Matar a Saudade
A saudade é como uma velha amiga, que volta e meia vem nos visitar, mas sempre deixa um gosto de "fica mais um pouco?".
Saudade é o vazio que pulsa, um eco silencioso do que já foi e não volta. Não é mera ausência; é a presença fantasmagórica de momentos que se infiltram na alma como brisa úmida do mar. Ela chega sem aviso, num cheiro de café antigo, numa melodia esquecida ou no contorno de um rosto que o tempo borrou.
No peito brasileiro, saudade é patria: o samba que embala ausências, o carnaval que mascara lutos, o abraço que o oceano separou. É o que nos humaniza, nos faz poetas involuntários. Dor agridoce, ela entrelaça fios invisíveis ligando o agora ao ontem, transformando perdas em relíquias eternas.
Mas cuidado: saudade em demasia paralisa, vira prisão de memórias. Aprenda a dançá-la, como frevo leve, deixando que ela venha e vá, sem raízes profundas. Pois viver é saudade em movimento – do que partiu, do que virá. Ela nos lembra: o amor verdadeiro nunca some; apenas espera, paciente, no limbo do coração.
A saudade é como um moinho que gira lentamente dentro do peito, movido pelo tempo que insiste em passar, enquanto a chuva fina lá fora derrama gotas serenas sobre as flores do jardim que antes vimos juntos. Cada instante agora é um suspiro, uma recordação suave e persistente, como o som cadenciado da água que bate nas pedras, chamando-me de volta para o silêncio dos dias em que sua presença preenchia o ar.No ritmado murmúrio do moinho, sinto o tempo corroer a distância, mas não o espaço que você ocupa em mim. A chuva, serena e constante, é o abraço frio que lembra a ausência e ao mesmo tempo rega as flores da memória, fazendo brotar esperança em meio à espera. Saudade não é só dor; é o perfume das flores que você deixou e que nunca deixarei de sentir.
"A saudade é o preço que o coração paga por ter amado bem. E a fé é a garantia de que o amor nunca será uma história interrompida, mas sim adiada."
Libertação não é mudança de ambiente, é mudança de natureza.
Quem sente saudade do que Deus mandou deixar ainda não entendeu o que é conversão.
os bons se tornam saudade porque deixaram algo que faz falta; os ruins permanecem como presença, mas sem ocupar lugar nenhum no peito de ninguém .
Por saudade, de tempos em tempos, as borboletas saem de seus jardins e voam.
Cada batida de asa traz o perfume de ternura e leveza para o coração.
Como se o vento escrevesse cartas de amor que só aqueles que sentem sabem ler.
Fiz um pacto com a Saudade
Abri-lhe
as portas escancaradas
do coração
e da minh’alma.
Prometi
nunca expulsá-la,
nunca anestesiá-la,
nunca pedir trégua.
Em troca,
que Ela me esmague as veias,
estrangule as artérias,
e sugue, sem piedade,
o pulso vivo do meu ser,
até que eu sangre
não feridas,
mas palavras,
expressões ternas
como a dor
que reconhece,
fundas como abismos
que respiram
e versos que escorrem,
coagulam,
e fixam na carne da escrita
a sua essência.
✍©️@MiriamDaCosta
Que chegue no silêncio...
e sufoca o instante,
para deixar a saudade na saudade e embriagar o instante...
Não sou aquilo que não quero,
nem a dose do seu desejo
Sou o instante que venero na vontade que anseio.
Depois que tudo terminar, de nada adiantam as lembranças, a saudade, a vontade.
Depois que tudo acabar, nenhum arrependimento, nem implorar por mais um único momento fará tudo voltar.
Depois, de nada adianta remoer o que não foi feito, o que não foi dito, o carinho não realizado, os momentos não vividos, o tempo perdido.
Depois, só resta mesmo conviver com todas as oportunidades perdidas e que jamais, por nada voltarão.
Por isso, não espere o "depois". A vida acontece agora! Tudo precisa ser apreciado, aproveitado, nesse instante. Quando o "depois" chegar, nada mais vai adiantar.
Depois, é tarde demais!
De repente escuta uma música que abre uma caixinha supostamente trancada: a da saudade. Advém uma dor no peito, de um sonho que partiu, virou passado, mas ficou. Dos olhos caem lágrimas — uma homenagem sincera, digna e silenciosa do coração.
Quantos esqueceram, ou guardam uma saudade incomensurável de coisa tão simples, tão delicada, por não dizer tão lúdica: passear pela natureza de mãos dadas com quem amamos, com o sorriso das flores, a bênção do sol e a felicidade no coração.
Dia após dia, num presente bobão ou autista, cujo passado esconde a saudade, sendo a realidade uma metáfora da vida, padecendo de uma perene mitomania, dentro de um sufocante avatar, que tudo dissimula num palco de alegria.
