Lamento pela Morte de um Ente Querido

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Dar um palpite serve para os burros, responder as questões e atender às exigências serve para os inteligentes.

A inteligência é uma máquina que opera um motor potente e blindado para processá-la.

A inteligência é um mapa de coordenadas e eixos arcados com o grande mundo; logo, é um processo intelectual.

O que muitos vêem como avanço, subir um degrau, "crescer" na carreira... Para mim é mais uma icógnita... Sinto que a cada avanço estou a um passo a menos para o NADA. Não sinto que estou saindo de um lugar para alcançar algo, muito menos chegar a algum fim. Sinto que só estou descendo uma ladeira, acompanhando a inclinação e a gravidade... Uma hora eu vou cair, a queda parece inevitável... Não acredito mais que vou atingir o meu "sonhado sucesso"... Acho que nunca acreditei.

Viver em Mairiporã é o privilégio de escolher o silêncio da Serra como lar, um verdadeiro refúgio onde o oxigênio da mata renova a alma e o tempo desacelera no ritmo calmo da represa.
Reno Fioraso

Na alvíssima açucena que mora em meu ser prenuncio alvíssaras de um futuro irremediavelmente promissor. E meu estado anímico se faz em arcano de espanto. Minha individualidade axiológica encontra beatitude nos pequenos pormenores e pinto um quadro cambiante que transforma todas as cores existentes. Diria ser persistente almejar o realismo em fragmentos que fabrico. Na candura das flores e dos animais acontece um momento cartático, que resulta em uma cintilação púrpura na coalescência de um contemplativo raio crepuscular, que em sua deliquescência arde o diáfano brilho do sol adormecido entre lírios nas margens dos rios. E são efêmeras todas as demonstrações de afeto, pois floresce no deserto qualquer esperança de água. As flores eflúvias deixam idílicos os campos na aurora elísia de contemplações únicas e especiais, por sua raridade. E andamos na cidade de concreto e tudo parece cinza nas retinas limpas de um emérito trabalho sutil, que é rapidamente ignorado. E escrevo palavras na epifania de meus dedos quando a noite cai e escurece a terra. Os olhos esplendentes permanecem por uma estesia estética que alcança o etéreo na sonoridade agradável de uma flauta. Escrevo poemas obtusos e sua exegese é saber que se fala do belo transitório, que busca os melhores versos, desde o exórdio até o ponto final. E não falo de amor, pois que o poema é a própria expressão do sentimento, seja simples, seja hermético. São minutos de silêncio em que apenas a linguagem fala. E nisso mora sua raridade delicada. Na imanência de vir a me tornar quem sou, voo por planícies e faço rasantes nos lagos. Tudo é um substrato da liberdade maior que conquisto no imponderável cotidiano. E poderia dizer que amo, mas a palavra crua perde potência. Então afirmo desejar que seus dias sejam pacíficos e que você encontre no peito a incandescência do inexorável caminho da alegria. Assim eu diria. E após longo divagar me entrego ao laconismo, com as palavras silenciosas que não pedem abrigo. Apenas um ombro amigo.

Pisquei os olhos, anoiteceu
Bocejei, o cabelo alvejou
Deu um pulo, a minha filha cresceu
Gargalhei, a aposentadoria chegou

"Algumas escritas são como obras de arte: tipo um quadro borrado ou uma massa disforme"

Cartas que Não Enviei


Se amar fosse um erro,
eu colecionaria pecados como estrelas,
cada batida do peito uma confissão
escrita em tinta invisível.
Cada carta guarda um segredo:
o tremor da mão ao traçar teu nome,
a saudade que se disfarça de ponto final,


o “eu te amo” escondido entre as linhas
como quem tem medo de ser lido inteiro.
E eu, a mais sortuda dos errantes,
continuo escrevendo sem selo,
sem endereço, sem coragem de enviar...


porque entregar-te o coração
é o único erro que eu faria
mil vezes, sem pedir perdão.

O que me inspira é a enorme vontade de ter um futuro melhor.

A droga ainda gritava como um motor enferrujado. Cada esquina trazia convite e memória. O corpo implorava. A mente sabotava.


“Só mais uma vez.”

Vocês já notaram que, no inverno, a grama é modestamente verde?
Deve ser um aviso aos poetas:
Um olhar minucioso basta.

No limite da chama esquecida,
um ponto atravessa o que restou.
Pequeno demais para a queda da vida,
longe demais de tudo que queimou.

Vilma Martins

De vez em quando…

No cair do dia, entre realidade e fantasia,
volto no tempo em um tique-taque,
com a impressão de que é mais real

a fantasia do imaginado agora
ao infinito…

De vez em quando…

Suspensa, perdida no tempo,
com o pensamento obstinado até a loucura,
no silêncio prendo a respiração.

Momento mágico!
Aprisionado em minha mente,
espaço de segundos que se perdem
na esquina da estrada do tempo…

Vilma Martins

Há olhares que atravessam o tempo. Entre um piscar e outro, cabe uma eternidade.
Vilma Martins

RUÍNAS


Caminho entre os restos do que um dia fui.
Não há mapa para quem precisa reaprender a existir.
O silêncio pesa, como se o mundo inteiro tivesse sido deixado sobre o meu peito.
Mesmo assim, algo pequeno insiste. Uma luz quase tímida entre as rachaduras da alma.
Ela não grita, não exige... Apenas lembra, paciente, que até as ruínas guardam espaço para um novo começo.


>•< IANI MELO

Uma xícara de café e folhas soltas ao vento;
Uma rosa, um chalé, outono e relento...
Dê sua mão: vamos buscar a paz que perdemos.

Senhor Psicológico

Tudo começa com um fim.

Como o fim de uma linha no caderno. Como o último episódio da sua série favorita. Todo começo nasce de algum encerramento.

O meu começou com o fim de uma relação que mal teve tempo de existir. . Mas essa parte da história não importa tanto quanto o que ela deixou.

Com o tempo, passei a travar uma guerra contra mim mesmo. Uma luta silenciosa, daquelas em que acordar já parece um combate.

Lembro-me de uma frase atribuída a Isaac Newton:

"Toda ação tem uma reação."

Cinco palavras. Tão simples... e, ainda assim, capazes de explicar boa parte da vida.

Não existe ação sem consequência.

Escrever uma linha no caderno significa, inevitavelmente, chegar ao seu fim. E, quando a linha termina, outra começa.

Talvez seja assim com a vida.

Talvez a batalha diária contra a depressão e contra a desordem da minha mente também tenha um fim.

Só espero que, quando esse fim chegar, ele seja o começo de uma versão de mim que finalmente aprendeu a viver.

Para uma geração amalucada, a educação é um haver insubstituível.

No lugar onde os homens se tornam deuses, o coração flutua entre o Sol e a Lua sob o manto de um eclipse celestial.
Reno Fioraso