Lagrimas de uma Mulher

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As crianças não têm passado, nem futuro, e coisa que nunca nos acontece, gozam o presente.

Nós, para os outros, apenas criamos pontos de partida.

Soneto da Desesperança

De não poder viver sua esperança
Transformou-a em estátua e deu-lhe um nicho
Secreto, onde ao sabor do seu capricho
Fugisse a vê-la como uma criança.

Tão cauteloso fez-se em seus cuidados
De não mostrá-la ao mundo, que a queria
Que por zelo demais, ficaram um dia
Irremediavelmente separados.

Mas eram tais os seus ciúmes dela
Tão grande a dor de não poder vivê-la,
Que em desespero, resolveu-se: - Mato-a!

E foi assim que triste como um bicho
Uma noite subiu até o nicho
E abriu o coração diante da estátua.

O matrimônio é como um processo judicial: um lado está sempre insatisfeito.

Muitas coisas, não vale a pena dizê-las. E muita gente não merece que lhes digam outras coisas. Isto faz muito silêncio.

Formam-se mais tempestades em nós mesmos que no ar, na terra e nos mares.

Não serve de nada correr; é preciso partir no momento próprio.

Trabalhai, fazei alguma coisa: é o alicerce mais seguro.

Ordinariamente tratamos com indiferença aquelas pessoas de quem não esperamos bens nem receamos males.

O prazer mais delicado é o de dar prazer a alguém.

O louvor vale pela pessoa que o dá.

Amei e fui amado; tal basta para o meu túmulo.

Aquele que, de certa forma, não vive para os outros, raramente vive para si mesmo.

Existem algumas derrotas mais triunfantes que vitórias.

Pode querer bem aos outros quem não quer bem a si mesmo?

Ninguém avalia tão caro o nosso merecimento, como o nosso amor-próprio.

É preciso saber o valor do dinheiro: os pródigos não o sabem e os avaros ainda menos.

Canto de regresso à pátria

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá
Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra
Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Oswald de Andrade
ANDRADE, O. Cadernos de Poesias do Aluno Oswald, Círculo do Livro, São Paulo

O acaso é o maior romancista do mundo; para se ser fecundo, basta estudá-lo.

Todo mundo acredita muito facilmente em qualquer coisa que tema ou deseje.