Ignorância

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Falso conhecimento é pior que ignorância: quem não sabe ainda pode aprender; quem pensa que sabe se fecha no erro.

“O extremo do desrespeito é a ignorância.”
O desrespeito costuma ser associado à agressão, à humilhação ou à violência explícita. Mas existe uma forma mais silenciosa — e talvez mais cruel — de desrespeitar alguém: ignorar sua humanidade.
A ignorância não é apenas a falta de conhecimento; muitas vezes, ela é a recusa de compreender. E quando alguém deixa de enxergar o outro como alguém digno de escuta, sentimento e existência própria, o respeito deixa de existir por completo.
O ódio ainda reconhece a presença do outro. Quem odeia, de certa forma, admite que o outro existe e o afeta. Já a ignorância extrema age como se o outro fosse invisível. É um apagamento.
Por isso ela pode ser mais profunda que a própria agressão: porque transforma pessoas em coisas, sentimentos em exageros e dores em detalhes irrelevantes.
A ignorância também se manifesta nas relações do cotidiano.
Quando alguém invalida a dor do outro sem tentar compreender.
Quando julga sem conhecer a história.
Quando fala sem ouvir.
Quando prefere o orgulho à empatia.
Tudo isso são formas silenciosas de desrespeito.
E existe algo ainda mais perigoso: a ignorância costuma andar ao lado da certeza absoluta.
O ignorante raramente questiona a si mesmo. Ele acredita que já sabe o suficiente, e exatamente por isso fecha as portas para compreender perspectivas diferentes. O respeito nasce da consciência de que nunca enxergamos a vida inteira pelos próprios olhos. Quem entende isso desenvolve humildade; quem ignora isso impõe.
Talvez o extremo do desrespeito seja a ignorância porque ela destrói a ponte mais importante entre os seres humanos: a capacidade de reconhecer o outro como alguém tão complexo e sensível quanto nós mesmos.
E no fundo, toda ignorância é uma prisão da consciência.
Quem desrespeita por ignorância não diminui apenas o outro — diminui a si próprio, porque perde a capacidade mais humana que existe: compreender.

Se o saber não ocupa lugar, então a ignorância reside na mente dos homens.

Na cachoeira do existencialismo,
Há ignorância no moralismo,
A humanidade se perde em abismo,
Inoperante é o egoísmo.

Na queda livre da busca do eu,
A mente dele se perdeu,
Dizem que ele enlouqueceu,
Essa é sua filosofia que morreu.

Preconceito é uma visão inconsistente e ignorante. É essa coisa fluída e inacabada que fica presa na fenda medíocre do tempo entre o pouco que a pessoa sabe e o muito que ignora.

entre analfabetos, ignorantes,
arrogantes e soberbos,
nervos
dos eternos aprendizes.

Na mente de uma nação que elege um politico corrupto, o vazio não é falta é excesso de ignorância ocupando espaço.


Marcilene Dumont

"O estudo não constrói pontes sobre o abismo da ignorância, mas desperta o gigante adormecido dentro de cada um para atravessá-lo."

A ignorância do rebanho é o principal ativo de quem lucra com a fé alheia.

Excesso de estudo,
deixa a pessoa ignorante!

A ignorância não atinge apenas os ignorantes, mas a todos ao seu redor. (LilloDahlan)

"Minha mentalidade é chata, minhas atitudes são brutas e as vezes até ignorantes, porém raros os que conhecem a essência da minha alma."

Não se prenda às vaidades, erros, vícios, ignorância, preconceitos ou paixões.
Esteja sempre em mudança, em aperfeiçoamento. Evolua!
Seja um vencedor.
Viva o hoje, e o amanhã virá!

Sábio você se torna quando
descobre os limites de sua
própria ignorancia.

“Que eu jamais use a ciência para negar humanidade, nem a fé para justificar ignorância.”

A maioria das pessoas não teme a ignorância.


Teme o desconforto de pensar profundamente.


Pensamentos rasos oferecem respostas rápidas, certezas imediatas e pertencimento coletivo.
Já o pensamento verdadeiro exige solidão intelectual, dúvida constante
e coragem para abandonar convicções antigas.


Poucos suportam esse processo.


Porque pensar de maneira genuína
não é acumular informações.
É permitir que a própria mente seja desmontada, reorganizada
e reconstruída inúmeras vezes ao longo da vida.


O conhecimento real raramente produz arrogância.
Produz consciência da imensidão do que ainda permanece desconhecido.

⁠Ignorância é isto!!!
Refutar por refutar ou acreditar por acreditar...
E não entender nada ou compreender nada!!!
Simplesmente crer ou não crer por especulação e empatia pessoal infundada...

⁠A ignorância é o elemento mais violento da sociedade.

Emma Goldman
Anarquismo e outros ensaios (1910).

Lembremo-nos que a educação é a única luz capaz de dissipar a escuridão da ignorância.

O Peso do Tijolo

A fumaça do café barato subia em linha reta, ignorando a bagunça de papéis sobre a mesa. Do outro lado do bar, a voz de Arthur ecoava, terna e flutuante, recitando versos sobre o "inefável vazio do ser". Os jovens ao redor estalavam os dedos em aprovação. Arthur era o poeta oficial do bairro, um caçador de relâmpagos.

Benício, no entanto, olhava para as próprias mãos sujas de tinta preta. Ele não caçava relâmpagos. Ele carregava pedras.

— Você devia subir lá, Benício — disse a garçonete, deixando a conta. — Deixar um pouco de poesia sair desse peito ranzinza.

— Não sou poeta, Clarice — respondeu Benício, sem tirar os olhos do caderno. — Sou escritor.

— E qual a diferença? — ela sorriu, limpando o balcão.

— O poeta voa, Clarice. Eu preciso caminhar. O poeta resume o mundo em um suspiro. Eu preciso de trezentas páginas para entender por que um homem chora ao ver um sapato velho na calçada.

Ela deu de ombros e se afastou. Benício voltou ao trabalho. Ele estava há três semanas preso no terceiro capítulo de seu romance. Não buscava a palavra perfeita que rimasse com a dor; buscava o motivo exato pelo qual seu protagonista, um velho relojoeiro chamado Vicente, havia parado de falar com o filho.

Arthur, o poeta, aproximou-se da mesa, exalando o perfume do aplauso recente.

— Benício, meu caro! Sempre enterrado na lama da realidade. Por que não liberta sua escrita dessas amarras? A vida é efêmera, meu amigo! Um sopro!

Benício ajeitou os óculos e olhou para o amigo.

— A vida pode ser um sopro para quem olha de longe, Arthur. Para quem vive, ela tem o peso de um tijolo por dia. Seu poema é lindo, mas ele não explica como o Vicente vai pagar o aluguel amanhã de manhã.

Arthur riu, uma risada leve, e deu um tapinha no ombro de Benício antes de sair pelos fundos com seu séquito.

Benício ficou sozinho. A luz do bar começou a piscar. Ele pegou a caneta. Esqueceu as rimas, a métrica e as metáforas abstratas. Em vez disso, escreveu sobre o cheiro de graxa nas mãos de Vicente. Escreveu sobre o barulho mecânico dos relógios de parede preenchendo a solidão da casa. Escreveu o diálogo seco, doído, que o pai nunca teve coragem de dizer ao filho.