Homem Fiel
O vazio da alma humana nasce da ausência de Deus. Quanto mais distante o homem permanece d’Ele, mais se afasta da própria essência.
O homem de verdade se orgulha da sua independência e vira o seu cais; o obsessivo se assusta com a sua força e tenta virar a sua cela.
O mundo dá voltas tão violentas que o homem que hoje deita no seu peito como o herói que cura as suas feridas, amanhã pode ser o carrasco que arranca o seu último suspiro. A lição de vida mais amarga que nenhuma mulher deveria precisar aprender é que o amor verdadeiro nunca exige que você morra por ele, e que a sua intuição é a sua única armadura: nunca abaixe a guarda para quem tenta trancar a sua liberdade sorrindo.
Os feitos de um grande homem se erguem acima de suas fraquezas e pecados, e o tornam digno diante de Deus.
Nada enfraquece tanto um homem quanto o hábito do conforto, nele a ambição se amansa e a queda se torna inevitável.
O pecador evita a oração porque teme a luz; o homem de oração abandona o pecado porque já viu a luz.
Eu já havia sido condenada à prisão perpétua, mas um homem se levantou e disse que pagaria no meu lugar. Para minha surpresa, ele era o filho do juiz.
Miserável homem que sou, pois todos os dias me levanto, movido pelas paixões da carne, e não pela eternidade.
Eu não estava no Éden quando o homem caiu, mas herdei a culpa. Também não estava na cruz quando Cristo morreu, mas herdei a graça. E foi a graça que falou mais alto que a queda.
Às vezes, o homem se afasta de Deus não por ter deixado a fé, mas por ter conhecido de perto aqueles que dizem representá-Lo.
O homem é tão egoísta que precisa ouvir sobre recompensas na etemidade para finalmente praticar o bem enquanto ainda está vivo.
Quando inicie era um homem vazio. Quando terminei, compreendi que não era um homem, somente o vazio.
“O homem passa. A fama desaparece. A força diminui. Mas os valores que ensinamos continuam caminhando por gerações.”
Cícero Melo Shihan - Hoshō Ryū Ninpō
O homem só presta bebo liso e apaixonado,
com a garganta em fogo e o peito incendiado.
Cachaça pura, sem gelo, sem engano,
endireita o corpo e acalma o desengano.
Um gole, um verso, um suspiro profundo,
e o mundo fica leve, o coração vira mundo.
Bebo liso, apaixonado, sem ter pra onde ir,
porque a vida é mais doce quando a cana faz sorrir.
Quando observamos a carta de Paulo aos Coríntios, percebemos que aquele homem havia compreendido que o amor é, de fato, a essência da vida, e que, sem ele, tudo se torna vão. Sua história nos mostra que aquele que antes era um grande religioso, mas sem amor, agora se torna um convertido, porque, ao dominar a desintegração interior, pode reencontrar-se com a sua essência divina.
Muitos de nós teremos dificuldades em saber, de fato, o que é o amor, porque não o recebemos ao chegar a esta existência, razão pela qual carregamos uma noção equivocada dele ao longo da vida. Mas o amor é algo que nasce a partir de um estado integrado da alma. Nesse sentido, isso nos permite conhecer verdadeiramente as profundezas da espiritualidade e atingir um grau de consciência que nos conduz a um estado em que nos tornamos cada vez mais humildes, misericordiosos e perdoadores. Uma elevação da espiritualidade verdadeira não nos leva a um patamar de “saber o que o outro não sabe”, mas de ser aquilo que de fato somos, reconhecendo que não sabemos tudo, porque somos limitados. Nesse sentido, passamos a ter a capacidade de servir e de descer, porque estamos conectados conosco e com o divino.
Quantas vezes, pela falta de amor, nos tornamos implacáveis e sem misericórdia. No entanto, o amor nos conduz ao equilíbrio entre justiça e misericórdia. Enquanto resistimos a adentrar na dimensão do amor, somos levados pela vida a uma escola que nos trará fatos e situações desconfortáveis para que possamos perceber o que realmente importa e, com isso, desenvolver a capacidade de discernir entre o essencial e o superficial. Esse processo é como um refinamento, em que o fogo que queima retira as impurezas para que a alma brilhe.
Ao nos reencontrarmos com o Criador, podemos reconhecer que somos uma unidade e que o outro também faz parte da nossa família. Assim, somos chamados à responsabilidade pela construção da nossa história e de uma nova relação com Deus, conosco e com o próximo. Ao nos permitirmos viver o amor humano, podemos nos reencontrar e reconstruir uma nova história fundamentada no amor divino.
