Memória
“... Ultimamente ando com a memória perfeitamente complexa.
Jamais esqueço daqueles me dão carinho sempre se lembrando de mim e daqueles que se esquecem de mim ou fingem esquecer?!...Bom quem, é mesmo estas pessoas? Ai ai ai perdoa eu disse que minha memória está complexada”
Feliz Natal!!!
—By Coelhinha
Eu te guardei na memória. Eu quis nunca te esquecer para não correr o risco de me perder de mim novamente. E eu não esqueci. Me lembro quando você em toda sua contradição foi morar em outro abraço. Lembro do abandono, da traição, da sua escolha e do meu coração quebrado. Nunca pude voltar para o seu abraço, nunca pude te perguntar o caminho e nunca fui a mesma novamente. Olhei muitas vezes para trás, na dúvida, te dando a alternativa de me buscar, me querer, me consertar. E você nunca veio. Então eu te observava de longe e com o tempo já não reconhecia meu amor em você. Quem eu lembrava já não condizia com quem eu via. Achei que não iria aguentar. Achei que o vazio duraria para sempre. Porém aprendi a me preencher. Me preenchi de mim mesma, de vida, de amor, de experiência, de outros afetos. Me permiti ser. E me fui. E me sou. Você me deixou semente e eu cresci flor. Cresci flor e aprendi a lidar com os espinhos. Descobri que me perdendo de você, eu poderia me encontrar. E me encontrei. E me conheci. E me descobri tão cheia de outras coisas, outras cores, outros sentimentos, outras alegrias que já estava vazia de você.
Vestida de hortelã, essa memória me visita e mareja meu olhar: tantos anos já se passaram sem a sua presença física, tantas coisas já vivi e quantas histórias minhas eu gostaria de te contar, mas a certeza de que você me vê – mesmo que invisível aos meus olhos – me conforta. Então, minha querida vó, cuide da sua hortinha aí no Céu, enquanto eu semeio nossas lembranças aqui na Terra. Minha saudade segue com o teu cheiro.
Quando as minhas forças tiveram esgotada , quando a minha memória ficar fraca , quando eu não poder correr mais você ainda continuaria aqui?
Quando eu não poder mais acompanhar os teus passos numa dança , quando eu não ter força de ti abraçar com a mesma intensidade você ainda continuaria aqui?
Quando eu não puder caminhar do mesmo jeito, quando o meu sorriso não ser tão encantador como era antes você ainda continuaria aqui?
Quando eu não puder lhe carregar nos meus braços, quando eu chorar sem motivos,quando eu não poder fixar nos teus olhos do mesmo jeito você ainda continuaria aqui?
Diz-me por favor se quando eu não puder lhe ptoteger do mesmo jeito , quando for a hora do adeus você ainda continuaria aqui?
Uma Rosa, um Suspiro e um Silêncio -
Entre uma memória e outra
O teu olhar é neutro!
Toco-te no rosto com mãos
De vento
E o teu corpo delira ...
Tudo o que me deres,
Te devolvo, sem pensar,
A ganância de um olhar
O gúme de uma espada
A pena de uma ave
Uma rosa e um Silêncio!
E quando nada restar de
Nada,
Quando o último momento
Me chegar ,
Antecipado e vago,
Cheio de vingança
Num impeto de morte,
Será por ti o meu
Último suspiro!
"...quanto mais pensava mais coisas esquecidas ia tirando da memória. Compreendi, então, que um homem que houvesse vivido um único dia, poderia sem custo passar cem anos na prisão. Teria recordações suficientes para não se maçar. De certo modo, isto era uma vantagem"
A memória dos velhos não mente sobre o passado distante, apenas se engana e confunde sobre o que é próximo.
Roger: Os escoceses têm memória longa e não são um povo que perdoa com facilidade.
A libélula no âmbar
Emilly...
A Emilly foi uma pessoa que eu conheci, que hoje só existe na minha memória...
Você já foi prisioneiro de algo?...
Bom eu já fui, acordava todos os dias numa prisão, a escuridão do vazio sem funções, eu só enxergava escuridão...
Até que ela chegou e todos os dias eu esperava a luz do sol, meu Deus que sensação boa... O sorriso dela era meu preferido, era como o sol que me livrava de tudo... Você já teve um sorriso que era o sol pra você?...
As vezes eu via ela dormir, ficava lá por horas sem fazer barulho, as vezes eu nem via ela dormir só ouvia... Mas eu fazia questão de ficar lá, pois eu ouvindo ou vendo ela... Saberia que estava segura...
Onde anda aquele sorriso que me tirava toda dor?...
Onde anda meu sol?...
A noite não acaba mais?...
Onde está a sensação de calor?...
Por que você se foi?...
Meu Deus que saudade você me dá...
Hoje eu sei que amei alguém, eu estou preso novamente, porém, eu espero todos os dias o meu sol voltar...
Um dia ele voltará, e nesse dia vou sentir a mesma sensação da primeira vez...
Ela está por aí em algum lugar...
Será que ela sabe a falta que me faz?...
Será que ela imagina que era o sol da minha vida?
Não importa onde esteja, o sol sempre brilhará em algum lugar.
-Lucas.E
ECLIPSE (soneto)
Sei de uma saudade, tapera escura
Onde meu coração anda penitente
Memória de uma dor, que perdura
No peito, cheio de suspiro pendente
Ó paixão, só me quer na sepultura
Da solidão, amarrado em corrente
Da agonia, me privando da ternura
De ter-te... me tiranizando a mente
Por que? Bates a porta do querer
Quer me ver sofrer e em prantos
E de sentimento rude e sem valor
Arranca de mim este vazio a prover
Versos toscos e tão sem encantos...
Tal qual a quem... desluziu o amor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
19 de março de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Você deixou a longa estrada, vazia, a família incompleta, em nossa memória você está decorando tudo o que é belo, você é uma linda luz, que nasceu e repousou em todos nós, seu choro ao nascer foi o som mais lindo emitido pela vida. E o seu silêncio nos deixou essa eterna saudade.
Meu corpo é um tripé, minha cabeça é uma câmera, meus olhos são lentes, minha memória é um filme de fardos e lembranças do passado...
Eu faço parte do imaginário, da memória afetiva, do momento mágico das pessoas. Para muita gente eu ainda sou aquela que descia da nave de chuquinhas, a intocável, a quase E.T. Rugas não combinam com isso. Deve ser horrível me ver despencando como um ser normal.
PERSPECTIVAS
A silhueta de uma gota que com leveza de um pluma e peso de um sonho cai na memória
O suspiro de um arcanjo na abóboda eterna como um distoante acorde da história
Uma sensação única mexendo com a vibrante alma humana
Um singular toque despertando o furor de uma linda chama
Uma vontade abrasadora de chegar mais perto e um anseio carnal de completude
Um brilho adocidado ao som de dois corações em uma única melodia, soando como um belo alaúde
Uma secura na garganta e um tremor descontrolado
A perda de um controle jamais tido e um futuro que eclipsa o passado
Uma explosão de cores monocromáticas em um céu carregado
Os sabores de duas vidas distoantes em um néctar amalgamado
O eterno passando na brisa mansa e flertando com a dura realidade em uma caótica dança
Olhos encantados que veem a dual beleza da luz de dois mundos
Mãos entrelaçadas que mantém em equilíbrio céus primaveris e invernos mais em fundo
O eco de um sonho em desejo fluido de ressoante canto
O milagre do universo em um ponto esquecido de um planeta qualquer sob um azul manto ...
Se semear não te anima, porque são muitos os fardos, traga a memória os frutos, suculentos e fartos.
Amanhã
me vestirão com cinzas à alba,
me encherão a boca de flores.
Aprenderei a dormir
na memória de um muro,
na respiração
de um animal que sonha.
