Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza 😉

⁠A decisão
Quando tudo parece nĂŁo estĂĄ de acordo com o que desejamos.
Pensamos em desistir de quem amamos
Pensamos em ser o melhor caminho
Partir ...
Mas basta um olhar sincero e toque com carinho que todas as certezas jĂĄ sĂŁo incertas
Como viver sem aquele amor ? Como viver sem aquele cheiro dos lĂĄbios encostando em seu rosto?
Certamente eu estou presa e quero e preciso dessa prisĂŁo:porque uma coisa Ă© Ăłbvia meu amor Ă© todo seu e vocĂȘ Ă© a luz dos meus dias.

Inserida por zelia_gamel

⁠Nada do que dizem sobre vocĂȘ Ă© capaz de definir quem vocĂȘ Ă©. Absolutamente nada. O que precisamos aprender Ă© a olhar nossa bagagem com respeito, mesmo que ela esteja repleta de erros, equĂ­vocos ou escolhas questionĂĄveis. É nossa responsabilidade dizer "nĂŁo" a quem usa esses erros do passado para definir o que somos ou o que seremos. Aprender Ă© um processo de construção que nunca termina. A vida sempre nos permite continuar seguindo, organizando o que precisa ser ajustado. Portanto, nĂŁo se deixe abalar por quem nĂŁo conhece sua histĂłria, suas dores, sua jornada, e nĂŁo sabe o quanto vocĂȘ caminhou atĂ© aqui.

Inserida por Abbehusen

⁠Em alguns momentos, a vida pode nos exigir mais delicadeza, mais respeito por nĂłs mesmos e mais atenção aos nossos prĂłprios sentimentos. NĂŁo adianta correr, nĂŁo adianta adiar e nĂŁo adianta gritar. Em certas ocasiĂ”es, a vida vai nos cobrar que abaixemos o tom e falemos baixo para podermos nos ouvir. Ela vai pedir que desaceleremos os passos. Vai exigir calma de nĂłs. E nĂŁo hĂĄ saĂ­da. É preciso parar, respirar e descansar o coração. A vida vai dizer "cuide-se", "ouça-se", "mude de onde estĂĄ". E quando isso acontece, sĂł existe dois caminhos: obedecer ou desmoronar.

Inserida por Abbehusen

⁠Confio muito em Deus e no que Ele tem reservado para mim. Sei que tudo o que estou vivendo é um processo, uma preparação, e que preciso aprender as liçÔes que a vida me traz. Embora possa parecer que estou sozinho e que ninguém estå ouvindo ou vendo minhas lågrimas, sei que Deus estå sempre comigo, ao meu lado, sustentando meu corpo, alimentando meu espírito e iluminando meus passos. Embora muitas pessoas possam duvidar de mim e de minhas intençÔes, Deus conhece meu coração, me protege e me guarda de todo o mal. No final das contas, é isso que importa.

Inserida por Abbehusen

⁠Acorda pra vida! Faça a sua parte, faça o que Ă© importante para vocĂȘ. Esqueça o que os outros dizem, esqueça o que os outros fazem. Concentre-se em sua prĂłpria jornada, em seu propĂłsito e em sua caminhada. Preocupe-se em acender sua luz para iluminar o caminho Ă  frente. Apenas olhe para trĂĄs para lembrar de tudo o que te trouxe atĂ© aqui: suas bagagens, experiĂȘncias, medos e coragem. VocĂȘ Ă© resultado de tudo o que passou e o seu futuro depende muito do que vocĂȘ faz agora. EntĂŁo, nĂŁo perca mais tempo e concentre-se no que sĂł vocĂȘ pode melhorar - concentre-se em si mesmo.

Inserida por Abbehusen

Querida Fernanda,

Os dias parecem estranhos ultimamente. Talvez vocĂȘ esteja por aĂ­ buscando forças, buscando um milagre para chamar de seu. Procurando uma luz no final desse tĂșnel gigante e aparentemente infinito. Mas eu queria te lembrar que Deus nunca soltou a sua mĂŁo. Ele estĂĄ aĂ­ contigo, acalentando o seu coração. E por mais que, em alguns momentos, vocĂȘ sinta desespero, Ă© a sua fĂ© que te acalma. Mesmo que vocĂȘ acredite que ela esteja escapando do seu alcance, Ă© a fĂ© que tem te sustentado, que tem te feito continuar seguindo a sua jornada. Acredite, moça, vocĂȘ Ă© o seu prĂłprio milagre. VocĂȘ Ă© a luz capaz de iluminar os seus prĂłprios passos. NĂŁo deixe de continuar seguindo em frente. NĂŁo desanime agora. Se por acaso estiver cansada, descanse. Respire. Beba ĂĄgua. Mas nĂŁo desista de continuar em busca do que te move. A sua esperança, moça, Ă© o seu guia.

Inserida por Abbehusen

⁠A vida, meu caro, é esse eterno jogo de esconde-esconde. A gente passa anos, décadas até, buscando respostas, soluçÔes mågicas que nos livrem do caos, da bagunça interior que insistimos em maquiar com sorrisos para os outros. Mas, no fundo, a gente sabe que não é lå fora que a verdade estå escondida. O problema é que somos mestres na arte de fingir que não sabemos.

Dentro de nós, hå uma força bruta, um impulso que poderia mudar tudo, revolucionar o mundo que construímos. Mas, o que fazemos? Enterramos isso tudo, como quem esconde um tesouro no quintal e depois esquece onde enterrou. Porque, vamos admitir, då medo. Medo de encarar a própria sombra, medo de descobrir que não somos tão pequenos assim, que hå um gigante esperando para despertar e tomar as rédeas da nossa vida.

E aĂ­, seguimos nesse teatro ridĂ­culo, presos em nossas inseguranças, acreditando nas mentiras que nos contaram — e que acabamos repetindo para nĂłs mesmos. “VocĂȘ nĂŁo Ă© capaz”, “VocĂȘ nĂŁo Ă© digno”. E essas vozes, essas malditas vozes, acabam definindo nosso destino, desenhando um caminho cheio de muros, onde deveriam haver pontes, janelas para o futuro.

Mas, se a gente para um pouco, se respira fundo e decide olhar pra dentro — de verdade, sem medo do que vai encontrar —, descobre que tudo que precisa estĂĄ ali. Escondido, sim, mas presente. Amor, coragem, compaixĂŁo... Todas aquelas coisas que parecem papo de livro de autoajuda, mas que, na real, sĂŁo a matĂ©ria-prima do que somos.

SĂł que, claro, nĂŁo basta saber que estĂŁo ali. É preciso querer encontrĂĄ-las, Ă© preciso fazer o trabalho sujo, cavar fundo e encarar de frente os monstros que a gente deixou crescer. E isso, amigo, nĂŁo Ă© para qualquer um. Porque nĂŁo basta um desejo de mudança que dura atĂ© o prĂłximo tropeço. É preciso um compromisso, uma decisĂŁo de ir atĂ© o fim, mesmo que isso signifique deixar para trĂĄs velhas certezas.

HaverĂĄ dias em que as sombras vĂŁo parecer invencĂ­veis, que o medo vai tentar te convencer a recuar. E Ă© nesses dias que vocĂȘ precisa se lembrar: o poder de virar o jogo estĂĄ aĂ­, dentro de vocĂȘ. Sempre esteve. Talvez vocĂȘ nĂŁo precise de nada alĂ©m de confiar nisso, de deixar essa força ganhar vida, quebrar os muros e iluminar cada canto escuro.

A vida que vocĂȘ merece estĂĄ ao alcance das suas mĂŁos. SĂł depende de vocĂȘ. E, por mais clichĂȘ que isso possa parecer, a verdade Ă© que a escolha sempre foi sua. Sempre serĂĄ.

Inserida por Abbehusen

⁠Encontrar a sua pessoa Ă© como descobrir uma parte de vocĂȘ que estava adormecida, uma parte que sĂł desperta quando o amor se revela em sua forma mais pura. É como se o universo inteiro conspirasse para que aquele encontro acontecesse, para que, em meio a tantos desencontros, vocĂȘ finalmente encontrasse aquele olhar que faz o mundo parar, aquele sorriso que aquece a alma, aquela voz que Ă© o seu porto seguro. A sua pessoa, aquela que o amor te apresenta, nĂŁo Ă© perfeita — e, por isso mesmo, Ă© absolutamente perfeita para vocĂȘ. Ela chega com as suas manias, seus medos, suas histĂłrias inacabadas, e, ao invĂ©s de te afastar, te faz querer ficar. Porque, com ela, o amor nĂŁo Ă© uma batalha, mas um descanso. NĂŁo Ă© uma tentativa de encaixar peças, mas a constatação de que, juntas, elas jĂĄ formam um belo mosaico, mesmo com suas imperfeiçÔes. Com a sua pessoa, os dias comuns se tornam extraordinĂĄrios. As conversas triviais tĂȘm um sabor diferente, porque o que importa nĂŁo Ă© o que Ă© dito, mas quem estĂĄ dizendo. O silĂȘncio ao lado dela Ă© um acalento, e nĂŁo um vazio a ser preenchido. VocĂȘ descobre que o amor verdadeiro nĂŁo grita, nĂŁo exige, nĂŁo cobra. Ele apenas Ă©. Ele flui como um rio que encontra seu curso natural e te leva junto, sem pressa, sem atropelos. Quando vocĂȘ encontra a sua pessoa, entende que o amor nĂŁo Ă© sobre encontrar alguĂ©m que te completa, mas sobre encontrar alguĂ©m que te transborda. AlguĂ©m que faz com que todas as suas partes se sintam valorizadas, compreendidas e, acima de tudo, amadas. É alguĂ©m que nĂŁo sĂł vĂȘ a sua essĂȘncia, mas tambĂ©m a respeita, a cuida, e a faz brilhar ainda mais. Esse amor nĂŁo te prende, nĂŁo te sufoca. Ele te dĂĄ asas. Com a sua pessoa, vocĂȘ se sente livre para ser quem Ă©, com todos os seus defeitos e inseguranças, porque sabe que, no final do dia, ela estarĂĄ lĂĄ, te esperando com aquele olhar que diz: "Eu te vejo. Eu te escolho. Eu te amo, exatamente como vocĂȘ Ă©." Por isso eu desejo, do fundo do meu coração, que vocĂȘ encontre a sua pessoa.

Inserida por Abbehusen

Senhor, livrai-nos da depressão, da falta de perdão, de tudo que nos amarra e nos afasta! Livrai-nos de nós mesmos, do nosso vazio, do nosso egocentrismo, da falta de amor, da falta de respeito, da falta de afeto e carinho, da falta de tempo! Livrai-nos da falta de amor próprio, de amor ao próximo, de amor ao inimigo! Que eu possa tolerar os defeitos, os devaneios e até o excesso de felicidade do outro; mas que, acima de tudo, eu possa tolerar estes mesmos a meu próprio respeito, que eu possa tolerar o tempo ocioso comigo mesmo, em solidão!

Inserida por vivi_da_silva

⁠
24 horas Ă© o limite

por Diane Leite

Quantas versĂ”es de vocĂȘ mesma vocĂȘ jĂĄ matou sĂł pra caber no mundo de alguĂ©m?

Quantas vezes vocĂȘ se anulou, se calou, se escondeu, fingiu ser menos do que Ă© pra nĂŁo perder quem nunca te teve de verdade?

E por quĂȘ?

Por medo de ficar sozinha?
Por acreditar que amor Ă© sacrifĂ­cio?
Por ter aprendido, desde cedo, que ser amada exigia esforço, adaptação, silĂȘncio?

Hoje eu quero te dizer uma coisa: ninguém merece a sua autoanulação. Nem o amor da sua vida.

Porque o amor de verdade nĂŁo te apaga, ele acende.
Ele nĂŁo te molda, ele te aceita.
Ele nĂŁo te reduz, ele te amplia.

VocĂȘ ama ele? Tudo bem.
Mas... vocĂȘ se ama mais?

Porque se nĂŁo se ama mais, vai se perder. Vai virar uma sombra de si mesma tentando manter alguĂ©m que, no fundo, sĂł ficou porque vocĂȘ deixou de brilhar.

E o mais cruel Ă© que, muitas vezes, vocĂȘ muda tudo — seu jeito, seu riso, sua essĂȘncia — pra caber no gosto do outro.
E depois ele olha pra vocĂȘ e diz que perdeu o encanto.

Mas como nĂŁo perderia?
Ele se apaixonou por quem vocĂȘ era.
NĂŁo por quem vocĂȘ se transformou tentando agradar.

A neurociĂȘncia explica. A psicanĂĄlise grita. A psicologia comprova: a tentativa de controle nasce do medo.
Do medo de perder. Do medo de nĂŁo ser suficiente.
E Ă© esse medo que leva pessoas a tentarem moldar outras.
NĂŁo Ă© amor. É insegurança.

E tem mais: para de achar que o outro tem a resposta.
"Amiga, o que vocĂȘ acha que eu devo fazer?"
NĂŁo.
Pergunta o que ela faria, se quiser. Mas quem decide Ă© vocĂȘ.
Porque a responsabilidade da sua vida Ă© sua.
VocĂȘ pode pedir conselhos, mas nĂŁo pode terceirizar o tombo.
Nem culpar ninguém quando ele vier.

E para, pelo amor do teu amor-prĂłprio, com essa frase:
“Ele me trata mal
 mas ele me ama.”

NĂŁo.
Homem que ama, cuida.
Homem que ama, mostra.
Homem que ama, nĂŁo deixa dĂșvidas.

A ciĂȘncia jĂĄ provou: quando um homem quer uma mulher, ele atravessa o mundo.
Ele nĂŁo se confunde, ele nĂŁo some, ele nĂŁo testa.
Ele vem.

E se ele nĂŁo veio, aceita.
VocĂȘ nĂŁo precisa de alguĂ©m que te ame mais ou menos.
VocĂȘ merece alguĂ©m que te ame com tudo.
Mas pra isso, primeiro: vocĂȘ tem que se amar com tudo.

E agora vem o ponto mais importante dessa crĂŽnica:
sofrer tem prazo.
24 horas.

Esse Ă© o tempo que vocĂȘ tem pra sentir, chorar, gritar, doer.
No minuto 1 do segundo dia, se ainda estiver sofrendo, jĂĄ Ă© escolha.

Porque aĂ­ nĂŁo Ă© mais sobre o que o outro te fez.
É sobre o que vocĂȘ estĂĄ fazendo com o que o outro te fez.
E aĂ­, amiga, jĂĄ Ă© autossabotagem.

NĂŁo se machuca mais do que jĂĄ foi machucada.
NĂŁo alimenta a dor.
NĂŁo cultiva a ferida.
Tudo que vocĂȘ foca, cresce.
Foca na tua cura.

E por fim

Sim, vocĂȘ pode querer um homem provedor, cuidador, presente.
Isso nĂŁo Ă© retrocesso. Isso Ă© biolĂłgico.
Eles nasceram com força pra proteger.
Mas proteger também é ouvir, respeitar, acolher.
E isso vocĂȘ pode (e deve) esperar de alguĂ©m que quer dividir a vida contigo.

Enquanto ele não vem — ou mesmo que ele já esteja aí — tenha uma vida.
Tenha propĂłsito.
Tenha alegria fora do outro.
Porque quem tem vida, nĂŁo incomoda. Transborda.

E quando vocĂȘ transborda, sĂł fica por perto quem sabe beber direto da fonte.

Agora levanta.
Sacode a dor.
Lembra de quem vocĂȘ Ă©.

E nunca mais sofra por ninguém por mais de 24 horas.
Porque depois disso, o sofrimento jĂĄ nĂŁo Ă© sobre ele.
É sobre vocĂȘ ainda nĂŁo ter entendido o seu valor.

Inserida por dianeleite

⁠
O poder das nossas escolhas
Autoria: Diane Leite

Fui criada com o entendimento de que cada pessoa tem direito ao livre-arbĂ­trio. E tem. Mas a liberdade, quando nĂŁo Ă© acompanhada de consciĂȘncia, vira apenas uma fuga disfarçada.
Alguns usam o livre-arbĂ­trio para ferir. Outros, para se esconder. Muitos, simplesmente, por nĂŁo saberem mais sentir.

O que descobri — e quero te lembrar — Ă© que junto com o direito de escolher, vem o dever de se responsabilizar por cada escolha. Porque nĂŁo vivemos sozinhos. Somos parte de um todo.
E o que vocĂȘ escolhe... reverbera.

Com o tempo, aprendi a nĂŁo projetar nos outros a minha forma de amar. Eles sĂŁo eles. Eu sou eu.
E eu sou amor.
Dou amor. E continuarei oferecendo aos que me tocam com verdade — mas sem mais me abandonar para ser aceita.

Onde nĂŁo hĂĄ ressonĂąncia, hĂĄ vazio.
E onde hĂĄ vazio, nĂŁo Ă© o seu lugar.
Seu lugar Ă© dentro de si.
Inteiro. Serena. Fiel ao que sente. Feliz por quem vocĂȘ estĂĄ se tornando.

Em vez de sofrer pelas decisÔes dos outros, volte-se para dentro. Pergunte-se:
Como posso me amar mais hoje?

As escolhas alheias — na famĂ­lia, na amizade, no amor — pertencem a eles. E vocĂȘ, em sua liberdade, pode escolher a si. Pode partir sem culpa. Pode permanecer sem se anular.
Pode ser luz. E ainda assim, colocar limites.

Amar não é ser refém.
Perdoar Ă© libertar-se.

Se vocĂȘ Ă© sempre quem doa e nunca Ă© recebida, talvez tenha esquecido que Ă© a autora da sua prĂłpria histĂłria. Que pode reescrever o roteiro.
Que pode se escolher.
E que merece reciprocidade.

Ame com coragem.
DĂȘ com inteireza.
Mas nunca mendigue o que deveria fluir.

Neste instante, escrevo com meu filho ao lado. Olho para ele e penso:
que sorte a minha por saber amar — sem me perder de mim.
Porque amar Ă© isso: permanecer inteira


Inserida por dianeleite

O Bolo de Coco e os Dias da Semana

Por Diane Leite

Ainda deitada, com o corpo entregue ao travesseiro e a mente girando devagar,
ouvi a cena como quem assiste a um filme sussurrado pela casa.
Era manhĂŁ de domingo.
E por coincidĂȘncia — ou delicadeza do destino —,
também era dia primeiro.

O bolo era meu.
Mas deixei meu filho de sete anos pegar.
Ele queria dividir com o irmĂŁo de vinte e um.
SĂł que o mais velho jĂĄ tinha comido outro doce,
e eu disse:
“Come sozinho, meu amor. Esse Ă© todo seu.”

E foi aĂ­ que a vida virou roteiro.

“Eu acho que eu não gosto tanto assim de bolo de coco
”
disse ele, pensativo, como quem descobre que cresceu um centĂ­metro por dentro.
O irmĂŁo, curioso, perguntou:
“Mas que nota vocĂȘ deu?”
“Sete.”
“Por quĂȘ?”
“Porque hoje eu não tî gostando muito de coco.”

E o mais velho, com aquela sabedoria prĂĄtica que sĂł os irmĂŁos mais velhos tĂȘm:
“Ah
 Ă© que vocĂȘ gosta de bolo de coco de segunda a quarta.
De quinta a domingo, vocĂȘ jĂĄ nĂŁo gosta tanto.”

Era domingo.
E eu sorri.
Porque entre uma mordida e uma conversa,
eles me deram a melhor metĂĄfora para começar o mĂȘs:

— Tudo que Ă© nosso pode ser ofertado.
— Tudo que sentimos pode mudar.
— E tudo que muda pode ser recomeço.

Na simplicidade de um bolo dividido,
aprendi de novo que o amor mora nos detalhes.
Que a escuta silenciosa é presença.
E que ser mĂŁe Ă© isso:
testemunhar o mundo sendo redesenhado todos os dias pelas palavras dos nossos filhos.

Às vezes, o bolo de coco Ă© sĂł bolo.
Mas Ă s vezes,
ele Ă© tudo que precisamos para lembrar
que atĂ© o amor tem gosto diferente dependendo do dia —
e tĂĄ tudo bem.

Porque amar também é isso:
respeitar o paladar emocional do outro,
e ainda assim, continuar oferecendo o melhor pedaço.

Inserida por dianeleite

Em meados dos anos 80, lĂĄ em Minas, o costume era comprar leite na porta de casa, trazido pela carroça do leiteiro, que vinha gritando "Ó o lĂȘeeeeite!!!".

Minha mãe corria porta afora e o leite _ fresquinho, gorduroso e integral_ era despejado na leiteira para nosso consumo. Porém, era um leite impuro, não pasteurizado, e necessitava ser fervido antes de consumir.


No inĂ­cio, minha mĂŁe tinha um ritual no mĂ­nimo interessante para esse evento: Colocava o leite na fervura e saĂ­a de perto.
Literalmente esquecia.
Simplesmente I.g.n.o.r.a.v.a.

É claro que o leite fervia, subia canecão acima e despencava fogão abaixo. Eu era criança, e quando via a conclusão do projeto, gritava: "Mãe!!! O leite ferveu!!! Tá secaaaannndo..." e ela vinha correndo, apavorada, soltando frases do tipo "Seja tudo pelo amor de Deus..." e desandava a limpar o fogão, o canecão, e ver o que sobrou do leite_ pra tudo se repetir no dia seguinte, tradicionalmente.

AtĂ© hoje nĂŁo entendo o porquĂȘ dessa tĂ©cnica. Parecia combinado, tamanha precisĂŁo com que ocorria.
Mais tarde, ela mudou de estratégia. Eu jå era maiorzinha e podia ficar perto do fogo. Assim, ficava ao lado do fogão, de olho no leite esquentando_ pra desligar assim que a espuma subisse, impedindo que transbordasse. Foi assim que aprendi uma grande lição:

O leite sĂł ferve quando vocĂȘ sai de perto.

NĂŁo adianta ficar sentada ao lado do fogĂŁo, fingir que nĂŁo estĂĄ ligando; atĂ© pegar um livro pra se distrair. É batata: ele nĂŁo ferve. Parece existir um radar sinalizador capaz de dotar o leite de perspicĂĄcia e estratĂ©gia. Porque tambĂ©m nĂŁo basta se afastar fingindo que nĂŁo estĂĄ nem aĂ­. O leite percebe que Ă© sĂł uma estratĂ©gia. E sĂł vai ferver ( e transbordar) se vocĂȘ esquecer DE FATO.

A vida gosta de surpresas e obedece Ă  "lei do leite que transborda": Aquilo que vocĂȘ espera acontecer nĂŁo vai acontecer enquanto vocĂȘ continuar esperando.

Antigamente o sofrimento era ficar em casa aguardando o telefone tocar. Não tocava. Então, pra disfarçar, a gente saía, fingia que não estava nem aí (no fundo estava), até deixava alguém de plantão. Também não tocava. Porém, quando realmente nos desligåvamos, a coisa fluía, o leite fervia, a vida caminhava.

Hoje, ninguĂ©m fica em casa por um telefonema, mas piorou. Tem email, msn, facebook, sms, e por aĂ­ vai. O celular com internet sempre Ă  mĂŁo, a neurose andando com vocĂȘ pra todo canto. E o leite nĂŁo ferve...

Acontece tambĂ©m de vocĂȘ se esmerar na aparĂȘncia com esperança de esbarrar no grande amor, na fulana que te desprezou, no canalha que te quer como amiga. EntĂŁo ajeita o cabelo, dĂĄ um jeito pra maquiagem parecer "linda e casual", capricha no perfume... e com isso faz as chances de encontrĂĄ-lo(a) na esquina despencarem. Esqueça baby. O grande amor, a fulaninha ou o canalha estĂŁo predestinados a cruzarem seu caminho nos dias de cabelo ruim, roupa esquisita e couve no cantinho do sorriso.

Do mesmo modo, se quiser engravidar, pare de desejar. Não contabilize seu período fértil e desista de armar estratégias pro destino. Continue praticando esportes radicais, indo à balada, correndo maratonas. Na hora que ignorar de verdade, darå positivo.

A vida _como o leite_ nĂŁo estĂĄ nem aĂ­ pra sua pressa, pro seu momento, pra sua decisĂŁo. Por isso vocĂȘ tem que aprender a confiar. A relaxar. A tolerar as demoras. A nĂŁo criar expectativas. A fazer como minha mĂŁe: I.g.n.o.r.a.r...

E lembre-se: Tem gente que prefere ser lagarta do que borboleta. Sem paciĂȘncia com os ciclos, destrĂłi seu casulo antes do tempo e nĂŁo aprende a voar.

Inserida por fabiolasimoes

Buscar um novo caminho, uma palavra fresca, um alívio. Mas como encontrar isso, se carregamos em nós a bagagem do ego ferido e do orgulho inquebråvel? Pedir perdão é uma confissão de fraqueza, pensamos. Aceitar o perdão alheio é deixar que a pele queimada seja tocada. Que ironia: queremos a redenção, mas tememos a vulnerabilidade que ela exige.

Inserida por Japensando7

⁠A esperança Ă© uma febre que nĂŁo queima, mas arde em silĂȘncio, uma promessa que nunca foi feita, mas que insistimos em acreditar. É como deitar em um gramado Ășmido ao entardecer, sentir a terra fria contra as costas e a brisa carregando um cheiro de coisas esquecidas — da infĂąncia, talvez, ou de um sonho que nunca aconteceu.

E nesse momento, enquanto o vento invade os pulmĂ”es como se quisesse tornĂĄ-los eternos, vocĂȘ percebe que a paz nĂŁo Ă© uma conquista, mas uma entrega. É um instante roubado do caos, um suspiro entre a tempestade.

As palavras para descrevĂȘ-la, se Ă© que existem, sĂŁo frĂĄgeis como fios de teia ao sol. Elas nĂŁo dizem, mas insinuam. Porque a paz, quando vem, nĂŁo se explica: apenas invade. Talvez seja isso que Clarice quis dizer tantas vezes — que hĂĄ um mundo dentro de nĂłs, maior do que qualquer compreensĂŁo. E nesse mundo, a esperança floresce como uma erva daninha teimosa, rachando atĂ© o concreto da nossa dureza.

Inserida por Japensando7

⁠O lar Ă© mais do que um espaço fĂ­sico; Ă© um estado de pertencimento, um canto onde o mundo cessa e o silĂȘncio respira. Pode estar na parede descascada de uma casa, na mesa velha que guarda histĂłrias de risos e brigas, ou no calor que transborda de um olhar. O lar, de fato, sĂŁo as pessoas — aquelas que acolhem nosso desalinho e com quem compartilhamos o peso da existĂȘncia.

Mas e quando essas pessoas se vĂŁo? O lar desaba. Ficamos vagando dentro de paredes intactas, mas despedaçados por dentro. É uma ausĂȘncia que grita, um vazio que ecoa na mobĂ­lia, nas fotos, nos sons que nĂŁo existem mais. Perdemos nĂŁo sĂł quem amamos, mas tambĂ©m quem somos, porque um pedaço nosso sempre mora nelas. A ausĂȘncia faz de tudo uma recordação: a cadeira Ă© o lugar onde ela sentava, o cheiro do cafĂ© Ă© o rastro de quem partiu.

E assim, o lar, que um dia era abrigo, torna-se um labirinto. Afinal, o que Ă© um lar sem as mĂŁos que o sustentam?

Inserida por Japensando7

Se a minha sogra morresse, eu ficaria muito triste, porque ela Ă© a mĂŁe da minha felicidade, e eu sei que a filha dela nĂŁo viveria sem ela. (LilloDahlan)

Inserida por LilloDahlan

As religiÔes seguem separando as pessoas em um mundo onde as mesmas pessoas amam mais a cães que às outras pessoas. (LilloDahlan)

Inserida por LilloDahlan

VocĂȘ Ă© aquilo que vocĂȘ ama repetidas vezes. (LilloDahlan)

Inserida por LilloDahlan

SĂșbito

Um, dois, trĂȘs... Quem conta, quem liga?
Acanha-me, pois sei que na fresta da porta do destino me espreita;
Ali, silenciosa e ansiosa por um abraço sem desfeita;
Meu abraço, como se fosse amiga...
... Quatro, cinco, talvez seis, talvez horas, talvez mais tarde...
Que tarde!
Vou ficar, vou contar um-Ă -um;
Por mais triste que isso possa ficar;
Lembranças virão de um ‘cara’ comum;
Eu a ouço e isso me deixa assustado;
Porque nĂŁo fugir? Porque nĂŁo evitar?
NĂŁo quero! Estou cansado!
Minha respiração se torna mais ofegante;
O coração bate mais forte, num ritmo estranho;
MemĂłrias confusas surgem nesse instante;
RĂȘs desgarrada do rebanho...
Eu nĂŁo estou pronto;
NĂŁo me sinto Ă  vontade;
Em vida, como cheguei a esse ponto?
Nada disso era real hĂĄ um mĂȘs...
Seis, cinco, quatro, trĂȘs...

Inserida por ItamarRoter