Lamento pela Morte de um Ente Querido

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A demasiada atenção que se emprega em observar os defeitos dos outros, faz que se morra sem ter tido tempo de conhecer os próprios.

Quem julga pelo que ouve e não pelo que entende, é orelha e não juiz.

As mulheres coram por ouvirem falar daquilo que não receiam de modo algum fazer.

Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar.

Negociata é todo bom negócio para o qual não fomos convidados.

A alma que abriga a filosofia deve, para a sua saúde, tornar o corpo são.

A velhice é a paródia da vida.

Simone de Beauvoir

Nota: Simone de Beauvoir citada em "A Arte de Envelhecer Com Sabedoria" Abrahão Grinberg, Bertha Grinberg, NBL Editora, 2002

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Morremos quando não há mais ninguém por quem tenhamos vontade de viver.

A paixão da leitura é a mais inocente, aprazível e a menos dispendiosa.

Todo o nosso mal provém de não podermos estar sozinhos: daí o jogo, o luxo, a dissipação, o vinho, as mulheres, a ignorância, a desconfiança, o esquecimento de nós mesmos e de Deus.

Os homens estimam-vos conforme a vossa utilidade, sem terem em conta o vosso valor.

Os superiores nunca perdoam aos inferiores que ostentam a aparência da sua grandeza.

Temos na filosofia uma medicina muito agradável, pois, nas outras, sentimos o bem-estar apenas depois da cura; esta faz bem e cura ao mesmo tempo.

Contra o calar não há castigo nem resposta.

As desgraças buscam o desgraçado mesmo que ele se esconda nos cantos mais remotos da terra.

São curtos os limites que separam a resignação da hipocrisia.

A descoberta

Seguimos nosso caminho por este mar de longo
Até a oitava da Páscoa
Topamos aves
E houvemos vista de terra
os selvagens
Mostraram-lhes uma galinha
Quase haviam medo dela
E não queriam por a mão
E depois a tomaram como espantados
primeiro chá
Depois de dançarem
Diogo Dias
Fez o salto real
as meninas da gare
Eram três ou quatro moças bem moças e bem gentis
Com cabelos mui pretos pelas espáduas
E suas vergonhas tão altas e tão saradinhas
Que de nós as muito bem olharmos
Não tínhamos nenhuma vergonha.

Oswald de Andrade
ANDRADE, Oswald. Poesias Reunidas, Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978

Nenhum animal é mais calamitoso do que o homem, pela simples razão de que todos se contentam com os limites da sua natureza, ao passo apenas o homem se obstina em ultrapassar os limites da sua.

Se, por vezes, o juiz deixar vergar a vara da justiça, que não seja sob o peso das ofertas, mas sob o da misericórdia.

O pobre lastima-se de querer e não poder, o avarento ufana-se de que pode, mas não quer.