Livre em Jesus
você não é o que o seu passado diz,
nem o que seus erros dizem; você é quem Deus
diz que você é: Justificado e Filho.
Seguir a Cristo frequentemente envolve carregar
cruzes que não escolhemos, mas que nos são
impostas pelas circunstâncias.
Não há cristianismo sem sangue, pois não há salvação
sem a vida do Cordeiro entregue em nosso lugar.
Quem ficou com o que era para ser teu, terá a vida inteira para se arrepender, pois saberá através do tempo, que apenas teve o que quis, nunca o que mereceu...
Não importa a luz que vc tenha,
a escolha do caminho é crucial,
um caminho escuro, sugará demais sua energia...
Pra você que gosta de mim, um beijo, flores e bom dia, pra você que não gosta apenas flores e um bom dia...
"" Ajude a construir um mundo melhor
Distribua simpatia
Um olá, um bom dia pode fazer a diferença para alguém...""
Reflexo
Olha, jovem:
esse reflexo na água
revela as marcas do tempo,
memórias gravadas na pele
de tantos caminhos vividos.
Instantes de alegria,
de dor e amor;
gestos de ternura,
sonhos pacientemente
tecidos em silêncio.
Ah, esses olhos que hoje ensinam
um coração outrora partido,
tantas vezes refeito
nas madrugadas da vida.
Ah, esse reflexo que sussurra:
jovem de ontem,
homem maduro de agora.
E no coração ainda repousam
as cicatrizes do tempo,
lembrando, à margem,
que o amanhã
de algum modo
sempre encontra
o caminho de volta.
Migalhas
Todas as tardes
uma senhora de vestido estampado
chega ao banco da praça
com um pequeno saco de pão nas mãos.
Senta-se devagar
e começa a lançar migalhas
sobre o chão gasto de passos.
Os pombos logo aparecem
serenos, platinados,
alguns escuros, outros claros
caminhando em círculos
como se conhecessem o ritual.
A tarde passa sem pressa.
A luz se inclina nos prédios,
e o horizonte começa a escurecer.
Quando as últimas migalhas se acabam,
a senhora limpa as mãos no vestido,
levanta-se com calma
e segue pela alameda.
Não diz palavra alguma.
Também não precisa.
Entre o bater de asas
e o silêncio da praça,
tudo
já foi dito.
Janelas
Caminho pela cidade.
Janelas acesas
outras afundadas
no silêncio das salas.
Alguém atravessa a rua vazia,
outro espera
o semáforo piscando
na paciência da noite.
Nos passos apressados
quantos carregam
o peso do dia.
Num banco da praça
uma jovem se senta.
Chove.
Abre o guarda-chuva
não é da chuva
que se protege.
Há uma tristeza fina
caindo por dentro.
Da bolsa
tira um livro.
Abre.
Fecha.
Entre o livro
e o guarda-chuva
hesita.
A cidade segue.
E numa janela apagada
talvez alguém
também agora
aprenda
a difícil arte
de acender
ou apagar
a própria janela.
Quintal da memória
Uma varanda,
uma vila,
um corredor comprido.
Da janela,
um quintal aberto ao mundo.
Chuva de verão caindo morna,
cheiro de café vindo da cozinha,
o leite crescendo no fogão.
Brinquedos esquecidos pelo chão.
Pai - porto seguro.
Avó - doçura de colo.
Madrinha - mãos cheias de agrados.
Padrinho - passos lentos pelas tardes.
Hoje,
quando a chuva retorna
e o café invade o ar,
fica apenas
a infância
roçando leve
as asas da lembrança.
Algo permanece
Não termina aqui.
Não pode terminar assim.
Todo fim carrega
a semente de outro caminho:
um passo que chega,
outro que parte
e deixa, em alguém,
o silêncio da saudade.
Algo permanece
discreto, quase invisível
um sopro de memória
que ainda nos faz bem,
como lembrança
guardada no tempo.
Porque todo adeus
abre uma porta adiante.
Não termina aqui.
Nunca termina assim.
O espelho
O espelho revela:
mapas na pele
rastros de afetos.
Nos cabelos brancos
o inverno se demora;
os verões repousam
nos fios escuros.
Na face do espelho,
descubro:
o tempo
também tem memória.
Invisíveis
Caminhava.
Um chamado, baixo, insistente:
- ei... ei...
Parei.
-Moço... você me vê?
Vi.
Mas hesitei na resposta
como quem mede o peso de existir.
-Porque passam...
e não olham.
-Digo "bom dia"
o ar responde.
Fez uma pausa,
dessas que não cabem no tempo:
-Será que estou invisível...
ou já não vivo?
Engoli seco.
A cidade seguia
indiferente, intacta.
-Não - eu disse
-é o mundo que desaprendeu
a enxergar.
Estamos todos
à procura de algo:
um rosto que devolva o olhar,
uma palavra que permaneça,
uma mão
que não atravesse a nossa.
Ele sorriu -
quase luz, quase ausência.
Vá com Deus.
E partiu devagar,
como quem já sabia
o caminho de desaparecer.
Fiquei.
E desde então,
quando passo por alguém,
carrego o medo súbito
de também
não ser visto.
