Indiretas de amor: demonstre interesse com sutileza đ
Onde estiver, esteja em paz...
Onde for, vĂĄ em paz...
No teu falar, fala em paz...
Com quem estiveres distribui a tua paz.
As mudanças nĂŁo me engoliram e cada vez eu tenho mais certeza disso. Ainda continuo a mesma, sob as mesmas condiçÔes, e nĂŁo Ă© mais por vocĂȘ. Que bom, me encontrei!
Continuo sendo aquela romùntica, meio sonhadora, que passa as madrugadas planejando um futuro com os próprios botÔes. Não saio, quase não bebo, escuto as mesmas musicas e ainda tenho aquela paixão alucinante por Paris, pelos contos fadas, pelos livros de amor, pelos finais felizes ...
VocĂȘ disse com tanta convicção que eu iria mudar, que eu iria perder a essĂȘncia, e eu quase acreditei. Quase. E esse âquase acreditarâ, quase me fez mudar. Entende? Ă claro que vocĂȘ nĂŁo, vocĂȘ nunca entendeu!
Foram muitos anos sem ser compreendida, mas nĂŁo me atrevo a dizer que foi tempo perdido. Em alguns dias cheguei atĂ© a pensar que nĂŁo conseguiria seguir em frente, que nĂŁo existia vida sem vocĂȘ, mas eu consegui, estou bem. Aposto que vocĂȘ nĂŁo acreditava que ia ser assim. Viu como estou mais forte, mais mulher, mais madura!?
Houve um tempo que eu nĂŁo estava bem, lembra? Que eu chorava, que eu implorava e vivia frustrada. Esse tempo se foi, isso mudou. Em 20 anos, acho que nunca estive melhor.
Ă triste confessar, mas apesar daquele sentimento forte, de todas as borboletas coloridas no estomago, vocĂȘ me fazia mal. Tenho certeza que esse mal nĂŁo era por mal. JĂĄ ouvi disser que quando se passa muito tempo com uma pessoa o amor some e sĂł fica o comodismo. NĂŁo deve ser assim com todo mundo, mas acho que com a gente foi. Talvez a pouca idade, a nossa falta de vida e maturidade tenha feito o destino ser assim. NĂŁo tenho raiva!
Com 15 anos todas as minhas amigas estavam descobrindo o mundo sozinhas. Eu descobri com vocĂȘ, sou grata! Mesmo com toda a sua arrogĂąncia, sua sina por perfeição e sua vidinha focada, eu aprendi muito. Espero ter ensinado tambĂ©m. Vou torcer para que um dia vocĂȘ aprenda a demonstrar mais o seu amor pelas pessoas, a dar mais valor pro que Ă© simples, brincar com o seu cachorro sĂł para perder tempo, e nĂŁo para fazer graça pros amigos, ou atĂ© pesquisar aquelas curiosidades na internet sĂł para ter alguma coisa nova, interessante e bonita para falar pras suas namoradas. Alguma coisa do tipo: amor, vocĂȘ sabia que o Pinguim Ă© o Ășnico mamĂfero fiel ?
Pensar que vocĂȘ terĂĄ outras namoradas ainda dĂłi, dĂĄ aquela azia no estomago. Sabe? Mas vai passar com o tempo, estĂĄ passando.
NĂŁo tenho mais vontade de te reencontrar, mas todos os dias eu ainda me pego desejando que alguĂ©m fale de mim para vocĂȘ. Que fale como estou mudada, como estou mais viva, mais bonita e bronzeada. NĂŁo Ă© uma questĂŁo de mostrar que te superei, de me mostrar melhor, sĂł queria que soubesse que estou bem, que vocĂȘ sentisse orgulho de mim, do que eu me tornei!
Apesar de todas as histĂłrias mal contadas, de todas as brigas, de todos os choros e da falta de paixĂŁo, eu ainda tenho um carinho enorme. Uma consideração, como vocĂȘ disse (risos), que nunca vai acabar! Te amei, e nĂŁo foi pouco.
Quando ti conheci olhei pra sua mão e vi aquela aliança .No começo achei que seria só,mais um momento, mais uma aventura, daà vc chegou com esse seu jeito carente , quando percebi nã, me via mais sem Vc. Lutei pra nao sentir isso pq sabia que aquela aliança, impedia muitas coisas. Mais jå Não, podia lutar, comecei a ti amar.Doia mais doia muito não,ti ter por completo. Nesse momento o que me importava agora era ti ter na minha vida. Lutei mais lutei mesmo sabendo que não era certo. Acreditei no seu Amor e lutei por nós, e achei q vc também sentia a mesma coisa.
Mais todos me avisavam, se ele fez com ela vai fazer com vc. Ria dessas pessoas e falava pra mim mesma, elas nĂŁo sabem do nosso amor.
E quando eu menos esperava vc também fez comigo o que fez com ela. Fiquei martirizando o que fiz de errado? Mais na verdade o que eu achava que vc sentia por mim, não era amor era paixão e como toda paixão ela acaba. Jå o amor,hå o amor não enjoa, fica do teu lado na hora da TPM no momento de cansaço, quando vc tå sem vontade pra nada.
Como nĂŁo percebi que nĂŁo era amor ? Como
Ainda não me apaixonei por ninguém
Ainda não fui amada por ninguém
Penso se isso ainda vai acontecer
Por que tem que ser diferente comigo?
Por que simplesmente nĂŁo acontece?
Alguma coisa tem que da certo
JĂĄ tĂĄ na hora de algo acontecer
Algo acontecer de bom comigo...
Versos passam pela minha cabeça igual a filhotes de påssaros que acabaram de sair do ninho
Passam voando rapidamente quase invisĂveis, mas quando eu penso no seu sorriso esses versos passam com a calma da brisa do mar.
Mas logo depois esse mar se agita trazendo toda tristeza que seu sorriso lhe traz
Ode
Noites de desespero.
Outrora fazia-me coita ter
Jamais o subordinarei novamente, espero,
Obscuridade do meu ser
Deveres teres subterfugires algo,
ExĂmio fidalgo.
Vossa excelĂȘncia,
Ode eras tuas palavras a mim,
Carnificina de minha complacĂȘncia,
EscuridĂŁo de meu jardim.
Dizem que quando nĂŁo se conhece,
Estremece teu valor.
Porem a mim foi diferente,
Olho agora para o conhecido
Depreciado, nĂŁo mais inerente,
E agora apodrecido.
Essa noite chorei o sonho mais lindo da falta q sinto de vocĂȘ..
Chorei a saudade que aperta no peito...
Do tempo que eu era sĂł vocĂȘ...
Essa noite meu pensamento mais forte foi vocĂȘ...
Meu desejo mais forte foi vocĂȘ...
Meu querer mais forte foi vocĂȘ...
Essa noite eu sĂł queria te ver...
Sentir.. abraçar ...
beijar...
Essa noite eu sĂł era vocĂȘ...
-Quem me inspirava a escrever morreu...
-Morreu como?
-Morreu assassinado
-Ă msm...Quem matou?
-Eu...
-Eu o matei dentro de mim...
Compulsivo IlusĂłrio
Um mundo de verdade, criado de mentiras
Se faz sentir a dor em seu pronunciar
Compulsivo em ser um ser utĂłpico
De engana o coração de seu amado
Toda intimidade tem o seu mal, vocĂȘ sabe.
Sabe que conhecer profundamente alguém é um caminho sem volta. à primavera!
Ele sabe que ela gosta de tulipas e do orvalho da manhĂŁ sobre as ĂĄrvores. Sabe da sua mania de cantarolar no chuveiro e a de revirar os olhos quando Ă© contrariada.
Quando o casal termina, um bocado de outras milhares de coisas entram em um espaço vazio. As paredes foram as suas confidentes; tudo o que passou morre entre elas.
HĂĄ histĂłria nos lugares mais banais da cidade. A cafeteria, ela indicou. O bar da esquina, era o refĂșgio dele de toda quinta-feira.
Existiu verdade onde brotou o silĂȘncio. Existe um passado mudo, congelado, pronto para ser mencionado onde a saudade atentar. Pois o passado Ă© uma pessoa invisĂvel que anda ao seu lado, que cresceu junto com todos os caminhos que vocĂȘ escolheu deixar para trĂĄs.
E ela é um ålbum de memórias, suas lembranças estão coladas em seu corpo.
Ainda existirĂĄ ele quando a sua mĂșsica favorita tocar no rĂĄdio. ExistirĂĄ ela quando as flores começarem a desabrochar. De novo e de novo.
EmoçÔes sĂŁo momentos bons subestimados pela força do tempo. EmoçÔes sĂŁo tĂŁo incertas quanto um Ășltimo suspiro. HĂĄ emoção nos olhos que se cruzaram, nas peles que se afrontaram. HĂĄ emoção na simplicidade do afeto, na decepção que, por ventura, calou qualquer voz. EmoçÔes sĂŁo belezas cruĂ©is; somos vĂtimas delas.
E o tempo nĂŁo para!
Eles vĂŁo se tornar cada vez mais vĂtimas. Cada vez mais distantes.
Talvez o mundo os separe, ou o sentimento de que algo bom aconteceu - e valeu a pena -, os una. Seus nomes sairão um da boca do outro em tom de poesia. Até porque, além do espaço vazio, hå milhÔes de mundos novos a serem descobertos para quem cai na atmosfera de outrem.
Nestes mundos nĂŁo existem partidas, apenas chegadas. Existem sorrisos incalculĂĄveis e pouca pressa!
EntĂŁo, ainda Ă© primavera!
E, com ela, o recomeço não parece ser algo tão ruim. Pois pessoas são linhas que se cruzam de vez em quando. Sinuosas.
Pessoas são trens råpidos, ansiosos pela próxima estação.
AĂ vocĂȘ finalmente aprende que pessoas sĂŁo liçÔes que a vida te dĂĄ.
EntĂŁo, lĂĄ estĂĄ ela.
Hoje Ă© quinta-feira, ela decidiu entrar no bar da esquina.
Ele pode estar tomando um café neste exato momento. Até mesmo admirando tulipas.
E no meio disso tudo, pode ser que os sorrisos brilhem em seus rostos. Um precisava acontecer para o outro. Um precisava existir para o outro, mesmo que fosse apenas por uma breve queda na atmosfera.
Ăs vezes eu queria amar alguĂ©m tanto quanto amo a letra de Stop Crying Your Heart Out do Oasis. Assim como amaria flutuar em nuvens de quadros impressionistas.
Ăs vezes me flagro cantarolando com um violĂŁo invisĂvel entre os braços. Eu desconheço os acordes. Mas ele os conhecia.
Ah, ele! Todos os clichĂȘs do amor cabiam nas suas sete notas. Ele repetia os refrĂ”es enquanto fitava o dia nascendo atravĂ©s da janela. Seus dedos brincavam em meio ao caos. Nunca começava antes do primeiro cigarro. Criou as suas prĂłprias regras.
Seu violĂŁo era a sua mĂĄquina de escrever. Compositores sĂŁo poetas que a vida esqueceu de presentear com a arte do silĂȘncio. Os seus sentimentos tĂȘm tons e harmonias; pausas e bis.
Eu me acostumo! Mesmo sabendo que nĂŁo durarĂamos mais do que um ĂĄlbum inteiro do Pink Floyd. Serei mais uma histĂłria, mais um balançar de cordas. Terei cinco estrofes e dois refrĂ”es. Meu nome vai ser ocultado. A canção irĂĄ servir como uma recordação boa para alguns; insuportĂĄvel para outros.
Enquanto isso - do outro lado da cidade -, estarei me reestruturando aos pouquinhos.
Eu sĂł preciso do barulho que vem do meu peito para estampar o papel. Eu sĂł preciso lembrar-me do cheiro de cigarro mentolado para naufragar no mar branco das folhas. Porque poetas sĂŁo compositores sem ritmo. Meus dedos sĂŁo ĂĄgeis, assim como o mĂșsico nas cordas. Minha alma grita, pois precisa. Meu coração ritmado cria todo o tipo mirabolante de melodias.
Eu o conheci no meio das minhas incertezas. Nossos bloqueios criativos se atraĂram. Esse era o nosso nĂvel de igualdade. Um nĂŁo era superior ao outro, havĂamos cicatrizes iguais.
NĂŁo Ă© o que dizem? Por onde passamos deixamos um pouquinho da gente. Pessoas que assinam as nossas peles; carimbam as nossas vidas. Eu sei que na vida dele muitas outras se tornarĂŁo cançÔes pelo que nĂŁo deu certo. E voltaremos ao recomeço, uma vez que o ser humano tem a necessidade de pertencer. Seja a uma mĂșsica, a um poema ou lembrança.
E ele Ă© todo sentimento. Eu sou toda pedra. Ele sempre viveu todos os momentos; fumou todos os cigarros; cantou todos os refrĂ”es. Mas aprendeu a duvidar das palavras e dos poetas. NĂłs querĂamos ficar juntos, ao mesmo tempo em que todos os versos diziam ao contrĂĄrio.
Mas eu nunca o amei!
Mesmo ficando com a mania de curtir os ĂĄlbuns dos anos 70, de criar regras, de anotar as coisas em um bilhete na geladeira para nĂŁo esquecer o que fazer. Mesmo esperando silenciosamente o fim do primeiro cigarro, em seguida o pigarro seco e, por fim, os graves e agudos do violĂŁo. Eu nĂŁo o amei nem quando fiz o meu melhor poema dedicado aos amores que perdemos no meio do caminho. Ou os caminhos que perdemos em meio aos amores ilusĂłrios.
Ele nunca soube me dizer o que era impressionismo, eu nunca quis aprender a tocar violĂŁo. Ele nĂŁo gostou dos meus poemas; eles eram indecisos - porque lua em libra Ă© o meu segundo nome. Eles eram tristes, pois eu sabia que nunca seria o seu Wonderwall, do mesmo modo em que ele nunca seria aquele que poderia me salvar.
Nossos mundos colidem, nossos karmas se cumprimentam como velhos amigos de uma vida cansada. Por isso preferi amar Stop Crying Your Heart Out do Oasis. Ă mais fĂĄcil. AceitĂĄvel.
Assim como a mĂșsica, tivemos o nosso tempo cronometrado. Assim como um poema, seremos eternizados em pequenas estrofes do passado que resignamos.
âAguente!â â diz a mĂșsica â âNĂŁo se assuste! VocĂȘ nunca mudarĂĄ o que aconteceu e passou...â
E isso me conforta até a próxima manhã, sem ninguém cantarolando refrÔes na janela...
NĂłs somos um amontoado dos nossos danos. Nossos olhos cor de terra fazem fronteira. Meu outono nĂŁo combina com a sua primavera. Um cai e o outro se regenera. Um chora e o outro ri.
Nossos defeitos superam as nossas qualidades. Nossos sonhos nĂŁo estĂŁo mais guardados na mesma caixa. HĂĄ sempre um conflito, vocĂȘ Ă© a razĂŁo. Eu sempre perco a guerra. A emoção Ă© a minha trincheira.
MĂșsicas declamam as histĂłrias que jamais contaremos a alguĂ©m. Vamos odiar e, por fim, esquecer. Talvez sentir inveja por elas durarem mais do que o nosso encontro. Um abismo de palavras nĂŁo ditas nos consome. Pois nĂŁo hĂĄ antĂdoto para o silĂȘncio. Ele Ă© a resposta para as perguntas cujo resultado jĂĄ sabemos. Ă territĂłrio neutro. O meio termo. E sempre odiamos meio termo.
NĂłs somos o que ninguĂ©m viu. Os cacos do que ninguĂ©m sentiu. HĂĄ histĂłria por trĂĄs do desvio do olhar. HĂĄ contratempo nos assuntos que morreram em alguma desistĂȘncia nossa. HĂĄ estranheza nas letras de cançÔes familiares.
Eu jĂĄ usei aquela sua camisa azul e vocĂȘ jĂĄ reclamou do meu vizinho que fala alto. HĂĄ vida por trĂĄs das situaçÔes que enterramos; das peles que assinamos. Pois o silĂȘncio tambĂ©m narra romances ruins.
O clĂmax nĂŁo interessa mais quando o fim chega. Os motivos para ir embora sobrepĂ”em o oposto. O mundo ficou pequeno para as nossas birras. O nosso enredo nĂŁo atrai. Nos entediamos na mesma frequĂȘncia.
Nossos nomes nĂŁo estĂŁo no tĂtulo de uma mĂșsica do LegiĂŁo Urbana. VocĂȘ nĂŁo estava perdido e nĂŁo se agarrou a mim. NĂŁo tivemos o nosso prĂłprio tempo, pois todo o tempo do mundo jĂĄ estava cronometrado. Palavras sĂŁo erros e os erros, bem, sĂŁo meus.
Eu falo em seguir em frente, mas eu mesma nunca fui muito de ouvir os meus conselhos. Cometo erros, esqueço aniversårios e sou grossa até quando não quero. Mas, apesar dos meus defeitos, sempre tive muitas expectativas no amor. Sério! Como seria. Que formato teria...
O que eu não sabia, e o que ninguém me disse, é que o amor não é aquela bala perdida que te acerta sem mais nem menos. Bom, pelo menos comigo funcionou diferente. Foi como ter um alarme no peito e escutå-lo esbravejar. Sentir que era a hora de ser um plural.
O amor te deixa bobo e paranoico. As nuvens passam a ter formas, os pĂĄssaros cantam mais alto. VocĂȘ nĂŁo Ă© vocĂȘ quando se apaixona. O mundo Ă© colorido em duzentos tons de vermelho e vocĂȘ gosta de escutar promessas, mesmo que nĂŁo tenha pedido para ouvi-las. Amor Ă© pensar fora do corpo. Saber ler mentes, decorar trejeitos e, quem sabe atĂ©, aprender a fazĂȘ-los tambĂ©m.
Amar Ă© abaixar a guarda e mandar o exĂ©rcito de autossuficiĂȘncia recuar.
Amar Ă© compromisso. Amar Ă© uma palavra decisiva. E palavras sĂŁo destinos, caminhos em linhas que a alma escreve. Escreve na parede do peito do outro. AtĂ© porque, vocĂȘ nĂŁo pode iniciar um incĂȘndio sem uma faĂsca.
VocĂȘ ama pela convivĂȘncia, ama pela afinidade. Ama e entende que ser perfeito nĂŁo interessa. Perfeição nĂŁo discute, ela tem medo de ser machucada. Pois com a perfeição nĂŁo existem os receios. NĂŁo tem meio termo. A perfeição te deixa desleixar e some com todas as coragens que vocĂȘ nunca pensou em ter.
EntĂŁo, por algumas vezes, posso atĂ© pensar que o amor Ă© uma bala perdida sim. Pois vocĂȘ sobrevive. E recomeça. E valoriza o que tem. Faz planos, compra duas passagens, dois travesseiros. Aprimora-se por dois, se reinventa duplamente. Dentro do nosso universo existe um equilĂbrio maluco. O que um faz, o outro faz.
No amor eu consigo improvisar. Aprendo que ser melhor Ă© cronolĂłgico, enquanto os sentimentos sĂŁo atemporais. Aprendo que tenho medo de cometer erros, tenho medo de passar os meus aniversĂĄrios sem ninguĂ©m por perto, medo de ter um vinho na geladeira por mais de trĂȘs semanas por nĂŁo ter com quem beber.
Percebi que a vida não é um conto de fadas. à concreta, com pessoas e sensaçÔes reais. E essa realidade me envolve, atiça e pasma. Pois, neste plano, o amor serå sempre o nosso ponto de encontro. Ponto de Înibus coberto que nos abriga em dia de chuva.
Eu subestimei o amor e a capacidade que ele teve de me mudar. Mas o amor também me subestimou e eu provei - para mim mesma até -, que ter alguém para esquentar os pés (e o coração) não era de todo ruim.
Um dia a vida te convence de que os recomeços sĂŁo necessĂĄrios. Que amar demais e por dois nĂŁo Ă© recĂproco. Aprende que esse tempo de que tanto falam Ă© desleal quando quer e honesto quando pode. Percebe que o amor nĂŁo Ă© para os fracos, mas sim para os distraĂdos. Descobre que a vida nĂŁo Ă© essa bomba relĂłgio cronometrada que alguns dizem.
Um dia o choro abafado no travesseiro transforma-se em sorriso bobo. E vocĂȘ percebe que finais felizes podem nĂŁo ser tĂŁo mĂĄgicos quanto o presente. E se contenta com isso. Entende quando o sofrer passa do ponto e para de cultivĂĄ-lo.
Um dia a tempestade volta a ser apenas uma garoa fina. E, para cada sorriso seu, uma estrela brotarĂĄ no cĂ©u. AĂ, vai entender que nada pode durar alĂ©m do sufoco da alma. Vai aprender a sentir o cheiro do perigo e ir embora. SaberĂĄ fazer as malas. Refazer a vida.
Um dia a vida te convence de que tentar acumular uma pilha de erros com alguĂ©m nĂŁo satisfarĂĄ a tua felicidade. E vai entender que nada que nĂŁo passe de teoria merece a oportunidade de ser real. Que os sonhos sĂŁo maiores que as falsas alegrias. Que difĂcil mesmo Ă© ficar em cima do muro, enquanto milhares de chances preciosas sĂŁo perdidas todos os dias.
Um dia vocĂȘ vai saber que ser sozinho nĂŁo Ă© - e nunca foi -, ser solitĂĄrio. E aprenderĂĄ a viver sem grades, tanto no peito quanto fora dele. E se apaixonarĂĄ pelas reviravoltas da vida, as voltas que o mundo dĂĄ.
EntĂŁo, vocĂȘ vai encarar o passado como se nĂŁo o conhecesse. Para os outros, um mistĂ©rio. Para vocĂȘ, apenas mais um segredo.
Um dia, se o recomeço não fizer sentido, tente entender que, às vezes, é preciso juntar todos os montinhos de distraçÔes e soprå-los ao vento. Compreenda que muitas pessoas vão se perdendo pelos caminhos, enquanto tentamos achar os nossos.
Assuma todos os riscos. Leia todas as peles. Decifre todos os mapas. Siga fazendo o melhor que sabe. NĂŁo deixe ninguĂ©m tentar modificar o que vocĂȘ Ă©.
Pode levar tempo, mas vocĂȘ entenderĂĄ o valor da liberdade que o primeiro passo pode lhe proporcionar.
Talvez eu nĂŁo te leve pra vida toda. Talvez eu te carregue como um peso na mente, atĂ© a metade do que me sustenta. NĂŁo sei. VocĂȘ nĂŁo Ă© aquela cena da minha mĂŁe e do meu padrasto dançando Elis Regina na sala pequena. VocĂȘ nĂŁo Ă© a minha avĂł dando o primeiro passo para fora do hospital depois de uma recuperação difĂcil. VocĂȘ nĂŁo Ă© o pai que nĂŁo se despediu e foi embora mesmo assim. VocĂȘ nĂŁo Ă© nada! Porque vocĂȘ nĂŁo me conhece. NĂŁo sabe que eu tenho insĂŽnia e gosto de mĂșsica clĂĄssica. NĂŁo sabe que os meus sonhos sĂŁo do tamanho do mundo. Desconhece as minhas asas. Nunca saberĂĄ que a sua ausĂȘncia me prendia numa cidade que seus pĂ©s mal tocavam. VocĂȘ vai perder o meu prĂłximo aniversĂĄrio, assim como a formatura e a minha primeira viagem pra Ăsia. NĂŁo vai saber que eu sempre quis andar de bicicleta pela Dinamarca e chorar assistindo o balĂ© russo. Jamais vai saber que o meu coração Ă© frĂĄgil, despedaçado, porĂ©m aberto e navegĂĄvel feito um mapa. EntĂŁo vocĂȘ serĂĄ apenas uma coordenada errada. Uma saudade indesejada. Uma canção lenta no violĂŁo. Pior. VocĂȘ nĂŁo serĂĄ. NĂŁo serĂĄ nada!
A urgĂȘncia de te colocar no meio de todas as minhas consequĂȘncias me fez gostar de vocĂȘ. O nosso encontro Ă© o meu acerto de contas. Eu sinto a dor antes de notar que as feridas estĂŁo expostas. Pois tudo em mim Ă© exposto quando os nossos erros se cruzam. NĂŁo te falo que entre todas as minhas oitavas de indiferença, um pouco de mim se esconde no limite do melhor que posso fazer por nĂłs.
VocĂȘ sempre foi mais forte do que eu. Sou fraca. Vidente dos caminhos tortos, a fagulha de um incĂȘndio incontrolĂĄvel. Ao seu lado eu nĂŁo sei ser imortal, nĂŁo sei ter asas. Sou uma alma cansada em busca das nossas pequenas urgĂȘncias. Sou escrava de um sentimento sem nome, amante das causas perdidas.
Sinto-me pequena quando o seu sorriso sobrepÔe o meu. Quando a sua felicidade passa por cima da minha. Nossas alegrias são poesias que não rimam. Elas não merecem andar lado a lado.
VocĂȘ me faz acreditar que posso viver como quem sabe que vai morrer um dia. Eu mordo os lĂĄbios, finco as unhas nas palmas das mĂŁos, faço as poucas oraçÔes que conheço, e continuo fraca. VocĂȘ conta as piadas sem graça, diz que gosta de Azul Royal e Game of Thrones, e isso te exalta.
Entre nĂłs hĂĄ um abismo de sombra e caos. Todas as nossas urgĂȘncias, consequĂȘncias e pontos fracos nĂŁo se saciam, se esbarram.
EntĂŁo, eu fecho os olhos, suspirando, sabendo que o seu lado fraco pertence a outra pessoa. Que o seu acerto de contas estĂĄ em outras mĂŁos. Que os teus limites nĂŁo sĂŁo melhores e nem piores que os meus.
NĂłs nĂŁo somos imortais, nĂłs nĂŁo temos asas, o seu sentimento tambĂ©m nĂŁo tem nome. Eu nĂŁo gosto de azul. VocĂȘ nĂŁo finca as unhas na pele.
Querer ser pequeno Ă© um erro que nos maltrata. Precisar ser pequeno Ă© uma alegria falsa. O nosso melhor nĂŁo Ă© mais nosso.
Se vocĂȘ sabe de quem Ă©, boa sorte. Continuarei tentando.
A pressa que tenho eu carrego na alma. No pensamento que me pesa, no tempo que me alivia. Tenho pressa no nome, no beijo. Tenho pressa na frase que brinca na ponta da lĂngua, aquela que os olhos falam antes da boca. Eu tenho pressa dos problemas que ainda nĂŁo tenho. Do ĂŽnibus que nĂŁo passou. Do abraço que nĂŁo recebi. Tenho pressa quando esqueço. Quando um minuto vira uma hora. A pressa eu trago no gosto, arrasto com o cheiro. Pressa que me contamina, me dissolve, me reanima. Tenho pressa no vento que sopra, no sopro do peito, no coração inflamado. Do tombo que nĂŁo caĂ. Da decepção que irei de ter. A pressa do futuro que sorri parado na esquina. Do passado que virou um borrĂŁo de tinta. Do presente tĂŁo presente. TĂŁo relĂłgio. TĂŁo gosto. TĂŁo radioativo. âšTenho pressa naquilo que ainda nĂŁo aprendi. No sentimento que nĂŁo sei o nome. No amor honesto. âšTenho pressa em ser feliz com meus olhos atentos, pĂ©s firmes e braços abertos.
Ela olhou para o celular mais uma vez.
Ela esperou um convite que nunca viria.
Suspirou. Engoliu o choro. Mexeu no cabelo.
Ela sussurrou saudade.
Ela espiou mais uma vez. Nada.
Ela queria uma confirmação, não um certificado de importùncia.
Ela encarou um horizonte triste.
Ela pensou na possibilidade de ser a escolha em meio a outras opçÔes e sorriu.
Sorriu triste. Sorriu pesarosa.
Sorriu como se esperasse um dia de Sol em meio as nuvens nubladas.
Ela sorriu com os olhos miĂșdos protagonizando algo entre esperança e agonia.
Ela olhou para o celular mais uma vez.
Mordeu o canto da boca, como sempre faz quando estĂĄ nervosa.
Inspirou. Trocou as pernas cruzadas de posição.
Ela esperou um recado tosco. Ela queria até uma piada sem graça.
E nada.
Sorriu como sempre faz. Como se fosse rotineiro nĂŁo obter uma resposta.
Sorriu omitindo a culpa que era lembrar sem ser lembrada.
Ela sorriu.
Ela olhou para o celular mais uma vez.
Queria um hĂłspede em seu corpo.
Queria as pontas dos dedos passeando entre o seu cabelo.
Ela lembrou. Ela sorriu.
Ela olhou para o celular mais uma vez.
E bloqueou a pĂĄgina que trazia um rosto. Que trazia um nome.
Nome tĂŁo curto, de consequĂȘncias tĂŁo devastadoras.
E bloqueou o choro.
Bloqueou o coração.
Ela sorriu.
E pensou "Vai passar. Sempre passa."
Eu vou dizer que te amo da boca pra fora, com os lĂĄbios cheios de orgulho e veneno apaixonado letal. E, gradualmente, da mesma forma em que o entardecer transita da noite para o dia, vou guardar todos os teus segredos em alguma nuvem de mim. AĂ, meus olhos vĂŁo enxergar a neblina dos teus e atravessĂĄ-las feito um cometa. A chuva do meu cĂ©u tem o mesmo cheiro que flui do teu abraço quando me cerca. E eu fico ali, boquiaberta, orbitando fora do meu sistema, flertando com as tuas intençÔes, tropeçando em palavras. Porque, por vocĂȘ, eu estou disposta a viver sem saber o que vai acontecer. Aceito improvisar. Aceito ser o agora ou nunca. Eu quero os teus olhos escrevendo o meu nome. Eu quero que vocĂȘ leia os meus lĂĄbios e sobreviva com as minhas dĂșvidas. Eu quero a certeza do momento, mas nĂŁo um contrato com o pra sempre. âšEu vou dizer que te amo da boca pra fora, com ĂȘxito em cada sĂlaba, para disfarçar a pressa que tenho em ser amada de volta. AĂ vocĂȘ se transformarĂĄ na promessa que fiz ao vento. Na memĂłria ininterrupta. Na vida que ainda nĂŁo vivi. E, subitamente, da mesma forma que o cĂ©u toca o mar em dias de tempestade, vou guardar vocĂȘ no meu impossĂvel. AĂ, teus olhos vĂŁo se tornar o meu anticorpo contra o pessimismo. Por vocĂȘ eu aceito ser fraca. Aceito mergulhar em ĂĄguas rasas. Aceito ser menos tĂłxica. Pois eu quero o explosivo que vem enrolado nos teus sentimentos. Eu quero inventar as respostas das perguntas que as pontas dos teus dedos fazem ao meu corpo. Eu quero te esconder em cada hora do meu dia. Eu quero ser o destino que vocĂȘ chama de acaso. Porque, por vocĂȘ, eu aceito ser coincidĂȘncia. âšEu vou dizer que te amo da boca pra fora. Que te amo pelos pulmĂ”es. Que te amo em cada artĂ©ria. E, naturalmente, vou descobrir que quem me envenena Ă© vocĂȘ. AĂ, vocĂȘ aceitarĂĄ ser a minha contradição. O meu calor. A declaração de amor que nunca fiz. âšEntĂŁo, seremos o Ăłbvio. âšSeremos o prazer do arrepio. Os que se amam em trĂȘs palavras, mas que podem se destruir em duas. Mas aĂ, seremos fracos demais para roteirizar uma nova solidĂŁo. Estaremos perdidos em nossa prĂłpria intimidade. NĂłs nĂŁo saberemos mais voltar ao inĂcio das nossas histĂłrias se isso arrancar um da alma do outro. A incompetĂȘncia Ă© o nosso vĂcio. Eu arrebento no lado mais fraco. Eu termino onde vocĂȘ começa.âš Eu te amo da boca pra fora, mas isso vocĂȘ jĂĄ sabe.
