Me Perdoa mas eu Tentei
Aquele lugar não era meu lar e eu precisava sair dali, mas ainda cego permanecia. O que eu achava ser luz, era um mar de escuridão. E quando a senti, era tão densa que chegava a ser palpável. A inalei e quase sufoquei. Fui arremessado brutalmente num poço que parecia não ter fim. E caía como que em câmera lenta, vendo aquela saída cada vez mais distante.
Com um nó na garganta não conseguia pronunciar uma única palavra.
(...) Já não tinha mais forças para continuar me debatendo e fui levado pra longe por aquela maré de incertezas e solidão. Talvez só estivesse cansado de nadar contra ela, então deixei aquele lugar para nunca mais voltar.
Me deram espinhos em meio às flores, e eu nem percebi. É que a beleza em meus olhos, e a leveza em minh'alma é tanta, que só o belo se faz relevante.
As reflexões gritam,
eu as libero
Elas criam asas
e vão
Ouve quem quer,
filtra, abstrai
ou ignora.
Simples assim!
Poética I
Minha poesia e eu brigamos
Demo - nos um tempo e espaço
Ela ficou na parte da noite
Naquela, na qual eu descanso
Dei a ela, seu próprio espaço
Mas ela é a própria pirraça
Vem chegando de mansinho
E faz em mim, a sua morada.
Pula corda
Joga eu, joga Maria
Joga a corda devagar
Cada uma, em uma ponta
Que a Rosinha vai pular.
Um homem bateu em
minha porta, e eu ...
Sai Rosinha entra Maria
Meninas boas no pulo
Não erram, mas se cansam
E assim param de pular.
Senhores e senhoras ...
E vá para o olho da rua...
É verdade, que entre o meu eu lírico e eu, abriu-se um abismo. E na tentativa de nos entender, percebemos que há também entre nós, um moinho. Este, alterna-se com o abismo. E entre a distância -entre nós, e o moinho que nos mistura, estão os mais eloquentes versos.
Desacelerei de verdade agora. Estou sem pressa nenhuma. Meus 47 anos, estão exigindo que eu viva intensamente cada instante, cada momento. Não posso perder de vista meu amanhã, e nem poderia deixar de viver e sentir o agora, que é urgente, mas o vivo sem pressa. Deixando que meu corpo e minha mente, sintam a paz do respirar, do sentir o ar nos pulmões, do calor de um abraço, do beijo ardente ou maternal, do sorriso na face do outro, e do riso que amo sentir brotar de mim. E assim, dentro da minha serenidade necessária, a paixão pela vida é fogo ardente em mim, vivendo o hoje, na certeza de um amanhã sempre feliz.
A poesia e eu
Não nos desagradamos, claro!
Porém, tampouco nos entendemos
Então versamos em tempos distintos
Eu inerte no meu, ela a espreita no dela
E quando o relógio badalar no meu coração
E a emoção ecoar em meus pensamentos
Ela despertará, cantará comigo
E juntas dançaremos uma ciranda.
"Da minha janela eu vejo muitas coisas
mas não vejo o coração de ninguém.
Na face do outro vejo muitos sorrisos
mas não vejo coração de ninguém.
Ouço muitas palavras amigas
mas não ouço o coração de ninguém.
Recebo muitos abraços amigos
mas não conheço o coração de ninguém ".
Em meus devaneios poéticos, sempre ouço meu eu lírico dizer: _Toma mais esta dose de versos, que passa!
Se te perguntarem como é após o tombo, responda:
_ É só vitória! Porque eu caí sim! Mas levantei. O vento levou a poeira, o tempo veio, e com ele, o caminho para minha vitória.
(Re) encontro
Estavas tu
A minha espera
E eu furtivamente
Ia ao teu encontro.
Meu coração
Da angústia
Fez-se euforia
Na sofreguidão
Daquela espera
Na voracidade dos meus furtivos versos,
eu te trago em cálice quente,
do qual jamais poderá escapar.
Se eu dissesse a você
O que você me diria
Se dissesse ao mundo
O que o mundo diria
Ou melhor,
o que pensariam?
Mas se eu nada disser
De nada então saberiam
Por isso só digo que sei
Porém, nada direi!
Afinal, tampouco
lhes interessa,
o que deveras sei.
Não há perfeição em mim, há esperança; nem total conhecimento, mas perseverança.Eu quero,
eu posso, eu consigo!
Ando como um pedinte, sem ter a quem pedir, atravessando meu deserto solitário. Mas eu vejo um oásis bem próximo adiante. E logo ao amanhecer, depois que eu descansar e vencer este dia, chegarei lá. Eu creio!
Certamente eu reconheço o quão pequena sou. E isso me faz saber que cada dia mais, irei precisar de uma mão, um ombro amigo ou quem sabe um colo. Não, não é "vitimismo"! É a mais pura consciência de quão imperfeita sou, e que provavelmente nunca estarei completamente pronta. Ando trilhando um caminho hoje desconhecido... e quem sabe onde o mesmo vai dá? Todos os dias novos rumos precisamos trilhar, e isso nos torna pequenos, apenas meninos diante do mistério que é a vida.
Permita Senhor...
Que a força da fé permaneça comigo
Que eu continue serena, levando paz onde quer que eu vá
Que a minha dor não transborde a ponto de ser espinho, de ferir, de magoar
Que a serenidade da fé em ti, me faça continuar a sorrir.
Talvez eu tenha comigo a vastidão de um mundo que ainda não conheço. Porque a todo momento, eu escapo do óbvio e saio em direção do Inexplicável.
