Livre em Jesus
O que não digo
Não te digo o nome.
Mas sei:
sentas nos cantos da tarde
como poeira que a luz revela.
Chegas sem ruído,
ocupas o que não vigio
um intervalo entre duas lembranças,
a pausa antes da palavra.
Hoje, não.
Abro as janelas do corpo,
deixo entrar o que vive:
o riso esquecido nas mãos,
o calor antigo dos abraços,
vozes que ainda respiram
no fundo do tempo.
Leva contigo
esse frio de fim,
essa promessa estreita
de que tudo se apaga.
Fica-me o instante
inteiro, indomável
ardendo baixo
como lume que persiste.
E se um dia voltares,
que me encontres assim:
habitado em brasas.
Ponto azul
É esfera azul
no escuro.
Gira.
Tão ínfima,
e sustenta bilhões
cada qual ardendo por dentro:
quartos acesos,
vozes suspensas,
mãos que se perdem no ar.
Tudo pulsa
entre encontros e desencontros.
E ainda assim
cabe inteira em si
no ruído mudo
deste ponto azul.
Deus não nos chamou para sermos juízes da obra alheia, mas cooperadores da Sua vinha. É tempo de trocar o "eu acho" pelo "eis-me aqui".
Onde o primeiro Adão nos escondeu de Deus entre as árvores, o Último Adão nos revelou a Deus pendurado em um madeiro!
O chicote romano arrancou a carne de Cristo, mas foi o peso do meu pecado que arrancou o Seu fôlego.
