Matar a Saudade
Os poemas que líamos juntos, foram escritos por nós dois.
Fomos autores da nossa própria história, e quando você partiu, tornei-me um livro incompleto, uma narrativa sem fim.
As pessoas tentam-me ler, mas as páginas estão incompletas e as que ainda existem, eles não intendem. Talvez ninguém nunca saberá ler-me da forma que você me leu.
As vezes repouso nas memórias, recordando-me das pequenas viagens e planos que fazíamos.
Dos lugares que tivemos e tornaram-se nosso.
Das manhãs de fim de semana.
Do som dos pássaros tagarelando lá fora.
Da luz do sol espreitando a cortina. Das peças de roupas perdidas pelo o
quarto.
Do café compartilhado.
Do efeito de adormecer e acordar alinhada nos teus braços.
De nos perder na forma genuína do amor, e da preguiça de voltar para as nossas vidas.
As vezes me pego recordando-me de nós, das despedidas e reencontros, e dos abraços longos e apertados.
Se eu tivesse o poder de escolher meus sonhos todas as noites, eu escolheria sonhar com você.
Talvez eu não tivesse tanta a necessidade da sua existência real.
Eles costumavam sentar-se juntos de frente para o mar, e por horas conversavam sem ver o tempo passar, enquanto a conversa fluía, eles gostavam de construir castelos no ar.
Algumas noites, deito-me com as lembranças, e em silêncio chamo por você.
Em outras, ouço os ecos passivos da saudade, chamando-o por seu nome.
É quando os nossos olhos se encontram, os nossos lábios se tocam e eu encontro os teus braços, que eu me sinto segura.
O que machuca entre idas e vindas é voltar sempre para a vida um do outro e se entregar mais do que o necessário e, ao recuar, perceber o quanto todas as vezes deixamos partes de nós no outro e o quanto do outro fica em nós.
Uma camisa com o seu perfume é suficiente para trazer de volta todas as memórias de quando estamos juntos.
Mas o conforto maior e a sensação de ter você por perto é o seu perfume, que permanece como um abraço invisível e caloroso em minha pele.
Hoje acordei com um desejo irresistível e um tanto peculiar: ouvir o ritmo acelerado de sua respiração ofegante, sussurrando segredos ao meu ouvido, aquela melodia íntima que só nós dois podemos ouvir.
Meus momentos preferidos são quando o meu abraço te alcança e me esqueço do peso dos dias que tivemos distantes
Queria que em todas as manhãs ao me despedir de você, pudesse dar um abraço forte, um beijo com gostinho de amor verdadeiro, um sorriso traduzindo: logo mais volte amor, pois, minha saudade já começa agora.
Não há redenção sem culpa, nem luz sem as trevas do que deixamos para trás. E o homem que nega a saudade é um cadáver ambulante; o que se rende a ela, um fantasma. Resta-nos, pois, o caminho estreito: amar o passado como se ama um morto — com devoção, mas sepultando-o. Pois só na aceitação do efêmero descobrimos que a eternidade não está no que perdemos, mas no que ainda podemos perder... e, mesmo assim, seguir.
Apesar de todos os anos que passaram juntos, a moça ainda se impressionava com a atitude que o rapaz tinha para tomar decisões. Sem conhecer os lugares, sua determinação o levava do Oiapoque ao Chuí só para realizar os sonhos de ambos.
"Você não tem medo de acabar se perdendo nessas viagens de trabalho?", ela sempre o questionava, triste na despedida, vendo-o abrir a porta e partindo pela centésima vez, de costas e com ombros pesados por saber que era seu dever. Ele parou na porta, olhou para trás sorrindo e disse: "Você vai estar de braços abertos me esperando?"
Sem pestanejar respondeu: "sempre e pra sempre". Aquele rapaz olhou novamente pra frente, e antes de ir ele falou: "então mesmo que por instinto, perdido ou não, volto pra você".
E partiu...
Sabe, às vezes eu acho que o amor está só se fazendo de difícil. Deve estar por aí, em algum café hipster, tomando um latte com espuma em forma de coração e pensando em como aparecer de novo na minha vida com estilo. Mas, convenhamos, ele anda meio relapso. Não que eu esteja desesperado, claro. Mas, poxa, um bilhetinho, uma notificação, qualquer coisa!
Enquanto isso, a saudade, essa sim, tem uma pontualidade britânica. Todo dia bate na porta, senta-se no meu sofá, coloca os pés na mesa e começa a me lembrar de todos os momentos que o amor passou por aqui rapidinho e esqueceu de voltar. É quase como se a saudade fosse a assistente pessoal do amor. Mas a verdade é que o amor está só tirando umas férias prolongadas. E quando resolver voltar, vai chegar como quem não quer nada, dizendo: "Desculpa a demora, o trânsito estava um caos.
Casulo Efêmero
A alma, imortal e etérea,
Em casulo se abriga, exulta,
Como se na terra, efêmera,
Preparasse a sua volta.
Como o casulo que se forma,
A vida passa, se transforma,
Deixa marcas e ensinamentos,
Nos corações, em sentimentos.
E ao deixar a casca vazia,
A alma alça voo, serena e livre,
Deixando um legado para os seus,
Que ao longo da vida gerou e viveu.
Deixa para trás a morada,
E segue com a alma lavada,
Pois viveu plenamente, deixando marcas,
Nas almas tocadas, nas vidas abarcadas.
Borboleta que encanta, brilha,
É a alma que agora voa, trilha,
Transformada pelas asas do amor,
Em um ser de luz, com cheiro de flôr.
Assim, a morte não é fim,
É uma nova fase, um recomeço,
A alma livra-se do casulo enfim,
E segue sua jornada com apreço.
Que possamos entender a mortalidade,
Como uma oportunidade de crescimento,
Aprender, deixar saudade,
E viver cada momento com sentimento.
Que a borboleta de cada alma,
Deixe rastros profundos na história,
E que a morte, não seja só um trauma,
Mas uma passagem para a eternidade da glória.
Somos...fomos...seremos...
Esta é a graça e a desgraça de um amor de grades invisíveis.
Nós tocamos nas palavras, nos sentimos a distância e nos ferimos na ausência de presença.
Convivendo com o luto.
A dor da perda é insuportável!
Porém poucos pensam que todos nós um dia iremos perder alguém. Haverá para todos o dia da separação, será algo que todos temos em comum, mas de forma incondicional em todos.
É impossível não sofrer pela morte, mas imprescindível nos permitir esquecer que está em nós sofrer pela vida, e não apenas se prender ao sofrimento, mas se abrir e que caiba em nossas emoções diárias a luta e a gratidão exatamente pelo simples fato de estarmos aqui.
Cabe a cada um como iremos encarar as perdas, as mudanças.
Pensar em tudo isso dói, mais dói tanto que desejamos não pensar, nos condicionando a uma farsa imaginária onde tudo não acontecerá, a dor não vira, as perdas não aconteceram e talvez quem sabe as coisas sejam diferentes. Mas isso não é um filme de romance com uma bela história no final. Aqui raramente os finais são felizes, e o tal “ Felizes para sempre” jamais deveria ser dito, pois o para sempre pode ser agora, exatamente entre piscar de olhos, tudo pode e muda realmente instantaneamente.
E quando você aprende o que é respirar é no exato momento onde já quando se dói tanto que não se pode respirar.... alguns os mais fortes neste instante duela com a dor e sobrevive.
Enquanto você está lendo este texto tenha certeza que alguém estará lutando, clamando, chorando, e tendo consciência que o seu maior pesadelo se tornou realidade.
Porém como sobreviver a uma dor continua?
Existe algum tempo para o luto?
Eu particularmente considero que não pois só quem convive com a ausência possui a capacidade de olhar para o tempo e viver em seu tempo a sua dor.
Podemos fazer algo? Absolutamente não!
Então o melhor é termos a honestidade de sermos verdadeiros com nossos próprios fantasmas!
Pois não temos o controle, não temos a chave , então é se permitir sentir toda dor e ir aprendendo dia após dia como suporta-la, tendo a certeza que quando você achar que tudo passou, tudo foi superado ela voltará e poderá vir a doer muito e tudo de novo.
Mas uma única coisa é certa em qualquer circunstância o luto em cada um de nós trará estágios distintos, que caberá a cada um discernir e se enxergar, serão eles a negação, irá, a infame mas veraz tentativa de barganha, a depressão e a aceitação.
Tudo isso fará parte de seus dias e noites.
Tudo mudará constantemente em você e verá que os cinco estágios poderão estar dentro de ti em instantes, por dias, alguns permaneceram por um longo e indeterminado tempo.
Re Pinheiro
Texto e imagem: Re Pinheiro (Copyright©) -
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