Mensagem Espírita sobre o Tempo

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Meu passado é um espelho cujo reflexo me fere, ainda que eu o quebre, as lembranças de um tempo sombrio permanecerão intactas.

A segunda-feira nos lembra que o tempo não espera: cada manhã é um convite a reconstruir o que fomos e a aproximar o que ainda sonhamos ser.

Em um floresta de carvalhos, com seus troncos velhos pelo tempo e retorcidos, por terem sofrido o bastante, esse é um lugar que não me sinto tão diferente assim.

O tempo é um paradoxo quântico, para mim, não faz sentido, pois nossa existência é moldada por instantes que já se foram e por futuros que ainda não nasceram. Vivemos no fio tênue do agora, mas carregamos em nós as marcas de tudo que foi e a ansiedade de tudo que poderá vir. O presente é apenas um fragmento entre duas eternidades invisíveis.

Somos tolos em nossa própria ilusão, atribuindo valor ao que se desfaz com o tempo, dinheiro, status, títulos. Olhamos com arrogância para aqueles que sustentam silenciosamente a vida em sociedade, os que limpam, os que recolhem, os que tornam possível o nosso cotidiano, como se a dignidade fosse privilégio e não essência. No fundo, seguimos apenas rótulos impostos por uma sociedade adoecida, sem perceber que a verdadeira grandeza não está no que se ostenta, mas no que se é.

Há beleza na carne que cicatriza, florescer sangrento, obra-prima talhada por dor e tempo.

Não há estrada que volte, nem pegada que se refaça. O tempo não devolve nada,
ele apenas arranca.

O passado é um cadáver intocado pelo tempo; regressar a ele é deitar-se na podridão, aspirar a decomposição de ossos que jamais voltarão à vida. Ainda assim, minha mente enferma cava covas dentro de mim, arrancando memórias que nem sempre são minhas, mas que me invadem como larvas famintas. Eu as vivo em carne exposta, como se fossem chagas abertas, sangrando uma dor que não me pertence, mas que me consome como se fosse a única verdade que restou.

No breve tempo que me ausentei, ao regressar, percebi que já não era o mesmo. Os sentimentos haviam se esvaído como água entre as mãos, e em meu peito apenas o silêncio se aninhava. Aquele eu que um dia partira, morreu no exílio do tempo e jamais retornaria. Em seu lugar, restou apenas uma sombra errante, um eco de mim mesmo, condenado a habitar a casa, mas nunca mais a pertencer a ela.

A jornada foi escola de paciência, sei esperar o tempo que o fruto precisa, colho com mãos firmes.

Aprendi que lutar é uma conversa séria, negociei tempo, não feridas, a paz é contrato assinado.

A responsabilidade com o tempo é meu contrato, não desperdiço horas, invisto nelas, o retorno vem lento e seguro.

O tempo foi meu aliado, não meu algoz, aprendi a esperar com propósito, cada hora teve sua lição.

Com o tempo, nos tornamos exatamente o que temíamos, reflexos distorcidos dos sonhos que um dia tivemos.

O tempo me tirou pressa e me deu propósito, já fui verbo, hoje sou silêncio que fala.

O tempo é o remédio que insiste em fazer efeito apenas quando abandonamos a urgência e acolhemos a paciência como aliada da cura.

Fui moldado pela dor e lapidado pela paciência. Cada sofrimento foi um cinzel nas mãos do tempo, esculpindo em mim a consciência de que nada é em vão. A dor me rasgou, mas também me abriu para o divino que habita no silêncio. A paciência, essa artesã invisível, me ensinou que o amadurecimento não é pressa, é entrega. Hoje entendo que fui forjado não para ser perfeito, mas para compreender a beleza do processo, o sagrado que existe em suportar e florescer, mesmo em meio ao fogo.

O tempo me ensinou que o silêncio é mais sábio que o orgulho. O silêncio guarda verdades que o orgulho apressa em disfarçar, ouvir é mais sábio que responder.

Deus me mostrou que o tempo certo é o tempo d’Ele, não o meu. Entregar o relógio ao tempo divino é aceitar que há sincronias que só Ele rege.

Já lutei contra o tempo e descobri que ele é aliado da fé. Quando o tempo se torna aliado, a fé aprende a confiar na maturação dos frutos invisíveis.