Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Foste tu sim
Foste tu! Frescor.
Aclarastes as folhas secas de outros amores
amontoados na vastidĂŁo de um corpo exausto.
Varreram-se os dias negros,
degraus de tantas incertezas,
deserto paupérrimo de cactos espinhentos
guardando a mĂnima ĂĄgua para sobreviver.
Mudaste tudo, até a cor do meu céu.
A alma descalça caminha aberta de coração
e desågua no meu mar a poesia que és tu.
Cristalino
Olhe nos meus olhos e escute todo esse silĂȘncio que ecoa em minha retina; imagens de palavras nĂŁo ditas que me lĂȘs.
Eclipse
A alma grita aos ventos, o que o tempo rasurou num lamento; para ti sou lua vazia em obscura melancolia.
Sobejo
Ausente, toca-me a distĂąncia com suaves palavras que guardarei no silenciar do meu grito teus sons como se tua mĂŁo me acariciasse.
CĂĄlice
SilĂȘncios sĂŁo palavras aprisionadas; de tanto ouvi-las aquietamo-nos para poder depurĂĄ-las.
Doce ilusĂŁo
Arranquei folhas do meu coração para enxugar teu pranto. Adormeceste pĂĄginas. Ao amanhecer marca dâĂĄgua escrita na pele de um romance e tu foste Ă capa e o conteĂșdo do livro que nĂŁo li.
Bela lua
A lua surgiu de manso e em soluço entrou pela janela;
abriu a fechadura da alma. Ao relento adormeceu.
Soterrou a desesperança quando o meu sol pousou em ti.
FrĂĄgil momento
Em momentos meus tĂŁo imprecisos; ame-me mais, pois Ă© quando de ti eu mais preciso.
Quando
Quando eu me desfizer
nestas letras virtuais
encoberta de névoa e pó
nada restarĂĄ!
Faça-me um favor...
Diga ao mundo
que cada silaba escrita,
emana grito moribundo,
traz consigo sentença expressa
(absolvição e condenação).
Cada palavra descrita...
Ă proscrita.
Ă maldita.
Se nĂŁo versa
fica aflita.
â
Eclipse
Abriram-se as portas da noite;
alisei teus segredos aos ventos.
No varal pendurei as horas,
o amor se fez ao relento.
Num fio do cabelo
a lua pousou
debruçando-se na janela.
Eu te pertenci
em meus sonhos
a luz da vela.
Ventos adversos
sopram agora acordados;
redemoinhos de um sentir
sem saber para onde ir.
A lua deita-se...
num corpo acuado.
Meia-luz
Quando me deito em ti.
Olho-me nas letras,
atiço as palavras,
leio-a pĂĄgina a pĂĄgina
esculpida com as ferramentas
que traduzem o que Ă© o amor.
A saudade que existe
escuta o bater do coração,
esfoliando em sons,
fazendo voar
até aos mais altos
dos meus sentires.
Plena
Sinto tuas mĂŁos.
Teu aroma. Teu beijo.
Teu corpo todo. Cada detalhe.
Entalhe de uma obra esculpida.
Vem minha querida!
Reviva, acrescenta. HĂĄ vida.
Beba doses havidas
misturada com paixĂŁo...
Bem sabes que passa.
A paixĂŁo passa.
O fogo consome.
Consome-me. Consumo.
Com sumo farto de suor.
Ame-me. Inunde-me. Afunde-me.
Precioso presente.
DĂȘ de presente, presente,
semente do amor.
Em ti presente. Em mim ausente.
Sabes agora quando sorrir
e quando ficar caliente.
Sabes a importĂąncia de segurar as mĂŁos.
Sabes o que e quando falar.
Sabes o que eu sinto.
Quando olho nos olhos,
nos teus, me molho.
O lĂĄbio sorvido umedece.
O amor em momento algum se ilude.
Preenche-me. Enobrece. Fiz tudo que pude.
Beija-flor
SĂł queria de ti um beijo,
para saciar um desejo.
Aquecer minha alma
e te fazer sorrir.
Alma que nĂŁo beija
nĂŁo senti cheiro.
Ă vida que nĂŁo flameja,
sem luz no candeeiro.
Beija-flor beija essa flor,
em troca dĂȘ-lhe calor.
Flor que beija
a alma graceja.
Reproduz vida no canteiro.
Polemiza e voa faceira
levando no bico doce sabor.
Beijo a flor onde ela for!
OLHOS DOS MEUS OLHOS
Meu cĂĄrcere?
Eu faço!
Em momentos fortuitos.
Mais uma vez me desgraço
olhar aqueles olhos tĂŁo bonitos.
Olhos esmeralda, nos olhos dela.
Luz que jamais tinha visto tanta,
nos olhos dela, dos olhos dela,
o Infinito estrelar se agiganta.
Sei que nĂŁo posso tĂȘ-la muito.
O universo que pertenço
nĂŁo Ă© o mais puro e nobre.
Reflete no espelho opaco
retrato farrapo,
um ser tĂŁo pobre.
Diante de seu mundo tĂŁo denso.
aninhar-se no mesmo buraco
nĂŁo Ă© isso que estou propenso.
Ela Ă© bela em tudo!
Reluzentes olhos, estes provocantes;
que de outros, os seus me deixou mudo,
daquele instante em diante.
Dois coraçÔes
A cada passo que ela dĂĄ
transbordam versos.
Por onde ela passa,
poesia a lhe seguir.
Tudo silencia e escurece,
deixando-nos a sĂłs...
diante de nĂłs adormece.
Mulher de beleza completa,
na certa se acha em defeito.
SĂł desfruto-a sob efeito;
sempre em sinal de alerta.
Tropeço nas letras
inspirando-me tanto,
ao ponto do punho a disparar,
brancas folhas dançar
desenhando todo encanto.
O que a ela tem de sobra,
que me encantou de começo...
a luz, isso nela transborda,
a luz dela é tanta, não meço.
Que se for de seu desejo,
planto dois coraçÔes no peito.
