Ja Chorei de tanto Rir
NO INTERIOR DA FERIDA.
Escritor: Marcelo Caetano Monteiro.
Não peço que a dor se retire. Ela já não é estrangeira. Habita-me como uma presença inevitável, tão íntima que sua ausência seria mutilação. Acostumamo-nos um ao outro nesta estrada do mundo, onde o amor é escasso não por impossibilidade, mas por temor. Poucos ousam sustentar o peso da liberdade que amar exige.
Estou ajoelhado nela, e ela ajoelha-se em mim. Não há hierarquia nesse pacto. Há cumplicidade. A dor não me domina, tampouco eu a domino. Existimos no mesmo espaço, como duas consciências que se reconhecem no silêncio. Dói, mas é minha. E justamente por ser minha, não a repudio. Seria negar a própria textura do que sou.
O horizonte tornou-se cinza. Não o cinza da neutralidade, mas o da revelação. A alegria que ainda subsiste vem úmida, dissolvida nas lágrimas que não pedem testemunhas. Há uma lucidez amarga na compreensão de que a felicidade fácil é distração. O que permanece é a densidade da experiência.
Deixa tudo como está. Não por resignação, mas por fidelidade à busca. Ainda procuro a verdade, e essa procura não admite adornos. A diferença, que antes feria como julgamento, perdeu importância. Diante do absoluto, as comparações são ruído. Cada ser está ligado à própria travessia.
Se poucos amam, é porque amar implica assumir o risco da própria exposição. Amar assim é aceitar que não há garantias. É lançar-se ao outro sem a promessa de retorno. E, ainda assim, continuar.
Permaneço na linha fina do meu horizonte. Não por esperança ingênua, mas por decisão consciente. A dor não me define, mas me revela aos poucos a mim mesmo. E enquanto a verdade não se deixa capturar, sigo caminhando, mesmo que o caminho seja feito de sombra e silêncio. É pura lição e essência absoluta do absoluto. Gratidão.
POEMA PARA O AMOR NA DOR.
Eu já viajei por estradas de vento e saudade como se cada curva fosse um corte na carne do tempo até descobrir que o amor espera à margem da estrada exangue e solitário.
Eu vi teus olhos como duas chamas bruxuleantes no crepúsculo do mundo e ouvi no silêncio teu nome mais profundo do que todas as vozes que se perderam na noite.
Cantaste a canção que não termina e a dor tornou-se verbo que pulsa como coração ferido de tanto amar a quem não volta.
O amor é esta estrada interminável onde cada batida de peito é um grito e cada lembrança é um corte que sangra luz e sombra.
Eu te amo como quem espera junto à beira do caminho sabendo que a alegria só existe porque a dor ensinou-me a reconhecer o valor de cada gota de vida.
Ainda que o mundo se acabe entre nós eu guardo teu nome no centro mais ardente do peito onde a dor é chama e o amor é chama mais forte ainda.
E assim eu canto até que o tempo se renda ao meu amor feito dor e a dor se renda ao meu canto feito amor.
Autor:Marcelo Caetano Monteiro .
DA GÊNESE INVISÍVEL DO VERSO.
Antes do primeiro poeta, já havia silêncio.
E o silêncio não era vazio. Era potência.
A palavra não começou na boca humana. Ela começou na necessidade metafísica de significar o mundo. Quando o primeiro ser consciente contemplou o céu e sentiu a vertigem do infinito, ali germinou o germe do poema. O verso nasce no assombro. Nasce da insuficiência da prosa diante do mistério.
A linguagem ordinária organiza. A linguagem poética revela. Por isso o poema não é invenção arbitrária, mas emergência. Ele irrompe quando a realidade excede os limites do discurso comum. Surge quando o espírito percebe que há algo que não pode ser dito diretamente, mas apenas insinuado.
A tradição sempre intuiu que o poeta não cria do nada. Ele participa de uma corrente anterior. Na Antiguidade, falava-se em inspiração. Não como superstição, mas como reconhecimento de que a consciência individual é atravessada por conteúdos que a ultrapassam. O poeta é médium da memória cultural. É intérprete de uma herança invisível.
O útero simbólico de onde procedem os poemas é a própria história do espírito humano. Cada geração deposita ali seus temores, seus êxtases, suas quedas e suas redenções. O escritor que nasce em determinado século não começa em branco. Ele herda mitos, ritmos, arquétipos, formas. Ao escrever, ele reorganiza esse patrimônio.
Sob a perspectiva psicológica, o verso é condensação de experiências arcaicas. Sob a perspectiva metafísica, é atualização de princípios permanentes. A imagem do útero mantém-se rigorosa. Há concepção, há gestação, há parto. O poema exige maturação interior. O precipitado é apenas discurso ornamentado. O verdadeiro verso é aquele que atravessou a noite da consciência.
A continuidade entre escritores não é mera influência externa. É consonância estrutural. Quando dois poetas separados por séculos expressam angústias semelhantes, não é coincidência. É a condição humana reiterando-se sob novas circunstâncias históricas. O estro é continuidade do humano diante do enigma.
Não há criação autêntica sem humildade diante da tradição. A ruptura que ignora o passado empobrece-se. A inovação legítima é transformação, não negação. O novo que possui densidade é aquele que conhece suas raízes. A árvore que despreza o solo seca-se.
Assim, o metapoema reconhece sua própria origem e ultrapassa-se pelas entranhas permissivas de quem é leitor e criador . Ele sabe que fala de si mesmo enquanto se produz. Ele assume que sua voz carrega ecos. Não reivindica isolamento. Reconhece-se como elo de uma cadeia que começou antes e continuará depois.
O ponto final não encerra o processo. Ele apenas delimita uma forma provisória. O silêncio que o sucede já contém o germe do próximo verso.
E é nesse ciclo ininterrupto que a poesia se mantém como testemunho da grandeza e da fragilidade humanas, perpetuando-se como chama que não consome apenas papel, mas ilumina consciências através dos séculos.
O roteiro da minha caminhada já foi escrito, e vivo cada dia capítulos, mas espero que o término do meu roteiro tenha paz e muita harmonia.
( O Tempo e o Amor)
O verdadeiro amor começa;
Depois que você pensa
Que já aprendeu o que era o amor.
Depois que você aprende,
Que tudo o que sabia,
Era apenas um ensaio,
Para chegar ao amor
Depois que entende,
Que se calar é mais cômodo,
Porém, calar é o atalho
Que te leva ao desamor.
Após viver algumas décadas,
E compreender algumas ciências.
Aí sim;
Estará rumo à experimentar o amor.
Os antigos sábios já diziam que é necessário disciplina com a mente para se viver bem. Eles entendiam que existia uma relação entre a filosofia e a medicina. Se você almeja boa saúde; jogue fora todo o lixo que contamina o seu interior.
Pensar bem é um remédio capaz de curar qualquer doença da alma.
A verdadeira superação não é enterrar aquilo que te fere e fazer de conta que já não existe, mas viver ciente dessa existência sem permitir que isso te afete.
Todo homem pode ser manipulado ou autosabotado por mais inteligente que seja. Já um filósofo não.
Porque o filósofo avalia todas as circunstâncias do mundo de forma neutra, sem a influência sequer do seu próprio "eu".
Quem sabe ponderar entre a luz e a escuridão consegue discernir qualquer evento que aparecer no caminho e, portanto; fazer escolhas justas, por mais que para os outros quiça possa não parecer a melhor decisão.
Todo mundo tem na vida uma história de superação para contar.
Todo mundo já chorou, curou feridas e enfrentou dor.
Mas parece que às vezes esquecemos disso. E não damos o valor merecido, para cada ser humano que cruza em nosso caminho.
Não há porque ter medo da morte, ela já se faz presente em nossas vidas. Estamos constantemente morrendo e nascendo de novo numa mesma vida.
Basta olhar para trás e reconhecer que nunca mais seremos os mesmos.
Viver é seguir avante, desfrutando de cada momento presente, porque tudo isso que vemos, pensamos, sentimos e tocamos agora, o tempo também irá levar.
Morremos todos os dias um pouco e nascemos de novo com novas perspectivas a cada amanhecer.
sobre um visual incrível:
“Algumas belezas não precisam de palavras, pois já são poesia em si mesmas. Essa paisagem é um verso silencioso, onde o horizonte sussurra ao coração e a natureza declama sua perfeição.”
Céu Azul, seu nome já traduz
Tua grandeza e exuberância,
Tua mata verde, pura elegância,
Respira vida, pulsa luz.
Nos teus caminhos, calma e cor,
Teu ar é fresco, traz frescor.
Entre montanhas e o céu sem fim,
Céu Azul, és puro assim.
Céu Azul, já diz tudo,
Grandeza e beleza, sem lero-lero.
Mata verde, vibe de paz,
Ar fresco, céu que não te deixa pra trás.
Um poeminha que fiz para a cidade de Céu Azul-PR
O Silêncio dos excluídos,
Você já parou para ouvir o silêncio dos excluídos?
Já ouviu as suas histórias, angústias, medis e decepções?
O silêncio dos excluídos doe, fere, rasga e dilacera a alma findando a autoestima.
Silêncios e as vezes sussurros, com histórias que tem muitas vezes pontos de partidas em comum...
Se você nunca ouviu, então pare e dê o que é mais precioso ou seja uma parte do seu tempo, para ouvir o silêncio dos excluídos...
Já caminhei muito, como se alguém fosse me entender. Mas mesmo sabendo que não estão me entendendo, eu continuo a estrada solitária, na esperança, de um dia, me notarem ali, no meio da multidão.Alcançar conhecimento é ir além dos limites do que eu compreendo.
Amar e saber que já fui fiquei tantos anos longe e que eu posso ir e vir novamente e vc estará sempre me esperando.
