Me Perdoa mas eu Tentei
ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo
de clima ou de temperatura
o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva
o medo que eu tenho não tem olhos nem ouvidos
ainda é cedo pra ter medo, mas o medo que tenho acorda tão cedo
sem noção de emoção ou sentimento, sem segredos nas periferias
Costumavam dizer que eu iria ficar doente por fazer tanta coisa
e fiquei
mas por não fazer coisas o suficiente.
Sentimentos duradouros são consequência de uma mente desocupada.
Desligue a Humanidade
Eu não quero ser humana.
Quero não ter sentimentos,
pois dói menos.
Não quero sentir que tenho amor para dar,
sem ter ninguém para recebê-lo.
E eu não quero alguém como provavelmente alguém talvez me queira.
Quero alguém de verdade.
Não quero ser humana.
Quero voltar a ser uma máquina,
ter como maior objetivo coisas a longo prazo,
não quero querer amar ninguém.
E, por favor, caso eu me torne quem eu era,
não coloque ninguém na minha vida.
Não quero fazer ninguém sofrer
como estou sofrendo agora.
Eu acredito que o olhar de cada um carrega sua verdade silenciosa,
carrega o "eu verdadeiro" de si.
Eu te vejo,
eu enxergo além das barreiras que sua imaginação pode estabelecer,
sou capaz de entrar no seu universo penetrando apenas no seu olhar.
Me faça querer te desvendar,
e eu lhe desvendarei.
Me faça pensar que você merece meu tempo,
que até longe pensarei em você.
Não esconda nada, mas não precisa falar,
basta um olhar, que eu saberei.
Basta um olhar, e eu conhecerei o sentimento que habita dentro de você.
Posso ser capaz de tocar o que não é sólido, e ouvir o que não é dito.
Sinto seu gosto pela vida,
é doce,
amarga,
acho que tem gosto de café.
Olhe para mim, que eu olharei para você,
viajarei no seu mundo, e se for capaz, permito que você viaje no meu,
até que ambos viremos um só, um só universo.
Puro.
Onde os medos se dissolvem,
e só restam os olhares que se entendem,
as almas que se reconhecem.
Entre nesse transe comigo,
o mundo é sombrio,
nosso universo é mais bonito.
"Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim."
Eu falo sobre a vida para mim mesma,
E sempre que tenho, sequer um segundo para não pensar em nada,
Me questiono: o que é a vida? O que é estar vivo?
E qual o sentido disso tudo? Por que tem fim?
Falo de vida, de como vale a pena viver pelas coisas boas,
Mesmo elas sendo pequenas e mínimas.
Tudo pode estar horrível agora, mas, como eu,
Prometa sobreviver e viver pelos detalhes que fazem você feliz.
Viva pelas músicas que te dão prazer ao ouvir,
Viva pela companhia de alguém que você gosta,
Viva pelo hobby que te faz feliz,
Viva pelas sensações. E sim, vale a pena,
eles vivem por você, viva por eles também.
O que seria das músicas se você não existisse para sentir prazer em ouvi-las?
O que seria daquele pobre ser, sem você para desfrutar de sua companhia?
O que seria dos seus hobbies, sem você para executá-los e chamá-los de "meus"?
O que seria dos sentimentos, sem você para senti-los?
Viver vale a pena sim, a vida é bonita sim, é cor de rosa sim!
Você enxerga a vida do jeito que quiser.
E essa é a graça, você tem todo controle.
Sinta, respire, ouça, olhe,
VIVA!
Quando menos esperar, você vai perceber que já está de luto pelo fim, e não mais desejando antecipá-lo.
"Pra quem tem fé, a vida nunca tem fim."
"Pra pelo menos ter esperança de que eu possa ter um futuro bom e feliz. Mas é imprevisível, e essa minha curiosidade, ansiedade pelo futuro vai acabar me tirando ele.
Eu espero um dia virar uma página em livros filosóficos, mas não saberei se isso vai ser possível se eu não ficar aqui para descobrir."
IRA
Eu concordo que não controlamos o que sentimos, e que, apesar disso, controlamos nossas atitudes com base neles. Sendo assim, tenho propriedade para dizer, pois tenho um certo talento de cultivar sentimentos ruins em meu âmago — nada como inveja ou ciúmes, que são sentimentos relacionados a meros humanos — mas sim, sentimentos como tristeza, decepção e, principalmente, raiva. Eu não os controlo, nem quando se protagonizam nem sua intensidade, pois, se eu os controlasse, iria preferir a felicidade, apesar de eu desconhecê-la. Absolutamente ninguém olha para mim e é capaz de imaginar quão lúgubre sou por dentro, pois, apesar da minha ira constante e incontrolável em termos de intensidade, eu controlo meu exterior. Sou, e unicamente, a única pessoa capaz de controlar meu corpo, que é meu templo, e minhas nuances. Principalmente por respeito a mim mesma, nunca sequer demonstrei um pouco do que sinto, pois, ao espalhar ódio em um mundo tão errado já pelas pessoas que vivem nele, me sentiria como uma traidora. E essa decepção, que já existe em mim sobre mim mesma, seria ainda maior. Mas o problema de prender um sentimento assim é que, a cada vez que você precisa se conter, se controlar, ele cresce mais. Me contive tantas vezes que mal posso imaginar a dimensão da intensidade deles hoje.
Eu te odeio
Finjo normalidade diante do seu descaso,
em comparação com a energia que tínhamos antes.
Eu não te conheço completamente,
nem suas diversas versões.
E, sinceramente, não quero conhecer.
Porque, na medida em que você se revela,
eu me decepciono mais com quem você realmente é.
E me decepciono comigo
por sentir o que sinto por você,
mesmo você sendo assim.
Se um dia te admirei,
pois saiba: hoje te desprezo.
Tento me convencer
que você ainda irá amadurecer,
ou cair na real.
Mas já percebi
que a única coisa sua que vai pra frente
é a sua idade.
Espero que você se foda
pelas suas atitudes imaturas.
Eu odeio sentir emoções fortes,
e te odeio por despertar tantas em mim.
A raiva que transborda aos poucos
consome quem sou a cada segundo.
E é culpa sua —
eu espero que você sinta o peso
do dano que me causa a cada dia.
Eu te odeio com todas as minhas forças.
E te culpo pelo meu fracasso
e pela minha infelicidade.
Porque foi você que despertou isso
e agora sou obrigada a lidar com tudo sozinha.
Eu te odeio tanto
que me atreveria a dizer que eu te amo.
Te odeio por me fazer te amar.
Te odeio por não merecer o meu amor.
E me odeio
por amar alguém que me trate assim.
Me odeio por te culpar
e te odeio por ser culpado.
Me odeio por amar alguém que,
ao meu lado, ergue os braços para outra pessoa.
Me odeio mais ainda por amar alguém como você,
que me rebaixa ao abismo.
Me odeio por ainda te querer feliz,
mesmo não sendo comigo.
E me odeio por querer felicidade
para alguém que tirou a minha.
Me odeio por não me sentir suficiente.
Te odeio por me fazer sentir insuficiente.
Eu te odeio
por ter acabado comigo.
Eu te odeio
por me fazer me odiar.
E te odeio
por me fazer sentir ódio.
Eu te odiei
desde o dia 07/06/2025.
E te odiarei
até meu último suspiro.
Os fantasmas do meu passado me perseguem, ou eu que os proclamo?
Pois neles havia profundidade e menos dor.
E minha alma é profunda, é colorida, é um espiral de emoções, de visões e situações que se repetem — flashbacks, memórias de uma alma profunda.
Uma alma que tem sede de alguém que queira mergulhar nela, escorregar no espiral e desvendar os mistérios.
Alguém que queira, e ame.
Se dedique, me ame, me desvende.
Não sou só o que você vê.
Mas parece que o que te dá motivos para continuar é o que vê, não o que escuta, não o que desvendou — se é que houve tempo para desvendar algo.
Eu não sou só físico.
Eu sou alma.
Enxergue minha alma.
Me escute.
Me ouça.
Não é difícil enxergar minha alma.
Olhe nos meus olhos — eles são a porta.
Eles mostram as dores que nasceram no silêncio, as dúvidas que surgiram de olhares, a curiosidade pelo mundo, as diferentes vibes.
Eles são as portas de quem eu sou.
E é por quem eu sou que você tinha que ter se apaixonado.
Por tudo que compõe o que sou.
Por todas as partes.
Não somente por uma.
O mais interessante é que eu sempre seguia um padrão invariável,
logando no primeiro símbolo e pulando para o terceiro, depois
voltava ao segundo para em seguida saltar para o quarto. Simples assim,
consecutivamente, criptógrafo por criptógrafo, numa simbiótica
relação de interdependência e inviolável relação de cumplicidade.
Era inegável o vínculo de criptopacionalidade do qual
dependíamos. Desse vínculo dependia nossa privacidade e segurança mútua.
Dinheiro, Ah!, nunca tive,
nem tenho,
Mas não subestimo meu engenho.
Não fui, nem fiquei, eu ainda venho;
Nunca me entrego, eu me empenho;
Não brigo e nem guardo mágoas,
eu me contenho;
Eu não finjo crer, na realidade me atenho;
Jamais me convenço, eu me convenho;
Não rejeito alimento algum, apenas me abstenho.
Na vida, bastar-me-ia a paz de tu'alma em Minh'alma, se tão somente humilde eu fosse.
Mas meu egoísmo natural e intrínseco insiste em seu voraz descontentamento, insuflando-me ao pecado.
Impotentes, nostr'almas em constante torpor de cega paixão, rendem-se impotentes,
quais inocentes púberes em reincidente pecado.
Bastar-me-ia tua lucidez, não fosse o fato de não poder assim ser.
Sou falto de razão, afoito ao erro.
Tu, oposto de mim, és senão a razão, pelo menos a sensatez.
Sou pedra de tropeço, não caias por mim, pois paixão é fogo abrasador;
é vento enlouquecido que tudo destrói, afoito ao desejo e indiferente ao erro.
Assim sou eu, planta do deserto, insensível ao calor e ao frio.
Tu és flor delicada, embora forte como raiz profunda.
Na dor ou ventura, és forte e serena como o cândido luar do paraíso.
Bem sabeis: amor é como brisa que acalma, mas a paixão cega e corrompe os sentidos.
N'amor sou fiel e guerreiro, mas o discernimento não guia meus passos.
Sou pedra de tropeço. Não caias por mim, pois vivo em trevas.
Segue teu caminho de luz, mas sem mim, pois desconheço a razão.
Foi preciso adentrar o túnel negro pelo qual acessava-se o poço
para eu cair na real e compreender que o poço não tem fundo - é apenas
o vazio abismal e sombrio em sua negritude tenebrosa e mortal. Foi então
que eu me voltei para meus dons naturais - dádivas de Deus -, e percebi
que neles residia meu resgate e minha salvação. Neles estavam a luz da
vida, e não podiam mais ser ignorados. Ou eu recorria a eles em busca
de abrigo e socorro naquele momento crucial, ou indubitável, inequívoca
e iminentemente sucumbiria ao caos absoluto numa sarjeta qualquer da vida.
Era enfim o tudo ou o nada. A sorte estava lançada para mim. Não tinha mais
como ignorar a covardia e o medo mórbidos que sempre haviam comandado
meus passos numa negativa constante e cega, resumidos num prazer doentio
e compassivo com a indolência que conduz à pobreza, ao desprezo dos
homens e à condenação dos deuses.
Visto que ele se afeiçoou de mim, eu também o porei a salvo. Protege-lo-ei por ele ter chegado a conhecer o meu nome. Ele me invocara e eu lhe responderei. Eu o fartarei com longura de dias e o farei ver a salvação por mim.
Vislumbram-me olhos que confundem e desnorteiam os fracos;
Vislumbram-me olhos estranhos que eu conheço;
Vislumbram-me estranhos olhos que me assustam e fascinam;
Vislumbram-me olhos que deslumbram minh'alma e entorpecem minha cândida loucura;
Vislumbram-me olhos que cegam-me mente, logica e razão;
Vislumbram-me olhos que dizem num sussurrado e retumbante clamor:
"O pecado não seria proibido, se tao somente não fosse ele o pecado"
Vislumbram-me doces e ingênuos olhos que teriam tudo para aprender,
se tão somente já não lhes faltasse o rubor da inocência e do pudor.
Vislumbram-me, enfim, olhos de pecado.
Muitas vezes, a vida se torna pesada e difícil de suportar. E eu me sinto extremamente exausto, confuso e sufocado,
como que me afogando num abismo de águas profundas e negras. Em momentos nebulosos assim, a dor da
solidão é mais perversa e tortuosa que as muitas linhas profundas a sangrar em meus braços.
Meus lúgubres devaneios são o clamor da vida prestes a ceder ao quase inevitável. Mas meu esvair-se na escuridão,
longe de ser desesperador, é pura placidez; mórbida, talvez, mas atenuante e profundamente apaziguadora,
suave como uma serena brisa do paraíso. É em suma tudo que preciso para relaxar em meu etéreo padecer.
Vida esta que segue em penumbra, cercada pelo vazio e o som de ecos distantes, oriundos de minha alma
quase sempre entorpecida. Meu tudo se resume a um absoluto nada. Quem sou, no flagelo desta escuridão?
Pode uma sombra existir sem a luz? Qual a utilidade da luz sem a escuridão?
Fui um dia talvez, um frágil clamor de vida que subitamente se esvaiu na solidão de sua própria ignorância?
Eu gosto de ouvir que "tudo vai ficar bem", mas não significa que eu acredite que "tudo vai ficar bem".
Tem amigos que eu deixei escapar como água...
mas agora vejo que preciso deles assim como preciso de oxigênio.
Você sabe que eu não controlo minhas emoções e muito menos minhas ações, e que eu posso machucar você mesmo sem querer.
Alexandra Rhaella
(13/06/2018)
