrir.

Algumas pessoas entram na nossa história para permanecer, outras entram apenas para nos ensinar que permanecer nunca foi a missão delas.

Há pessoas que colecionam conquistas; outras colecionam cicatrizes. As primeiras aprendem a vencer. As últimas aprendem que a vida jamais revela seus abismos a quem nunca precisou sangrar para continuar existindo.

As pessoas raramente vão embora de uma só vez. Preferem retirar-se aos poucos, como a maré que recua sem anunciar que deixará apenas pedras e lama. Um dia percebemos que já não existem conversas, depois percebemos que já não existem expectativas e, por fim, compreendemos que estamos dialogando apenas com uma lembrança. O fim quase nunca acontece em um instante; ele apodrece lentamente antes de receber um nome.


- Tiago Scheimann

O Direito protege pessoas porque presume que elas possuem interesses; a filosofia pergunta por que esses interesses importam.

Particularmente em sociedade prefiro a convivência com pessoas simples do que com grandes, complexos e fantásticos personagens.

As pessoas mais bem acompanhadas, que conheci, inclusive, são solitárias. Viver é um ato solitário, rompido algumas vezes por encontros mágicos, que não possuem a natureza de serem eternos. Enquanto existem, aproveitem o máximo e se fortaleçam, para novas horas e novos anos, posteriores de solidão.