Lutar por quem Nao te Ama

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Ela é brava, temperamental, sabe o que quer, não se diminui para caber no mundo de ninguém, em seu dia mais sublime, o estado alterado de consciência à revela, fêmea selvagem, das que encantam e assustam....

Ela anda como quem não pede licença
e fala como quem já decidiu não agradar.
Quando entra em silêncio, o ar muda.
Quando sorri, não é promessa, é aviso.
Não se explica.
Não se desculpa por ser intensa.
Carrega cicatrizes como medalhas discretas
e desejo como fogo que não pede permissão para existir.
Tem algo de antigo nela,
uma memória de mata fechada,
de lua cheia observando de longe,
de quem sabe fugir e sabe ficar,
mas só fica se for inteiro.
Encanta porque é viva.
Assusta porque não se dobra.
E quem chega perto
precisa entender uma coisa simples e dura:
ela não é para ser domada,
é para ser respeitada.
Se tentar menos que isso,
ela vira vento
e some sem olhar pra trás.

Moça do Wi-fi

Ela é bela, com um ar europeu e um mistério que não se explica.
Índia de longas madeixas, pele clara marcada pelo sol e pelo tempo.
Ama tatuagens porque entende o corpo como território de memória, não de enfeite.
Carrega nas costas o peso do mundo, não por escolha, mas porque alguém tinha que segurar.
E ainda assim caminha com a alegria de quem decidiu viver, mesmo atravessada por experiências que nunca pediu, nunca chamou, nunca mereceu.
Tem olhos que já viram demais e um silêncio que diz tudo.
Não é frágil, é cansada.
Não é distante, é profunda.
E segue, porque parar nunca foi uma opção oferecida a ela.

Fechar a carteira emocional


Não é o outro que me deve,
sou eu que insisto em pagar parcelas
de um contrato nunca assinado.


Chamo de amor,
mas é vício de apostar no cavalo errado,
mesmo sabendo que não vai cruzar a linha de chegada.


Um dia, o estalo:
o banco não é deles,
a moeda sempre foi minha.


Fecho a carteira.
Corto o crédito.
O débito evapora.


E descubro, enfim,
que liberdade não é conquistar amores distantes,
é escolher e não financiar ilusões.

A gente não escolhe o que sente, mas escolhe o que faz com isso quando chega outro momento.

Sou casa agora,
mas não serei teto para sempre.
Meu lugar me chama de longe,
e quando eu for,
levarei comigo
a certeza de que amei inteiro.

Eu fiquei
no ponto exato onde você saiu.
Não por esperança
nem por promessa.
Fiquei porque o corpo demora
mais que a decisão.
A cidade não percebeu.
Nunca percebe.
Só eu aprendi a atravessar os dias
com alguém que não vem.
Não te chamo de ausência.
Ausência é leve.
Você pesa.
E eu sigo
carregando
sem pedir resgate.

“Gentileza é o que sobra quando o orgulho cala.
É não ferir quando seria fácil.
É ficar inteiro sem exigir troco.
Não salva o mundo, mas impede que ele endureça de vez.”

San Telmo


Tenho saudade de San Telmo
não como lembrança bonita,
mas como falta física.
Daquelas que apertam o peito sem pedir licença.
Saudade das ruas gastas,
do chão que já ouviu passos demais
e ainda assim sustenta quem passa.
Ali, o tempo não corre. Ele observa.
Sinto falta do cheiro antigo das casas,
do tango escapando pelas esquinas
como quem não quer ser esquecido.
Em San Telmo, até o silêncio tem memória.
Ali eu era parte do cenário,
não visita.
O bairro me reconhecia
antes mesmo de eu dizer meu nome.
Hoje carrego San Telmo dentro,
feito ferida que não infecciona,
mas também não fecha.
É casa que virou ausência.
Não dói por ser passado.
Dói porque ainda é meu.

A vida não ensina.
Ela rasga.
Arranca certezas pela raiz,
quebra promessas no joelho
e chama isso de caminho.
Os aprendizados vêm sujos,
sem legenda,
com gosto de perda na boca
e silêncio onde antes tinha nome.
A gente aprende sangrando,
aprende ficando,
aprende indo embora sem querer ir.
E mesmo assim, olha o absurdo,
continuamos vivos.
Não por força.
Por teimosia poética.

Faces


O ser humano não muda de essência,
muda de face conforme a plateia.
Com alguns, é afeto.
Com outros, é cálculo.
Há quem sustente uma mentira
não com palavras,
mas com comportamentos contraditórios
que nunca se encontram.
A mesma pessoa que acolhe
é a que omite.
A que promete
é a que silencia.
Não por confusão,
mas por conveniência.
A face boa serve para manter vínculos.
A face cruel, para escapar das consequências.
E entre uma e outra,
o caráter se dobra
até caber na própria narrativa.
O mais inquietante
não é a mentira em si,
mas a habilidade de torná-la habitável.
De viver nela sem culpa,
desde que cada pessoa veja
apenas o ângulo que convém.
Assim, histórias se quebram
não por excesso de maldade,
mas por falta de coragem
de sustentar a mesma verdade
em todos os lugares.


Isso não é dor.
É leitura de mundo.

Há erros que não se apagam
e vidas que valem primeiro.
Salvar não é absolver,
estender a mão não é negar.
É só decidir, por um instante,
não deixar alguém morrer no lugar.
O caráter se mede aí:
quando o impulso vence o rancor,
quando a ética fala mais alto
que a justiça feita de dor.
Nem todos merecem ajuda,
isso é fácil concluir.
Difícil é escolher humanidade
quando seria simples destruir.
E quem ajuda, mesmo assim,
não sai menor da história.
Sai maior que o próprio ego
e em paz com a própria memória.

O que eu digo cria raiz,
mesmo quando o vento muda de lado.
Posso não chegar como prometi,
mas chego.
Porque palavra, quando nasce em mim,
não aprende a desistir.

Novo Começo


Não vem pronto.
Se constrói em gesto pequeno, repetido, teimoso.
Um passo hoje. Outro amanhã.
E quando vê, já não é mais o mesmo chão.
Novo começo é isso.
Não mudar o mundo.
É mudar de direção.

Palavras não são som.
São destino em estado de espera.

Cheguei num ponto em que a fala alheia
bate e não fica, passa e vagueia.
Olho, escuto, deixo ir,
não me moldo pra caber em ti.
Aprendi que silêncio também é proteção,
que nem toda guerra merece reação.
Se custa minha paz, não vale insistir.
Nada vale a pena se for pra me partir.

Mulheres fodas não imploram pelo básico.
O mínimo já é o ponto de partida.

Quando você se escolhe, muita gente some. Não é perda, é limpeza.

Às vezes o diferencial é não se perder de si para caber no outro.

Tacamos uma pedra
não pra acertar alguém
mas pra ver até onde o silêncio aguenta.

Quando a dor baixar, você não vai “se encontrar”.
Você vai se reconhecer de novo.