Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

Em ti, meu amor, um templo se revela,
Onde a beleza reside, pura e singela.
Teu corpo, Sapekinha, obra prima divina,
Esculpido em encantos, que a alma fascina.


Cada curva, um traço de arte sem igual,
Um convite ao toque, um desejo imortal.
Na suavidade da pele, o calor que me aquece,
No contorno do corpo, o amor que floresce.


Teus olhos brilham, mas teu corpo irradia,
Uma luz prĂłpria, que me guia.
Sou o admirador humilde, que em ti encontra,
A mais pura poesia, que o coração aponta.


Que a minha admiração seja eterna,
Por essa beleza que me acende, serena.
Teu corpo, meu amor, é a canção que eu canto,
O meu mais belo verso, em cada encanto.

O que os poetas dizem sobre o Amor que o mundo Esqueceu?


Tem quem diga que o amor estå em extinção.
Mas talvez ele sĂł esteja cansado.
Cansado de tanta pressa, de tanta pose, de tanto “eu te amo” mal conjugado.


Vinicius de Moraes, esse romĂąntico essencial, jĂĄ dizia que o amor nĂŁo precisa ser imortal... “posto que Ă© chama”.
Mas que seja infinito enquanto dure.
E dura mesmo — na pele, na lembrança, no cheiro que fica no lençol.
Porque, como bem lembrou Rita Lee: “amor sem sexo Ă© amizade.”
E a gente não celebra amizade no Dia dos Namorados, né?


AdĂ©lia Prado, com toda sua santidade profana, escreveu certa vez que “erĂłtica Ă© a alma.”
E Ă© mesmo. Porque amor sem desejo Ă© convivĂȘncia.
E convivĂȘncia, por si sĂł, nĂŁo sustenta altar.


Ferreira Gullar, com sua sagacidade crua, diria que o amor nĂŁo salva, mas revela.
E Ă© por isso que dĂłi.
Porque amar Ă© ver o outro como ele Ă© — e ainda assim ficar.
Amar Ă© esse milagre que mistura o profano com o sagrado e, no meio, a gente.


E como escreveu Leandro Flores em seu texto “Construindo Amor”:
“NĂŁo se deixe levar apenas pela paixĂŁo, mas viva pelo o amor, lute, acredite, tenha fĂ©. O amor Ă© a Ășnica razĂŁo de o mundo ainda existir.”


Essa frase devia estar em outdoor no Dia dos Namorados.
Porque no fundo, amar Ă© isso: nĂŁo se trata de se apaixonar, mas de construir amor.
Tijolo por tijolo. Gesto por gesto. Dia apĂłs dia.
O resto... Ă© ilusĂŁo com aplique de afeto.


O amor Ă© isso:
Chama que acende, alma que se desnuda, corpo que treme.
É olhar nos olhos e entender que nem sempre vai ser fácil — mas que vale.
Vale cada suspiro. Cada loucura. Cada poesia.


Porque no fundo, o amor — o de verdade — ainda mora ali,
entre o toque e a fé.


E se isso nĂŁo for divino
 entĂŁo nĂŁo sei mais o que Ă©.

Amores perdidos


O amor Ă© a semente que planta o sim, mas Ă© o Ăłdio que colhe o fim. E se o remorso Ă© um peso mudo que se cala, a solidĂŁo Ă© o vento que nĂŁo para de apontar a casa vazia. Porque as pessoas nĂŁo voltam por amor, voltam pela falta dele.




Casa-se por um talvez, por um tal de amor. Separa-se por uma certeza: a do rancor. Arrepende-se talvez, por um remorso surdo. Mas volta-se sempre, sempre, pelo medo do vazio absoluto.




O matrimĂŽnio Ă© erguido na frĂĄgil arquitetura do afeto, mas desmorona no terremoto do ressentimento. E se o arrependimento Ă© o eco que fica, a depressĂŁo Ă© o silĂȘncio insuportĂĄvel que convida o eco de volta.

Casem-se talvez por amor, mas divorciam-se certamente por Ăłdio. E se voltarem, nĂŁo Ă© por saudade: Ă© pelo vazio.

Case por dĂșvida, divorcie por certeza. E se voltar, saiba: Ă© a depressĂŁo, nĂŁo o amor, que te chama.

Acredito eu, mas nĂŁo tenho plena certeza, que as pessoas se casam por amor; mas com certeza absoluta elas se divorciam por Ăłdio. Talvez depois venha o remorso, e um pouco depois disso o arrependimento. Mas tenho uma certeza; certeza absoluta: a vontade de voltar sempre vem da depressĂŁo.

Sim pro amor, nĂŁo pro amor.
Sim pra nĂłs, nĂŁo pra nĂłs.
Sim pro futuro, nĂŁo pro futuro.
Sim pra ficar, nĂŁo pra ficar.
Sim pra casar, nĂŁo pra casar.
VocĂȘ Ă© o nĂŁo, eu sou o Sim, mas mesmo com seu nĂŁo, estamos juntos e assim vamos: sim ou nĂŁo.

Juras de amor...
O substrato de suas raĂ­zes Ă© o prĂłprio sentimento. Pena a confusĂŁo se o amor sustenta a jura ou ela o amor. DĂșvida cruel que o egoĂ­smo sempre entrega ao coração.

DIVERSÃO


O amor sorrateiro
Ė como um menino faceiro
Pula janela, invade quintais
Brinca no parque, se faz de tonto
Cai e levanta
E nĂŁo tem tombo que chegue
É corajoso, nĂŁo teme ninguĂ©m


* Poesia selecionada e publicada em 1Âș lugar pelo Concurso Poesia
Premiada, em 2019

Chorar nĂŁo apaga o amor que ficou; chorar Ă© permitir que ele continue vivo dentro da gente.

O luto ensina que sentir Ă© resistir; que a saudade Ă© uma forma de amor que nĂŁo se mede.

A vida continua, mas o amor vivido se torna eterna companhia em cada lembrança.

Meu amor se encerrou em suas mĂŁos.

NĂŁo Ă© o tempo, Ă© a intensidade.
Mas quando o amor nasce,
pode ter certeza que o tempo
Ă© o que menos importa.
Mas sabendo que Ă© com o tempo
e o jeito que Ă© alimentado
que faz esse amor crescer.


(agosto de 2025)

O mundo esqueceu do amor?


Sim, o mundo pode ter esquecido do amor.
Mas os poetas nĂŁo.
Eles seguem escrevendo por todos aqueles que ainda sentem — mesmo em silĂȘncio.
Por aqueles que olham e enxergam.
Que tocam e permanecem.
Que amam
 mesmo quando o mundo já não acredita mais nisso.

Porque enquanto houver poesia,
o amor nĂŁo morre.
Ele só se esconde — esperando ser lido.

Que o nosso amor nunca vire Ăłdio.

No jardim nasce a poesia,
numa encantada flor,
as cores trazem magia
da paixĂŁo de um grande amor.

O amor e o Ăłdio nĂŁo estĂŁo em lados opostos, estĂŁo na mesma cama. Dormem juntos, acordam juntos, se confundem. Quem ama com intensidade, quando se decepciona, odeia com a mesma fĂșria. É no excesso que mora o perigo: o mesmo olhar que jĂĄ foi desejo, vira veneno; o mesmo toque que jĂĄ foi abrigo, se torna repulsa. Amor e Ăłdio andam de mĂŁos dadas, e quando um cai, arrasta o outro para o abismo.


GlĂĄucia AraĂșjo

O amor nĂŁo Ă© moeda de troca
O amor Ă© generoso, gratuito e genuĂ­no.