Lagrimas de uma Mulher
Palavra Nua
Uma palavra nua foi vista na rua.
Chamaram as autoridades.
Que despudor permitido,
Deixar palavras sem nome,
Se expondo desvalidas.
Uma moça de poucas vestes sugeriu cobri-lhas.
O cirurgião queria por já cortá-las.
O alfandegário, indagava-lhe a origem.
Porque não lhe põem algemas, questionou um transeunte.
Podem lhe dar açoite, para recuperar o respeito, profetizou o Vigário.
E a palavra nua, destemidamente aguardava,
Que surgissem gentes que pudessem encantá-la.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
COMPREENSÃO
A rua onde nasci era larga e extensa de vozes.
Nela havia uma velha casa de espera e de descobertas.
Minha mãe me ensinava a brincar de ver.
Ficava ao meu lado e com suas mãos me entregava seus olhos.
Dizia-me: O que vens?
Eu menino, com zeloso brio elaborava narrativas não aparentes.
As vezes via um pássaro falando com o vento.
Ora, era um arco-íris despontando no anoitecer.
E até eu voava, buscando palavras com asas.
Lembro-me quando lhe disse:
- Estou vendo uma dança no céu.
E ela pediu-me para tomar cuidado com os instrumentos, marcar os passos, ouvir a sinfonia.
E asseverou: Veras na vida aparências e essências.
Mas não tenha receio de vislumbrar.
No fim o que fica é o que se olha para dentro.
Antes de saber ler e escrever compreendi a ver poesia.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
Das Grandezas
Gosto do tamanho de algumas coisas.
O voo de uma borboleta ao entardecer.
O pouso do pássaro num raio de sol.
Teus pequenos passos dançando na terra.
Uma gota despindo-se numa flor.
Aquela brisa que umedeceu teu beijo.
O olhar que perpetrou a sombra.
A última cantiga deixada na noite.
Em não me querendo modesto, a deslumbrar dimensões,
Não faço apologia da métrica ínfima.
Meço-me pelo sentir desterrado.
O que me segue, cabe em meu sonhar a andar.
Minha sensação de grandeza se emaranha de singelezas.
Como a memória da água, por entre rios, a retornar a nascente.
Como quando nos sabemos finitos, refazendo-nos começos.
E se é tão grande, como os olhos que se traduzem no peito.
Carlos Daniel Dojja
In Poemas para Crianças Crescidas
A menina que dançava
Falaram-me de uma menina,
Que enquanto descobria seu ritmo,
Pensava-se menos leve,
Que o ar que a circundava.
Seu corpo feitio de brisa,
Se deslizando compenetrado,
Já mostrava que havia canto,
Mesmo quando não escutavam.
Parece-me que seu cabelo,
Poderia ser azul esverdeado,
Como se fosse coreografia de raios,
Se estendendo em sua face.
Como a desconheço, dar-lhe-ei o nome Eduarda,
Aquela que guardou nos pés,
A dança como abrigo,
E se foi envolvendo de ritmos,
Pungidos de existência.
Assim lhe surgiram os duetos,
Com seus deleites sonoros,
E também o estrondar de tambores,
Sucedendo sinfonias.
A esperança lhe chegou,
Como um bale compassado,
Mantendo firmes os braços,
Olhando para o alto, a seguir na direção.
As vezes até parece,
Que nem sequer percebia,
Que viver também se aprende de dança,
Que o tempo faz emergir.
Dança-se no silêncio da alegria.
Na tristeza acalentada.
Descobrem-se em distintos momentos,
Cenários convertidos de linguagens.
Na há movimento sem emoção,
Pulsar alheio, sem sonoridade.
Se dança com pó no rosto,
Com o brilho de enfeites costurados.
Mal sabe essa menina, que um dia lhe contarão,
Que estava a dançar com dor e graça,
Feita melodia de passos,
A poesia dançante da vida.
Carlos Daniel Dojja
In Poema para Crianças Crescidas
Carta para Mia Couto
Prezado Mia Couto,
recebi uma mensagem de Shakespeare,
dizendo que o amor é pouco,
contrapondo-se a Pessoa
para quem o amor pode ser vário.
Decidi falar com Einstein que como sempre relativizou,
disse que o amor é uma órbita, que gira em torno de nós.
Quando estava te escrevendo Vinicius me chegou,
disse olha, a vida tem jeito, só se morre e nasce de amor.
Então em Moçambique, se a carta o Atlântico cruzar,
diga ao Carlos como se fala, o amor não deve tardar.
Se estiver ocupado, tratando algum assunto com Camões,
peça-lhe que envie transcrito em poucas e simples linhas,
- O amor é um contentamento descontente,
é dor que a gente se sente, que se desatina sem doer.
Quando eu receber a resposta, prontamente lhe confirmo,
atestando a Drummond, que o amor é um estar em ser,
num ser mais que profundo.
Eu ficarei orgulhoso de receber a explicação,
já que me vivo a Quintanar de amar,
o amor em sua extensão.
Até resgatei um modesto conceito,
desses que se declara numa ciranda de amigos,
- o amor, é tão somente, o infindo sopro, se fazendo vida.
Carlos Daniel Dojja
"...Da primeira vez que te vislumbrei,
lembro-me de uma idade sem tempo,
foi quando deixaste teus olhos,
semeados na raiz de um beijo...
Carlos Daniel Dojja
Fragmento Poema das Idades
OUSADIA
No meu intimo, uma desnecessidade se aguça.
Creio descomplexa, de não ter nada a desdizer.
Já me levo inteiro de indagações a juntar atalhos,
De quem bem sabe o quanto custa o desviver.
Mas não existo o bastante para deixar de aspirar.
Espio manhãs. Não graduo conjuras.
Apraz-me compreender que uma reta contém variáveis.
Meus poros se aguçam de humana estatura.
Minhas inquietações desfiam-se visíveis.
Confesso-me indisciplinado com as formalidades do risco.
Em quase tudo me arde, o que suponho merecer.
E se não o sentir, não me impele o florescer.
Tenho dificuldades com prognósticos do viver pré-definido.
Não uso decifrador de tempo, para embeber-me do instante.
Declaro-me avesso em não desfrutar o que o momento instaura.
E quando me chega, pousa em minhas mãos, como se vindo da alma.
Carlos Daniel Dojja
"... Uma parte de nós necessita,
de um sempre outro dia,
Para ir-se indo a esperançar.
A esperança precisa de gente para lhe dar pés e olhos..."
"....Fiz até uma promessa, que vivo a suplicar.
Quando minha hora chegar,
Esperem a noite alta e me joguem inteiro no mar.
Vou virar mistura de lama, coberto de calcário, envolto de sal,
Para nascer como pedra, estendido a beira mar.
Então, nem queira saber, que alegria será,
Eu me vivendo banhado de ondas, a relembrar,
Toda a vida que viceja, quando se descobre um olhar...."
Fragmento Poema O QUE JOÃO ME CONTOU
- Em homenagem a João que já virou Pedra no Mar do Sul
...Há entre mim e o tempo, uma refazença.
Uma compreensão de que quimera serei,
Um tão só colhedor de caminhos...
Toda guerra, mesmo as que aparentemente se justificam, trazem em si uma certeza: Aniquilam virtudes e humanidades.
"...Tenho alguns saberes, que me fazem apreendedor.
Uma arquitetura de razões pronunciadas.
Das mais súbitas, como aquelas a se moldar na quietude,
Como as derradeiras, que se pungem na pele na alma..."
In Do Aprender
"... Da primeira vez que te vislumbrei,
Lembro-me de uma idade sem tempo,
Foi no dia em que deixaste teus olhos
Semeados na raiz de um beijo..."
Entre o cântico e o tambor: uma filosofia entre o Gregoriano e o Iorubá
Exu abriu os caminhos —
e com seus pés de encruzilhada, nos levou até esta pergunta:
O que é estar junto,
senão duas almas que aprenderam a habitar a si mesmas?
O que é o amor,
senão um espelho onde Ori reconhece Ori,
e o destino se curva ao gesto de permanência?
Antes de tocar a alma do outro,
mergulha na tua.
Desce os degraus do teu próprio abismo,
ajoelha-te diante de tua sombra,
e pergunta:
— Quem sou eu,
quando o silêncio me olha?
Porque amar não é possuir.
Amar é sustentar o peso do outro
com as mãos que já aprenderam a carregar a si mesmas.
Ìwà, o caráter,
é o solo onde floresce o vínculo.
Sem ele, tudo apodrece:
até a doçura, até a promessa.
É preciso tempo.
Tempo para decantar.
Tempo para conversar com tua ancestralidade,
ouvir os ecos do teu Egbé,
e deixar que Àṣẹ conduza os gestos
ao ritmo da tua verdade.
Conhece-te.
Aceita o teu caos.
Abraça teu corpo como templo e teu espírito como rito.
Não exijas do outro aquilo que tua alma ainda não é capaz de ofertar.
Não prometas o céu, se ainda chove dentro de ti.
Relacionar-se não é preencher um buraco —
é celebrar o transbordo.
Porque, se não há plenitude em tua solitude,
haverá apenas ruína na partilha.
Melhor seguir só,
inteiro em tua solidão,
do que acompanhado,
mas vazio de ti.
Exu não responde com respostas.
Ele oferece caminhos.
E cada escolha é uma oferenda ao próprio destino.
Uma guerra está sendo travada.
Não uma só.
São guerras sobrepostas —
territórios, ideias, narrativas.
Guerras que atravessam continentes como ventos quentes,
queimando o que resta de paz nas esquinas do mundo.
De um lado, um povo.
Do outro, outro povo.
No meio, o pó dos edifícios,
o silêncio após a explosão,
os olhos vidrados de quem ainda respira.
As fronteiras não são mais apenas linhas no mapa.
Viraram cicatrizes abertas na carne da Terra.
As crianças correm, mas não sabem mais para onde.
Correm entre os escombros, entre pernas amputadas,
entre bonecas queimadas, entre memórias que se desintegram no ar.
O planeta inteiro sente.
Não há lugar onde o eco dessa violência não alcance.
As telas transmitem em tempo real a queda do outro
como se a dor pudesse ser consumida com um clique.
Não há heróis.
Não há vencedores.
A pólvora tem o mesmo gosto amargo dos discursos.
Os céus escurecem de fumaça,
o chão afunda sob os pés de quem perdeu tudo
e ainda tenta nomear o que restou.
O tempo desacelera diante da destruição.
Uma escola se desfaz em poeira.
Uma mulher grita.
Um velho cava com as mãos o corpo do filho.
O mundo gira, mas nada se move para impedir.
A geopolítica dança em salões gelados
enquanto os corpos ainda estão quentes no chão.
É por isso que não é apenas uma guerra.
É o colapso da empatia,
é a falência da escuta,
é a ausência de humanidade sendo televisionada como espetáculo.
E ainda assim,
seguimos.
Passei uma vida vestindo armaduras, aprendendo a me proteger em um mundo que me testava a cada instante. Fui forjada pela necessidade de ser forte, de erguer muralhas ao redor de um coração que não podia sentir, tinha que suportar. Mas dentro dessa força, sempre existiu uma essência, pura e verdadeira, esperando pelo momento de respirar livremente.
Amar Quem Não Sabe Ser Amado
Amar é um sonho que a vida nos conta,
Uma busca que o coração nunca desaponta.
Dos pais, dos amigos, dos laços primeiros,
Até o amor que nos toma por inteiro.
Ah, o amor, tão doce e tão voraz,
Ele nos eleva, nos traz a paz.
Depois, nos derruba, nos faz chorar,
E pensamos que sem ele, não dá para ficar.
Mas a vida ensina, a dor vira lição,
Descobrimos a força dentro do coração.
Sobrevivemos ao que parecia final,
E o amor renasce, mas de forma especial.
Amar alguém com medo de amar,
É caminhar num fio, é se desequilibrar.
É lutar contra sombras que vêm do passado,
E oferecer luz a quem vive no cerrado.
Mas há quem rejeite, quem não saiba acolher,
Quem veja no amor um fardo a temer.
E você, que ama com tanta verdade,
Se vê preso entre a dor e a saudade.
O amor é seu, é chama que aquece,
Mas amar sem retorno te enfraquece.
E então, com o tempo, você vai entender,
Que amar a si mesmo também é viver.
Guardar o amor em uma caixinha pequena,
Onde ele repousa, onde a alma serena.
Pois insistir em quem se recusa a enxergar,
É esquecer que também é preciso se amar.
Com empatia, escolha a si,
E permita que o outro encontre o que há de si.
O amor, eterno, no peito guardado,
Será sempre luz, nunca apagado.
A Transformação Através do Auto-conhecimento: Uma Jornada Interior
A vida se torna verdadeiramente incrível quando decidimos embarcar na busca pelo auto-conhecimento e pela espiritualidade. A complexidade do cérebro humano revela-se fascinante à medida que nos aprofundamos nas camadas do nosso ser.
Quando trazemos à tona as cartas emocionais guardadas no subconsciente, limpamos memórias dolorosas que antes nos perseguiam como sombras. Muitas vezes, as lembranças da infância, que pareciam bicho-papão, se revelam como montagens criadas pela nossa mente — eventos complexos que se entrelaçam e se transformam em narrativas distorcidas.
O reconhecimento de que nossos sentimentos, embora reais, são frequentemente baseados em experiências que não correspondem à verdade, é libertador. É um convite para acolher e liberar essas emoções, permitindo-nos confrontar e dissolver a vitimização que carregamos. A jornada não é um trabalho de formiguinha, mas cada passo dado vale a pena.
À medida que transformamos o que estava oculto em luz, trocamos mentiras por verdades e, dia após dia, nos preenchemos com amor e felicidade que antes não víamos. A limpeza do subconsciente nos liberta das correntes de medos e julgamentos, e a paz que se segue é inigualável.
Convidar-se a sair da superfície da consciência e enfrentar o que foi evitado pode ser desafiador, mas essa coragem traz uma libertação imensa. Ao soltar e liberar, experimentamos uma paz que transforma. O auto-conhecimento é a chave que abre as portas para uma vida repleta de autenticidade e realização.
Autora: Diane Leite
Minha Verdade, Meu Valor
Sou feita de luz, de fogo e de mar,
Uma força que nunca deixa de brilhar.
No meu universo, há amor e lealdade,
Pois não aceito migalhas, nem falsidade.
Minha alma é livre, meu coração inteiro,
Sou verdade cristalina, puro celeiro.
De sonhos, de fé, de força que cresce,
Nada me toca se minha essência esquece.
Deslealdade? Não cabe no meu peito,
Meu caminho é limpo, meu amor perfeito.
Dou o que sou, mas nunca me perco,
Pois me escolher é meu pacto eterno.
Minha escolha é minha, minha paz é real,
Não há espaço para quem não é leal.
Sou o templo divino, centelha sagrada,
E meu valor não será jamais negociada.
Caminho firme, de cabeça erguida,
Na dança do universo, sou dona da vida.
Lealdade é meu norte, meu destino é meu,
Pois quem se escolhe já encontrou o que é seu.
Diane Leite.
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