Lamento pela Morte de um Ente Querido

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Deus criou o homem à sua imagem? Coitado do homem… ficou igualzinho a um pai ausente, vingativo e obcecado por controle.

Jesus morreu por nossos pecados? Que conveniente… morrer apenas por 3 dias e virar um deus eterno. Eu faço melhor, eu morro todo dia de tédio e raiva com essa farsa.

O que diabos fazer durante um milhão de anos no suposto paraíso cristão? Aquele lugar não passa dum tédio infinito disfarçado de recompensa, um inferno repetitivo e sem escapatória.

Se um pensamento impuro já é pecado, então todo cristão é expulso do paraíso antes mesmo de abrir a boca. Parabéns, sistema perfeito.

Era uma vez um cristão que chegou ao paraíso. Bastaram cinco minutos admirando a beleza do lugar para ter um pensamento impuro e ser expulso. Moral da história: o paraíso é bonito demais para ser habitado.

A vida é um algoritmo autocanalizado pela história, onde interações estocásticas refinam uma direção emergente.

Nada mata mais a ciência do que um cientista convencido de que ela já terminou.

Um deus que mantém os humanos ignorantes, proibidos de alcançar o conhecimento da verdade, só pode ser chamado de pai da mentira.

Se existe um deus, ela terá de admitir: ninguém na história a caçou com tanta obstinação quanto o senhor Bob Kowalski.

Se deus não pode violar o livre-arbítrio, então a ideia de que ele cura por médicos é apenas um mito bem contado.

Mentir para manipular a fé alheia é um ato demoníaco. Se os demônios existissem de fato, certamente habitaram os pastores que inventam histórias e encenam possessões.

As pessoas fazem um monte de suposições erradas sobre o que eu penso. Mas se eu pensasse do jeito que elas imaginam, eu não seria Bob Kowalski.

Numa família saudável, todos protegem, todos nutrem, todos lideram, e todos amam… Cada um do jeito que pode e conforme a situação pede. No modelo cristão, porém, o pai lidera com autoridade divina, a mãe se anula por devoção, e os filhos obedecem sem questionar e ainda chamam isso de amor.

Ninguém será livre com um chip no cérebro que lê os pensamentos! Se um ser pode ler todos os pensamentos, influenciar decisões e conhecer tudo o que faremos, então o livre-arbítrio deixa de existir. Se isso é atribuído a deus, a liberdade humana se torna apenas uma ilusão.

Como deus tem certeza de que não existe um deus anterior e maior do que ele?

Se você pudesse sentir cada estocada nas entranhas dos pequenos seres, certamente seria levado a um ponto de ruptura em que amaldiçoaria todos os deuses e desejaria o fim imediato de tudo o que existe.

Amor à vida sem destino: a afirmação da existência sem a necessidade de um propósito, de uma evolução obrigatória ou de uma finalidade superior.

O universo não é um campo computacional, o que importa não é a capacidade de computar, mas a capacidade de acolher.

A ideia dum deus que pode tirar sua vida a qualquer instante por um capricho, exige adoração absoluta e pune a desobediência é profundamente perversa. Uma relação baseada no medo não é amor, é submissão. Não existe liberdade genuína quando a alternativa é a destruição. Isso não difere, em essência, dum pai que afirma ter o direito de matar o próprio filho caso ele desobedeça.

A onipotência é frequentemente apresentada como poder absoluto. Porém, existe um limite que nem mesmo um poder ilimitado parece ultrapassar: a identidade.

Se um deus destrói completamente uma pessoa e depois cria outra exatamente igual, com as mesmas memórias, personalidade e aparência, ele não trouxe a pessoa de volta. Apenas criou um clone indistinguível. Compartilhar as mesmas informações não é suficiente para preservar a mesma existência.

A identidade não é apenas uma coleção de dados. Ela também depende da continuidade do próprio ser. Se essa continuidade é interrompida de forma definitiva, não há recriação que transforme uma cópia no indivíduo original.

Assim, a ideia de que um ser onipotente poderia destruir completamente alguém e depois restaurar exatamente o mesmo indivíduo enfrenta um limite lógico. O máximo que poderia fazer seria produzir uma réplica perfeita, não reverter a ruptura da identidade.

Se a identidade não pode ser recriada após sua destruição absoluta, então a onipotência não consiste em fazer literalmente qualquer coisa imaginável, mas apenas tudo aquilo que não viola princípios lógicos fundamentais.