Ja Gostei de Vc mais Hj Nao Gosto mais
Tem um momento na vida em que a gente para de ensaiar discurso no espelho e simplesmente envia. Sem revisão, sem filtro, sem aquela esperança secreta de que a outra pessoa vai ler e, num surto de lucidez romântica, mudar o roteiro inteiro. Eu fiz isso. Abri a alma, empacotei tudo que era sentimento acumulado, memória inflada, expectativa maquiada… e enviei. E curiosamente, não foi a resposta que me libertou. Foi o ato de parar de esconder de mim mesma o que eu já sabia.
Porque a grande virada não acontece quando o outro entende. Acontece quando eu entendo. E entender que a dor não estava na perda, mas no apego à ilusão, foi quase um tapa elegante da realidade. Daqueles que não deixam marca no rosto, mas reorganizam o cérebro inteiro. Eu não estava sofrendo por alguém que se foi. Eu estava sofrendo por uma história que eu não queria admitir que nunca existiu do jeito que eu contei para mim mesma.
E aí vem essa imagem perfeita, quase cruel de tão precisa. Um palco vazio. Luz acesa. Eu no centro, decorando falas, me entregando, esperando aplausos… de alguém que já tinha ido embora há muito tempo. E o mais impressionante é que eu sabia disso. Mas a gente insiste. Porque enquanto eu continuo atuando, eu não preciso encarar o silêncio da plateia vazia. E o silêncio, minha amiga… ele exige maturidade.
Quando ele disse que não me amaria, que já tinha alguém no coração, aquilo doeu, claro que doeu. Não existe dignidade emocional que impeça esse tipo de impacto. Mas junto com a dor veio uma coisa rara: liberdade. Porque ali não tinha mais espaço para dúvida, para interpretação criativa, para esperança teimosa. Era um não. Simples, direto, quase gentil dentro da brutalidade que um “não te amo” carrega. E foi exatamente isso que me soltou.
Agora, vamos rir um pouco da ironia da vida, porque ela merece. Tempos depois, outro homem me solta praticamente o mesmo discurso… que nunca amou ninguém. E hoje, olha só, me chama de primeiro amor. Eu fico entre lisonjeada e levemente desconfiada, pensando se o amor não é também uma construção que a gente vai entendendo melhor com o tempo. Porque no auge da minha ousadia juvenil, eu realmente achei que poderia conquistar qualquer coração. Que bastava insistência, charme, presença estratégica… quase uma espada lendária emocional, pronta para ser cravada no peito alheio. Olha a audácia. Eu, achando que amor era território conquistável.
Mas não é. E ainda bem que não é.
Porque se fosse, não teria valor nenhum. Amor não é sobre vencer alguém, é sobre encontrar alguém disposto a construir junto. E isso muda tudo. Eu não me arrependo de ter feito alguém me amar profundamente, porque ali também teve verdade. Mas hoje eu entendo que o que sustenta não é o encantamento inicial, é a construção diária, silenciosa, imperfeita e real.
E quanto ao primeiro… eu guardo com carinho. Não como quem ainda espera, mas como quem reconhece. Ele foi importante, foi intenso, foi necessário. Mas não foi definitivo. E tudo bem. Porque a vida não é sobre quem chega primeiro, é sobre quem permanece com verdade.
No fim, eu não perdi nada. Eu amadureci. Eu parei de tentar transformar ilusão em destino e comecei a viver o que é concreto, presente, possível. E isso, minha querida, vale muito mais do que qualquer história bonita que só existia na minha cabeça.
Se você também já tentou conquistar o impossível, já atuou em palco vazio ou já acreditou que amor era questão de estratégia… respira. A gente aprende. E aprende vivendo, errando, sentindo e, principalmente, aceitando.
Escrever, para mim, deixou de ser um capricho bonito de quem gosta de palavras e virou uma necessidade quase fisiológica, tipo respirar depois de subir uma ladeira enorme no sol do meio-dia. Eu estava há tanto tempo inspirando o mesmo ar pesado, reciclado pelas minhas próprias memórias, que quando finalmente escrevi, foi como escancarar uma janela e descobrir que o mundo ainda tinha vento. E não aquele vento dramático de novela, não. Um vento simples, honesto, que não promete nada além de movimento. E, naquele momento, movimento já era tudo que eu precisava.
O curioso é que eu não escrevi esperando resposta. Nem dele, nem da vida, nem do universo conspirador que a gente gosta de culpar quando está carente. Eu escrevi para me ouvir. Porque até então, eu estava cheia de vozes dentro de mim, menos a minha. Era lembrança falando alto, era saudade fazendo discurso, era ilusão pedindo mais um capítulo. E eu, coitada, só anotando, achando que aquilo era verdade absoluta. Quando eu finalmente me escutei de verdade, sem maquiagem emocional, sem aquele filtro poético que transforma sofrimento em obra-prima… foi desconfortável. Mas também foi libertador. Porque ali não tinha mais para onde fugir. Era só eu comigo mesma, sem plateia, sem roteiro, sem desculpa.
E a tal da lucidez… ah, essa não bate na porta, não pede licença, não manda mensagem antes. Ela entra como quem já mora ali há anos e só estava esperando eu parar de fazer barulho para se manifestar. E quando ela chega, desmonta tudo. Derruba cenários, apaga luzes, desmonta personagens. Aquilo que antes parecia gigante, intenso, insubstituível… vira só o que sempre foi: um capítulo. Importante, sim. Mas não eterno.
E é aí que entra a parte que mais assusta e mais alivia ao mesmo tempo: esquecer não é apagar. Eu não virei uma versão fria, sem memória, sem história. Eu virei alguém que olha para trás sem sentir aquele aperto no peito que parecia um lembrete constante de que algo estava inacabado. Não estava. Nunca esteve. Eu só demorei para aceitar que já tinha acabado há muito tempo. A gente sofre mais tentando reescrever o passado do que vivendo o presente. Porque o passado, minha querida, não aceita edição. No máximo, interpretação.
E essa lembrança… a ceia na casa da avó. Olha que cena sutilmente dolorosa. Um convite que parecia simples, mas que carregava um mundo inteiro de significado. E eu recusando. Não por falta de vontade, mas por excesso de consciência. Eu sabia que não cabia ali. E olha a maturidade disfarçada de tristeza. Às vezes, crescer é exatamente isso: reconhecer onde a gente não pertence, mesmo quando o coração quer dar um jeitinho de se encaixar.
Aquele abraço final, as lágrimas sendo enxugadas com uma delicadeza quase contraditória… como se o gesto dissesse “eu me importo”, enquanto a realidade gritava “mas não o suficiente para ficar”. E tudo bem. Porque naquele momento, sem perceber totalmente, eu já estava me despedindo de verdade. Não só dele, mas da versão de mim que ainda insistia.
E a vida, com seu humor meio irônico, meio genial, seguiu. Quase dois anos depois, eu casei. Escrevi uma nova história. Mas dessa vez, não foi sozinha. Não foi baseada em suposições, nem alimentada por silêncios interpretados. Foi construída. Tijolo por tijolo, dia após dia, com alguém que estava ali de verdade, não só na minha imaginação.
E isso muda tudo.
Porque no fim, não foi sobre esquecer alguém. Foi sobre parar de sofrer por algo que já não existia e abrir espaço para o que podia existir. Eu não apaguei o passado. Eu só parei de morar nele.
E hoje, quando eu lembro, não dói. Não pesa. Não chama. Só existe. Como uma página virada de um livro que eu não preciso reler para saber que já entendi a história.
Se você ainda está respirando esse ar pesado, talvez esteja na hora de abrir sua própria janela.
Seguir em frente nunca foi sobre apagar pegadas na areia como se o mar tivesse vindo com a missão de me inocentar da minha própria história. Não. Seguir em frente, eu descobri, é olhar para cada marca que ficou e dizer com uma calma quase desconcertante: você existiu, mas não manda mais em mim. E isso… isso é um tipo de poder silencioso, daqueles que não fazem barulho, mas reorganizam tudo por dentro.
Eu escrevi demais. Meu Deus, como eu escrevi. Parecia que cada palavra era uma tentativa desesperada de dar forma ao que eu sentia, como se organizar frases fosse o mesmo que organizar o coração. E eu chorei… chorei como quem rega um jardim que já não tinha mais raiz viva. E sonhei então, nem se fala. Sonhei tanto que, se sonho pagasse aluguel, eu já teria uma mansão emocional mobiliada com expectativas irreais. Só que eu sonhava sozinha. E essa é a parte que a gente demora para admitir, porque dói menos romantizar do que reconhecer a solidão dentro de algo que a gente chamou de amor.
E no meio desse excesso de tudo, eu fui me perdendo de mim. Porque quando a gente ama demais sem retorno, existe um risco silencioso e perigoso de se diminuir para caber. De negociar limites, de aceitar migalhas com cara de banquete, de se tornar… menor. E eu sei, com uma clareza que só vem depois, que eu não caberia ali. Não porque eu não fosse suficiente, mas porque aquele espaço nunca foi feito para me receber inteira. E quando a gente tenta se encaixar onde não cabe, a gente se dobra. E se dobra de novo. Até quase desaparecer.
E aí veio a escolha mais difícil e mais libertadora: escrever tudo e enviar. Não guardar, não suavizar, não transformar em poesia bonita para consumo próprio. Entregar. Colocar para fora, como quem finalmente solta uma mala pesada depois de uma viagem longa demais. E a resposta… ah, a resposta. Ela não foi mágica, não foi romântica, não foi aquilo que uma versão antiga de mim esperaria. Mas foi exatamente o que eu precisava no agora.
Porque ela encerrou.
E às vezes, o maior ato de amor que alguém pode nos dar é justamente mostrar que importamos e que nos considera especial. Porque apesar de nada mais existir entre ambos, existe o respeito pelo que foi vivido.
Foi ali que a serenidade começou a nascer. Não aquela alegria explosiva, mas uma paz mais quieta, mais madura. Uma dor diferente. Uma dor que não fere, mas ensina. Que não prende, mas organiza. Eu consegui olhar para tudo que vivi e reconhecer: foi pouco, foi breve, foi quase nada… mas dentro de mim virou tanto. E isso não me faz fraca. Me faz humana.
Eu inventei versões, criei histórias, ampliei gestos. Transformei fragmentos em universos inteiros. E tudo bem. Aquela era a minha forma de sentir, de tentar dar sentido. Mas hoje eu não preciso mais sustentar essas narrativas. Eu posso guardar tudo isso como se guarda uma relíquia antiga: com respeito, com cuidado… mas sem uso.
Essa ideia de almas que talvez não tenham se encontrado no tempo certo é bonita, eu admito. Tem um charme quase poético pensar que em outra vida poderia ter sido diferente. Mas a maturidade chega e sussurra uma verdade simples: é nesta vida que importa. É no agora. E o agora não tem espaço para fantasmas bem alimentados.
Então eu guardo. Coloco tudo naquele baú empoeirado, lá no fundo, naquele porão interno onde ficam as coisas que já foram importantes, mas não são mais necessárias. Não jogo fora, porque fez parte de mim. Mas também não deixo na sala, ocupando espaço, interrompendo o presente.
Porque o presente… ele exige presença. E eu tenho alguém ao meu lado agora. Uma história real, construída, imperfeita e viva. E talvez o maior aprendizado de todos seja esse: amar de novo, não como quem repete, mas como quem evolui. Amar com mais consciência, com mais limites, com mais verdade.
No fim, se libertar nunca foi sobre o outro. Nunca foi sobre fazer alguém entender, mudar, voltar ou sentir. Foi sobre eu parar de me prender. Foi sobre escolher não continuar sentindo algo que já não tinha para onde crescer.
E essa escolha… ela muda tudo.
Se você ainda está aí, segurando algo que já acabou, eu te entendo. Mas chega um momento em que continuar sentindo vira uma forma de não viver. E viver, minha querida, exige coragem.
Eu escolhi viver.
Tem dias em que eu paro e penso que amar é quase um esporte radical, daqueles que a gente entra achando que é caminhada leve e, de repente, já está pendurada num penhasco emocional, sem equipamento, só com fé e um pouco de teimosia. E eu amei… amei de um jeito que não cabe em explicação bonita, dessas que ficam bem em legenda de foto. Foi um amor que existiu, que teve voz, que teve troca, que teve vida em algum canto do mundo. Não foi invenção da minha cabeça, não. Foi real. E talvez justamente por isso tenha doído tanto.
E aí vem a vida, com aquela elegância duvidosa dela, e me coloca dentro de outro amor. Um amor que não nasceu perfeito, que não veio embalado em promessas cinematográficas, mas que foi sendo construído no meio dos cacos. Porque é isso que ninguém conta, a gente não constrói amor só com flores, a gente constrói com restos também. Com pedaços que sobraram de histórias antigas, com silêncios desconfortáveis, com verdades que poderiam muito bem ter sido escondidas, mas não foram.
Eu poderia ter guardado esse amor antigo como um segredo bonito, desses que a gente esconde numa gaveta interna e visita de vez em quando, em silêncio. Mas não. Eu escolhi abrir. Escolhi colocar na mesa, olhar de frente, dividir. E isso… isso não é simples. Não é leve. Não é coisa de gente fraca. É coisa de quem decidiu não viver pela metade.
E ele ficou. Olhou para tudo isso e não saiu correndo. Pelo contrário, teve a coragem de me perguntar por que eu não escrevo sobre isso. Como se, no meio de toda essa bagunça emocional, ele ainda enxergasse arte. Como se ele dissesse, sem dizer exatamente: transforma essa confusão em algo bonito.
E eu fico pensando… que tipo de amor é esse que não exige perfeição, mas presença? Que não pede um passado limpo, mas um presente honesto? Porque, vamos combinar, talvez muita gente não suportasse. Talvez muita gente preferisse a versão editada da história, aquela sem capítulos difíceis, sem sentimentos atravessados. Mas a gente… a gente escolheu ficar.
E não foi porque era fácil. Foi porque, de algum jeito meio torto e muito humano, ainda existia vontade. Vontade de tentar, de reconstruir, de olhar para os degraus quebrados e, ao invés de desistir da escada, começar a consertar um por um.
Eu não sei se isso é o tipo de amor que vira conto de fadas. Provavelmente não. Mas talvez seja o tipo que vira verdade. E no fim das contas, verdade sustenta muito mais do que qualquer ilusão bem contada.
Então eu escrevo. Escrevo porque viver isso tudo e ficar em silêncio seria quase um desperdício emocional. Escrevo porque, no meio de tanta coisa que poderia ter nos separado, a gente decidiu, de forma quase teimosa, continuar.
E se isso não é uma forma bonita de amor… eu sinceramente não sei o que é.
Nunca foi segredo. E olha que, nesse mundo onde até o “bom dia” às vezes vem ensaiado, eu escolhi viver sem esconderijo. Meu primeiro amor sempre teve nome, lembrança, capítulos que nem sempre fecharam direito. E a pessoa que hoje divide a vida comigo sabe de tudo. Não porque foi confortável contar, mas porque esconder sempre me pareceu mais pesado do que encarar.
Eu aprendi, meio na marra, que omitir é só uma mentira bem vestida. E eu nunca fui boa em sustentar personagem. Uma hora a verdade escapa pelo olhar, pela pausa estranha no meio da conversa, pelo silêncio que diz mais do que qualquer frase. Então eu prefiro ser direta. Entrego tudo, às vezes até bagunçado, mas real. Porque amor que precisa de versão editada já começa cansado.
E no meio disso tudo, aconteceu uma coisa bonita, dessas que não fazem barulho, mas mudam tudo: nós escolhemos ficar. Não por falta de opção, não por medo de recomeçar, mas por decisão. Daquelas conscientes, quase teimosas. E foi aí que, sem perceber, a gente deixou de ser apenas duas histórias que se cruzaram… e virou o melhor amor um do outro.
Não porque somos perfeitos, longe disso. Mas porque decidimos cuidar. Cuidar das feridas que não fomos nós que causamos. Cuidar das inseguranças que vieram de outras histórias. Cuidar até dos silêncios, que às vezes dizem mais do que qualquer declaração bonita. A gente escolheu fazer feliz a vida que o outro não quis fazer. E isso tem uma profundidade que não cabe em frase pronta de rede social.
Teve dor? Teve. Teve momentos em que eu pensei que talvez a sinceridade fosse demais. Mas aí eu percebia que o que a gente estava construindo não cabia em metade de verdade. Era tudo ou nada. E a gente escolheu o tudo, mesmo sabendo que o “tudo” vem com passado, com marcas, com lembranças que às vezes ainda respiram baixinho dentro da gente.
E olha que curioso: quando você encontra alguém disposto a ficar de verdade, o passado perde o peso de ameaça e vira só contexto. Não é mais competição, não é mais sombra. É só parte da história que me trouxe até aqui. Até nós.
Hoje, eu não amo menos por ter amado antes. Eu amo diferente. Mais consciente, mais presente, mais inteira. Porque agora não é só sentimento. É escolha diária. É compromisso silencioso. É aquele tipo de amor que não precisa provar nada pra ninguém, só continuar existindo com verdade.
No fim, a sinceridade não garante perfeição, mas constrói algo muito mais raro: um amor que aguenta a realidade. E nós somos isso. Imperfeitos, verdadeiros… e, ainda assim, o melhor amor que poderíamos ser um para o outro.
Hoje sonhei com uma mulher negra e uma criança. Eu estava na África. Ela era artesã, e eu a chamava para vir para Barra do Corda, porque lá ela não tinha como vender nada, mesmo tendo muito talento.
Depois, sonhei com a vizinha daqui organizando um grande churrasco. Ela colocava convites do tamanho de duas folhas A4, pendurados em um cordão com prendedores de roupa. Estavam muito altos, praticamente na altura do céu.
Em seguida, sonhei com uma mulher árabe se escondendo de muçulmanos. Não entendi bem, já que era a mesma religião, mas ela tinha medo de que descobrissem que também era muçulmana. Eu a escondia.
Depois, sonhei com um homem que foi amarrado dentro de um carro e jogado em uma gruta cheia de outros carros, todos luxuosos.
No final, eu queria salvá-lo. Mas, de repente, eu era ele, tentando retirar as fibras que prendiam meu pé. Acabei me escondendo de uma pessoa que fazia parte de uma família muçulmana… e então acordei, kkkkk.
Ontem sonhei que estava em um tipo de abrigo, junto com várias outras pessoas que também precisavam de cuidados. Havia uma indiana chamada Lininus; ela era muito alegre e feliz, e estava com uma criança. Ela me dizia “Deus te abençoe” e me deu um abraço forte. Eu disse a ela que, se conseguisse algo material na vida, iria procurá-la para ajudar no que fosse possível. Ela riu.
Depois, apareceu um rapaz negro. Ele sorriu para mim e orou por mim, segurando o topo da minha cabeça com a mão direita e os olhos fechados. Eu também fechei os meus. Ao final, ele me desejou boa sorte e deu um leve beijo na ponta do meu ombro esquerdo.
Em seguida, havia uma menina que conheço. Ela estava diferente da vida real: tinha cortado o cabelo em chanel curto e estava muito, muito feliz ao contar um sonho que teve comigo, para mim e para quem quisesse ouvir. Ela começou dizendo: “Era uma linda flor, e apareceu o espírito…”. Ela gesticulava e ria. Eu vi várias outras pessoas conhecidas ali, naquele lugar.
No sonho, eu estava voltando para minha casa após dois meses me recuperando de uma cirurgia. O curioso é que, na vida real, estou na casa da minha sogra, me recuperando de uma cirurgia de três hérnias, uma umbilical e duas inguinais. Hoje, 18 de abril de 2026, faz 1 mês e 13 dias da minha segunda cirurgia.
Nesse sonho, acredito que eram guias espirituais zelando por mim, em forma de pessoas que conheço. Eu estava muito feliz e disse a todos que os ajudaria de alguma forma, algum dia na vida. No final, nem deu para ouvir o restante do sonho da Alessandra, porque meu marido entrou no quarto e eu acabei despertando.
SOBRE SONHOS QUE TIVE NESSA SEMANA...
17 DE JUNHO DE 2026
Sonhar com malas, mudanças e a escolha do próprio vestuário é um prato cheio para a psicologia e para a análise do comportamento humano. Quando eu olho para esses símbolos sem o misticismo barato das previsões do futuro, o que sobra é um espelho bem nítido da minha própria dinâmica interna, da minha identidade e das transições pelas quais eu passo.
O avião, para começo de conversa, é o deslocamento definitivo. Diferente de um carro, onde eu posso parar no acostamento a qualquer momento, o avião representa um movimento de ruptura: eu saio de um ponto A e, queira ou não, vou parar no ponto B. É o início de uma transição, uma jornada compartilhada que exige deixar o chão firme para trás.
Logo em seguida, o cenário muda para a casa da família dele. Psicologicamente, a casa da família do parceiro costuma representar o território do outro, as regras do outro, o espaço onde, por mais acolhida que eu seja, eu ainda sou a visita. Estar ali sozinha antes de ele chegar evoca uma sensação de autonomia em meio ao cenário do outro, mas o ponto central aqui são as roupas encaixotadas.
A roupa é a nossa segunda pele. É como nos apresentamos ao mundo, a nossa persona, a armadura que escolhemos para interagir com a sociedade. Quando eu peço para ele encaixotar as minhas roupas para voltar para casa, há um movimento claro de recolhimento de mim mesma. Guardar a minha própria identidade em caixas para retornar ao território comum de nós dois mostra o desejo de encerrar um ciclo externo e preservar o que é meu, organizando a minha essência para o retorno ao ambiente seguro.
E então chegamos ao tambor. O tambor, que lembra tanto uma máquina de lavar quanto um grande organizador, é um espaço de triagem, um turbilhão onde as coisas giram, misturam-se e são limpas. Ver-me diante desse tambor, escolhendo ativamente o que vou vestir, é o ápice da autonomia nesse enredo noturno.
Depois de voar, de transitar pelo espaço do outro e de encaixotar o que me pertence, eu não estou mais apenas guardando a minha identidade; eu estou selecionando-a. Escolher a minha própria roupa dentro de um turbilhão é o símbolo exato do livre-arbítrio sobre quem eu decido ser a partir de agora. Quais camadas servem? Quais padrões antigos eu vou deixar rodando no tambor e quais vou de fato vestir para me apresentar ao mundo?
Não há mistério cósmico aqui, mas sim uma belíssima crônica visual do meu próprio inconsciente sobre transição, preservação da individualidade e, acima de tudo, o poder de escolha sobre a minha própria narrativa.
Para continuar acompanhando minhas reflexões diárias sobre o comportamento humano, a nossa busca por autonomia e as ironias da nossa mente, convido você a seguir **Alinny de Mello** no Pinterest. Os temas são publicados, através dos MEUS livros digitais toda semana por lá.
A chamada "guerra de narrativas" sobre alienígenas durante a Guerra Fria é um tema fascinante porque envolve espionagem, tecnologia militar, propaganda, medo coletivo e mistério.
Após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e a União Soviética entraram em uma disputa tecnológica intensa. Novos aviões espiões, radares, mísseis e satélites começaram a surgir em segredo. Como muitos desses projetos eram altamente confidenciais, avistamentos de objetos estranhos nos céus tornaram-se frequentes.
Um exemplo famoso é o avião espião Lockheed U-2. Quando ele começou a voar em altitudes nunca antes alcançadas, muitas pessoas relataram luzes e objetos misteriosos. Na época, o público nem imaginava que tal aeronave existia.
Alguns pesquisadores argumentam que governos aproveitaram a confusão em torno dos OVNIs para esconder programas militares secretos. Se uma testemunha relatasse uma nave impossível, isso poderia desviar a atenção da tecnologia real que estava sendo testada.
Por outro lado, surgiu uma narrativa oposta: a de que governos estariam escondendo evidências de visitas extraterrestres. Casos como o suposto incidente de Roswell tornaram-se símbolos dessa visão.
Durante décadas, essas duas narrativas disputaram espaço:
1. Tudo seria tecnologia humana secreta.
2. Parte dos fenômenos envolveria algo não humano.
O interessante é que ambas foram alimentadas pelo mesmo ambiente de sigilo da Guerra Fria. Quanto menos informação oficial existia, mais espaço surgia para especulações.
A partir dos anos 1950, filmes, livros e programas de televisão também passaram a explorar o tema. Alienígenas viraram um elemento cultural poderoso, refletindo medos da época: invasão, espionagem, armas desconhecidas e perda de controle sobre o futuro.
Hoje, muitos historiadores veem a questão dos OVNIs como um fenômeno que mistura vários elementos ao mesmo tempo: tecnologia militar secreta, erros de identificação, fenômenos naturais, crenças populares e alguns casos que continuam sem explicação definitiva.
O ponto central da "guerra de narrativas" é que, durante a Guerra Fria, a informação se tornou uma arma estratégica. E quando informação e segredo se encontram, surgem histórias que atravessam gerações, alimentando debates que continuam até hoje.
Uma das razões pelas quais tantas pessoas culpam Deus pelo sofrimento é que elas partem da seguinte pergunta: "Se Deus é bom e poderoso, por que permite tanta dor?" Essa questão é tão antiga que existe desde os primeiros filósofos e teólogos da humanidade. Não é necessariamente uma falta de compreensão, mas uma tentativa humana de encontrar sentido para tragédias, doenças, guerras, injustiças e perdas.
Vale lembrar que muitas pessoas que culpam Deus estão falando a partir da dor. Quando alguém perde um filho, um animal querido ou presencia uma injustiça terrível, nem sempre está fazendo uma análise teológica. Muitas vezes está expressando revolta, tristeza e desespero.
A grande discussão que acompanha a humanidade há milhares de anos é justamente esta: se Deus é amor, como devemos agir para refletir esse amor no mundo? Porque, independentemente da crença de cada um, boa parte do sofrimento causado aos seres humanos, aos animais e à natureza realmente vem das decisões que nós mesmos tomamos.
Existe uma pergunta que atravessa séculos e continua ecoando dentro da mente humana: se Deus existe, por que existe tanta dor no mundo?
Mas talvez exista uma pergunta ainda mais profunda que quase ninguém tem coragem de fazer: se recebemos a liberdade de escolher, por que insistimos em entregar a culpa das nossas escolhas para Deus?
Pense comigo. Todos os dias acordamos com a capacidade de construir ou destruir. Podemos alimentar uma pessoa ou humilhá-la. Podemos proteger um animal ou abandoná-lo. Podemos espalhar esperança ou espalhar medo. Podemos criar pontes ou levantar muros. O livre arbítrio é um dos maiores presentes já concedidos à humanidade, mas também é uma das maiores responsabilidades.
Muitas pessoas desejam um mundo perfeito, mas quantas estão dispostas a assumir a responsabilidade de ajudar a construí-lo?
Quando observamos guerras, violência, corrupção, abandono de animais, destruição da natureza e tantas outras tragédias, será que estamos olhando para a ausência de Deus ou para o reflexo das decisões humanas acumuladas ao longo das gerações?
A história de Caim e Abel nos convida a refletir sobre algo extraordinário. Mesmo diante do erro, a resposta não foi o extermínio, mas a preservação da vida. Existe uma mensagem poderosa nisso. O amor não desaparece quando alguém falha. O amor continua existindo, embora as consequências das escolhas também continuem.
Cada palavra que dizemos, cada atitude que tomamos, cada pequena escolha aparentemente insignificante se transforma em uma semente. E toda semente, cedo ou tarde, produz frutos.
Então eu lhe pergunto: se o mundo de amanhã fosse construído apenas pelas escolhas que você faz hoje, você teria orgulho de viver nele?
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