Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Depois das 6,30h
Na calçada da minha rua, calças curtas Ă espera da lua, olho vidrado na bolinha colorida de sabĂŁo. Que tempo bom. HĂĄ algumas dĂ©cadas. Na mesma calçada, senhoras e senhores descansavam recostados nas suas cadeiras de preguiça, espreguiçadeiras. LĂĄ no fundo do pensamento ouvia-se uma conhecida canção: LampiĂŁo de GĂĄs. Inezita era ainda uma jovem e bela morena. Algumas inocentes fofocas de antigamente saltavam a qualquer besteira. Causos engraçados eram quase versejados pelos anciĂŁos encarquilhados, que nĂŁo mediam disposição para aqueles encontros enluarados. Giba, o antigo vigia particular, mais conhecido por: guarda-noturno parava para aliviar seus velhos pecados, saia dali para sua costumeira rota, atĂ© parecia que seu ofĂcio seguia, simplesmente pela terapia daquelas tardes fagueiras transformadas em madrugadas de alegrias livrando-o de suas possĂveis derrotas no seu dia a dia.
O tempo passa, e hoje não då mais pra confiar na sorte, sequer dentro de nossas prisÔes...
jbcampos
Poema:
Liberdade
à como estar na pele de uma åguia, livre ao planar sobre o ar, das alturas admirando os traços da natureza sublime
Livre nas maneiras de viver, indo e vindo por onde o vento soprar
O dom de erguer o timbre de minha voz, gritar até ultrapassar o limite do som
Somos de agua, terra e ar, plantios de nĂłs, fruto proibindo Ă© a nossa prĂłpria carne.
O que distingue a tolerĂąncia da paciĂȘncia Ă© o sentimento que nos move. Se odiamos, toleramos, com hora certa para terminar. Se amamos, com paciĂȘncia esperamos que tudo se renove, o tempo que for, a vida inteira se precisar.
Muitos relacionamentos permanecerão na escuridão, e tantos outros jamais acontecerão, porque uma pequena mudança na direção do olhar que se espera de alguém, significa uma grande mudança na sua forma de ver a vida e de enxergar mais além.
A fofoca é a mais cruel forma de julgamento, pois ela condena à revelia quem talvez jamais saiba qual foi a acusação.
Reaprender a desejar
Estou com vontade de escrever, mas hoje nĂŁo consigo me fixar no que dizer. Minha cabeça parece nĂŁo caber tantos questionamentos. Quanto mais eu leio, em busca de respostas, mais questionamentos surgem. E com isso o tempo vai passando, sinto a cada dia se esgotando meu tempo de aprender, sinto a cada dia mais distante das respostas âcertasâ.
EntĂŁo resolvi escrever sobre um dos meus questionamentos, âo desejoâ. Tudo que acreditamos, vai se concretizando em nosso caminho. Por isso devemos cuidar e buscar o bem. Temos que ter muito cuidado com o que desejamos, tudo gira em torno dos nossos desejos, quem nunca ouviu a frase âDeseje com todas as suas forças e seu sonho se realizarĂĄ.â? Isso Ă© verdade, se pararmos pra pensar no que jĂĄ vivemos, teremos provas concretas disso.
Quando somos jovens, temos muitos desejos, a vida flui mais suavemente, nossos desejos vão se realizando um a um, passo a passo e vamos vivendo as alegrias e as tristezas de cada realização. Sim, tristezas, porque quando desejamos só vemos o lado bom das coisas, não medimos, não calculamos os sentimentos envolvidos naqueles desejos. à quando nos vemos, algumas vezes, frustrados em determinados pontos daquela realização.
E com isso, acabamos nos podando em nossos desejos, controlando nossos desejos. Sempre ouvimos que com o passar dos anos vamos ficando mais experientes, mais sĂĄbios, mais assertivos. Mas, o que percebo com minha experiĂȘncia Ă© que vamos nos afastando de nossos desejos. Com o passar dos anos, vamos ficando com medo de âdesejarâ. Todos os nossos desejos podem se tornar realidade, e Ă s vezes, nĂŁo lidamos bem com o desejo no plano da realidade. A realidade tem consequĂȘncias que podem ser boas ou nĂŁo, podem gerar sorrisos, lĂĄgrimas ou ambos, juntos em um mesmo sentimento de felicidade e dor. Nossa experiĂȘncia vai nos trazendo para mais prĂłximo da realidade, e podemos vislumbrar o futuro de um simples desejo e isso nos causa medo, uma vez que o bem e o mal se confundem em nossos pensamentos.
Em determinado momento, percebemos que nĂŁo devemos deixar nossa experiĂȘncia invadir o campo dos âdesejosâ. Faz falta sentirmos o coração e a mente unidos num sĂł desejo, livres de qualquer medida, controle ou avaliaçÔes. Desejar somente, sem conhecer consequĂȘncias. Quem sabe a mesma experiĂȘncia me leve a reaprender a desejar?
Ana Paula Silva
Autora do Livro: Me Apaixonei Por Um Poeta
https://www.clubedeautores.com.br/book/187032--Me_apaixonei_por_um_poeta#.VYbVT_lViko
Te desenho
Em minha mente desenho o teu rosto.
Começo pelos olhos,
que me provocam com seus mistérios.
Profundos, intrigantes, brilhantes.
Pincelo com cuidado as sobrancelhas,
moldura delicada do olhar
alinhada em perfeita harmonia.
Escorrego pelo nariz.
Me prendo na tentação de sua boca.
toda atenção a cada detalhe:
o gosto do beijo,
a umidade dos lĂĄbios,
os nuances da lĂngua,
a beleza do sorriso.
Tiro a cor do batom para ver a natural.
Me perco nos cabelos,
me afogando em um mar de prazer.
Acaricio o rosto com as pontas dos dedos.
Ansioso para sentir novamente
a maciez e o frescor da pele.
O calor do desejo,
a força da alegria,
a paz da paixĂŁo.
Eu te guardei como se guarda um tesouro,
fiz dos teus pés o meu caminho,
engoli orgulho pra que plantasses os teus sonhos nos meus
e guardasses o meu olhar.
Se eu pudesse ser a tua vontade,
eu dormia e acordava na minha pele,
pois a minha virou a tua.
Bastou o teu olhar no meu
e nossos segredos se entrelaçaram,
como almas que se encontram nos olhos.
No meu colo tu te achavas
e nĂłs ficĂĄvamos fora do mundo.
NĂŁo precisas mentir o teu amor
se o dizes sem dizer a toda hora,
sei bem que a palavra nunca te foi Ăntima
quando te escondes no forno do silĂȘncio.
Veio o tempo e nos mudou de estação,
tenho fome no corpo e sede no olhar
quando me vem Ă boca o teu nome.
Realidade te muda e te planta onde nĂŁo chego,
mas ainda hoje eu te costurei em mim,
como detalhe em segredo de um sĂł.
Um fato da vida que eu e muitas pessoas ouvem ou leem a respeito: "Ela tirou meu marido, namorado, amante, ele me deixou". Quer dizer entĂŁo que Ă© mais conveniente acreditar nisso e ainda pensar que todos os homens sĂŁo anencĂ©falos o suficiente para serem "roubados" ao bel-prazer de cada uma que aparece? Caramba, ninguĂ©m Ă© forçado a nada. Se foi embora com outra foi porque quis. AlguĂ©m coloca uma arma na cabeça de um homem e diz "de agora em diante vocĂȘ Ă© meu"? Ou seria uma desculpa para livrar a cara? Se o sujeito parou de amar, gostar, seja o que for, Ă© porque alguĂ©m deu motivos suficientes para isso, pois se estivesse feliz num relacionamento nĂŁo teria motivos para pensar em outra pessoa e muito menos ser "roubado" por ninguĂ©m. Pensando dessa forma, nem precisa pensar em se vingar, pois se o sujeito Ă© bundĂŁo, banana o suficiente para ser "roubado" por outras, logo, logo estarĂĄ substituindo novamente e nesse caso, quem o perdeu primeiro, nĂŁo perdeu grande coisa. Isso serve para os homens abandonados tambĂ©m. Compactuar com a realidade das coisas e como elas sĂŁo de verdade pode ser algo extremamente salutar. Economiza-se lĂĄgrimas desnecessĂĄrias.
Oração
Ela reza por mim enquanto eu ainda ando pelas ruas escuras da cidade, mas nem sempre vai ser assim. E o vento gelado jå não me afeta mais, as cores perderam a intensidade e os sons não se definem quando ela não esta aqui. O tempo passa e eu fico olhando para longe esperando ver o sorriso dela vindo ao meu encontro, mas hoje ela não volta. As pessoas me olham e eu sei que nada vai mudar, elas que esperam esperançosas por alguma reação, por menor que seja, que eu fale, grite, ame ou esvazie uma garrafa, e eu sei que nem sempre ela vai me amar. Apenas vesti a farda da sociedade e aceitei viver por ela, ou viver esperando outro dia bom com ela.
Notas de um moralista
Gina nĂŁo sabia o que mais fazer com aquele meu sossego inabalĂĄvel. Ela era um ser irritante com todos os seus sonhos e seus planos, tinha a vida tĂŁo organizada naquela lista cheia de palavras e deveres e programas a cumprir, a cada hora ela deveria estar exatamente onde sua lista mandava. E em meio a um sutil desespero ela desaba:
- Como Ă© que consegue? Me diz, como pode nĂŁo se importar tanto assim e nĂŁo querer nada?
- Me importo sim, sempre me importei. Respondi.
- EntĂŁo por favor, me diz o que quer?
-O que todos querem, eu acho, ou pelo menos todos deveriam querer. Um cigarro aceso, uma cerveja gelada, alguns amigos e meu amor do meu lado.
- VocĂȘ Ă© um homem muito complicado . Disse incrĂ©dula da resposta que a dei.
-NĂŁo, nĂŁo sou nĂŁo, esse Ă© um erro demasiado comum. Eu sou um homem simples, o resto do mundo Ă© que Ă© complicado. Gina volta a fazer a lista e eu tomo mais um trago, a noite jĂĄ volta ao normal, era como tudo deveria ser.
Notas de um moralista
Era de madrugada e eu acabara de dormir com uma garota jovem e bela que eu conheci a pouco num bar. Me levantei e enchi um copo do melhor uĂsque que o dinheiro pode comprar, acendi um charuto cubano e sentei na varanda da minha casa em frente ao mar, e lĂĄ pensei que pela manhĂŁ quando a garota acordasse e fosse embora eu continuaria ali sozinho. Deus eu era uma pobre alma, um homem que tinha tudo, mas nĂŁo tinha nada.
NĂŁo sei olhar-te nos olhos
e nĂŁo me lembrar do sabor
do milagre das mĂŁos,
da delĂcia dos risos,
da confusĂŁo das palavras.
Abre o céu ao ver-te passar,
as pupilas ficam acesas,
os olhos abraçam o mundo
ao degustar o desejo.
Assalto o mundo no teu sorriso
porque jĂĄ nĂŁo percebo nada ao redor.
As vozes silenciam
porque o meu olhar só se pÔe no teu rosto.
E antes que o sol se ponha de novo,
Ă© o teu corpo que me devora frases e pensamentos,
nada necessĂĄrio, apenas eu e vocĂȘ.
DĂłi nĂŁo sonhar
pois o sonho Ă© o que me veste de ti,
como a virgem a amar pela primeira vez.
A palavra que corta o sonho
nĂŁo Ă© a mesma que sorrio a sonhar.
E a Ășnica dor que me dĂłi
Ă© aquela da saudade que me enche os olhos.
Ăs vezes dĂłi-me amar.
Quem ama tem um teto,
mas nunca um sono sossegado.
Mas serĂĄ feliz quem rouba amor?
Amor roubado Ă© esquecido no tempo
e o preço pago é fiado.
Amor roubado Ă© sonho matado.
Amor que se preza
nĂŁo morre por ser feliz demais.
Só o preço justo do amor conforma a ferida doçura.
Nele tudo vira cicatriz,
dessas que enganam os olhos.
Traços marcantes me deixa o amor,
a pele Ă© cobertor,
a boca se torna mĂŁo que acolhe
e a vida acaricia o espinho.
Até onde pude fui forte.
Segurei uma pedra na cabeça
enquanto o meu orgulho caia ao chĂŁo.
Orgulho Ă s vezes me come,
Ă© gula que engole atĂ© a lĂngua.
Vez em quando me dou conta
de quanto mais se tem a dizer,
menos se pode.
Segurei as rédeas das palavras
e vi o teu segredo num olhar.
Foi bom conhecer o medo,
mas também a vida vista no espelho.
O tempo sempre esteve contra mim,
sabia que eu iria perder
para sĂł depois desnudar a vida,
como se desnuda uma mulher Ă espera de seu amor.
HĂĄ medo na palavra
quando o céu vem à boca.
Mas, nem o céu nos polpa da verdade,
eu sei.
Vai mulher!
Solta seu cabelo e sinta liberdade,
Enxugue essas lĂĄgrimas que jĂĄ regou a semente do sorriso que logo germinarĂĄ em sua boca
Pise com o pés descalço e sinta a liberdade subir pelo seu corpo
Corre sinta o vento no rosto,
o suor pelo corpo.
Qdo menos esperar a felicidade chegarĂĄ
