Me Deixa Viver
Gostoso é viver a vida bem devagar, desafiando-a já que é breve.
Pausando pra fotos, flores, barcos, igrejas e histórias de pescadores.
Posando pra amigos, colegas, desconhecidos e amores.
Pousando como uma joaninha frágil mas livre.
Postando em fotolog, orkut, blog, twitter, no mural do meu quarto, no jornal, na revista.
Escrevendo feito uma adolescente de 70 anos.
Esses são os meus planos.
O prazer de viver a magnitude pode te acarretar a brilhar mais do que as estrelas! Basta tu seres o que tu sempre és, e que a brisa suave me traga todo o amanhecer o teu perfume.
Vou viver enquanto ainda há vida,
Vou pensar enquanto ainda há cérebro,
Vou ouvir enquanto ainda há ouvidos,
Vou enxergar enquanto ainda há olhos,
Vou cheirar enquanto ainda há nariz,
Vou comer enquanto ainda há boca,
Vou abraçar enquanto ainda há braços,
Vou amar enquanto ainda há corações...
Para você viver sempre o caminho da vida, vai precisar cultivar mais a sua alma que o seu próprio corpo.
Tenha Fé nos seus sonhos; olhe para o Futuro e diga: O meu presente eu vou viver melhor do que ontém, para que o amanhã se torne mais iluminado.
Viver é arrancar-se. É fora do vidro que a pimenta mostra seu verdadeiro sabor, cumpre seu propósito e alcança a glória. A primeira pimenta do mundo se descobriu longe da pimenteira e se consagrou numa boca.
A vida não é a ciência exata, por isso não devemos levar tudo ao pé da letra, afinal viver é um constante jogo de cintura, e temos que dançar conforme à música, para não sairmos do compasso...
QUANDO O VENTO MATAVA A FOME A ALGUNS POETAS
Agreste vento do meu viver
Arrasta-me nas tuas asas contigo,
Seja por amor ou maior castigo,
Sou aquela besta de um ser
Que nunca quiseste ser comigo.
Credor sou da má sorte de bicho
Devedor és tu de falsas esperanças
Mortas à nascença como crianças
Abandonados fetos em sacos de lixo.
(Carlos De Castro, in Rio da Cerezelha, 28-06-2022)
F O R Ç A S
Ó, forças que me assediais
E tirais as forças verdadeiras
Do meu viver, traiçoeiras.
Deixai-me, ó tiranas
Forças negativas, profanas
Ser
Só eu,
Do meu ser,
Como quando minha mãe
Que deus tem,
Me deu ao mundo
Rubicundo,
Na esperança
Bonança,
Da vida sem forças
Do mal,
Como corças
Que saltam sem barreiras,
Em pleno salto mortal.
(Carlos De Castro, in Poesia Num País Sem Censura, em 16-07-2022)
VOAR
Ó, Deus do profundo,
Ó, loucos do mundo
Deste meu tão surreal
Viver terreno,
Ouvi o meu grito
Quando eu, aflito,
Ouço um som lá do fundo,
Mágica música num segundo,
E ela, de súpeto, me arrebata
Num vento celestial
Rumo a outro planeta mais sereno,
Real.
E, deixo-me levar
No voar pleno,
Curioso,
Gostoso,
No observar do ar
Este torrão terra
Que berra
A plenos pulmões,
Como que pronunciando
Que o mundo vai secando,
Por falta de novas versões.
E quando o meu voo desce,
Eu caio de chofre no chão,
Rijo como pedra torrão
E até nem parece,
Mas eu choro:
Porque me sinto infeliz
Por não poder mais voar,
No roubar das asas que fiz
Para este fadário deixar.
(Carlos De Castro, In há Um Livro Por Escrever, em 02-03-2023)
