Ja Chorei de tanto Rir

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O remorso é no moral o que a dor é no físico da nossa individualidade: advertência de desordens que se devem reparar.

A Máquina do Mundo

E como eu palmilhasse vagamente
uma estrada de Minas, pedregosa,
e no fecho da tarde um sino rouco

se misturasse ao som de meus sapatos
que era pausado e seco; e aves pairassem
no céu de chumbo, e suas formas pretas

lentamente se fossem diluindo
na escuridão maior, vinda dos montes
e de meu próprio ser desenganado,

a máquina do mundo se entreabriu
para quem de a romper já se esquivava
e só de o ter pensado se carpia.

Abriu-se majestosa e circunspecta,
sem emitir um som que fosse impuro
nem um clarão maior que o tolerável

pelas pupilas gastas na inspeção
contínua e dolorosa do deserto,
e pela mente exausta de mentar

toda uma realidade que transcende
a própria imagem sua debuxada
no rosto do mistério, nos abismos.

Abriu-se em calma pura, e convidando
quantos sentidos e intuições restavam
a quem de os ter usado os já perdera

e nem desejaria recobrá-los,
se em vão e para sempre repetimos
os mesmos sem roteiro tristes périplos,

convidando-os a todos, em coorte,
a se aplicarem sobre o pasto inédito
da natureza mítica das coisas.

(Trecho de A Máquina do Mundo).

Deixamos de subir alto quando queremos subir de um salto.

É judiciosa a economia de palavras, tempo e dinheiro.

A vida reluz nos olhos, a razão nas palavras e ações dos homens.

O sábio que não fala nem escreve é pior que o avarento que não despende.

Ambos se enganam, o velho quando louva somente o passado, o moço quando só admira o presente.

Os bens que a ambição promete são como os do amor, melhores imaginados que conseguidos.

Querendo parecer originais, tornamo-nos ridículos ou extravagantes.

Para mandar muito tempo e absolutamente sem alguém é indispensável ter a mão leve e, nunca lhe fazer sentir, por pouco que seja, a sua dependência.

Há homens que parecem grandes no horizonte da vida privada e pequenos no meridiano da vida pública.

Não desenganemos os tolos se não queremos ter inumeráveis inimigos.

É fácil avaliar o juízo ou a capacidade de qualquer homem quando se sabe o que ele mais ambiciona.

Somos enganados mais vezes pelo nosso amor-próprio do que pelos homens.

As virtudes se harmonizam, os vícios discordam sempre entre si.

Os livros têm-me servido menos de instrução que de exercício.

A obstinação nas disputas é quase sempre efeito do nosso amor-próprio: julgamo-nos humilhados se nos confessamos convencidos.

Os maldizentes, como os mentirosos, acabam por não merecer crédito ainda que digam verdades.

Folgamos com os erros alheios como se eles justificassem os nossos.

Quem não espera na vida futura, desespera na presente.