Ja Chorei de tanto Rir

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Deus criou todas as coisas e fez com o que atraves de sua criação outras coisas também viessem a ser criadas...⁠

Chegada ao Mundo

Na chegada ao mundo, um sopro de luz,
um caminho aberto que ninguém traduz.
Aprendendo a cada dia, sigo a caminhar,
o que nos livros jamais eu poderia encontrar.

Sem paredes para me agarrar,
descubro no vento o segredo de voar.
No botão de uma rosa, tão frágil, tão forte,
aprendi que o amor é quem guia a sorte.

Ali encontrei a vida em sua canção,
a fé que floresce no coração,
a força que ergue quando tudo desaba,
o poder que brota quando a alma se cala.

Sou aprendiz da terra, do céu, do mar,
na escola do tempo, venho me formar.
E cada dia é milagre, é eterno saber,
que a vida é um livro que só se escreve ao viver.

Onde Me Devolvo a Mim


​O banho é onde me devolvo a mim.
Perfumo o ar até que a casa inteira vire essência, porque sentir o cheiro
é a minha forma mais bonita de existir.
​O que a vida trouxe de duro se dissolve na espuma e vai embora com a água corrente.
​Olho pela janela:as árvores floridas derramam suas cores no chão, vestindo a terra de delicadeza.
​E eu, entre o varal colorido e a flor que cai, descubro que a paz é este instante limpo.

O Farol da Subida


​Passo a passo, sem pressa no olhar,
subo a montanha no tempo de Deus.
Há quem diga que dá pra caminhar no escuro,
mas eu preciso da luz para me achar.
​É o Criador quem acende o meu caminho,
quem faz o chão ser firme onde piso.
Se eu subo devagar, não é por cansaço,
é pra admirar a graça de cada espaço.
​Não subo sozinho, não venho do nada,
a luz do Senhor é minha morada.

Luz nos Meus Passos
​Devagar eu vou subindo,
mas não ando nas sombras.
Preciso da luz que vem do Alto
para não tropeçar nas pedras.
​O mundo fala de força própria,
eu falo da força de Quem me fez.
A cada degrau dessa vida,
é a mão do Criador que me sustenta outra vez.
​Sem a Tua luz, eu me perderia;
com a Tua luz, até a subida é vitória.

Onde a Fé Abre o Céu


​O céu das seis horas era um muro denso,
uma tapeçaria de chumbo e chuva
onde a luz já não tinha permissão para entrar.
Mas a alma, quando é tocada pelo invisível,
escuta o som antes da voz.
​Entre o ruído do mundo e a calmaria do louvor,
veio a ordem serena, suave como um sopro:
"Abre a porta. Pede para ver."
​Fui até o quintal da casa,
carregando a pequenez da minha fé
diante de um firmamento fechado e frio.
​E então, o impossível aconteceu sem alarde.
Diante dos meus olhos desacreditados,
a nuvem espessa se desfez como véu rasgado.
Um feixe vivo, um ouro puro e inacreditável,
atravessou a tempestade e entrou na minha sala.
​A luz banhou o chão, acendeu as paredes
e tocou o peito com a força de um abraço divino.
​Mesmo tendo visto, o coração estremece e duvida:
seria o sol abrindo espaço apenas para mim?
Mas a casa iluminada e a alma aquecida não mentem.
Há mistérios que Deus não explica;
Ele apenas escuta, abre o céu e acende a vida.

"Eu cheguei"


A vida brota bem pequena,
como uma folha a desdobrar.
Cresce serena e crescida,
no tempo certo de chegar.
​Acolhe o pingo da chuva,
busca o abraço do sol,
descansa no colo da noite,
espera a luz do girassol nas manhãs.
​Nas tardes mansas de vento,
na primavera eu floresci.
O verão trouxe o seu calor,
no outono as folhas vi cair.
​No inverno fiz meu abrigo,
calmando os passos da corrida.
Venci cada desafio,
sarando as dores da vida.
​Esqueci velhas feridas,
fiz das cicatrizes paz.
Guardando meus lindos sonhos,
olho a estrada e sei: cheguei.

​A Geometria do Espanto


​Quem inventou a poesia
não assinou o papel,
deixou a pena jogada
entre o chão e o céu.
​Não foi sabio de livro,
nem doutor de academia:
foi um homem com fome
de explicar o que sentia.
​Há quem diga que é em vão
tanta tese e teoria,
pois o mundo não cabe
na ciência do dia a dia.
Mas no peito de quem reza,
de quem planta ou quem pensa,
mora uma dúvida antiga
que se torna presença.
​A filosofia do homem
é erguer uma ponte de vento,
é tentar dar um nome
ao mistério do tempo.
​Pois o poema pertence
ao poeta de ofício,
ao que nunca leu versos,
ao que olha o abismo.
​Muitos vivem a rima
sem saber a canção:
a poesia é a terra
tocando o céu no chão.

A Linguagem da Terra


​Foi o Criador quem deu nome
ao barulho do vento nas folhas,
e ensinou a força do olhar
a dizer o que a voz não escolha.
​A poesia não está nos livros,
mas no gesto sem alarde:
um café servido quente,
uma conversa de tarde.
​É a terra que nos ensina
como a gente se aproxima:
uma árvore não tem pressa,
mas na sombra ela se combina.
​A conversa entre as pessoas
é feito raiz no chão:
a gente não vê a força,
mas sustenta a união.
​Sem precisar de grandes teses,
sem mistério exagerado,
o afeto é coisa simples
que se cultiva ao lado.
​Entre um olhar e um abraço,
o sentimento se faz terra:
é a vida criando pontes
onde o silêncio não erra.

​A Chão Aberto


​Não havia ouro na mesa,
nem berço de palha macia.
Havia a vida crua e dura
na curva de cada dia.
​Sem mapa, sem garantia,
sem nome para herdar,
você aprendeu no escuro
o caminho de caminhar.
​Quem olhava de cima,
no alto do seu brasão,
não viu a força firme
que brota do próprio chão.
​Pois quem nasce sustentado
não sabe a dor da subida,
não conhece a estrutura
que se molda na ferida.
​Você não trouxe o brocado,
mas trouxe no peito a garra,
a teimosia da planta
que rasga a terra e a pedra.
​E quando o tempo passa
e a vida mostra a colheita,
a história mais bonita
é a que a mão própria ajeita.
​Surpreender o mundo
não foi promessa ou vaidade:
foi resposta do silêncio
transformado em dignidade.
​O berço dá o começo,
mas o caráter faz o fim:
é gigante quem se ergue
quando o chão foi feito assim.

O Curioso Olhar da Terra


​Eu gosto de ver a folha verde,
o balanço leve na brisa da tarde,
o desabrochar que não faz barulho,
a vida crescendo sem alarde.
​Gosto de plantar e ficar olhando,
imaginando o que a terra esconde:
que trabalho secreto a raiz faz lá embaixo?
Para onde ela vai? De onde ela responde?
​E quando a chuva cai do alto,
eu pergunto ao céu o seu motivo.
Cada gota que toca o solo
sabe exatamente por que está viva.
​Olho a montanha antiga no horizonte,
firme, calada, atravessando a era.
Meus avós nem eram nascidos ainda,
e ela já estava ali, à espera.
​Pode ser que a ciência explique tudo,
mas eu prefiro a dúvida e o encanto:
o mundo é mais bonito e verdadeiro
quando a gente imagina em cada canto.

​A Fonte e a Origem


​No banho, a água murmura
um segredo que a terra guardou.
É a chuva de tempos antigos
na pele que o céu desenhou.
​Os cabelos descem sem pressa,
como rios de pouca vazão,
guardando o mistério da origem,
da força da primeira criação.
​Ela sabe o caminho das flores,
o momento em que a noite se faz;
traz nos fios a sombra da mata
e no peito um bocado de paz.
​Não é de brilho que se mostra,
é encanto que não se mede:
a mulher que conversa com o tempo
e que a água respeita quando pede.

Obra de Cuidado


​Quando o Criador te pensou,
o mundo parou em silêncio.
Ele juntou a luz da manhã
com o sopro de um amor imenso.
​Esculpiu o teu riso com calma,
misturou a poeira das estrelas,
colocou no teu olhar a clareza
que a gente só vê nas manhãs mais belas.
​Pintou os teus passos na terra
com a cor do sol quando se põe,
trouxe a paz para dentro do peito
e o som de antigas canções.
​Não houve pressa no traço,
nem rascunho deixado para trás:
Ele fez de você um poema
que a vida lê e pede mais.

A Grande Pintura


​Há noites em que a terra se cala
para o tempo ver o traço nascer.
Não é qualquer escultura que se faz:
há almas moldadas para florescer.
​Mistura-se o sopro de uma luz antiga
ao barro macio de um chão sagrado;
desenha-se a curva, a força e a pausa,
num gesto paciente e demorado.
​O olhar carrega o tom das manhãs,
o passo guarda o peso da terra;
é a criação que se fez poesia,
sem o alarde que a vida carrega.
​Assim se revela quem traz no peito
o cuidado do mestre que a desenhou:
uma presença que apenas existe,
e abençoa o mundo por onde passou.

A Leveza Guardada


​Ela cumpre as tarefas que o dia exige,
conhece as calçadas e o peso do chão,
mas guarda no olhar a janela aberta
onde o mundo ainda tem poesia e canção.
​Não há fuga da vida nem sobra de ontem,
há a escolha bonita de não se endurecer:
gostar da flor singela, da forma suave,
do sopro macio que o vento faz ver.
​O caminho dos anos não toca o mistério
de quem traz a leveza guardada por dentro;
é mulher inteira, dona de seu passo,
que faz da delicadeza o seu centro.
​Aprecia o pequeno sem perder a grandeza,
sabe que a alma não precisa envelhecer:
ser adulta é sustentar o próprio destino,
ser delicada é o modo de viver.

O Templo do Silêncio


​O mundo lá fora exige o horizonte:
a praia aberta, o vento na montanha,
o verde antigo que a fazenda guarda,
a luz que em campos distantes se espanha.
​Mas há um mistério que a chuva ensina
quando cai fria sobre a telha e o chão:
a poesia não pede paisagem,
pede apenas a pausa e o coração.
​Deitada no escuro, o corpo descansa
da lida pesada de mais um dia;
as mãos que cuidam, que erguem e sustentam,
encontram na noite a sua alforria.
​Não é preciso o mar para ser imenso,
nem a altura do monte para ver direito:
o verso mais nobre e mais profundo
nasce do silêncio guardado no peito.

O Mar Interior


​Há quem busque a vastidão das praias
ou o topo das serras para poetizar,
mas a alma que cuida e carrega o mundo
aprende na sombra a se recolher e amar.
​A chuva bate suave na janela,
o frio lá fora convida ao abrigo;
no leito aquecido, a mente se solta
e o tempo da noite se torna amigo.
​Não há pressa, não há cobrança de estrada,
nem a busca por um cenário perfeito:
a beleza mais pura e descansada
é esta que brota deitada no peito.
​As mãos repousam do dever cumprido,
o pensamento voa para onde quer;
no silêncio do quarto renasce a graça,
o verso sereno da própria mulher.
​Essa ideia de acolher o momento presente, exatamente onde você está deitada agora sob o som da chuva, traz uma paz muito bonita para o verso, não traz?

A Viagem Sem Passo


​Não é preciso arrumar as malas
nem cruzar a fronteira do mar;
a alma que sabe ler e compor
tem o mundo inteiro sem sair do lugar.
​Entre as quatro paredes do quarto,
sob o som da chuva a cair,
a mente abre asas suaves
para onde o corpo não pode ir.
​Caminha por campos distantes,
visita a montanha, a praia, o luar,
desenha no escuro a paisagem
que o coração escolheu habitar.
​Pois o livro e o verso bem feito
são caminhos que não têm fim:
a maior e mais bela viagem
é essa que a gente faz dentro de si.
​A escrita e a leitura são exatamente essa alforria bonita: uma travessia sem cansaço, onde o pensamento voa livre enquanto o corpo descansa.

O Chão Que Eu Deixei Limpo


​Não escrevo pela vaidade do aplauso,
nem pelo adorno de uma frase bela;
escrevo pelo caminho que pisei,
pela luz que acendi na minha janela.
​Quem quiser saber da minha história,
da força que trago no passo e na voz,
não me procure nos ruídos do mundo:
procure nos versos que deixo para nós.
​Cada linha traz a marca da vida,
o peso do chão que eu já superei;
é o tempero da alma que não se rende,
a colheita da dor que eu enfrentei.
​Se a minha escrita servir de abrigo,
se clarear a noite de quem vai passar,
então o verso cumpriu seu destino:
virou vela acesa para o outro guiar.
​Eu me dou por inteira nas palavras,
sem filtro, sem pressa e sem ilusão;
quem me lê com a alma me conhece,
pois escrevo por mim, com a força do chão.
​Escrever para sinalizar o caminho e deixar a caminhada mais leve para os outros é a forma mais pura de generosidade. Suas palavras viram farol.

A Vontade e a Raiz


​O mundo pede a praia aberta e o topo da serra,
pede a mala pronta e o horizonte distante,
mas a poesia verdadeira finca a sua garra
é na terra da casa, no minuto presente.


​Há um olhar curioso que não passa batido:
repara na planta que finca a raiz no chão,
busca saber como a vida se tece por baixo,
vê a força invisível que sustenta a criação.


​E no fim da lida, quando o dia se entrega,
o banho quente acolhe a mulher que lutou;
a água desce, o cabelo se esparrama em cascata,
lavando o cansaço do mundo que ela carregou.


​Deitada no escuro, ouvindo a chuva na telha,
o corpo finalmente encontra o seu descanso,
mas a mente acesa não aceita o silêncio:
transforma a vivência em conselho e remanso.


​Não escrevo por vaidade, por status ou aplauso,
nem para enfeitar a frase com falso valor;
escrevo pelo chão que eu pisei e venci,
para deixar uma luz no caminho do outro.
​E se a voz se cala por medo, cultura ou guerra,
se o corpo não pode ir onde o mundo sufoca,
a palavra escrita atravessa qualquer portão,
entra na casa remota e a alma toca.


​Sem sair do leito, a leitura faz a travessia,
o texto vira farol, mapa e libertação:
a maior viagem é essa que a gente faz
com a força da vida guardada no peito.