Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

Foste tu sim

Foste tu! Frescor.
Aclarastes as folhas secas de outros amores
amontoados na vastidĂŁo de um corpo exausto.
Varreram-se os dias negros,
degraus de tantas incertezas,
deserto paupérrimo de cactos espinhentos
guardando a mĂ­nima ĂĄgua para sobreviver.
Mudaste tudo, até a cor do meu céu.
A alma descalça caminha aberta de coração
e desågua no meu mar a poesia que és tu.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Cristalino

Olhe nos meus olhos e escute todo esse silĂȘncio que ecoa em minha retina; imagens de palavras nĂŁo ditas que me lĂȘs.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Eclipse

A alma grita aos ventos, o que o tempo rasurou num lamento; para ti sou lua vazia em obscura melancolia.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Gota

Ao ver-te
converto
em arte
a lĂĄgrima
que verte.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

NĂŁo sou

Escrevo meu coração e arquivo em linhas minha alma.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

MetafĂ­sico

Voarei com os paraquedas da minha ilusão até te encontrar.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Sobejo

Ausente, toca-me a distĂąncia com suaves palavras que guardarei no silenciar do meu grito teus sons como se tua mĂŁo me acariciasse.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

CĂĄlice

SilĂȘncios sĂŁo palavras aprisionadas; de tanto ouvi-las aquietamo-nos para poder depurĂĄ-las.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Doce ilusĂŁo

Arranquei folhas do meu coração para enxugar teu pranto. Adormeceste pĂĄginas. Ao amanhecer marca d’água escrita na pele de um romance e tu foste Ă  capa e o conteĂșdo do livro que nĂŁo li.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Bela lua

A lua surgiu de manso e em soluço entrou pela janela;
abriu a fechadura da alma. Ao relento adormeceu.
Soterrou a desesperança quando o meu sol pousou em ti.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Achar-se

Quando me fujo busco refĂșgio no silĂȘncio e me resgato.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Calar-se

Ausentei-me por estar em lua de mel com o silĂȘncio.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

FrĂĄgil momento

Em momentos meus tĂŁo imprecisos; ame-me mais, pois Ă© quando de ti eu mais preciso.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Quando

Quando eu me desfizer
nestas letras virtuais
encoberta de névoa e pó
nada restarĂĄ!

Faça-me um favor...

Diga ao mundo
que cada silaba escrita,
emana grito moribundo,
traz consigo sentença expressa
(absolvição e condenação).

Cada palavra descrita...
É proscrita.
É maldita.
Se nĂŁo versa
fica aflita.
 

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Eclipse

Abriram-se as portas da noite;
alisei teus segredos aos ventos.
No varal pendurei as horas,
o amor se fez ao relento.

Num fio do cabelo
a lua pousou
debruçando-se na janela.

Eu te pertenci
em meus sonhos
a luz da vela.

Ventos adversos
sopram agora acordados;
redemoinhos de um sentir
sem saber para onde ir.

A lua deita-se...
num corpo acuado.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Meia-luz

Quando me deito em ti.
Olho-me nas letras,
atiço as palavras,
leio-a pĂĄgina a pĂĄgina
esculpida com as ferramentas
que traduzem o que Ă© o amor.
A saudade que existe
escuta o bater do coração,
esfoliando em sons,
fazendo voar
até aos mais altos
dos meus sentires.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Plena

Sinto tuas mĂŁos.
Teu aroma. Teu beijo.
Teu corpo todo. Cada detalhe.

Entalhe de uma obra esculpida.
Vem minha querida!
Reviva, acrescenta. HĂĄ vida.
Beba doses havidas
misturada com paixĂŁo...

Bem sabes que passa.
A paixĂŁo passa.
O fogo consome.
Consome-me. Consumo.
Com sumo farto de suor.
Ame-me. Inunde-me. Afunde-me.

Precioso presente.
DĂȘ de presente, presente,
semente do amor.
Em ti presente. Em mim ausente.
Sabes agora quando sorrir
e quando ficar caliente.

Sabes a importĂąncia de segurar as mĂŁos.
Sabes o que e quando falar.
Sabes o que eu sinto.

Quando olho nos olhos,
nos teus, me molho.
O lĂĄbio sorvido umedece.
O amor em momento algum se ilude.
Preenche-me. Enobrece. Fiz tudo que pude.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Beija-flor

SĂł queria de ti um beijo,
para saciar um desejo.
Aquecer minha alma
e te fazer sorrir.

Alma que nĂŁo beija
nĂŁo senti cheiro.
É vida que não flameja,
sem luz no candeeiro.

Beija-flor beija essa flor,
em troca dĂȘ-lhe calor.

Flor que beija
a alma graceja.

Reproduz vida no canteiro.
Polemiza e voa faceira
levando no bico doce sabor.
Beijo a flor onde ela for!

Inserida por AntonioRamosdaSilva

OLHOS DOS MEUS OLHOS

Meu cĂĄrcere?
Eu faço!
Em momentos fortuitos.
Mais uma vez me desgraço
olhar aqueles olhos tĂŁo bonitos.

Olhos esmeralda, nos olhos dela.
Luz que jamais tinha visto tanta,
nos olhos dela, dos olhos dela,
o Infinito estrelar se agiganta.

Sei que nĂŁo posso tĂȘ-la muito.
O universo que pertenço
nĂŁo Ă© o mais puro e nobre.
Reflete no espelho opaco
retrato farrapo,
um ser tĂŁo pobre.

Diante de seu mundo tĂŁo denso.
aninhar-se no mesmo buraco
nĂŁo Ă© isso que estou propenso.

Ela Ă© bela em tudo!
Reluzentes olhos, estes provocantes;
que de outros, os seus me deixou mudo,
daquele instante em diante.

Inserida por AntonioRamosdaSilva

Dois coraçÔes

A cada passo que ela dĂĄ
transbordam versos.
Por onde ela passa,
poesia a lhe seguir.
Tudo silencia e escurece,
deixando-nos a sĂłs...
diante de nĂłs adormece.

Mulher de beleza completa,
na certa se acha em defeito.
SĂł desfruto-a sob efeito;
sempre em sinal de alerta.

Tropeço nas letras
inspirando-me tanto,
ao ponto do punho a disparar,
brancas folhas dançar
desenhando todo encanto.

O que a ela tem de sobra,
que me encantou de começo...
a luz, isso nela transborda,
a luz dela é tanta, não meço.
Que se for de seu desejo,
planto dois coraçÔes no peito.

Inserida por AntonioRamosdaSilva