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Sua bíblia deve ser de ouro, de tanto que você a usa para bater nos outros em vez de usá-la para se iluminar.

Engraçado como alguns acreditam em um Deus que vê tudo, mas agem como se Ele fosse cego para as maldades que cometem em nome d'Ele.

Onde sobra dogma e falta empatia, a fé virou apenas um acessório de ego.

De nada adianta decorar as escrituras se o seu comportamento exige que as pessoas leiam uma edição revisada por conveniência.

A religião deveria ser um espelho para corrigir as próprias falhas, não uma lupa para encontrar o pecado alheio.

É fácil erguer as mãos para o céu no domingo quando se usa os pés para pisar nos outros o resto da semana.

É muita conveniência apontar o dedo para os Orixás da Umbanda e para as imagens dos santos da Católica, enquanto se fecha os olhos para o 'lobo em pele de cordeiro' que prega ao seu lado no banco da igreja.

A fé que só enxerga o erro no rito alheio e ignora o pecado no próprio templo não é espiritualidade, é apenas preconceito com verniz de religião.

Estranha é a moralidade que se escandaliza com o atabaque e com o santo, mas se cala diante da exploração e do falso testemunho de quem usa o nome de Deus para benefício próprio.

Se a sua crítica tem alvo certo por denominação, mas se torna mudez diante dos erros dos seus, o seu problema não é com o pecado, é com a liberdade alheia.

Hipocrisia é querer 'limpar' a casa do vizinho de outra fé, enquanto finge que a sujeira debaixo do seu tapete gospel é bênção.

O fanatismo cega: faz o fiel odiar o que não conhece na Umbanda e no Catolicismo, enquanto aplaude o erro que já se tornou rotina no seu próprio meio evangélico.

É estranho ver um rebanho que teme o lobo, mas se cala quando o pastor usa o avental de outra irmandade sob a túnica da fé.

Dizem que não se pode servir a dois senhores, mas muitos altares hoje sustentam colunas que não são as do Evangelho, e o povo finge que não vê a sombra que elas projetam.

O silêncio do fiel diante do pastor maçom não é prudência; é a renúncia da própria voz em troca de uma falsa paz institucional.

A fé cristã nasceu na luz pública do sacrifício; é irônico que hoje ela aceite ser guiada por líderes que juram segredos em câmaras ocultas.

Muitos criticam a idolatria do mundo, mas ajoelham-se diante de líderes que buscam o 'G' da geometria antes do 'G' de Glória.

Muitas vezes, a promessa de um paraíso no amanhã serve apenas para silenciar o grito por justiça no hoje, mantendo o povo dócil sob o peso da exploração.

A religião, quando institucionalizada pelo poder, deixa de ser um caminho espiritual para se tornar uma corrente invisível que dita o que pensar, em quem votar e como obedecer.

Dizem ao oprimido que o seu sofrimento é uma provação divina; assim, ele para de questionar as mãos humanas que realmente criam a sua miséria.