Ja Chorei de tanto Rir
Você acorda depois do abraço.
Não acorda durante a queda.
Não acorda esmagada.
Não acorda no meio da tempestade.
Não acorda no momento em que a ponte desaba.
Você acorda depois que alguém percebe que houve um engano e oferece acolhimento.
Uma ponte instável.
Uma tempestade.
Uma subida impossível.
Um abismo.
Uma pessoa que você gostaria que estivesse ali para ajudá-la.
E, finalmente, alguém percebendo que você estava no lugar errado e dizendo, sem precisar de muitas palavras:
"Está tudo bem."
E talvez sua ponte, no fundo, não seja sobre uma catástrofe.
Talvez seja sobre atravessar um período assustador sem saber exatamente o que existe do outro lado.
E mesmo com medo, você continua subindo.
Você teve medo, congelou, pensou em desistir, olhou para o abismo, procurou apoio, avaliou os riscos e, aparentemente, continuou.
Às vezes, sobreviver não parece uma vitória cinematográfica.
Às vezes é apenas segurar firme no próximo galho.
E depois no próximo.
Até perceber que os seus pés finalmente encontraram terra.
Talvez crescer seja exatamente isso: conseguir olhar para uma pessoa que um dia significou o mundo e perceber que ela continua sendo apenas uma parte da paisagem da nossa história.
Não precisamos odiar.
Não precisamos esquecer.
Não precisamos voltar.
Podemos simplesmente reconhecer:
"Eu amei você naquela época. Mas hoje eu também amo a pessoa que me tornei."
Ás vezes não precisamos apagar alguém do passado para seguir em frente. Precisamos apenas colocá-lo no lugar correto dentro da nossa história.
Nem todo amor precisa terminar em reencontro.
Alguns amores terminam se transformando em memória.
Outros se transformam em perguntas.
Alguns permanecem como uma pequena cicatriz emocional que já não dói, mas nos lembra de quem fomos.
Você não é mais a menina que espera ser escolhida.
Você é alguém que também construiu uma vida que pode ser observada.
Uma mente pode produzir dezenas de possibilidades ao mesmo tempo.
"Será que vai acontecer?"
"E se acontecer?"
"E se eu fizer isso?"
"E se eu não fizer?"
"E se aquela pessoa pensar isso?"
"E se tudo mudar?"
São pássaros mentais pousados em galhos invisíveis.
Existem estruturas sustentando nossa vida que também não conseguimos enxergar.
Memórias.
Experiências.
Crenças.
Medos.
Esperanças.
Valores.
Relacionamentos.
Tudo aquilo que sustenta nossas decisões, embora não apareça como uma parede ou uma coluna.
Aquilo que aparece diante de nós não precisa necessariamente bloquear nossa visão.
Um medo pode existir sem dominar nossa vida.
Uma lembrança pode existir sem controlar nosso presente.
Uma pessoa pode ter feito parte da nossa história sem continuar sendo dona dela.
Uma dor pode ter existido sem determinar quem seremos daqui para frente.
Porque, às vezes, acreditamos que aquilo que ocupa nossa mente está bloqueando completamente o nosso horizonte.
Até levantarmos os olhos e percebermos:
ainda existe céu.
Muitas vezes atravessamos períodos em que não conseguimos enxergar nenhuma segurança. Olhamos ao redor e pensamos:
"Onde está o chão?"
Mas continuamos de pé.
Talvez existam forças que não percebemos enquanto estamos preocupados demais procurando por elas.
É quase como uma assembleia silenciosa no céu.
Nenhum fala.
Nenhum se aproxima.
Nenhum voa.
Eles simplesmente estão ali.
E você está sendo observada.
SE JESUS TIVESSE GRITADO DE DOR, EM MEIO A MULTIDÃO EM QUE ELE ESTAVA, ALGUÉM O TERIA SALVADO? POR ESSE MOTIVO, SUPORTO MINHAS DORES EM SILÊNCIO. NINGUÉM EM MEIO A MULTIDÃO, VIRÁ ME SALVAR!
