Ja Chorei de tanto Rir
Quando a gente era criança
E a vida era simplesmente
Um lance um tanto mágico
Praticamente um Circo
Semi-monossilábico
Um circo onde havia até dança
Aquela dança
Que a gente não se cansa
Nunca...jamais; de se recordar
A Pá já se levantava
Com aquele sorriso a mais
E quando ela vinha pra sala
Trazia as duas outras atrás
A Pá corria pra lá
A Sí sentava-se aqui
Eu dava um pãozinho pra cada
Mas a mais malandra
Sempre foi a Sandra
Acordava emburrada
Não falava nada
Tomava o seu café
e depois dava no pé
As outras duas
A Pá e a Sí
Ficavam brincando por ali
Achando que eram princesas
Uma olhava e a outra ria
Minha mãe chegava e mandava
A Sì limpar toda a mesa
Enquanto a Pá lavava
A louça que estava na pia
Lá da sala, a Sandra ria
E assim começava o dia
Num tempo
Hoje tão distante
Que causa saudade cortante
Nesse pobre coração
Daquele, outrora sempre presente
Irmão de sangue, de alma
e de saudade
Edson Ricardo Paiva
Nada na vida
muda tanto a gente
quanto as coisas
que a gente sente
Enquanto o tempo passa
Lenta e velozmente
A gente aprende
Com as mentiras
Que o tempo conta
E o tempo
Conta mentiras sem monta
Meu Deus, como o tempo mente
Sem se importar
Com a tristeza que a gente sente
Dizem
que não se pode aferir
Pois a emoção
é algo abstrato,
Coisa que não se mede
Porém, Também mente
e mente estratosfericamente
Quem diz que os sentimentos
são inatingíveis quantitativamente
Nunca mais eu pude
me expressar tão bem
como no tempo de criança
Quando eu podia
ignorar as regras
"Mãe, eu gosto de você até no céu
e meu é maior que o mundo"
Todo mundo morria de rir
enquanto eu vivia chorando
mas me vinha
aquela ideia
de vez em quando:
Quando crescer, serei poeta
e quanto melhor
eu souber escrever
menos eu vou usar
a forma correta
criaram tanta regra pra gente
me impedindo de ser feliz, realmente
Três toneladas de felicidade
dez quilômetros de alegria
quinhentos graus de entusiasmo
Setenta libras de amizade
porém, veio a justa forma
E transformou
tudo em marasmo
desisti de ser poeta
Tentando usar a forma correta
Pra falar sobre o que sentia
E enquanto tempo
Eu perdia e perdia
os anos me consumiam
enquanto os dias eu contava
os sentimentos me transformavam
nada muda tanto a gente
Quanto aquilo
Que a gente
Não sente.
Edson Ricardo Paiva
Bastava-me bem pouco
Estava eu pensando
Que tanto sonhei
E tanto fiz pra conseguir
Agora eu compreendo
Que com muito pouco se vive
E com bem menos ainda
Era provável ser feliz
Hoje fez uma tarde tão linda
Mas a vida já passou
Vai longe
Bastava-me bem pouco
A loucura do mundo negou
Por medo, vaidade
Por amor às próprias verdades
À guisa de insanidade
À cata do que não precisa
Creio que nunca saberemos
Viveremos sempre sós e todos juntos
Morreremos, pois a vida mata
Pra num último momento perceber
Que fomos todos loucos
Pois só possuíamos
O tempo que passou
Dizem que somente nessa hora
Percebemos
Que bastava-nos bem pouco
Do pouco que nós quisemos
Nunca tivemos
E jamais teremos.
Edson Ricardo Paiva
De tanto querer
Que o tempo não passasse
Sem querer o vi passar
E tem horas que parece
Que só vi
Porém, sem vê-lo
Penso uma imensa lista
De coisas que queria ter feito
E que fiz
Mas vejo que fiz de outro jeito
Senão não cabia a mim
Esse vasto cabedal de desamor
Eu acho que só se desama
Porque na vida que se vive de verdade
Quando alguém encontra o amor
Pensa, infeliz, que só amor não basta
Difícil dizer
Os nomes dessas coisas tristes
Cidade onde nunca fui
Lugar que só existe em mim
Que no fim compõem as horas
Conjunto de longas horas
Que na falta de quaisquer outras
Insisto em chamar de vida.
Edson Ricardo Paiva.
Aquilo que tanto se procura
Tudo quanto nos tortura
Simples atalhos
Te carregam pra lugar distante
Que fica em frente
à altura dos olhos fechados
Na palma da alma
O Pacto de amor
Um traço de vida
Esboço de paz
Que jaz, por sobre pedra fria
E ainda assim
Te espera em algum canto de mundo
Num pranto sentido
Que não faz nenhum sentido
Apesar de aparentar
Algo um tanto mais profundo
Um desenho apagado de alma
Na parede desbotada
Que alguém pintou
Na semana passada
Normas que escreveu
E ninguém leu e nem cumpriu
Dias de noite clara
Raras noites
Cujas manhãs, um tanto mais escuras
Faz a gente olhar e não ver nada
Chuva que cai, se vai...ninguém se molha
Vida que se passa
Sem graça, sem sentido
Perde-se a vez
e outra vez é mês de abril
Olhos fechados
Ninguém viu
Edson Ricardo Paiva
De tanto querer
possuir brilho de estrela
Em vez de ser
Apenas gente
Fez brilhar
Seu brilhar mais ruim
E de tanto querer
Navegar ou voar
Afogou-se
No ar que respirou
Em vez de viver
A vida que trouxe
Na própria bagagem
Assim que desceu do Céu
Foi querer navegar
E voar para Céu
Pra ser mais uma estrela
E depois olhar de lá
descobrir
Que tão bela era a vida
da qual declinou
E tão boa era a pessoa
Que podia ter sido
e não quis.
Edson Ricardo Paiva.
Fim
Mais um fim
Que apesar de o chamarmos assim
Diferente das ilusões
Às quais nós tanto nos acostumamos
Ainda não acabou pra gente
Pois a vida ainda segue em frente
Nem muito linda
Tampouco eternamente triste
É só a vida que a gente tem
Indiferente à nossa vontade, ela existe
Enfim
Mesmo se a gente não sorrir do jeito que queria
Que jamais percamos a alegria de seguir tentando
Viver é preciso
E um sorriso verdadeiro
Vai surgir de vez em quando
Pois que a gente tenha a força de viver
Esse nosso querer diário
De constantes quereres, se assim quiseres
Eles, o Universo sempre os enviou, diariamente
Indiferente ao calendário
A vida permanece
Não que a vida seja feita de vontades
Mas são elas que nos fazem levantar da cama, todo dia
Não em busca de alegria
Nem jamais em busca do querer
Porém, buscando serenidade em reconhecer
Lá no fundo do coração
A alegria de só saber
O que realmente quer, enfim
Com a mais linda e sincera vontade
O raro que se busca, não é forjado em ouro
Mas na simplicidade relegada, deixada de lado
Esquecida
E o brilho do ouro a ofusca
Pois que o mundo aprenda
A desvendar a essa busca, tão prosaica
Resumida em não e sim
Antes do fim.
Edson Ricardo Paiva.
Vou devorando a minha vida
É tarde de outono e eu queria tanto andar na chuva
Quando eu vejo, o sol tá no horizonte
O dia tá desfeito em mar de fantasia
Às vezes quase eu durmo
De tanto querer que o sono venha
Há tantas vidas, difícil é ter outra a ter tantos quereres
No início é ter que costumar as vistas
É como estar em um pomar
E ver que o fruto e as folhas são da mesma cor
Vou fazendo de conta que conto pitangas no ar
Outono é tarde, estou noutra estação
Outro trem vai vir, há de passar
A noite chega em mim
A noite chega e se lastima assim
A dizer que o trem que vai passar não leva ao fim da linha
Eu digo à noite que a vida é uma lista
Eu peço à vida que seja da noite esse olhar pessimista
Apago da lista esse triste desejo
De chegar nessa manhã que tem jeito de tarde
Eu só escolho querer, numa vontade que não é minha
Tarde que andava na linha, rumo à próxima estação
Eu queria era andar, andar sem rumo e nem direção
Andar na chuva
Colhendo as pitangas que flutuavam
Pitangas amarelas, iguais àquelas
Que existiram nos fundos de algum quintal da minha infância
Onde eu ia devorando a vida
Um lugar, uma estação
Um trem que passava e tinha a companhia sempre lá
De alguém que te acompanha e leva pro infinito
E apanha frutos no ar, igual ao que a gente fazia
Quando o dia era desfeito em mar de fantasia
A gente sabe e cansa de saber que esse infinito acaba
E mesmo assim desata a rir
Num riso que não tem fim.
Nem precisa acabar.
Edson Ricardo Paiva.
Eu tanto pensava em colher em vida
Um espaço entre quatro linhas
Linhas tortas, quiça tivesse
Uma horta de flores que Deus me desse
Regadas da dor doída, ao longo de uma jornada
Eu tanto quis, de querer
Um querer que me foi verdadeiro e existe ainda
Um simples canteiro de céu
Daqueles que nos ensinaram que existia
Desses, que eu tanto ensino a quem puder
Que eles existem
Um pedaço qualquer entre algumas linhas
Daqueles, com nome da gente escrito
Que ao longo do tempo é que se descobre
O quanto era pobre esse nosso pensar
Sobre dor doída ou de sofrimento
Não era, essas coisas não eram minhas
Era apenas sobre toda raiva
Que não fosse devolvida
Era sobre deixar aqui, quando voltar
A todo pedido de desculpas
Que devia ter pedido e que não foi pedida
Era sobre aprender a enxergar
Uma grande conquista
Um tanto assim de céu que já temos
Todo dia sobre as nossas cabeças vazias
Repletas de atmosferas
Era sobre saber ver apenas
Pequenas coisas que estão bem diante das nossas vistas
Pouco importa as flores que cresçam lá
Que nem cresçam, que nasçam mortas
Gira sobre a complexidade das coisas simples
Que tanto nos esforçamos em torná-las complicadas
E, no final, o mais nos interessa
Não passa de um monte de nada, de todo sinceras
É a surpresa de perceber
Que agora, quase nada mais nos surpreende
São as dores que não mais queremos
É o amor que nos ensina a não querer deixar elas aqui
Pra que outros também as sintam
E essa forma sucinta e profunda de viver a vida
É que haverá de regar ou não
Os jardins da outra vida
Porque tudo sempre recomeça
No lugar exato onde termina
Esquecer a pressa de sentir-se
Triste ou feliz
Essas coisas vem
E são sempre mais pesadas para quem não quis
Quando tudo volta e se mistura
E nada mais se encontra
É ali que se acha o segredo
As flores, canteiros, os medos da vida
Uma orquestra de letras e notas misturadas
Volta tudo pro universo enorme
Com o nome da gente escrito
Onde tudo é mais pleno e bonito
Quanto mais pequeno
E sereno é o pranto
Se eu pensar menos em mim
A vida é mais simples assim.
Edson Ricardo Paiva.
Os passos que se ouvia
Eram tanto, eram muitos
Porém, jamais suficientes
É preciso um pouco mais que isso
Não bastasse Deus aparecer num sonho
A face oculta da noite nada apagou
O compromisso ali firmado não valeu
Eram tanto, eram muitos
Eram todos do outro lado
E, se houve porventura, algum laço
Esse, há muito foi rompido
Sigo só no meu caminho
Na graça de Deus, esquecido
Foi preciso um pouco mais que eu
E muito menos de mundo
Face oculta e breu
Passos na calçada
Vozes que não mais se escuta
Uma espécie de conhecimentos
Cujos quais...careces
Casas, cujos nem telhados
De longe de vê
Lugares onde nunca estive
E nem nunca irei
Esqueça a vida e cresça
Há muito a vida esqueceu você.
Edson Ricardo Paiva.
Feridas.
De tanto viver em descompasso
O dia é sempre um dia e nada mais
Pensar no amanhã, jamais
Sem lugar pra voltar, sem abraço
De viver eternamente
O mesmo passo a passo
Era somente a vida e o estar vivo
Era ser pra sempre
A própria ferida
Todo dia o mesmo curativo
Transpondo as pedras que surgissem
Uma a uma, passo a passo
Uma hora, nem percebe, se acostuma
As gotas de chuva na cara
A vida segue...o coração não para
Se é que a gente de vez em quando
Para e olha
As gotas de chuva na cara
Tanto faz se molha
A paz se instala
Os olhos veem, o ouvido escuta
O coração fala menos comigo a cada dia
Sem lugar pra voltar, sem abrigo ou abraço
...e sem palavra arguta
Vou pra onde o vento me levar, não ligo
Não levo um sorriso e nem lágrimas
Nem meu coração não fala mais comigo
Tanto faz, nada faço
Cada dia é sempre o dia e nada mais
Um dia a paz, ela vem e se instala
Nesse descompasso
Minh'alma se cala também
Tem um Deus, também calado
Passo a passo desse dia a dia
Pensar no amanhã, jamais
Trago meu coração em silêncio
Na ferida da vida que eu vivo
Todo dia o mesmo curativo.
Edson Ricardo Paiva.
Nada na vida muda tanto a gente
quanto este tal de tempo
Algo abstrato, algo que não se mede
Porém, mente estratosfericamente
Quem diz que os sentimentos
são inatingíveis quantitativamente
Nunca mais pude me expressar tão bem
como quando era criança
e podia ignorar as regras
"Mãe, eu gosto de você até no céu"
"Minha amizade por você é maior que o mundo"
Todo mundo morria de rir
enquanto eu vivia chorando
mas me vinha aquela ideia de vez em quando:
Quando crescer, serei poeta
e quanto mais souber escrever
menos usarei a forma correta
criaram tanta regra pra gente
me impedindo de ser feliz,realmente
Três toneladas de felicidade
dez quilômetros de alegria
quinhentos graus de entusiasmo
porém a justa forma
transforma tudo em marasmo
desisti de ser poeta
usando as unidades de medida
de forma correta
E enquanto o tempo eu media
os anos me consumiam
enquanto os dias contava
o tempo me transformava
nada muda tanto a gente quanto ele.
Tanto amor que existe
Não caberia em um poema
Talvez seja por isso
Que o poeta tema
Escrever aquilo que não diria
O que faria
E quantas vidas daria
Por aquela menina
Que o poeta trouxe ao Mundo
E amparou desde o primeiro dia
Não há poema que diga
Da saudade e da alegria
De brincar de formiguinha
na barriga
Fazer dormir
E olhar enquanto dormia
Sentindo desespero
Por não poder espantar
O pesadelo
Ensinar as primeiras letrinhas
E ver desabrochando
aquela flor
Aquela doce mulherzinha
Desespero e pesadelo
Em saber
Que um dia há de partir
Carregando a bagagem
Que eu próprio lhe dei
E levando
As lições que eu ensinei
Meu amor
Por que cresceste tão depressa?
E hoje já que quase
Nem mais precisa de mim
Mas vou te amar pra sempre
Mesmo assim
Pois aqui no coração
Ainda és todo dia
Aquela pequena menina
A minha doce Marina.
Por ouvir tanto absurdo
Acho melhor me manter mudo
Por haver tanta tristeza
Concluo que é prudente não sorrir
Por sentir tanta saudade
Procuro não lembrar
Que dia é hoje
Por ver tanta injustiça
E tanto injusto no Comando
Eu faço de conta
Que desconheço a verdade
De vez em quando é impossível
Não fingir que estou dormindo
Por deparar pelo caminho
Quando eu ando pelo Mundo
Com tanta inveja
Tanta cobiça, tanta mentira
e tanta falsidade
Eu finjo também ser um deles
Juro que finjo, de verdade
E em meu caminho de volta
Vou pisando em brasas
Entro em casa
Tranco a porta
e me faço de morto
Enquanto a morte
Não me for realidade
Ao longo da minha vida o fato de ver certas pessoas se apegando tanto ao nome de Deus abalava a minha Fé. Com o tempo eu aprendi a não ter fé nessas pessoas. Deus é Bom, Eterno e Imutável.
Quatro almas de repente
Mudam um Mundo inteiro
Mudaram-no tão profundamente
E tanto para melhor
Que chego a pensar
Que a História poderia
Ter parado alí
Não conheci nada e nem ninguém
Que resumisse tão bem
Aquilo que minh'alma desejava ouvir
Mas o tempo não parou
Assim como não morreu
e jamais haverá de morrer
O meu querido e amado
Bom e velho Rock'n Roll
Duas dessas almas
Hojem transformam em festa
As calmas tardes celestes
E cá neste mundo é tarde
Pra quem não viveu pra vê-los
As duas almas restantes
Dividem-se em quatro
Pelas quartas partes do Mundo
Nunca mais, em momento algum
Houve melodias
Que me tocassem tão fundo a alma
Se eu pudesse escolher um presente
Pediria a Deus somente
Em algum dia de algum domingo
Poder me sentar e passar algum tempo
Cantando junto com Paul e Ringo.
Há momentos em que tudo que penso
é somente sumir, partir, ir embora
Estou por aqui há tanto tempo
Que nem ao menos me lembro
Qual das pernas eu uso
Pra dar o primeiro passo
Sinto saudades de um dia
Que nem ao menos sei dizer
Se realmente existiu
Ou se meu coração o criou
Pra espantar a tristeza
Num momento de rara beleza
Eu voava por sobre pântanos e montanhas
E me sentei, cansado
Embaixo de uma árvore
Arreada de lindos e estranhos frutos
Ao meu lado uma voz me dizia
Que aquele havia sido
O dia mais divertido de nossas vidas
Hoje, tudo que me resta
Além de dias diminutos
É a vontade de reencontrar
Os pássaros que voaram comigo
Numa antiga lembrança
de uma hora amiga
Que eu não sei dizer
Se realmente existiu.
Toda essa distância
Que um dia doeu tanto
No meu coração
Hoje, não dói mais, não
O tempo fê-la tão mansa
Hora após hora
ano após ano
Vivendo sem fazer parte
dos planos de ninguém
Qualquer coração se cansa
Outro dia eu plantei uma ameixeira
Que morreu, secou por inteira
Foi culpa minha
Pois eu não cuidei
Descobri naquele dia
Que minha saudade
era mais forte
Que a árvore de maior porte
Cravado a vida inteira
No solo infértil do meu peito
Vergava mais que a laranjeira
Escaldado pela frieza
Que emana de qualquer desprezo
Crescia e ganhava peso
Mas um dia se esqueceu
Por quê vivia
E acalmou-se
O tempo lhe trouxe a fleuma,
A mansidão
e a compreensão
Agora ela ainda vive
Porém
Não se lembra de ninguém
Portanto
Não dói mais, não.
Nada
Por haver tanto a dizer
eu me embaraço
por haver tanto a fazer
eu nada faço
por haver tanto a jogar
apenas passo
espero pelo dia
em que eu possa te dizer
tudo que eu via
apesar de tudo
apesar de tardia
apesar de surdo
ainda te ouvia
por haver tanto a viver
eu não vivia
por haver tanto a mostrar
eu me escondia
por haver tanto a chorar
apenas ria
por haver tanto
apesar de tudo
nada.
Sem saber o porquê
de tanto silêncio,
Sem saber ao certo
na vida quem é você
tem me colocado
prisioneira sem fim,
e temo perder
o melhor de mim,
Falando com as paredes
invisíveis e com
o meu tumulto interior,
Apenas concluo
que falo e só eu escuto
sangrando neste jogo
possível de sedução
e estranho oculto.
