Ja me Disseram q eu sou uma Mulher Incomum

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TALVEZ AMANHÃ ONTEM

Talvez…
Eu te conte o que não soube
Dizer-te
Ontem
Por causa das tuas
Palavras cruas,
Como pedras das ruas
Geladas
Que me atiravas
Sem dó nem piedade.

Talvez…
Amanhã eu não te saiba
Dizer nada
Porque nada sei
Do que soube
Ontem,
Que já era hoje
De madrugada.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-05-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠Quando um dia destes eu morrer, garanto: não fui eu que pedi.
Alguém, equivocado, precipitou-se.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠CEGUEIRA
Cada cego vê o que sente.
Eu pouco vejo
Mesmo à minha frente,
E acabo por ser cego
De corpo e alma
Nesta cegueira que acalma
A esmorecer,
O pecado de ver...

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-05-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

MEU MAR MINHA LINHA

⁠Era eu um pequenito
Naquela praia grande
De areal imenso
Do então Espinho extenso.

Eu ficava sozinho
Sentado numa pedra
Mais ao longe
Como que a comandar
A proa do meu barco
Rumo àquela linha do horizonte
Que eu via sempre direitinha
Com aqueles barcos grandes
De cargas de pão, de ouro
E especiarias, nos porões
Das fantasias.

Se calhar alguns petroleiros
Assaltados pelos piratas
Da minha verde imaginação
Que passavam com pachorra,
Na linha, do mar quente de verão.

E eu então imaginava:
Para além daquela linha, ficava
A Beira de Moçambique,
Era aí que o meu pai morava.

Não muito longe, eu via numa tela:
A Caracas do meu tio Vitorino,
Emigrado em Venezuela.

Depois, de barriga vazia
Voltava à areia da praia,
Morna da sorna da tarde
Que se ia com os barcos
E convidava ao sono.

Então, eu cobria-me com o meu manto
De areia
E, entretanto,
Adormecia...

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-05-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro


O LAR DO SOFÁ VELHO

Não chores meu velho
Como eu, a ficar a sê-lo.

Nunca pensaste como ainda penso,
Vá, pensa:
Porque o pensar é de graça,
Afinal o que nos resta.

Já não é a tua casa,
O teu cheiro
E os odores por ti criados
Naquela casita perto do mar
Onde gaivotas te iam beijar
Pela manhã, famintas,
Do teu dar
E abrigo procurar
Nas tardes fortes de tempestade.

O teu lar, agora, é o teu penar...
Outros cheiros,
Gentes que nem sempre gostam de ti,
Pelo que vi, senti e ouvi.

E então fugi, fugi dali
Tão amargurado.

Que triste, é do homem fado
Deixado num sofá velho
A tremer de medo,
Naquele cubículo sem afetos
Onde reinam os dejetos,
Muita fome amordaçada
E mais...

Aquele horrível pecado
De os não deixar morrer
Na sua velhinha cama.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-06-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

SE OS MEUS OLHOS

⁠Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
As coisas sacras e profanas
Das procissões das vaidades
E cortejos de perversidades…

Nos convívios só de apelido,
De carneirinhos em sentido
À espera da ordem mestra
De chefes, gente que não presta,
Sem carácter nem humildade.

Era assim na mocidade
E hoje também não falha,
Nas feirinhas desta canalha
Velha, sem idoneidade.

Ai, se os meus olhos dissessem
O que viram quando eu via,
Outro galo então cantaria
Mesmo que mordaças houvessem.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 01-10-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠NÃO

Não fui eu que me inventei.
Nem projeto,
Nem desenho,
Apenas mais um da grei,
Pelo que sei,
Um ser de certo dialeto
E, já agora, convenho:
Simples, fiel, muito reto.

Fui na pobreza criado
E nunca algoz de ninguém
E muito menos bastardo,
Quer de pai ou de uma mãe.

Sou apenas o resultado
De um amor de vida a dois.
Com a minha voz se canta o fado,
Com a minha vara eu toco os bois.

(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 11-11-2023)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠LOGRO

Era de noite
Às três da tarde
Daquele dia
Numa manhã
Irmã,
Como eu, órfão
Da lua
Que anuncia
O sol na solidão
De uma vida vazia.
Havia, ai Deus, como havia
Logro naquele sol
Que quis passar pela lua,
Antes do dia amanhecer
No calor que arde
Como chicote açoite
Nas costas do entardecer
Das minhas costelas nuas
E das tuas,
Se estivesses comigo,
Te digo,
Naquela noite.
Só depois na modorra
De estancar o sangue
Exangue
Das feridas,
Minha alma saiu fora
E disse:
- Malditas, tais investidas!
Trôpego, então respondi:
- Vos arrenego, almas perdidas,
Do antes e do agora!

(Carlos De Castro, In Há Um Livro Triste Por Escrever, em 19-04-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

DEFECAÇÕES DE OUTRORA E DE AGORA

Eu era um poeta
Pateta
Sem saber
Como defecar a poesia.

Agora, que julgo saber,
Escrevo sem ser poeta
Só de ver e ler
Como escrevem a poesia,
Defecada,
Com cheiro
Por inteiro,
A nada.

Salvam-se alguns da fornada.
Quase como fúnebre elegia,
A mim, só me apetece dizer:
Ó arte da fantasia
Do pensar e escrever,
Minha irmã poesia,
Diz-me: se és tudo, ou nada!

(Carlos de Castro, in Há um Livro Triste Por Escrever, em 23-09-2024)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠QUIÇÁ TALVEZ PORVENTURA EU FORA DAS REDUNDÂNCIAS PLEONÁSTICAS OU O MESMO DO IGUAL SEMPRE

Será que vim das profundezas
Das rochas eruptivas magmáticas
Nos subsolos de seres estranhos
Encobertos em caras de putos
Com máscaras carnavalescas
Em poesias de rachas quentes, porém
Sem rima, mas sempre frescas.
Rimou uma, acaso meu, sem certeza
Se nasci em Marte ou nas Áticas
Das civilizações helénicas dos espertos.
Nasceria eu na Ásia dos Sete Mares
Das mil e uma noites dos pensares
Quando Sinbad, o marujo, por ali ferreava!?...
Tudo mentira, porque eu nasci aqui,
Na Chamusca de Argoncilhe,
no Bairro Pobre da Ilha das Canárias,
Da Feira de Santa Maria.
Minha parteira da miséria, particular,
Tinha por graça ser
Elisa Santa Ouvida -
-Deus a resguarde e não lhe apague a Luz.
Disse-me sempre ela, em bondade:
Que veio uma cegonha que poisou na Serzelha
Na fonte velhinha, para beber água pura, cristalina;
Subiu às Canárias e me deixou já embrulhado
E tudo, ao lado de minha mãe no leito pobre.
Acreditei no milagre até alguma idade da inocência.
Hoje, não acredito em nada.
A parteira morreu.
A cegonha dizem que nunca mais se viu.
A Fonte da Serzelha já não dá água pura.
E eu, finalmente, consegui casar com um poema
Que não rima,
Lá dizia a minha prima (quando lhe arrimava...)

(Carlos De Castro, in Há um Livro Triste por Escrever, em 14-01-2025)

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

⁠A poesia fez-me gente e é por ela que eu vivo e respiro.

Inserida por CarlosVieiraDeCastro

Tenho certeza de duas coisas nessa vida: a morte
e que eu e você não tem mais volta

Inserida por ludimila_fer

“ O desapego torna o eu desprendido para viver a felicidade plena.”

Inserida por juniormartins

“Entre os amigos pessoais e os amigos do poder, eu prefiro os amigos pessoais; acabando-se o poder, acabam-se os amigos do poder.”

Inserida por juniormartins

⁠“Aonde eu não posso ser eu,faço nemquestãode estar.”

Inserida por juniormartins

Gente positiva é a que cai, levanta, sacode a poeira, sorri para a vida e diz:
“LÁ VOU EU DE NOVO.”⁠

Inserida por juniormartins

“⁠A quem diz, que a vida só faz sentido se houver, romances, aventuras e guerras, eu concordo plenamente.”

Inserida por juniormartins

Senhor Jesus, eu entrego esse dia em suas mãos, cuida da minha vida, da minha família e dos meus amigos, livrai-nos de todo mal, amém.

Inserida por juniormartins

⁠Quanto mais eu ando para conquistar a liberdade, mas eu percebo o quanto ela está distante de mim

Inserida por lylitude

⁠Eu costumo escrever para aliviar o meu sofrimento

Inserida por lylitude