Ja Chorei de tanto Rir
Deus fez o nosso vizinho; nós, porém, erguemos o muro.
Todavia, de uma coisa eu tenho certeza e me esperanço: não haverá cristãos no Céu.
O muro que hoje separa o judeu do grego, o católico do protestante, o crente do descrente desmoronará de uma vez por todas; pois todos serão um em Cristo Jesus.
Ninguém há de se submeter ao homem senão ao único detentor da perfeita paz, Aquele que ergue o estandarte da sublime harmonia e proclama:
“A mim, não há acepção de pessoas. Eis que uno judeu e grego, escravo e livre, santo e pecador, numa só carne. O que Eu uni, ninguém há de separar.”
- Igreja dos Mortos
Ó Deus, mais do que o homem e a vida, só há uma coisa que se deve conservar imortal: a saudade. Tudo o que não é saudade não é eterno.
Tenho refletido sobre a dicitomia do ser e rascunhei acerca de ...
A COERÊNCIA ENTRE A FÉ QUE PROFESSAMOS E O AMOR QUE PRATICAMOS
Uma reflexão sobre a aparência da fé, os frutos das atitudes e a necessidade de transformação interior
1. Uma imagem como metáfora da incoerência humana
A imagem constrói uma metáfora visual sobre a possível desconexão entre a aparência externa e a essência das atitudes humanas. Por meio da combinação inusitada de uma maçã verde com o interior de uma laranja, associada a um tabuleiro composto por peças de quebra-cabeça de diferentes materiais e texturas, a composição convida à reflexão sobre a coerência entre aquilo que se declara, aquilo em que se acredita e aquilo que efetivamente se pratica.
A maçã verde, à primeira vista, apresenta a aparência de um fruto íntegro e reconhecível. Sua casca representa simbolicamente a aparência da fé: a imagem pública de integridade, religiosidade, virtude e compromisso moral que uma pessoa pode transmitir aos outros. Entretanto, ao revelar um interior completamente diferente do esperado, a imagem provoca um questionamento: será que aquilo que mostramos ao mundo corresponde, de fato, ao que cultivamos em nosso interior?
O contraste entre a casca da maçã e o interior da laranja não deve ser compreendido como uma condenação das diferenças, mas como uma provocação simbólica acerca da autenticidade. O problema não está em ser diferente daquilo que os outros esperam, mas em construir uma imagem que não encontra correspondência nas próprias atitudes. A metáfora evidencia, assim, a distância que pode existir entre a identidade que se proclama e a conduta que se manifesta nas relações cotidianas.
O gomo de laranja fatiado e exposto sobre o tabuleiro amplia essa interpretação. Ao tornar visível aquilo que antes estava oculto, ele simboliza os frutos concretos das escolhas humanas: as palavras pronunciadas, as decisões tomadas, a maneira como tratamos as pessoas e a forma como reagimos diante das diferenças. Afinal, são as atitudes que conferem materialidade ao discurso e permitem perceber se existe coerência entre os valores professados e a vida praticada.
2. Um tabuleiro fragmentado: quando os valores não se harmonizam
Outro elemento significativo da composição é o tabuleiro formado por peças de quebra-cabeça com materiais, cores e texturas heterogêneos, como madeira, mármore, ferro oxidado e mosaico colorido. Essa diversidade visual pode ser interpretada como representação dos diferentes fragmentos que constituem a experiência humana: crenças, valores, desejos, escolhas, discursos e comportamentos.
Embora as peças de um quebra-cabeça sejam diferentes, espera-se que possam se articular para compor uma totalidade coerente. Na imagem, entretanto, a heterogeneidade dos materiais sugere uma base irregular, na qual os elementos parecem não compartilhar a mesma lógica estética ou estrutural. Essa composição simboliza a dificuldade de sustentar uma vida integrada quando os valores anunciados não encontram correspondência nas atitudes cotidianas.
A questão, portanto, não é a diversidade em si, mas a falta de coerência entre as partes. Uma pessoa pode professar o amor, mas agir com intolerância; defender a humildade, mas alimentar a vaidade; falar em misericórdia, mas responder às fragilidades alheias com condenação; afirmar que deseja o bem do próximo, mas utilizar suas crenças como instrumento de constrangimento ou superioridade moral.
O tabuleiro fragmentado convida, assim, ao exame das contradições que atravessam a existência humana. Mais do que procurar incoerências na vida alheia, a imagem nos provoca a perguntar se os diferentes aspectos da nossa própria vida estão articulados pelos valores que afirmamos defender.
3. A aparência da fé e a prática do fruto
As expressões aparência da fé e prática do fruto sintetizam duas dimensões fundamentais da metáfora apresentada.
A aparência da fé corresponde à dimensão visível do discurso religioso: aquilo que professamos, declaramos e desejamos transmitir publicamente. Ela pode se manifestar em palavras, referências bíblicas, conselhos, orientações morais e demonstrações exteriores de religiosidade. Contudo, nenhuma dessas manifestações, isoladamente, garante que os valores anunciados estejam efetivamente incorporados à conduta.
A fé não se torna incoerente por ser expressa publicamente, nem a religiosidade exterior é necessariamente falsa. A contradição surge quando a profissão de fé deixa de encontrar correspondência no modo como a pessoa vive e se relaciona com os outros. Nesse sentido, a imagem questiona o uso da linguagem religiosa como uma espécie de verniz moral, capaz de produzir uma aparência de virtude sem que haja disposição para o autoconhecimento, o arrependimento e a transformação interior.
A prática do fruto, por sua vez, remete àquilo que efetivamente produzimos em nossa vida. Representada pelo interior da laranja e pelo gomo exposto, ela simboliza as atitudes concretas pelas quais nossos valores se tornam perceptíveis. É no cotidiano, nas relações familiares, afetivas, profissionais e sociais, que o amor, a humildade, a paciência, a misericórdia e o respeito deixam de ser apenas conceitos e se convertem em experiências reais.
Na perspectiva cristã, essa compreensão encontra ressonância no ensinamento de Jesus: “Pelos seus frutos os conhecereis” (Mateus 7:16). A passagem convida à reflexão sobre a relação entre aquilo que alguém manifesta e aquilo que efetivamente produz. Não se trata de reivindicar para si a capacidade de julgar definitivamente o coração alheio, mas de reconhecer a responsabilidade de examinar as próprias atitudes à luz dos princípios que se afirma seguir.
A verdadeira coerência não exige perfeição absoluta. Somos seres humanos, sujeitos a falhas, contradições e processos de amadurecimento. Exige, porém, honestidade para reconhecer os próprios erros, humildade para acolher correções e disposição para transformar comportamentos que contradizem os valores professados.
4. Entre o julgamento e o amor ao próximo
A metáfora visual ganha uma dimensão ainda mais profunda quando relacionada aos ensinamentos de Jesus sobre o julgamento e o amor ao próximo.
Em Mateus 7:3-5, Jesus questiona a atitude daquele que percebe o cisco no olho do irmão, mas não reconhece a trave no próprio olho. A passagem não precisa ser interpretada como uma proibição de toda orientação ou correção, mas como um chamado à autocrítica, à humildade e à responsabilidade antes de apontarmos as falhas de outras pessoas.
Como apontar as contradições alheias sem examinar as nossas? Como exigir coerência do outro sem reconhecer as incoerências que também atravessam nossa existência? E como falar em libertação espiritual sem admitir que todos nós temos aspectos que necessitam de cuidado, reflexão e transformação?
O mandamento de amar o próximo como a nós mesmos (Mateus 22:39) também nos convoca a rever a maneira como lidamos com as diferenças. É relativamente fácil acolher aqueles que compartilham nossas ideias, desejos, convicções e expectativas. O desafio se torna maior quando encontramos pessoas que pensam de outra maneira, fazem escolhas diferentes ou não correspondem àquilo que consideramos adequado.
Entretanto, o amor cristão não deveria depender de afinidades ou conveniências. Amar não significa concordar com tudo, abandonar convicções ou deixar de estabelecer limites. Significa reconhecer a dignidade do outro, tratar as pessoas com respeito e compreender que a discordância não autoriza a humilhação, o desprezo ou a condenação.
A fé não deve ser utilizada como instrumento de superioridade moral, mas como convite permanente à transformação. Quando as palavras religiosas são acompanhadas de críticas constantes, apontamentos e condenações, torna-se necessário refletir sobre a distância entre o discurso do amor e a experiência concreta de quem o recebe.
5. O que significa ser verdadeiramente abençoado?
Diante dessa reflexão, surge outra pergunta: o que significa ser verdadeiramente abençoado?
Ser abençoado significa apenas conquistar aquilo que desejamos, alcançar nossas ambições ou transmitir aos outros uma imagem de sucesso, virtude e felicidade? Ou também significa cultivar a paz interior, agir com integridade e construir relações nas quais o respeito, a reciprocidade e o amor possam florescer?
Talvez uma das expressões mais significativas da maturidade espiritual seja a possibilidade de deitar a cabeça no travesseiro com a consciência tranquila, reconhecendo as próprias falhas, assumindo as responsabilidades pelos próprios atos e compreendendo que ainda há muito a aprender e transformar.
Essa paz não significa ausência de problemas, conflitos ou dificuldades. Tampouco significa acreditar que estamos sempre certos. Trata-se de buscar uma vida em que nossas escolhas estejam cada vez mais alinhadas aos valores que professamos e em que a consciência não seja silenciada pela necessidade de parecer melhor do que os outros.
A bênção, nessa perspectiva, não se reduz às conquistas materiais ou à aprovação social. Ela também pode ser percebida na capacidade de amar, perdoar, reconhecer erros, reparar danos, respeitar diferenças e encontrar serenidade no compromisso cotidiano com aquilo que se considera justo e verdadeiro.
6. A libertação começa dentro de nós
Quando alguém afirma que outra pessoa precisa de libertação, cabe perguntar: de que libertação estamos falando? E estamos igualmente dispostos a reconhecer aquilo de que nós mesmos precisamos ser libertos?
Talvez precisemos nos libertar do orgulho que nos impede de reconhecer erros; da vaidade que nos faz desejar uma imagem irrepreensível; da intolerância que transforma diferenças em ameaças; da necessidade de controlar as escolhas alheias; da dureza que nos impede de exercer misericórdia; ou da hipocrisia que surge quando exigimos dos outros uma coerência que não buscamos cultivar em nós.
Essa reflexão não pretende negar a importância da orientação espiritual, do aconselhamento ou da correção fraterna. Pelo contrário, propõe que essas práticas sejam sustentadas pelo amor, pela responsabilidade e pela disposição de caminhar junto, em vez de se estabelecerem a partir da condenação ou de uma suposta superioridade.
A transformação interior começa quando deixamos de utilizar a fé apenas como medida para avaliar o comportamento alheio e passamos a permitir que seus ensinamentos também interroguem nossas próprias escolhas. É reconhecer que a espiritualidade não se comprova pela quantidade de falhas que identificamos nos outros, mas também pela disposição de rever nossas atitudes e reparar aquilo que precisa ser reparado.
A libertação, nesse sentido, não é apenas deixar de fazer algo considerado inadequado. É desenvolver a capacidade de agir com consciência, cultivar relações mais respeitosas e permitir que o amor transforme a maneira como nos posicionamos no mundo.
7. A fé que se torna testemunho
Agradar ao coração de Deus é testemunhar Sua presença por meio de atitudes de amor, e não apenas de palavras carregadas de críticas, julgamentos e apontamentos sobre a vida alheia.
É praticar aquilo que se prega, acolher sem humilhar, corrigir com respeito e compreender que todos nós temos fragilidades, contradições e caminhos de transformação. É reconhecer que nossas palavras podem orientar, mas também podem ferir; que nossas convicções podem iluminar caminhos, mas não nos tornam donos da verdade sobre a vida de ninguém.
A coerência entre a fé que professamos e o amor que praticamos não se revela na ausência de falhas, mas na disposição de enfrentá-las com humildade e responsabilidade. Uma fé vivida com autenticidade não nos coloca acima das outras pessoas: compromete-nos com o cuidado, a justiça, a misericórdia e o respeito à dignidade humana.
Que Deus possa verdadeiramente tocar nossos corações, iluminar aquilo que ainda precisa ser transformado em nós e nos conceder sabedoria para olhar para o próximo com misericórdia, em vez de superioridade. Que Ele nos ensine a amar para além das diferenças, a reconhecer nossas próprias limitações e a compreender que a transformação que desejamos ver no mundo também precisa encontrar espaço dentro de nós.
Que nossas atitudes falem mais alto do que nossas palavras. Que nossa presença seja instrumento de paz, acolhimento e amor. Que a nossa fé não seja apenas anunciada, mas vivida; não seja apenas argumento, mas testemunho; não seja motivo de condenação, mas compromisso com a transformação.
Porque, no fim, mais importante do que parecer santo aos olhos das pessoas é buscar a sinceridade de um coração que deseja, verdadeiramente, agradar a Deus.
E talvez a pergunta mais importante diante dessa imagem não seja quem precisa de libertação, quem está certo ou quem merece ser corrigido, mas esta:
Os frutos que temos produzido em nossa vida correspondem à fé que professamos?
Que tenhamos coragem para fazer essa pergunta primeiro a nós mesmos.
Que nossa fé seja reconhecida pelo amor que praticamos, e não pela quantidade de falhas que conseguimos apontar nos outros.
#ProfessoraJani #JaniaraDeLimaMedeiros
Fardo Leve.
Aprendi a dobrar a dor
até caber no bolso da calça.
Ela vira moeda trocada:
pago cafés, sorrio de volta,
ninguém desconfia do peso.
Carrego tempestade em copo d’água
e digo que é só sede.
Os nós na garganta viram
gravatas bonitas, bem amarradas.
Elegância é meu disfarce favorito.
De noite, tiro o fardo do varal.
Ele seca leve, quase pluma.
Mas se o vento muda,
lembro que chumbo também voa
quando a gente sopra forte.
No fundo, todo mundo nota:
tranquilidade demais
faz barulho de silêncio.
E o meu fardo, mesmo leve,
deixa pegada no chão.
(Saul Beleza)
*Apenas em sonhos*
Se te sonho, a culpa é toda tua
Que fez casa no meu pensamento
E agora odeio a manhã que assalta
E me arranca de ti, violento
O dia chega devagar só pra castigar
Quem queria ficar mais um pouco lá
Onde você ainda me pertence
Nem que seja só no sonhar.
(Saul Beleza)
*Olhos que Merece*
Não vou te olhar com ódio e nem com ternura
Vou te olhar com os olhos que merece
Olhos de quem entendeu a lição
De quem aprendeu a se escolher na mesa
Não é vingança, não é carinho
É limite, é nome, é ponto final
É fechar a porta sem bater
E seguir em paz, sem fazer mal
Porque quem ama de verdade não machuca
E quem machuca nunca soube amar
Então te devolvo pro teu destino
Com os olhos que você me ensinou a usar.
(Saul Beleza)
*Pela Fresta*
Teu disfarce e o meu não querer
Vai trazendo a curiosidade de te espiar
Mesmo que de soslaio
A porta range baixa, eu seguro o fôlego
o teu passo de gato ecoa no corredor
E eu juro que não espiei.
Mas guardei tua sombra na memória
Meu caminhar suave, não vai despertar o que dorme dentro de ti
Quem sabe o estrondo do silêncio desperta teu sorriso
E desperta. Um canto de boca, rápido
Tipo segredo que a fresta não segura
Aí a gente volta a fingir,
Enquanto o poema escreve a gente
Mesmo te espiando, finjo não te ver me espiando.
(Saul Beleza)
Não precisamos machucar a alma, não precisamos entender muita coisa. Mas seria bom sentir um carinho, um abraço, ver um sorriso, sentir o acelerar do coração. Pensamentos vão além. Aí um amor começa, e por
um descuido nos apaixonamos.
(Saul Beleza)
*Corte seco*
Amor próprio é trincheira, não ponte
Se aproxima, mas não me toma a fonte
Dou pele, dou riso, dou noite e tormenta
Mas minha alma... essa ninguém assenta.
Me guardo inteira mesmo te querendo
Porque quem se perde amando, termina sofrendo.
(Saul Beleza)
*Grandes Anões*
A vida nos faz ser grandes anões
Cabeça cheia de planos, peito cheio de sermões
Sonhamos castelos, acordamos em vão
E o futuro nos cobra em forma de chão
Choramos o tamanho que não alcançamos
As lágrimas medem o que imaginamos
Mas mesmo pequeno, mesmo em ruína
O sonho insiste, teima, ilumina
Porque anão que sonha ainda é gigante
Num mundo que esquece quem vai adiante.
(Saul Beleza)
*Atraso Bendito*
Sempre nos atrasamos por alguma razão ou por alguém,
O ônibus que não veio, a chuva na janela,
O copo de café que caiu sem querer.
Eu reclamava do tempo perdido,
Das horas que escorriam entre os dedos,
Sem saber que o relógio conspirava a meu favor.
Foi num atraso desses, sem pressa e sem mapa,
Que meu caminho tropeçou no teu.
E no meio da correria que eu não tive,
Encontrei o que a vida inteira almejei:
(Saul Beleza)
*Teu sorriso.*
Aquele que desmonta a pressa,
Que explica todos os semáforos fechados,
Que justifica cada porta que não abriu antes.
Porque se eu tivesse chegado cedo,
Talvez não te visse.
Se eu não tivesse me perdido,
Talvez não te achasse.
Então que venham os atrasos,
Se no fim deles me espera o teu riso.
Porque nenhum relógio pesa mais
Do que o tempo que ganhei em você.
(Saul Beleza)
*Quando a Noite Dura Demais*
Não tenho mais sonhos e nem planos,
Disse o peito cansado.
Tenho só a triste realidade
Que me consome dia a dia.
Mas a terra também parece morta no inverno,
E ainda assim guarda semente.
E o poeta, mesmo sem verso,
Ainda guarda gente.
Porque esperança não grita.
Ela insiste.
É o fio que sobra quando tudo arrebenta,
É o “ainda” depois do “nunca mais”.
Um dia, sem aviso,
A realidade cansa de consumir.
E quem foi consumido,
Aprende a florescer no escombro.
Então guarda isso aqui:
Sem sonhos hoje, tudo bem.
Sem planos hoje, tudo bem.
Mas sem você, o poema acaba.
E o mundo ainda precisa do teu próximo verso.
Você ainda está aqui. Isso já é esperança começando
(Saul Beleza)
O abandono também faz florescer.
Assim é a natureza.
Tira a água, tira o sol,
e mesmo assim a raiz insiste.
A dor vira caule.
A saudade vira pétala.
E de repente você entende:
não era fim. Era primavera.
(Saul Beleza)
Minha saudade calada me faz gritar.
A companhia da solidão fere minha alma.
E o meu silêncio...
o meu silêncio grita
bem alto dentro dos meus pensamentos.
Onde ninguém escuta. Somente eu.
(Saul Beleza)
*Cavalo de Aço*
Eu sou um cavalo de aço
chamado liberdade.
Relincho contra o vento
e galopo na imensidade.
Minhas crinas são fumaça,
meus cascos batem no céu.
Voou acima das ondas
sem medo de cair no véu.
Lá de cima eu vejo o mar
morrer mansinho na areia,
deixar espuma na praia
como quem despede a cheia.
E eu sigo, livre e selvagem,
sem rédea, sem arreio, sem jaula...
Porque ser livre é isso:
ser aço que não se amarra.
(Saul Beleza)
