Lamento pela Morte de um Ente Querido

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Às vezes, me sinto um talvez
uma hora vaga,
uma pedra perdida
algo que tiraram do lugar que encontraram.
E por uma péssima escolha,
acarretou péssimos resultados.

"A existência é um ciclo eterno entre pausas e recomeços. Paramos, recomeçamos e, às vezes, estacionamos outra vez. O importante é manter esse ciclo vivo, sempre guiado pela esperança — pois é no intervalo entre o movimento e o estacionar que a alma experimenta o seu próprio encontro ou desencontro."

Mesmo quando a escuridão obscurecia o brilho de um propósito, o desejo verdadeiro jamais se extinguia — apenas aguardava o momento certo para reacender.

Um sorriso surgiu em ambos os rostos — um gesto familiar, como se aquele reencontro tivesse sido apenas uma continuação de algo interrompido há milênios. Os lábios se tocaram num beijo breve, elétrico, carregado de reconhecimento.

É noite
É noite no meu coração
Mas a lua imensa brilha
Como um disco prateado
Para além do horizonte
Onde meu amor se esconde...
E diante da sua plenitude
Minha alma se abisma
Tanto mistério no etéreo firmamento
Tanta luz, tanta saudade
Tanta música pela cidade...
E no embalo da melodia
Pés descalços na areia
Absorta em fantasia
Me perco em meus desejos
E esqueço até meus medos...
Óh lua linda, porque não trocas
lugar comigo reles mortal?
E assim, sozinha, desnuda lua
Vagando pela Terra, solitária e fria
Sentirás a minha dor e
Quem sabe se compadeça
Na noite fria me emudeça
E na lápide do tempo
Serei lembrança que se esqueça...

Um único desejo genuíno podia ser o catalisador de toda uma era, e uma era, por sua vez, gerava outras, em um fluxo contínuo de criação e destruição.

Aquela noite ficaria gravada na memória do tempo — um ponto de inflexão silencioso, o prenúncio de algo que mudaria para sempre o destino da humanidade.

Feche seus olhos...
Tem um silêncio no ar
Não deixe eu me perder
Nos meus sonhos
Faça se tornar real
Eu me perdi de alguma forma
Uma parte se foi com você
O inverno chegou e
Está tão frio...
Tudo era tão bom,
Desde o momento em que nos tocamos
O tempo parou...
E agora ando perdida sem rumo,
Sem teu abrigo,
A luz está se apagando
Uma lágrima cai em sua mão
É um dia eterno de inverno

Só mesmo os laços do amor
fazem a vida feliz
num solidário labor
como um eterno aprendiz.


PedrO M

um ponto
sela destinos
três pontos
sussurram
“ainda”

A possibilidade de viver um novo relacionamento amoroso passou brevemente pela minha cabeça, ela voltou (algumas vezes) depois de uns dias... e meu coração sorriu.
Eu pensei tantas coisas a respeito e hoje reconheço que não é meu momento. Porque, muitas vezes, eu me entreguei com a intensidade e a profundidade do meu ser, e fui sobrepondo cicatrizes. Porque cada uma das vezes que eu tentei eu tentei de novo e de novo. Porque cada vez que eu estive em pedaços eu arregacei as mangas e pequei cacos entre uma lágrima e outra.
Cada vez que eu me reergui, eu caí de novo.
E eu tenho certeza de que as (profundas) lágrimas são infinitas.
Eu cansei.
Eu cansei de tentar.
Eu cansei de lutar.
Eu cansei de procurar.

Eu tenho aprendido que presença é um dos maiores presentes.
Pra gente.
E pro outro.
É sobre como a gente se entrega de verdade… na página de dentro.
No jeito de olhar sem julgar.
Na escuta que acolhe sem querer corrigir.
Na presença que não invade… mas também não abandona.
Porque no fim, não é sobre salvar o outro.
É sobre caminhar junto com verdade e humildade pra não ferir…
e lucidez suficiente pra não se perder.
E talvez seja isso que a vida tenta ensinar o tempo todo:
a gente não evolui só entendendo…
a gente evolui sentindo, praticando e escolhendo amar melhor a cada dia.

Metas muito altas exigem um preço igualmente alto; impagável seria perder o sentido naquilo que se busca.

Manchado


Ele sempre foi um farsante,
porque, quando não teve o que queria, perdeu o encanto.


Ele só queria um corpo, não sentimentos
ou essência — me embrulhou.


E, sendo meu tipo, me embriagou.
Sendo leitor, me cegou, mas não vi sua verdadeira forma.


Um lobo sem escrúpulos,
numa pele de cordeiro,
que manchou toda a minha ingenuidade.


Fingi não ver,
corri para o lobo,
mas parei a dois passos —
e ele desistiu, fugiu.


E quem ficou com fome de afeto fui eu…
mas hoje eu sei:
não era amor que ele oferecia,
então não era amor que eu perdi

A resiliência de quem aguenta um ambiente tóxico raramente é escolha; quase sempre é o silêncio imposto pela necessidade de pôr comida na mesa. Onde a fome aperta, o orgulho não tem vez; suportar o insuportável vira o preço que se paga pelo sustento. Poder escolher onde trabalhar é um privilégio; para muitos, o crachá é a única barreira entre a dignidade da família e o desespero da falta. Ninguém aceita o peso de um ambiente ruim por vontade, mas pelo medo de ver o prato vazio."

⁠Brasília, cidade moderna e ousada,
Cortando o cerrado com suas avenidas,
Sob um céu vasto, de nuvens prateadas,
Que nos fazem sonhar com possibilidades infinitas.

É nessa terra de horizontes largos,
Onde o sol brilha forte e inclemente,
Que a saudade às vezes aperta o coração,
Lembrando-nos dos amores distantes e ausentes.

Mas o céu, esse grande espetáculo,
De cores e formas em constante mudança,
Nos convida a seguir adiante, sem medo,
E acreditar que ainda há muito para alcançar.

E assim, mesmo que a saudade doa,
Nós olhamos para o horizonte sem temor,
Sabendo que o cerrado, a cidade e o céu,
São apenas o começo de um mundo cheio de amor.

E que, com coragem e perseverança,
Podemos superar as dificuldades e encontrar,
Novas possibilidades, novos caminhos,
E um futuro brilhante, que está por vir.

O que é, o que é?

Demétrio Sena - Magé

Há um povo esquisito querendo opressão;
grita mil contrassensos, por uma pirraça,
pois quer ser a colônia de qualquer nação
que lhe ponha cabresto, aguilhão e mordaça...

Uma gente que sobra do tempo que passa,
ninguém sabe onde foi que perdeu a razão;
sonha ter caçadores, porque ser a caça
é a honra suprema pra sua ilusão...

Esse povo esquisito escolheu suas lendas:
os que furam seus olhos ou colocam vendas;
enferrujam seus passos, pondo ferradura...

Essa gente que a gente não sabe se gente,
não aceita verdades; endeusa quem mente;
tem país democrático e quer ditadura...
... ... ...

Respeite autorias. É lei

"Cartas de Um Condenado"


Prólogo — O Condenado fala pela primeira vez


Condenaram-me apesar da minha inocência; e, na inópia dos incorruptíveis, os inescrupulosos vangloriavam-se de sua afluência. Tiraram-me a liberdade, indiferentes à verdade. Fustigaram-me diante da multidão que suplicava a minha execução. Lançaram-me ao calabouço e, sob a sombra do meu silêncio, despiram-me da minha intrepidez, enquanto eu escrevia o meu último suspiro numa carta.


Atormentavam-me o espírito com correntes tenebrosas; ataram-me à desgraça da minha vergonha e entoaram canções horrorosas. Foram eles que me incriminaram por pura cobiça.


Houve quem recuasse; poucos, porém, ousaram agir para que eu saísse em liberdade.

Escrevo-vos com a última gota do meu fôlego, com o resto do suor da força que ainda me sobra; sem esperança de voltar a aquecer-me ao sol, sem certeza de tornar a ver o mar.


Escrevo com medo de deixar de respirar e de que, com o tempo, os vossos rostos se apaguem da minha memória, e eu já não consiga recordá-los.


E, se alguém vos perguntar de quem é esta carta, respondei-lhes:


é de um Condenado.


Cujo paradeiro hoje é desconhecido; cujo espírito vagueia, importunado pelo grito dos ímpios; cuja alma procura descanso na sofrência dos justos. Não procurem o resto da minha sobrevivência: os ratos já o roeram, as baratas devoraram os meus olhos; os vermes encheram-se nas minhas fossas nasais, e os insetos consumiram as minhas entranhas.


Se vos escrevo, não é por tendência, mas por agonia; se penso, é por sobrevivência; se me movo, é por sacrifício. Redijo para que, caso alguém encontre esta carta, conheça quem foi o homem que habitou esta masmorra e por que foi trazido para cá.


Quando o barulho dos tolos não consegue discernir o ritmo da dança, tendem a perseguir a música dos sábios.


Não houve quem me visitasse, quem chorasse, quem perguntasse por mim ou quem desejasse ver-me pela última vez. Como a relva da terra fui pisado; esmagaram-me como a uma formiga e recusaram-me o direito ao oxigénio. Roubaram-me o direito à liberdade e entregaram-me, indecorosamente, a uma morte apoquente.

"Um professor que se encanta com a falha dos seus colegas tem menos neurónios para ensinar uma turma de mentes que funcionam." ⁠

"MONÓLOGOS DE UM MISERÁVEL"


PRÓLOGO


Antes morrer ou viver?


As pessoas fartam-se, e com o tempo as amizades desgastam-se, as máscaras decaem e as faces expõem-se. As pessoas aborrecem-se facilmente. Iram-se umas com as outras por nada.


Eu? Nem sou exceção, apenas mais uma parcela do erro delas.


Sou o resultado de bilhões de espermatozoides repentinos, e não de um plano de felicidade. Um acidente fisiológico que acabou por converter-se em vida.


"Ganhamos importância pelo que temos, já não mais pelo que somos, afinal."


"Quem nada tem a oferecer, nada tem a receber." Esta é a máxima da sociedade.


"A desgraça do homem é o preconceito sobre si mesmo." Ninguém é tão unânime que consiga ceder tudo o que erigiu em nome da paz. Ninguém. Nem mesmo Cristo teve de ceder toda a realeza em nome da redenção da raça humana. Uma parte de si foi esmagada pelo clamor dos ímpios da terra; não obstante, teve de retornar à origem do seu "verdadeiro ser", à condição de juiz.


"A iniquidade tornou-se incenso com destino ao céu, mas, em vez disso, abafa a própria terra, e o ser humano é por ela sufocado."


Às vezes, somos obrigados a concordar com tudo para não ferirmos as pessoas que amamos. Em meio a uma discussão, já não se ouve a tua opinião; és coagido a aceitar o que os outros dizem, pois, se não o fizeres, acabarás sozinho. Isolado. Rejeitado e lançado à margem.


O homem compraz-se com quem se submete à sua vontade e, quanto àqueles que não rendem a sua honra, a sua vontade e a sua personalidade, terminam mortos ou excluídos do convívio.


Sim, esta é a linguagem mais unânime do egoísmo: querer tudo para si.


Ponderei hoje que…


a gravidez é o princípio da infelicidade de uma mulher. Afinal, é como se ela carregasse uma cruz no ventre. Um fardo. Os filhos, o sofrimento de um homem: quando a mulher se livra do peso, a responsabilidade recai sobre o homem; o provedor do lar.


Esta é a verdade: poucos homens são felizes quando têm filhos, pois, quando estes conhecem a sua primeira criança, o olhar sorridente disfarçado de alegria assume a postura cujo delírio é dissimular a sensação angustiante de suportar um fardo que sequer constava dos planos.


A maioria percebe que as crianças não passam de consequências. Acidentes inevitáveis da natureza. Nascidas para reverenciarem os seus progenitores e satisfazerem as suas ordens — no fundo, ninguém quer sujar as próprias mãos. É aqui onde os filhos entram em ação: para encobrirem o escárnio dos pais —.


No entanto, elas também nascem egoístas. O egoísmo é patente desde a genética do seu nascimento. E, por conseguinte, os pais buscam educá-las e moldá-las do mesmo modo como foram moldados pelos seus.


Ensinam-lhes a valorizarem-se mais do que os outros (egoísmo); a resguardarem-se de todas as pessoas (desconfiança); a não conviverem com aqueles que não pertencem à mesma camada social (preconceito e discriminação); a detestarem as outras raças por não possuírem a mesma cor de pele (racismo e tribalismo).


Sim, é a família: a primeira sociedade. O núcleo central de toda a corrupção humana. Onde o humano é transformado em máquina de matar.